domingo, 25 de novembro de 2007

"MIOPIA"



O que levará os homens e as mulheres a usarem aqueles cordelinhos a que prendem os óculos para os trazerem ao pescoço?
Será por medo de os perderem, ou será por quererem chamar a atenção para o facto de estarem a ficar mais velhos?
Também costumo usar óculos, quando não ponho as lentes de contacto e acho bizarro o facto de nas reuniões, ter colegas que passam o tempo todo com os óculos nas mãos ou pendurados ao pescoço sem os porem uma única vez.
Brincam com eles, segurando-os pelas hastes o que me leva a concluir que os usam apenas como um acessório.
Também os grandes armazéns e lojas da especialidade, expõem os ditos cordelinhos junto dos acessórios de moda.
Acho que os óculos conferem a qualquer pessoa que tenha de usá-los, uma imagem de maior maturidade e como tal há que abusar do seu uso.
Recordo-me a esse propósito que as crianças são cruéis. Chamam aos colegas que usam óculos “caixa d’óculos”, mesmo que estes usem o tal cordelinho que lhes dá um ar chique e lhes retira a conotação negativa pelo facto de usarem óculos.
Eu cá sou como as crianças. Quando não gosto de alguém e se esse alguém usa óculos, é certo e sabido que leva o cognome de “míope”.
Odeio míopes.
A esses, nem o cordelinho salva, porque são míopes dos olhos e do juízo.
E então aqueles que papam hóstias e os outros que lhes lambem as botas, são míopes ao cubo.
Há míopes em todos os quadrantes da vida portuguesa. Uns mais do que outros mas regra geral todos são uns grandes sacanas oportunistas.
Meu Deus, faz com que a miopia não seja contagiosa. Deixa-me ficar apenas com a minha hipermetropia e o meu astigmatismo e não me deixes cair em tentação.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

A PATOLOGIA DO SER



Cada vez dou mais valor à decência, ao mesmo tempo que, cada vez mais, acho a decência uma das coisas que actualmente menos contam no dia a dia das pessoas.

Não que isto seja verdadeiramente novidade para mim, mas tenho sempre aquela ideia (esperança) de que tal como precisamos de uma forma para fazer um bolo, também muitas situações que atravessamos na vida precisam de uma forma. De preferência bem untada de valores que interiorizamos para que possamos desenformar o bolo sem precalços de monta.

A realidade, porém, é bem diversa. A cada dia que passa, a cada hora do dia, há mais e mais situações que me fazem pensar numa total inversão de valores e que a decência é substituída pela necessidade de ajuste a uma série de situações indecentes. Das mais intrincadas e importantes situações profissionais ao mais simples e comezinho café que se tome com um amigo ou colega, discutindo banalidades. Tanto numas como noutras situações, cada vez mais a indecência é uma forma de vida. Mais grave: não só forma de vida, como absolutamente vital para a sobrevivência.

Ontem, então, foi um dia indecente a cada minuto. Cheio de pequeninas coisas, manhas, artimanhas, jogos de cintura, mentirinhas, mentironas, sacanices, hipocrisias e uma tendência quase patológica para o maior desporto nacional – a filhadaputice militante, perdoe-se-me o termo.

Quando este tipo de situações vai incidir sobre terceiros, a coisa então torna-se-me insuportável.

Será que virei otária ou estarei a ficar com o coração mole?

Admito que fui ingénua, que substimei a falta de carácter da outra parte.

Mas uma coisa é certa: não vou morrer disso.

domingo, 11 de novembro de 2007

UM JANTAR COSMOPOLITA



Perguntaram-me os colegas estrangeiros, durante o jantar de S. Martinho, por que motivo o Primeiro Ministro de Portugal andava sempre eufórico e aos abraços nas Cimeiras e nas reuniões com os representantes dos outros países.

Embatuquei.

Por que será?

Vão ver que é um novo ritual de socialização, daqueles que os macacos fazem. Estes para serem aceites no grupo, põem-se a catar a piolhice do macho dominante.

Lá tive de traduzir também a célebre frase "Porreiro, pá!".

Eles riram-se mas eu não achei graça nenhuma.

No meu íntimo, não pude deixar de pensar: Se Portugal vai ser o rosto da Europa durante seis meses e esta ficou com cara de cú, por esse motivo, agora vamos ser também o papel higiénico da Europa, para o resto das nossas vidas.

Tudo isso graças aos abraços do nosso Primeiro Ministro e ao Tratado de Lisboa.

É fodido, pá!

sábado, 10 de novembro de 2007

O MAGUSTO



Hoje é mais uma véspera de S. Martinho.
Por estes lados, vou fazer a festa, deitar os foguetes e apanhar as canas, se fôr preciso.
Convidei alguns portugueses amigos e, como não podia deixar de ser, a maior parte dos meus colegas de trabalho, de outras nacionalidades.
Esta noite vou ter, como convidados, dois espanhois, cinco noruegueses, um alemão e uma nepalesa gaga.
O magusto terá início às oito da noite e prolongar-se-á madrugada dentro, até que todos estejam saturados da companhia uns dos outros.
É cansativo ter de pensar em português e falar outras línguas simultaneamente. Mas o exercício compensa porque ficamos sempre com a consciência de que somos capazes.
A ementa, essa, escolhi-a de acordo com as preferências dos lateiros portugueses: bacalhau assado na brasa, com batatas a murro, caldo verde e arroz doce para a sobremesa. O vinho será Muralhas de Monção e para quem preferir tinto, optei por um Periquita. Não bebo, mas sei escolher vinhos. É um talento inato. Talvez noutra encarnação eu tivesse sido uma grande "borrachola".
As castanhas serão comidas à ceia, assadas e cozidas com erva doce, conforme o gosto, acompanhadas com jeropiga verdadeira e ginjinha, mandadas vir de propósito de uma aldeia do Norte de Portugal.
Acrescentei o meu toque pessoal de servir a jeropiga e a ginjinha em chávenas de chocolate, o que confere um sabor requintado a ambas as bebidas. Se alguém nunca experimentou, que o faça, porque ficam simplesmente deliciosas.
Os meus amigos dizem sempre que gostam que seja eu a organizar os eventos, porque sou toda cheia de paneleirices requintadas, que sabem bem e fazem bem ao ego (deles, está claro), porque se sentem distinguidos pela forma como recebo toda a gente.
São sete horas e já tenho quase tudo pronto, para receber a "marabunta".
Acho que vai ser um sucesso.
Desejo a todos um Bom S. Martinho.

domingo, 28 de outubro de 2007

"BURROCRACIA"



Este meu vizinho do lado, por mais que eu lhe ensine todos os truques, não há meio de aprender.
Há dias acompanhei-o numa incursão à Câmara Municipal do Barreiro, por causa das obras que ele também quer fazer na sua casa.
Foi o bom e o bonito com a história das paredes-mestras e a forma como a edilidade interpreta a legislação sobre o assunto.
O meu vizinho, que não se pode enervar, barafustou e quase que deitava a edilidade abaixo, à linguada.
Se fosse eu, tinha feito a obra e pronto. Não se falava mais no assunto.
Foi o que fiz em relação a uma janela que quis abrir no sótão da minha casa, virada para a rua. A Câmara, face ao projecto do Arquitecto, recusou a licença de abertura de uma janela no sótão, com a treta da história das fachadas e das paredes mestras.
Eu não me conformei porque, analisando a construção, não estava em causa nenhuma fachada, nem nenhuma parede mestra.
Matutei, matutei e estive três noites sem dormir a pensar numa forma de contornar a questão.
Numa dessas noites, quando estava quase a adormecer, surgiu-me uma ideia brilhante, que iria provar que as Câmaras fazem da legislação tábua rasa e não aplicam a interpretação correctiva da mesma. São como aqueles burricos com palas: só vêem o que julgam ver.
Vai daí, levantei-me e redigi, "à maneira", um requerimento em que solicitava o fecho de uma janela no sótão. Está claro que a janela não existia e o que eu queria mesmo era abrir uma nova.
O Arquitecto ficou estupefacto e duvidou das minhas capacidades de jurista idónea e experiente. Tranquilizei-o dizendo-lhe que não queria vigarizar ninguém, mas apenas provar que a Câmara não estava a ver o "filme".
Dei entrada ao requerimento e, como esperava, foi indeferido: não podia fechar a janela do sótão.
Deste modo, eu passei, na prática, a ter uma janela aberta no sótão e não posso fechá-la, porque o despacho camarário impede-me de o fazer.
Lógico que acabei por não abrir a tal janela. Contentei-me com uma daquelas de telhado, que se levantam com uma leve pressão e que acabou por ficar mais airosa e menos dispendiosa.
Ainda hoje me divirto muito, quando conto esta cena aos amigos.

ALÔ! ALÔ!



As escutas telefónicas em Portugal são o pão-nosso de cada dia. Metade do país encontra-se sob escuta. Pelo menos é o que tenho lido em dois jornais portugueses que assino religiosamente e recebo aqui em terras de Sua Majestade, El Rei D. Juan Carlos de Bourbon.
O caricato da questão é que as escutas estão a ser feitas ilegalmente, à revelia de quem quer que seja e ao arrepio da "Grundnorm".
Por isso, caros compatriotas, toca a interpôr providências cautelares, no sentido de as polícias começarem a ajudar no pagamento da conta de telemóvel, a quem fôr escutado. Sim, porque isto de ter acesso aos segredos mais íntimos de cada um, de borla e a seco, tem que acabar.
A Gente, a Lux e a Caras, certamente que pagariam muito bem para "cuscar" as conversas que as nossas forças de segurança escutam à borlix.
Não é justo!
Da próxima vez que falar ao telefone ou ao telemóvel com alguém e, quando digo alguém, estou a pensar em alguém muito especial, vou tentar negociar com o elemento da escuta: se quer na minha casa ou na dele, porque de certeza que o homem já está de calças em baixo, a imaginar que me está a saltar para cima.
Só assim se compreende o motivo de tanta escuta telefónica. É uma forma de voyeurismo, de taradice sexual, legitimada ao arrepio dos preceitos Constitucionais.


sexta-feira, 19 de outubro de 2007

DE PARTIDA! (AGAIN)



Estarei de volta no Natal, para a minha última semana de férias.

Até lá, vou escrevendo por aqui, sempre que a minha disponibilidade o permitir.

Beijokas!

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

AS "CUNHAS"



O governo continua à nora por falta de "matemáticos". É um desespero. Ninguém dá duas para a caixa em matéria de prestação de contas e de contas públicas. E a falta de "raciocínio lógico"!!!… – Outro drama.
Uma vez pensei que se, por qualquer motivo, fosse obrigada a deixar Portugal, e me perguntassem de que é que teria mais saudades, não hesitaria em dizer: «Sinto falta das pessoas, da terra, da luz, do mar, do ar».
Agora, alguns anos volvidos, não posso deixar de reflectir nesse meu sentimento.
Como tantos outros jovens licenciados, tive de me fazer ao Mundo, para poder sobreviver condignamente, dentro da minha área profissional. Foram tempos difíceis que exigiram, de cada um de nós, cabeça fria e peito aberto para o que desse e viesse, em termos de carreira profissional. Mas, apesar de tudo, eu e os meus colegas, tivemos sorte. Levámos a nossa enxada e cavámos o melhor que sabíamos e que fomos capazes. Por lá ficámos até hoje. Nós, portugueses, somos dedicados, produzimos e temos espírito de missão, quando nos vemos privados do nosso universo.
Volto sempre, quando posso e me deixam e, nos dias de hoje, dou comigo a pensar se hoje teria tido a mesma coragem de me matricular em qualquer curso que fosse, numa universidade portuguesa.
Tem-se constatado que as coisas não mudaram muito em Portugal e que hoje, ser-se licenciado, é o mesmo que ser candidato ao desemprego de longa duração.
O Governo anuncia novas oportunidades que não se vêem em lado nenhum. Conheço casos de jovens que calcorreiam Seca e Meca, de diploma e curriculum debaixo do braço, à procura de trabalho. Muitos ouvem a frase caricata: “Tem habilitações a mais, para o desempenho do cargo”.
E eles continuam a dizer que Portugal precisa de procurar a “excelência”, cultivando a educação e procurando novas oportunidades, ao arrepio das tristes evidências.
A maior parte dos concursos públicos de admissão de técnicos superiores para a administração pública, publicados em Diário da República, estão viciados à partida. Quando leio os critérios de admissão, não posso deixar de pensar que muitos deles já têm destinatário e que só falta pôr lá a fotografia dessa pessoa a quem o lugar já está destinado.
Nas empresas privadas passa-se o mesmo. Se é licenciado, só poderá ser o filho do gerente do banco onde a empresa em questão tem o crédito mal parado, ou qualquer outra coisa do género. Uma mão lava a outra.
Enfim, incrementa-se o factor C de forma vergonhosa e despudorada.
Infelizmente, em Portugal, é do entendimento geral que as cunhas, ao fim e ao cabo, serão atitudes de grande humanidade em que, quem implora um favor, só quer facilitar a vida aos que gostam de ajudar. Portanto, seremos um país de boas pessoas, de queijos, de garrafas e de presuntos no Natal e na Páscoa...
Em última análise, um país que aposta na comunicação e no convívio entre as pessoas. Ora, isto é sempre bonito, na óptica de alguns .
Caros desempregados: deixo-vos aqui uma palavra de alento. Não desistam. Apostem na vossa formação, mesmo que não vislumbrem novas oportunidades.
As tais novas oportunidades através da educação, de que o Governo fala, é uma forma de eles levarem a água ao seu moinho: enquanto estiveres na escola, não figuras nas listas de desemprego.
E isso, para eles, é ouro sobre azul!

terça-feira, 16 de outubro de 2007

O BANHO



É mesmo assim. Uma pessoa dá-lhes a mão, como por exemplo a felicidade metafísica de terem o nosso “Querido Líder” Camarada Presidente do Comité Central, a liderar as suas vidas, e depois querem logo o braço.
É como uma virose.
No Barreiro Velho, por exemplo, há quem exija coisas absurdas como a substituição de bacios por quartos de banho. É que não se entende.
Meus senhores, está nos estatutos da CMB: um bacio é muito mais etnográfico para os pobres se lavarem, do que uma casa de banho.
Mas face a tantas queixas, gostaria de deixar aqui duas notas. A primeira é que a Câmara vai fazer um vídeo de propaganda anti-WC, devidamente registado no Youtube, já que o Google ainda não assinou com a Câmara Municipal do Barreiro aquele protocolo que permite desactivar todos os blogues que expressem livremente as suas opiniões, assim com tão evidente má-fé, como eu faço.
A segunda nota é para que todos os habitantes do Barreiro Velho deixem as suas moradas, para que a Câmara lhes possa enviar um pacote de WC Pato Floral, completamente grátis, para enfiar dentro do penico.
O banho é algo desnecessário. Gasta a pele e constipa.
E, além disso, os homens querem-se a cheirar a cavalo.
Tenho dito!

CENAS ENTRE VIZINHOS DO PEITO



Há já algum tempo que não vou ao teatro. E teatro é uma das coisas que aprecio muito nesta vida. Falta-me disposição mas também me falta companhia. Vou ao futebol sozinha, mas não consigo ir ao teatro sem alguém com quem possa comentar a peça e dividir o chocolate com amêndoas, que teimo sempre em levar comigo, quando vou ver algum espectáculo de antologia. É superior às minhas forças: teatro sem chocolate, não é teatro.
Por isso, aqui há dias, bati na janela do meu vizinho do lado. Convidei-o para vir comigo assistir ao vivo a uma peça no AMAC, na cidade do Barreiro.
Este meu vizinho, de vez em quando está mal-humorado. Abriu a janela de supetão e gritou-me aos ouvidos: ”Estou farto das suas maluquices!” “Não me venha para aqui meter cunhas, que eu não estou para aí virado!”.
Vizinho injusto. Eu mal abri a boca!
Tentei convencê-lo a vestir-se de mulher, é verdade. Levei o meu vison, o meu vestido dourado transparente e os meus collants. Fuzilou-me com o olhar mas vi que ele ficou curioso.
Consegui que experimentasse os meus collants. Realmente, não lhe ficavam lá muito bem. Os pêlos das pernas saíam pela malha sedosa das meias e na parte da frente havia qualquer coisa que não assentava muito bem.
Pronto, desisti! O VTM decididamente não estava para me aturar.
E se fossemos visitar o Kira? (perguntei eu).
Sentindo-se confortável, o vizinho não quis despir os collants. Lá fomos em direcção ao hospital com meia cidade a reparar naquelas pernas esquisitas, de pêlos espetados e a sair para fora das meias.
- “Está a ver o que você me arranjou?” –“Agora toda a gente vai dizer que sou maluco como você!”
Senti remorsos.
No hospital o Kira jazia na sua cama articulada, com um ar feliz. Hummm…,pensei eu. Aquela cara é de quem está a ser muito bem tratado. Será que a Marilyn Monroe trabalha naquela ala?
Nisto reparo que o VTM retira uma pulseira electrónica a um bébé e enfia-a no seu próprio pulso, com um ar de missão cumprida.
Apresso-me a retirar-lhe a pulseira e a colocá-la de novo na criança, antes que meio hospital viesse atrás de nós.
Repreendi-o. Aquilo não era coisa que se fizesse, muito menos num hospital.
Olhou-me furibundo e desabafou: “Eu só queria testar a eficácia da pulseira, para poder usá-la em si. Você dá-me cabo do juízo e seria uma forma de a controlar”.
Nisto o Kira suspirou. Contava os doze pontos que vai oferecer ao Sporting e sorria de satisfação. Vamos ter campeão à custa dele.
Oiço um grito: “Fuja!”.
Olho para trás e vejo o VTM a fugir a sete pés de uma enfermeira mamalhuda que, de luvas calçadas, tentava enfiar-lhe os dedinhos, sabe-se lá onde.
Corremos os dois e conseguimos fugir aos tropeções pelos corredores fora.
Já cá fora, exclamámos em uníssono:
“Ufa! Escapámos de boa!”.

CELULITE



Todos os dias ao sair de casa dou de caras com um anúncio que me deixa logo mal disposta o dia inteiro. É de uma clínica de estética e tem esta brilhante tirada publicitária: "os homens não gostam de celulite".
Não há dúvida que este é o argumento que me faltava para eu pôr fim à celulite que se instalou no meu rabo sem qualquer espécie de permissão. Eu até gosto de ter celulite, adoro!. Faço os possíveis por ter sempre mais e mais.
Ah, mas espera lá, se os homens não gostam, então eu vou já pagar um tratamento de 500 contos numa clínica de estética, para ficar sem celulite!!
Será que eles estão a falar a sério? Será que os senhores que fizeram esta campanha, acham mesmo que este tipo de terror psicológico barato faz efeito numa mulher???
Se o anúncio dissesse "mulheres com celulite não entram na Zara", aí sim, era ver-me a correr para a Corporacion Dermoestetica, primeira das primeiras!
Se formos a ver, também há muita coisa que nós gajas não gostamos, e nem por isso mandamos espalhar outdoors gigantescos pela cidade. Sim, porque senão já estou a imaginar os possíveis anúncios:
- ELAS não gostam de pilas pequenas e flácidas;
- ELAS não gostam de ejaculação precoce;
- ELAS não gostam de pêlos a mais;
- ElAS não gostam de gajos flatulentos;
- ELAS não gostam de sexo oral medíocre e insuficiente;
- ELAS não gostam que cocem os tomates (muito menos em público);
- ELAS não gostam de gajos míopes;
- ELAS não gostam (nem acham sexy) as barrigas de cerveja;
- ELAS não gostam de tampas da sanita levantadas;
- ELAS não gostam que cortem as unhacas dos pés em cima da mesinha da sala;
- ELAS não gostam de mãozinhas sapudas (e pouco hábeis);
- ELAS não gostam de slips nem de boxers com ursinhos;
- ELAS não gostam de atrasados emocionais;
Se os homens deste País se deparassem com estas publicidades, tentariam resolver algumas das questões apontadas?
Não, pois não? Então deixem lá a nossa celulitezinha sossegada.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

A "LUTA"



Eles aí estão, prontinhos para a “luta”. Agora que se aproxima o tempo de carregar armas, começam a desenhar-se os possíveis cenários dentro do Partido Socialista do Barreiro.
Li por aí, algures, que a luta pela liderança no PS do Barreiro está, nesta altura, circunscrita a três candidatos. Um deles, automobilisticamente falando, considera-se uma terceira via.
Ganhe quem ganhar, e partindo do pressuposto de que o elenco de candidatos não está encerrado, o PS não poderá, seguramente, contar com o meu voto.
Felizmente para mim, sou uma cidadã e uma eleitora não partidarizada. Voto livremente em quem quero.
E se eu fosse militante, não me revia politicamente neste PS à moda antiga, dirigido por qualquer um daqueles três candidatos.
A política portuguesa, sobretudo à esquerda, precisa urgentemente de abrir as portas e as janelas à novidade. Inovar, é preciso.
Aqueles candidatos, ainda que por diferentes caminhos, emergem do mesmo passado pouco glorioso, como os candidatos do bocejo programático. O PS do Barreiro hibernou, acomodou-se e deixou de fazer oposição estratégica. Tem-se limitado a gerir os erros dos outros e esperar que o ano de 2009 chegue com tranquilidade e sem grandes sobressaltos.
A ver vamos, as cenas dos candidatos, nos próximos capítulos.
Fora do PS, e politicamente falando, alguém lhes compraria um carro em segunda mão?
Eu não.
Jamais!

sábado, 13 de outubro de 2007

PARA O KIRA



VOTOS DE RÁPIDAS MELHORAS!

QUE TUDO NÃO TENHA PASSADO SÓ DE UM SUSTO.

VOLTE DEPRESSA!

NÃO SE DEIXE IR ABAIXO.

BEIJOKAS COM GELADO DE BAUNILHA

"TREBLINKA"



Ando com um problema para resolver mas tenho medo de ser injusta. Eu sou assim. Penso sempre nos prós e nos contras, antes de resolver seja o que for.
Enquanto não chega o momento de decidir, vou andando por aí, pelas ruas da cidade, observando tudo aquilo que normalmente escapa à maioria dos olhares atentos, para ver se me inspiro.
Num desses meus passeios sem rumo, fui parar à zona degradada dos caminhos-de-ferro do Barreiro.
Vieram-me à memória os meus tempos de infância, quando visitava o meu falecido avô, engenheiro da CUF, no seu local de trabalho, paredes-meias com as linhas de comboio. Recordo-me do bulício e do fervilhar de vida em torno da CP e daquele cheiro a vapor e a carvão.
No Barreiro, o sector ferroviário e o caminho-de-ferro fazem parte do imaginário de várias gerações.
Antigamente havia apenas duas hipóteses: ou a farda de polícia ou da CP. Muitos optaram por vestir a segunda. O Barreiro não foi excepção. Não havia família que não tivesse alguém ferroviário.
Percorro os carris desdentados e reparo nas máquinas ferrugentas. Estou a olhar para o passado, um passado que também foi meu, ainda que por breves instantes. Imagino o meu avô com o seu ar franzino e olhar inteligente que me dizia sempre: “se fosses rapaz, levava-te comigo a andar no comboio”. Eu morria de inveja dos meus primos que, por serem rapazes, tinham esse privilégio: andar no pequeno comboio que transportava mercadorias da CUF.
Os lugares, outrora preenchidos, estão agora desertos e têm uma história para contar. Os fantasmas espreitam pelas janelas de vidros partidos e caixilharias podres. Acenam-me como que a despedir-se de mim e eu, sem querer, associo-os a Treblinka. Meu Deus, como aquele local é parecido com Treblinka!
Dali, daquelas oficinas, foram deportados em massa, milhares de trabalhadores, gaseados sem piedade em nome do Progresso. O desaparecimento do caminho-de-ferro foi uma grande perda, não apenas para aqueles que viviam dele mas também para a cidade como um todo, porque contribuiu para o empobrecimento do Barreiro.
Temos a obrigação de restaurar a memória dos Ferroviários Barreirenses e transmiti-la às futuras gerações.
Por isso, penso muitas vezes que não seria despicienda a ideia da criação de um Museu da História dos Ferroviários Barreirenses, em vez de deixar apodrecer o que resta das memórias.
Avô, da janela do teu escritório, já não se vêem pessoas. E agora já não há gestores capazes. Só olham para o TGV.
Tenho saudades tuas.
Vou ficar por aqui, mais um pouco, para me lembrar de ti.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

THE REASON (O MOTIVO)

Por vezes, pedir desculpa não chega.
Há que evitar fazer sofrer aqueles que amamos.
Um dia, tudo acabará de repente e os remorsos irão perseguir-nos para sempre
.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

TRISTEZA



A tristeza faz-nos viver a vida em lume brando.
Todo o movimento é penoso e a palavra de ordem é a lentidão.
Quase sempre, a tristeza começa com uma perda.
Perda de afectos, emprego, estatuto, casa, cidade, alguém, ou um objecto, o que nos faz sentir sozinhos e abandonados.
Apesar disso, a tristeza não é negativa. Com ela paramos para pensar e fazemos uma espécie de retiro espiritual.
Assim, poderemos aprender a evitar situações semelhantes àquela que nos causou a dor.
A tristeza também nos protege da agressividade dos outros e remete-nos para dentro de nós.
Quando a tristeza se apodera definitivamente de nós, entramos na espiral da depressão e pode acabar mal.
A tristeza é parente da melancolia e do tédio.
Para acabar com ela, é preciso reflectir, procurar o apoio dos outros e deixar que o tempo sare algumas feridas.
A tristeza também tem como sinónimo o vazio e enquanto o vazio dominar a nossa existência, não haverá espaço para o entusiasmo nem para a alegria.
O vazio tem cura. Basta enchê-lo com afecto.
E o afecto não se força, sente-se.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

A "PIANISTA"



Nunca entendi muito bem o motivo por que os meus cães uivam, quando toco piano.

Mal inicio os primeiros acordes, começa logo uma sinfonia de loucos, com o Mantorras em 1.º plano, parecendo querer acompanhar-me com a sua voz de "soprano".

É um mistério. Acho que nunca vou entender o porquê.

Eu, que tanto gosto deles, já cheguei à conclusão que foi a forma que encontraram de protestar contra a "pianista".

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

O TELEFONEMA



O telefone tocou esta manhã.
Atendi e eras tu, que eu já esqueci.
Querias não sei o quê, de mim, e desliguei.
Estou sem pachorra para ti.
Deixa-me em paz! Pedi-te.
Que me queres agora?
Tu que tiveste todo o tempo do Mundo e a quem dei o melhor de mim.
Agora já é tarde demais para nós.
Podíamos ter sido mas não fomos.
Podíamos ter dito algo mais que um adeus e não dissemos.
Podíamos ter sido felizes mas nem sequer tentaste.
Podíamos ter arriscado e não o fizeste.
Fica um beijo, um abraço.
Fica um peito transbordante de saudade
Do que nunca me foi permitido viver contigo,
Porque não quiseste.
Por medo? Talvez...
Seguiremos agora caminhos opostos.
Foi o que escolheste.
Talvez um único caminho seja demasiado pequeno para os dois.
Mas, apesar de tudo, vou sentir-te a falta.
De verdade.
Tenho a certeza que me lembrarei muitas vezes de ti.
Chegou a hora de te deixar finalmente partir.
E eu sei que levas também um pouco de mim.
É apenas um fim. Tudo tem um fim.
Quem sabe, um dia?
Se não for pedir demais,
Aí dentro do teu peito, não me deixes morrer.
Pedirei sempre a um Deus que olhe por ti, que cuide de ti, que esteja a teu lado.
No fundo, o que eu um dia quis que fizesses por mim.
Mas não foste capaz.
Eu gostei muito de ti e não pensei que me doesse tanto dizer-te adeus.
Mesmo sabendo que já te foste embora há muito, muito tempo.
Ainda guardo no bolso o bilhete do barco.
Até um dia!
Já parti!

domingo, 7 de outubro de 2007

QUE GRANDE SECA!



ESTE BENFICA MATA-ME!
MAIS UM JOGO ASSIM E EU MORRO!

ALTO DA PAIVA / VERDERENA



Estamos quase a chegar ao Natal e à época de certas práticas comerciais contemporâneas, organizadas sempre em torno de datas comemorativas.
Alguém disse, um dia, que “Natal é quando um homem quiser”. Neste nosso tempo, e por experiência própria, sei que não será bem assim.
Detenho-me a pensar no Mercado do Levante que tudo indica, em Dezembro, deixará de ser da Verderena e passará para o Alto da Paiva, ali para os lados do Hospital de Nossa Senhora do Rosário, paredes-meias com o IC21.
Não posso deixar de referir que acredito ter sido o Dr. Cabós Gonçalves o directo causador de tão rápida resolução porque, em política, ninguém quer perder nem a feijões. O executivo camarário não quis dar de barato uma vitória que agora clamará como sua. O cidadão Cabós Gonçalves, quer queiram, quer não, teve a sua quota-parte nesta resolução a contento.
Foi hilariante aquela tirada esfarrapada de dizerem que não sabiam que aquele terreno era propriedade da CMB. Adorei!
Ganharam os feirantes e os cidadãos que poderão assim desfrutar de um comércio mais em conta, porque nem todos podem ir comprar às lojas “fashion”, nas grandes superfícies comerciais, que têm retirado toda a alma ao comércio tradicional, contribuindo para falências em massa.

sábado, 6 de outubro de 2007

O ASSOCIATIVISMO/COOPERATIVISMO



Há muitos temas que despertam a minha curiosidade e que gosto de abordar, talvez porque não tenha com eles grande familiaridade e não façam parte da minha realidade laboral.
Já em anteriores “posts” tenho manifestado a minha predilecção pela cidade do Barreiro, cidade que conheço desde os meus três anos de idade e onde gostava de ter vivido.
Alguém me disse há dias que, se tivesse sido educada no Barreiro, talvez não tivesse ido tão longe. O mais curioso é que foi um Barreirense, que considero dos quatro costados, o autor da cogitação.
Fiquei a pensar. Sempre achei que o Barreiro estava na vanguarda da solidariedade e do associativismo.
Disseram-me que não. Que hoje em dia tudo está em crise no concelho, a começar pelo associativismo.
O associativismo estará em crise?
Esta é uma questão recorrente que sempre se apresenta quando o objectivo de discussão ou de simples conversa é a necessidade que faz juntar os homens para a defesa ou para o desenvolvimento e dignificação de uma actividade comum que os une.
Podemos recuar no tempo, ao tempo das mutualistas do século XIX, ou até a épocas mais remotas. Haverá mesmo quem defenda ir à origem do ser humano, para encontrar a génese do associativismo. Sempre que o Homem sentiu que isolado não conseguiria resolver uma dificuldade, juntou-se a outros homens desejosos de resolverem problemas idênticos.
Mas então, e a tão falada “crise do associativismo” no Barreiro?
Há quem defenda que o associativismo atravessa ciclicamente épocas de dificuldades. Outros, que a crise não se situa no associativismo mas no dirigismo associativo, nos termos em que hoje se apresenta. A maioria defende que o associativismo, propriamente dito, não está em crise.
É complexa, realmente, esta realidade. Não se deverá tomar uma posição de forma leviana sem pesar todos os condicionalismos e envolventes. Para isso, deveriam realizar-se debates e colóquios sobre o tema, na procura de objectividade nas conclusões.
Uma das razões que historicamente levou o Homem a unir esforços, a congregar o seu saber e a sua acção à volta de objectivos comuns, foi o espírito de solidariedade. Donde, a questão para a qual urge encontrar uma resposta é: Hoje em dia, o Homem é um ser solidário ou um ser solitário?
Como uma letrinha, apenas, faz toda uma diferença...
Um punhado de homens de boa vontade, continua uma luta sem quartel na defesa do associativismo, esbarrando muitas vezes na falta de reconhecimento das entidades oficiais onde, cada vez mais, se conhece o preço de tudo e o valor de nada.
A conclusão que se tira é que hoje em dia já não existe o associativismo puro, resultante da vontade daqueles que pensam em si próprios e nos outros como pessoas.
O associativismo actual resulta apenas da vontade dos partidos e do poder instituído. Esta vontade actua como filtro da solidariedade e os homens hoje associam-se não tendo em vista o bem comum mas única e exclusivamente para garantir que a actividade comum seja apenas de uns poucos, de preferência com filiação partidária.
Pelo que se tem constatado, o Barreiro não será excepção.



sexta-feira, 5 de outubro de 2007

A REPÚBLICA DAS BANANAS



Comemora-se hoje, em Portugal, a implantação da República.

Nesta República que hoje vivemos, falta-nos o encanto da segunda parte do hino, que quase ninguém conhece.

Deveríamos clamar mais pelo "ridente porvir".

Deixo-vos aqui, a título de curiosidade, a parte do Hino Nacional que ninguém canta.

"Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal de ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.
Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar."

A CIGARRA E A FORMIGA



Era uma vez uma formiguinha e uma cigarra que eram muito amigas.
Durante todo o Outono, a formiguinha trabalhou sem parar, armazenando comida para o período de Inverno. Não aproveitou nada do sol, da brisa suave do fim da tarde e nem do convívio com os amigos no final do trabalho. O seu nome era "trabalho" e o seu apelido "sempre".
Enquanto isso, a cigarra só queria cantar nos grupos de amigos e nos bares da cidade. Não desperdiçou um minuto sequer! Cantou e dançou durante todo o Outono, aproveitou o sol, curtiu a valer sem se preocupar com o Inverno que estava para chegar.
Então, passados alguns dias, começou a fazer frio. Era o Inverno que estava a começar.
A formiguinha, exausta de tanto trabalho, entrou para a sua singela e aconchegante toca repleta de comida. Mas, nesse momento, alguém chamou o seu nome do lado de fora da toca.
Quando abriu a porta para ver quem era, ficou surpreendida com o que viu. Quem era? A sua amiga cigarra estava ao volante de um Ferrari vestindo um confortável casaco de vison.
A cigarra disse para a formiguinha:
- Olá amiga, vou passar o Inverno a Paris. Será que tu poderias cuidar da minha toca?
- Claro, sem problemas, respondeu a formiguinha. Mas o que te aconteceu? Como é que conseguiste tanto dinheiro para ir a Paris e comprar esse Ferrari?
E a cigarra respondeu:
- Imagina tu que eu estava a cantar num bar, na semana passada e um produtor ouviu e gostou da minha voz. Fechei um contrato de seis meses para fazer vários shows em Paris. A propósito, a minha amiga deseja algo de lá?
Respondeu a formiguinha:
- Desejo sim. Se encontrares por lá um tal La Fontaine, manda-o para a Puta que o Pariu...!!!!

Moral da História:

"Aproveita a vida, sabendo dosear o trabalho e o lazer, pois o trabalho em demasia só traz benefícios nas fábulas do La Fontaine e ao teu patrão."

O ZÉ DAS MEDALHAS



Nesta modorra que se vai arrastando por este Outono suado, nem a língua se me afia nem a vontade de escrever se apronta.
Às vezes, só ás vezes, algo me desperta, e mexe com o meu delicado sistema nervoso.
As comemorações nesta cidade, mais uma vez, (insistentemente, diria eu) fizeram o favor aos fatos e demais adereços das suas mais distintas damas e cavalheiros.
As “boutiques” de alta-costura, certamente juntaram mais umas contas ao seu já longo calvário (e as cabeleireiras também).
Pelo Restaurante Acordeon, montra excelsa da mais fina sociedade Barreirense, passaram ufantes, os beija-mão oficiais e demais entidades oficiosas.
Estoicamente e à intempérie, aguentaram a estocada em nome da tradição (que nisto de galas, festas e protocolos, ainda é a tradição que manda!).
Houve quem contasse!
Eu não!
Mas ao que parece, os mesários (aqueles que comem à mesma mesa), seriam mais de cinquenta.
Entre eles estava, distinto e aboletado, o medalhado, figura que na sua contribuição para a causa (neste caso o nosso concelho), se distinguiu pelo esforço, abnegação e dedicação, com que aportou saberes e mais valias várias, para o usufruto comunitário.
É aqui, no significativo deste último parágrafo, que “a porca torce o rabo”, ou que as evidências me titilam, na minha por vezes inconveniente massa cinzenta.
Então por que carga de água, ou decreto celestial, se honra publicamente em nome de uma cidade, figuras, estimáveis ou não, para o caso não interessa, que em nada, repito, NADA, contribuíram, por enquanto, para o bem comum da cidade a que respeita o galardão?
Alguns já adivinham. Estou a referir-me, é claro (já volto a duvidar da palavra Claro), ao representante polivalente de várias modalidades desportivas, espalhadas por esse mundo fora.
Sendo certamente das mais representativas, não serão concerteza das mais merecedoras de prebendas, honrarias e reconhecimento.
Do atleta tributado, desconheço os feitos. Apenas aqueles que têm circulado via tradição oral, potenciados por alguma imprensa on-line. E quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto.
Desconhecendo-o, reconheço não ser merecedor da homenagem que, afanosamente, alguém lhe entendeu por bem prestar.
Nesta feira de vaidades, resta-me perguntar:
- Será que a Região da Costa Azul tem dinheiro a menos e medalhas a mais, sobrantes do último "Barreiro Reconhecido"?
- Estarão eles a cumprir alguma espécie de pena absolutória de pretéritos pecados?
- Será que, de alguma forma, se trata de alguém que, subtilmente, tenta arregimentar apoios para o seu, cada vez mais periclitante, estatuto partidário?
A continuarem assim, ainda se arriscam a ter que medalhar-me, com propriedade, porque, apesar de tudo, tenho contribuído para que muitos blogs do Barreiro sejam lidos além fronteiras.
Ora vamos lá a pensar nisso. Isto de escrever, também tem muito que se lhe diga.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Je T'aime... Moi Non Plus

Hoje bateu-me a saudade e fui desafiar o meu amigo VTM, ali para os lados do Barreiro Velho.
Levei os meus velhos discos de vinil e fomos sentar-nos nas escadas da Igreja de Santa Cruz, onde outrora tangeram fados e guitarradas.
Ele olhou-me desconfiado quando viu que o disco que eu tinha na mão era o mesmo que ele ouvia nos seus tempos de jovem consciente. Sim, porque isto de ser jovem, antigamente tinha que se lhe dissesse. Ser jovem, naquele tempo, era ser adulto responsável.
Lá pus a tocar no meu velho gira-discos, a pilhas, o famoso disco que me valeu umas sapatadas do meu pai, no tempo em que as meninas só deviam tocar piano e falar francês.
Fiquei surpreendida quando o VTM se levantou e me convidou para dançar. Julgava-o um "pé de chumbo" mas afinal ele lá foi seguindo o compasso, levando-me por entre a melodia, como se tivessemos asas nos pés.
E dançámos, dançámos, sempre, até ao anoitecer.
Quando demos conta, não estávamos sozinhos. Faziam-nos companhia todos os nossos fantasmas de estimação.
Um deles trazia nas mãos "O Crime do Padre Amaro" e queria trocá-lo pelo meu disco de vinil.
O meu par afastou-o e pôs-se a cantar em voz alta.
De repente, alguém nos atirou com um balde de memórias e nós por ali ficámos, estáticos e em silêncio, enquanto a música continuava a tocar.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

DES(EMPREGO)



Ao pegar hoje numa edição de um jornal diário, li em letras gordas, na primeira página, que a taxa de desemprego subiu mais em Portugal e está nos 8,3 por cento, o maior aumento da UE.
Veio-me logo à memória, e eu tenho memória de elefante, que uma das promessas do Eng.º Sócrates, durante a campanha, foi criar postos de trabalho, acho que 150.000, se não estou em erro.
Apesar de tantas promessas, o que é facto é que todos os dias o desemprego em Portugal aumenta e com ele o estado de carência de um povo cada vez mais sobrecarregado de impostos.
Qual é o balanço actual e qual vai ser o resultado no final do mandato, nesta matéria sensível que é o trabalho?
Não sei, não sabemos.
No entanto, sei que os investimentos deveriam ser dirigidos para criar riqueza, pois é a riqueza que cria novos empregos e faz aumentar o PIB.
A oferta de mão de obra em Portugal, é desqualificada. È urgente reconverter pessoas e formá-las, sobretudo aquelas com mais de 45 anos, porque Portugal é um país envelhecido onde a terceira idade, em termos laborais, começa aos 24 anos. Estou a lembrar-me que grande parte dos anúncios de oferta de emprego que se lêem nos jornais, são caricatos e referem como data limite os 24 anos, de preferência com experiência profissional.
Pelos dados fornecidos pelo EUROSTAT, só podemos concluir que o desemprego aumentou, ao contrário do que pretende José Sócrates e os seus apoiantes.
Estamos perante um fenómeno estrutural resultante das opções políticas e económicas que foram tomadas desde há muitos anos a esta parte.
Os dois partidos que se têm revezado no poder ao longo dos anos, têm toda a responsabilidade no aumento do desemprego. São responsáveis porque foram incapazes de criar condições que permitissem a melhoria do clima económico.
E o mais grave é que este fenómeno alimenta-se a si próprio. Quanto menor for o sector produtivo, menores serão as receitas para alimentar a despesa do Estado ou, inversamente, se se quiser manter o nível das receitas, mais gravoso será o ónus que pesará sobre o sector produtivo e sobre a sua competitividade.
O emprego no sector produtivo deveria ser privilegiado. Só esse emprego poderá agir como motor da economia. Grandes investimentos públicos geram empregos pontuais, mas quando desaparece o seu efeito, esse emprego desaparece quase totalmente. Em contrapartida, os encargos com esses investimentos ficam a pesar na despesa pública e travam o desenvolvimento do sector produtivo, degradando a sua competitividade. O mesmo sucede com o emprego público.
Tomemos o caso português. Em Portugal coexistem duas situações paradigmáticas – um “mercado” de trabalho absolutamente rígido, e um mercado completamente flexível, baseado nos “recibos verdes” e nos contratos precários. A existência deste último mercado tem sido a principal responsável pelo crescimento económico português. Quando as expectativas sobem, os empresários não têm dúvidas em aumentar o nível do emprego, porque sabem que, se essas expectativas se gorarem, poderão reduzir os seus efectivos. Sucede que, na maioria dos casos, essas admissões acabam por se tornar permanentes porque a economia estimulada pelas decisões desses empresários, cresceu o suficiente para assegurar a manutenção desse nível de emprego.
A falta de emprego ou a sua precariedade, sobretudo quando prolongada, acarreta consequências pessoais e sociais muito graves, que podem levar à “exclusão social”, e gera tensões sociais e conflitualidade social acrescida, propensão a comportamentos desviantes ou anomia social.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

O SEGREDO



Chovia torrencialmente quando o rádio do carro deu a notícia da demissão de Gonçalo Amaral, investigador da Polícia Judiciária no Caso Maddie MacCann. Senti um arrepio.
Nunca fiz aqui qualquer comentário acerca deste caso mas as recentes notícias e consequente alteração do comportamento dos media e forças policiais britânicas e portuguesas, leva-me a tecer algumas considerações.
É hoje mais do que óbvio que fizeram deste caso, uma espécie de Portugal-Inglaterra. Acontece que neste "jogo", o árbitro foi comprado e parece que vale mesmo TUDO.
A "táctica" dos ingleses tem sido tudo menos lógica, imparcial e factual. Começaram por atacar com todas as armas a nossa Polícia Judiciária. Disseram cobras e lagartos: que não fechámos as fronteiras, não investigámos bem, não isolámos a área do crime, não fizemos as buscas certas, não falámos com as pessoas correctas, etc., etc.
Depois, quando os media portugueses começaram a levantar a hipótese de o casal MacCann estar envolvido no desaparecimento da filha, viraram-se todos contra os jornalistas portugueses. De um momento para o outro, os tablóides ingleses começaram a passar atestados de sensacionalista aos jornais portugueses.
Mas, pelos vistos, eram os portugueses que tinham razão.
Pouco tempo depois, a PJ constitui os pais de Madeleine arguidos, pelo crime de obstrução à justiça, e são suspeitos de ocultação de cadáver.
Estes regressaram a Inglaterra como estrelas de cinema e por lá andam na maior, beneficiando de um fundo criado às custas da pequena Maddie.
Por cá, contrataram Rogério Alves, Bastonário da Ordem dos Advogados, que por trinta dinheiros passou de “Olívia patroa” a “Olívia costureira” e Gonçalo Amaral, da Polícia Judiciária, foi despedido por ter posto a boca no trombone.
O país perdeu completamente o Norte. Temos um Bastonário que ao invés de se demitir, continua a acumular a sua condição de Bastonário com a de advogado da família MacCann, ao arrepio dos arrepios. Demite-se o investigador por este ser incómodo e ter posto em causa tudo aquilo que nos querem fazer acreditar.
Que segredo tão bem guardado será este?
Este caso vai continuar a dar que falar por muito tempo, apesar de haver já muita gente farta deste assunto. A investigação continua e o estatuto de arguido dos pais, pode durar até 8 meses. Até lá muita tinta vai ainda correr. Depois, no fim de tudo e pelo rumo que os acontecimentos levam, ficará a certeza de que este caso não passará apenas de um belo “case study”.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

DE PEQUENINO, SE TORCE O PEPINO



Uma criança está dentro do carro do seu pai, quando avista duas prostitutas na rua.
- Pai, quem são aquelas senhoras?
O pai, meio embaraçado, responde:
- Não interessa, filho …… Olha, antes, para esta loja…. Já viste os brinquedos tão lindos?
- Sim, sim, já vi. Mas …quem são as senhoras e o que fazem ali paradas?
- São…são ….São senhoras que vendem na rua.
- Ah, sim?! Mas, vendem o quê? – pergunta, admirado, o garoto.
- Vendem... vendem.... Sei lá..... vendem um pouco de prazer!
O garoto começa a reflectir sobre o que o pai lhe disse e, quando chega a casa, abre o seu mealheiro com a intenção de ir comprar um pouco de prazer. Está com sorte! Pode comprar 25 Euros de prazer! No dia seguinte, vai ver uma prostituta e pergunta-lhe:
- Desculpe, minha senhora, mas pode vender-me 25 € de prazer, por favor?
A mulher fica admirada e, por momentos, não sabe o que dizer, mas como a vida está difícil, ela aceita, leva o garoto para sua casa e prepara-lhe seis tortas de morango.
Já era tarde quando o garoto chegou a casa. O pai, preocupado pela demora do filho, pergunta-lhe onde esteve. O garoto olha para o pai e diz:
- Fui ver as senhoras que nós vimos ontem, para comprar um pouco de prazer!
O pai fica amarelo!
- E.... e então.... como é que se passou?
- Bom, com as quatro primeiras não tive dificuldade. Com a quinta levei quase uma hora, tive que empurrar com o dedo, mas comi-a, mesmo assim. Com a sexta foi com muito sacrifício! No fim, estava todo lambuzado.... Até derramei creme por todo o chão, mas fui convidado a voltar amanhã.... Posso ir?

O pai caiu de costas.

domingo, 30 de setembro de 2007

MANTORRAS - O ROEDOR DE SAPATOS



Dou o “dito” e três tostões para estar em minha casa.
Adoro o meu espaço, a minha cama, o meu sofá e tudo aquilo que me faz sentir bem.
Por vezes, dou comigo a pensar: bendito o problema de saúde que tive o ano passado, que me obriga a vir à Lusitânia sempre que a minha luz vermelha se acende.
Os médicos, onde estou, até que nem são maus. Mas eu não troco o meu Dr. Miguel, por nada deste mundo. Primeiro, porque me conhece as manhas todas e, segundo, porque é um “borracho” e está na cidade onde tenho o meu “quartel-general” e sou feliz.
Alguns dizem que as minhas férias são fêmea, que nunca mais acabam.
Sacanas! Nem sequer relevam o facto de eu ter estado doente no ano passado e não as ter podido gozar então. É através de pequenas “bocas” como esta, que se conhecem os verdadeiros amigos. É inveja por eu ter agora uma pipa de férias para gozar.
Mas não será por isso que direi aquela frase canalha “quanto mais conheço as pessoas, mais gosto dos meus cães”. Não, nada disso. Eu gosto muito dos meus cães, mesmo sem conhecer as pessoas.
E a prova é que eles também gostam muito de mim. Quando regresso, é uma festa cá em casa. São como miúdos traquinas. Correm, saltam e escondem-se de mim, quando lhes faço algum reparo.
Os meus colegas sabem deste meu fraco por cães e alimentam-no.
A minha amiga Jessie presenteou-me com uma coisa fofa a que dei o nome de Mantorras. Na altura era uma bolinha escura, de olhos azulados, pequenino, ternurento. Apressei-me a levá-lo ao veterinário, para ter as vacinas em ordem e essas coisas todas que uma boa dona deve providenciar para o seu bicho ser saudável.
O veterinário avisou-me que tinha de lhe fazer um seguro, porque era um Bull Mastiff e por isso integrava a lista de raças perigosas. Eu, obediente, lá fui fazer o seguro ao bicho e vim para casa descansada, com a bolinha ternurenta, fofa e pequenina ao colo.
Já não o via há seis meses. Quando meti a chave à fechadura fui literalmente assaltada por um monstro babão de quase 50 quilos, que mais parecia ter uns cordões de sapatilha pendurados aos cantos da boca. Lambeu-me do queixo à testa e arrastou-me por vários metros. Era ele, o meu Mantorras, em toda a sua plenitude.
A empregada olhou-me confrangida.Vi logo que me queria dizer algo e não sabia bem como começar. Fiquei desconfiada. Passava-se qualquer coisa e devia ser grave, pensei eu.
Vou para a despensa onde guardo os sapatos, a fim de calçar uns chinelos e ia tendo uma apoplexia. Todos os meus chinelos, as minhas sandálias e os meus sapatos jaziam agora a um canto, completamente triturados. Dei um grito de horror.
Pedi explicações à Dona Mimi, a senhora que me ajuda nas lides da casa. A D.ª Mimi justificou-se: tinha deixado o Mantorras fechado na despensa, sem querer, e ele vingou-se. Roeu-me os sapatos todos.
Acabei por achar graça e não consegui ficar zangada por muito tempo, porque o sacana, nas minhas bochechas, começou a roer-me a mala de viagem.
A D.ª Mimi, com o seu riso que lhe é peculiar, só dizia: “deixem roer o Mantorras!”.
Não sei porquê, não consegui deixar de pensar no meu Benfica que mais uma vez empatou.

HOSPITAL DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO CONTRATA O DR. HOUSE

Izabel Montanelle, presidente do conselho de administração do Hospital do Barreiro, revelou ao Jornal on-line "Fronhas", que o Hospital decidiu contratar o Dr. House.
O mesmo já se encontra a dar consultas na Unidade de Massagens da Marilyn Monroe.
Os doentes que desejem ser consultados, deverão contactar o Hospital, através da linha azul.

sábado, 29 de setembro de 2007

MELGAS NO BARREIRO!

FEZ-LHES BEM ÀS HEMORROIDAS.

A MISSA



"O novo padre da paróquia estava tão nervoso no seu primeiro sermão que quase não conseguiu falar. Antes do seu segundo sermão, no Domingo seguinte, perguntou ao Arcebispo como poderia fazer para relaxar. Este sugeriu o seguinte: -“Da próxima vez, coloque umas gotinhas de vodka na água e vai ver que, depois de alguns goles, vai ficar mais relaxado.” No Domingo seguinte o Padre aplicou a sugestão e sentiu-se tão bem, que poderia falar alto até no meio de uma tempestade, tão descontraído se encontrava.
Depois de regressar a casa, encontrou um bilhete do Arcebispo que dizia: - “Caro Padre, da próxima vez, coloque umas gotas de vodka na água e não umas gotas de água no vodka. Deixo-lhe os seguintes reparos para que não se repita o que vi no sermão de hoje: * Não há necessidade de pôr limão e sal na borda do cálice. * O missal não é, nem deverá ser usado como apoio para o copo. *Aquela casinha ao lado do altar era o confessionário e não a casa de banho. *Evite apoiar-se na imagem de Nossa Senhora e muito menos abraçá-la e beijá-la. *Existem 10 mandamentos e não 12. *Os apóstolos eram 12 e não 7. Nenhum era anão. *Não nos referimos ao nosso Salvador, Jesus Cristo, e seus apóstolos como: J.C. & Cª”.* David derrotou Golias com uma fisga e uma pedra. Nunca lhe foi ao cú.* Não nos referimos a Judas como “filho da puta” *Não deverá tratar o Papa por “O Padrinho”. *Judas não enforcou Jesus e o Bin Laden não tem a ver com esta história. * A água benta é para benzer e não para refrescar a nuca. *Nunca reze a missa sentado na escada do altar, muito menos com um pé sobre a Bíblia Sagrada. *As hóstias devem ser distribuídas pelo povo. Não devem ser usadas como aperitivo para acompanhar o vinho. *Procure usar roupas debaixo da batina e evite abanar-se quando estiver com calor. *Os pecadores vão para o inferno e não “para a puta que os pariu”. *A iniciativa de chamar o público para dançar foi muito plausível, mas fazer um “comboio” pela igreja é que não! Pelos 45 minutos da missa que acompanhei, notei estas falhas. Lembro-lhe também que uma missa leva em torno de 1 hora e não 2 tempos de 45 minutos cada. Importante: *Aquele sentado ao canto do altar, ao qual se referiu como “paneleiro, travesti de saia”, era eu!! Espero que estas falhas sejam corrigidas no próximo Domingo.

O Arcebispo."

QUE VENHA O DIABO E ESCOLHA!



Dei voltas e mais voltas e não me ocorreu uma, uma única, solução para este caso. Quem puder dar uma ajudita aos aflitos, julgo que será benvindo.
Que sorte lhes saiu na rifa!
O que houve para escolher, afinal?
É caso para dizer: dos dois, venha o diabo e escolha!
O PSD já demonstrou, mais que uma vez, não conseguir libertar-se do seu karma e, como não resta aos militantes outra alternativa credível, ou votam ou abstêm-se. No caso de optarem pelo segundo procedimento, eles contribuem para que seja eleito aquele que tem a mais duvidosa representatividade eleitoral.
Em primeiro lugar, a classe política portuguesa é constituída por portugueses. Não é nenhum corpo estranho que se incrustou na nossa sociedade e lhe está a devorar as entranhas. Os militantes dos partidos e os políticos, somos todos nós: vêm de nós e somos nós que os elegemos.
O PSD como todas as outras forças politicas tem necessariamente de levar uma "vassourada" interna de modo a remover os instalados e aproximar-se dos interesses da população. Só quando existe afinidade se ganham eleições. Este Partido tem nos seus quadros actuais, os ex-Jotas que hostilizam qualquer renovação, pois consideram ter chegado a sua altura de ser poder, não pelas suas competências, ou por mérito, mas sim por compadrio. Estas são as equipas que rodearam Marques Mendes e Felipe Menezes, ao longo de toda a campanha para líder do partido.
Felipe Menezes “partiu a loiça” e ganhou. Agora terá forçosamente que ir buscar novos quadros por mérito e esta é, quanto a mim, a questão crucial. Será o fim dos direitos adquiridos e dos baronatos, conforme ele preconizou durante toda a campanha. Mas será também o princípio do fim de um partido que se pretendia como alternativa credível, porque Felipe Menezes sempre fez e fará oposição ao seu próprio partido. Quem não se lembra da célebre contenda “Sulistas, elitistas e liberais”?
Não lhe restará outra alternativa que não seja a de ir colando os cacos e esperar, até que Rui Rio avance, em toda a sua plenitude, no ano de 2009, que será então o ano da Graça do Partido Social Democrata.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

CARA DE CÚ



Há dias em que uma pessoa não devia olhar-se ao espelho.
Hoje é um desses dias. Acordei com cara de cu, a pensar na Europa.
Imaginem, eu que até nem sou muito feiosa, senti-me hoje com cara de traseiro velho e enrugado.
A culpa foi do serão de ontem à noite, na companhia do grupo dos lateiros espanhóis e noruegueses que me visitam em minha casa, para comer o bacalhau assado na brasa, com batatas a murro. Eles apreciam muito a comida portuguesa e acham que sou um génio da cozinha. Mal sabem eles que só os convido por puro egoísmo, para não me sentir só, cá longe, onde o tempo custa a passar, por muito tempo que se tenha.
Nas nossas tertúlias, para além da gastronomia, falamos também sobre o país de cada um.
Achei-os uns queridos por me felicitarem pelo facto de Portugal ir ser a cara da Europa durante seis meses.
Cara de cu, penso eu.
Não é verdade que Portugal está na cauda da Europa?
Então quando o rosto da Europa é o do país que está na sua cauda, logo a Europa tem cara de cu.
É a corrupção a todos os níveis, a burocracia irracional e asfixiante, a indiferença absoluta com as desgraças alheias, a estupidez militante, as perseguições políticas, a censura, o servilismo, a carneirada, a demagogia, a morte lenta.
Diz o ministro das finanças que, para sairmos da cauda da Europa, basta a nossa economia começar a funcionar. Eu digo-lhe que, para sairmos do cu da Europa, é preciso muito mais do que isso.
É necessário que se deixe de exigir o atestado de óbito para um professor se poder reformar por invalidez. É necessário que os nossos governantes e autarcas deixem de considerar a fidelidade canina a qualidade essencial de um servidor ou colaborador do Estado. É necessário que o partido que está no poder não ressuscite, nem encarne, sistematicamente, o espírito da malfadada União Nacional. É necessário o primeiro-ministro, os ministros, os directores gerais e os presidentes de Câmara deixarem de se sentir ofendidos na sua honra e consideração com um simples sorriso ou uma gargalhada dada à socapa. É necessário que qualquer um de nós, independentemente de onde viva ou trabalhe, sinta que pode expressar livremente as suas opiniões, sem temer que daí possa advir qualquer prejuízo para a sua carreira ou um processo-crime por difamação.
Enfim, é necessário ainda muita coisa.
Virámos um povo completamente desprovido de vergonha, de verticalidade e de sentido crítico.
O país está reconhecidamente falido. Quem são os grandes culpados desta situação?
Precisamos de uma grande regeneração dos partidos políticos em Portugal. Essa é que seria a grande reforma estrutural que Portugal precisa para sair da cauda da Europa, mas que só é possível levar a cabo através de um voto maciço de descontentamento.
Deveríamos apostar mais nos independentes com ideias válidas e sérias. Sendo certo que, se algum deles fosse eleito, não faria pior, de certeza absoluta, do que as figuras nacionais e altamente prestigiadas dos partidos políticos que se têm revezado estes anos todos e que puseram o país no estado lastimável em que ele se encontra.
Mas um rasgo destes é demasiado para um povo que viveu tantos anos com a canga às costas. É por esta razão que sou, frontalmente, contra o referendo ao Tratado Europeu, apesar de votar contra o Tratado se houver referendo.
E serei contra o referendo precisamente porque, face à pouca qualidade da nossa democracia e dos nossos governantes, prefiro ser governada por Bruxelas ou por Berlim do que por Lisboa. No entanto, como portuguesa, seria incapaz de votar favoravelmente um Tratado em que o meu país deixa, literalmente, de ter peso e relevância política nas instâncias comunitárias.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

O ANIVERSÁRIO



Uma das coisas que me dá imenso prazer é entrar à socapa nas festas de aniversário, sem ser convidada e empanturrar-me de bolos.
Terça-feira passada não resisti à tentação e penetrei numa festa em que o aniversariante fazia cinco aninhos de idade.
Meu Deus, como eu gostaria de ter cinco anos de idade e saber o que sei hoje!
Cheguei e, como boa penetra que sou, fui-me aproximando do local onde estavam concentrados todos os convivas, que é como quem diz, em volta do progenitor da criancinha. Este, agarrado ao seu cachimbo, desdobrava-se em agradecimentos a todos aqueles que o felicitavam pela criança esperta e irreverente de que é o demiurgo.
Sou uma pessoa muito discreta por natureza. Não gosto de dar nas vistas.
De prato na mão, lá fui rondando de grupo em grupo, escutando as conversas deste e daquele.
O progenitor lá andava de cachimbo em punho, exultante, num gesto ritual de descontracção e prazer que, apesar de tudo, requer uma certa destreza, pois não é qualquer um que consegue manter um cachimbo aceso durante o tempo suficiente para apreciar o verdadeiro prazer de o fumar.
Dizia um dos convivas que fumar cachimbo faz a boca torta e tira o brilho dos olhos. Não sei. Nunca fumei cigarros quanto mais cachimbo. Por isso não posso dar a minha opinião. De cachimbo, só aprecio o cheiro perfumado do tabaco.
Fui trincando aqui e ali, até que me dei conta que o meu amigo VTM também tinha penetrado na festa para tirar fotografias. Aproximou-se de mim e eu, com a boca cheia, saudei-o.
Resmungou. Disse-me que não se falava com a boca cheia nem lambuzada. Que para lambuzadores já bastavam os convivas que não pouparam elogios à criança feiinha e hiperactiva, que fazia cinco aninhos de idade.
Amochei!
Olhei-me a um espelho que estava pendurado no salão da festa e cheguei à conclusão de que realmente o VTM tinha razão.
De repente, oiço cantar os parabéns.
Deu-me uma volta ao estômago.
Enjoada, corri para a casa de banho e vomitei.

RECORDANDO...



Por vezes esqueço.
As cálidas noites de estrelas em que apenas as olhávamos.
Os grãos de areia que nos tocavam os pés descalços, nos luares de Agosto. As melodias das ondas que nos salpicavam o sono exausto à beira-mar.
Por vezes esqueço.
Os silêncios que gostavas de guardar entre as palavras que me iludiam a razão.
As lágrimas que sabiam o que fazer para me arrancar um sorriso.
Os dias que se juntaram e fizeram anos desde a última mensagem que hoje reli.
Por vezes lembro. E esqueço.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

O VERNÁCULO LUSITANO



Que me perdoem os eruditos mas eu sou mesmo assim. Eu adoro o vernáculo do Norte e não há volta a dar.
Na Cidade Invicta, o vernáculo é uma arte. Nunca ninguém se poderá sentir ofendido com as conotações sexuais de cada palavra, de cada frase.
No Norte, eles acariciam as palavras.
No resto do país, os palavrões são utilizados em situações extremas, para mostrar desagrado por uma situação, ou para insultar alguém que se pretende rebaixar.
No Porto, os palavrões não são obscenos. São uma filosofia e uma arte. São de todos e não apenas de uma elite e servem para exprimir uma sabedoria.
O jogo de metáforas, todas elas referentes ao acto sexual, servem para compreender a vida.
Tudo não passa de um jogo tácito.
Por exemplo, quando dizem que alguém “apanhou no c.”, isso significa que foi vítima de um abuso tão flagrante que nem teve tempo de reclamar. A expressão aplica-se a variadas situações como ter sido despedido, ou ter pago um preço exorbitante por uma compra qualquer. Parte-se do princípio que o sexo anal é um acto de prazer unilateral, que implica a humilhação do sujeito passivo.
Quando dizem “tenho apanhado muito no c.”, querem dizer que já passaram por muito, nesta vida. Se respondem a um pedido ou a uma proposta com a frase “na c. da tua tia”, isso significa sempre uma recusa peremptória do tipo “nem penses!” ou “isso é que era bom!”. Eu, pessoalmente, adoro a frase “nos tomates!”.
Outra coisa que me fascina no vernáculo portuense, são as alocuções “p. que te pariu” ou “filho da p.”. Ambas são inequivocamente negativas, pois pressupõem que a mãezinha do outro seria uma trabalhadora do cabedal, pelo que o interlocutor teria sido gerado durante um acto mercantil.
Mas pelo contrário, ao dizer-se “meu grande filho da p.”, este é um gesto de carinho sem limite, como que a bendizer o indivíduo em causa, por se ter portado como um filho exemplar e merecedor de todo o respeito e protecção da sociedade, apesar de as circunstâncias adversas em que foi criado.
Depois ainda temos a medida-padrão: grande “comó c.”, feio “comó c.”, ou ainda o sentido de posse expresso na frase “é do c.!”.
Que outra palavra haveria, mais adequada, para nos dar a noção de grandeza?
Quando nos apercebemos que vivemos num país em que quase nada funciona, o desemprego não baixa, os impostos são altos, a saúde, a educação e a justiça estão num caos, os empresários são mafiosos e procuram o lucro fácil em pouco tempo, as reformas são baixas e o tempo para a desejada reforma vai ter de aumentar, pensamos "já me f.!"
Então, só nos resta ter esperança e pensar: Este país ainda vai ser “um país do c.! “.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

ROSTOS



Quando leio o jornal, gosto de ir à página da necrologia. Não sei porquê, não posso deixar de fazê-lo. É superior às minhas forças.
Detenho-me a olhar as fotos. Algumas não estão de acordo com a idade dos falecidos. São fotos de jovens que à primeira vista teriam morrido na flor da idade. Uma leitura mais atenta, porém, denuncia que a idade do “ de cujus” é avançada e que o jovem que vemos na foto, já o foi há muitos anos atrás.
Por qualquer motivo, alguém pegou na primeira foto que apanhou e, sem sentido crítico, numa espécie de marketing fúnebre, colocou o anúncio da praxe: “ Foi Deus servido chamar à sua divina presença…”. Uma sacanice, uma falta de respeito para com o morto.
Enfim, não podemos imputar a responsabilidade aos falecidos. Isso seria exigir demais e, como nós, os vivos, dizemos, paz às suas almas.
Por analogia, debruço-me também sobre as fotos que ilustram os artigos de opinião, nos jornais impressos e on-line. São em tudo parecidas com as dos anúncios da necrologia.
Há vários anos que os retratados exibem a mesma juventude, o mesmo sorriso, a mesma cabeleira farta, o mesmo ar de quem está ali para as curvas.
Ok. Eu compreendo que nem sempre o fotógrafo acerta com o nosso lado mais sensual e que, quando se fica bem no retrato, é a felicidade das felicidades e a tendência é fazer dele um cartão de visita, ao ponto de o utilizarmos "ad eternum", mesmo que as rugas já comecem a instalar-se e o sorriso outrora pepsodent, seja agora desdentado.
Algumas dessas fotos são em tudo parecidas com as da necrologia. São perenes, catatónicas e obedecem quase sempre a uma lógica do sentimento de si próprio, como um exorcizar escatológico do tempo e da razão. Talvez no seu íntimo, no mais profundo do seu ser, o retratado se considere como um Dorian Gray e veja no seu retrato a sua própria sombra como um instrumento de sedução, aquela sedução que já foi e não voltará a ser.
Este é um fenómeno recorrente. Eles e elas são unânimes e contumazes na utilização de fotos antigas, apesar de a legislação portuguesa de identificação civil e criminal prever que as fotografias deverão ter menos de um ano.
Dá-me um certo gozo verificar que há pessoas que não têm a noção do ridículo.
Se eu um dia tiver essa maluqueira, que Deus me faça cair qualquer coisa em cima do toutiço.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

CHATOS DE MERDA!



Acabei de tomar o meu duche e, antes de ir para a cama, resolvo fazer uma incursão pelos blogs de todos os meus amigos virtuais.
Detenho-me à entrada do Barreiro Velho, munida do meu spray insecticida, pois avizinha-se naquele local, uma praga de melgas. Ele é melgas de bicicleta, melgas partidárias, melgas novas, velhas e assim-assim, enfim, melgas para todos os gostos e feitios.
Não entro. Ponho-me a observar o VTM que, de spray em punho, vai pulverizando as ditas, e não posso evitar pensar naqueles outros bichinhos a que vulgarmente se dá o nome de chatos.
Quem alguma vez não esteve frente a frente com um chato de merda?
Imaginem vocês que costumo passar-me dos carretos quando me tocam ao domingo, de manhã cedo, à campainha e verifico que é um grupo de senhoras Jeovas a tentar converter-me, ou um vendedor da TV Cabo, ou alguém a pedir para S. Nunca à tarde. Lógico que a minha vontade seria mandá-los abaixo de Braga, mas a minha índole tolerante fala mais alto do que o meu instinto feroz. Saco das luvas de borracha, visto um avental, pego no espanador e aí vou eu à porta, com o ar mais santo deste mundo, informar que a patroa não está e, por conseguinte, não tenho autorização para falar com ninguém.
Não sou a única. Tenho um colega que faz o mesmo quando vem o guita da esquadra da zona, notificá-lo das multas de estacionamento proibido. Dá-lhe um prazer imenso quando abre a porta e pergunta: -“era só com ele?” - “neste momento, não está. Se quiser, posso transmitir-lhe qualquer recado.”
Bem, eu isso nunca faria, até porque sou conhecida da esquadra. O chefe foi meu colega de escola e eu não teria qualquer hipótese.
Mas voltando ao assunto dos chatos, por que motivo acham que os serviços de atendimento em Portugal, não funcionam? Por que motivo vemos filas e filas nas Finanças, nos Notários, nas lojas do cidadão, nos Centros de Saúde, etc. etc., etc.,?
Graças ao chato de merda.
Nunca vos aconteceu ter um fulano à vossa frente, na fila, a fazer mil perguntas desnecessárias, do género, “tenho de assinar o meu nome no requerimento?”
O resultado é que quem está ao balcão de atendimento deixa-se contagiar pelo chato e quem paga são os outros.
O atendedor torna-se ansioso, malcriado e até agressivo.
Por isso, antes de pedir o livro amarelo para reclamar, pense primeiro e ponha-se no lugar de quem o atendeu.
Vai ver que, antes de si, esteve lá um chato de merda a dar-lhe cabo do juízo.

domingo, 23 de setembro de 2007

A NEURA



Hoje estou como o meu vizinho do Barreiro Velho. Estou com o Amok. Estou com uma neura, que nem sei. Acho que o primeiro que me diga algo que eu não goste, vai levar com aquilo que está acumulado, e que nem eu própria sei bem o que é.
Até nem acordei mal disposta e, até às 10 horas, o dia nem me correu mal. A partir daí foi sempre a descer. Foi o meu vestido que não chegava da costureira, foi a Net que teimou em não querer nada com a minha nova casa, foram coisas que por causa disso ficaram por fazer.
Só faltou mesmo vir o cão do VTM e mijar-me nos pés. Até do trabalho não me largam a molécula. Chamam daqui, refilam dali, favor dacolá, irra. Tirem senha, vão para a bicha, mas não me moam o capacete.
Há dias assim, eu sei, mas também há dias melhores e é desses que eu gosto. Quando sou eu que controlo as minhas coisas. Faço os meus horários, distribuo o meu trabalho pelas diversas fases do dia. Sinto-me frustrada, danada, irada, chateada e outras coisas acabadas em "ada" ou "ida" sempre que me sinto ultrapassada pelos acontecimentos, mesmo que eu não tenha responsabilidades na ultrapassagem.
Se calhar, se me encostasse a uma parede, lhe desse 3 ou 4 murros, chamasse uns quantos nomes feios que o pudor e os bons costumes deste blog não me permitem reproduzir e a seguir fosse fumar um charro e beber um café, descansadamente, se calhar até me aliviava, mas não sou capaz. Arriscava-me a ficar com a fama de ser ainda mais doida do que as pessoas já me acham.
Bem, já desabafei mas os meus colegas voltaram a ligar-me por nada e o outro continua a dar-me música no telemóvel. Desamparem-me a loja. Não conhecem mais nenhum nome?
Há pouco tempo escrevi um post, onde falava sobre Beijos Negros. Meu Deus, que fui eu fazer...
Recebi alguns mails a tratar-me de um modo que não gostei e decidi apagá-los.
Não, não eram daqueles com asneiras, mas sim algumas belas flores deste jardim global que se sentiram atraiçoadas por mim. Diziam que não estavam à espera e tal, que os meus outros posts eram bem diferentes e que de um momento para o outro agora só falava de sexo.
Ora bem, vamos a ver se nos entendemos: eu não sou a Madre Teresa de Calcutá. Eu escrevo para mim e quando criei este blog foi porque estava a passar uns maus dias e precisava de uma terapia assim. Se alguém ler os meus posts e gostar, ainda bem, se não, paciência. Mas não me venham dizer que não devo escrever sobre sexo, porque não tem nada a ver comigo.
Como é que sabem disso? Conhecem-me???

Aos meus leitores que dizem não ao sexo nos blogs, dedico-lhes a imagem com que ilustrei este post.

Inté!

VIAGRA VERSUS PROZAC


Hoje acordei ao som de marteladas, como se estivesse num estaleiro de construção civil. O relógio indicava uma hora não muito própria para estar na cama, já que o dia estava radioso e os passarinhos cantavam lá fora, no jardim. Acresce o facto de ser o dia do segundo casamento da minha amiga “Isabel”. Vou ser a madrinha e, por conseguinte, vou ter de estar radiosa como manda a sapatilha. Por isso, toca a levantar!
Entristecem-me os casamentos. No final da festa fica-nos sempre aquela sensação de vazio, que nunca sabemos interpretar. Será de alegria? Será de tristeza?
Enfim, seja o que for, não é nada de bom.
Dou comigo a lembrar-me da Isabel e do seu divórcio, do qual fui mandatária.
Recordo quando tudo teve origem, no dia em que ela celebrou o 20º aniversário de casamento. Na verdade tinham pouco que celebrar. Quando chegou à altura de relembrar a noite de núpcias ele trancou-se na casa de banho e chorou. Nesse dia, contou-lhe o seu grande segredo: estava impotente e queria que ela fosse a primeira a saber. Grande novidade, ele realmente pensava que ela ainda não sabia.
Aquele casamento estava mal. Uma mulher tem as suas necessidades. Um dia vi-a a olhar uma foto de um quadro do Kirapintor, aquele que tem umas estacas levantadas, e a desatar a chorar.
Ficou entusiasmada quando leu no jornal que havia uma nova droga no mercado que podia resolver o problema. Chamava-se Viagra. Ela disse-lhe que se tomasse esse medicamento, as coisas poderiam ser como na lua de mel. Realmente pensou que poderia resultar. Ele então substituiu o Prozac pelo Viagra, na esperança que levantasse algo mais do que o entusiasmo.
Foi uma benção dos céus.
A vida começou a ser maravilhosa para eles, apesar de ser um pouco complicado ela escrever enquanto ele fazia "aquilo".
O Viagra começou a subir-lhe à cabeça (sem segundas intenções). No restaurante o empregado perguntava à Isabel se estava a gostar da carne e ele pensava logo que se estava a referir a ele. Mas ela confessou que, apesar de tudo, foi muito bom. Nunca foi tão feliz.
Acho que ele começou a exagerar na dose de Viagra aos fins de semana. Ela ficava um pouco dorida nas partes baixas e deixou de ter tempo para escrever, porque ele apanhava-a.
Ok, ela chegou a admitir no Tribunal, que se escondia dele. É que não há mulher que aguente tanto e, para piorar as coisas, ele andava a tomar os comprimidos com Whisky. O que havia ela de fazer? Estava toda moída.
Estava praticamente a ser comida até a morte. Era o mesmo que ir para a cama com um Black&Decker. Acordou uma manhã colada à cama, até os sovacos não escapavam, ele era um grandessíssimo animal.
Quem lhe dera que ele fosse bicha. Deixou de se maquilhar, tomar banho, lavar os dentes, mas mesmo assim ele ia atrás dela. Até bocejar era um perigo.
De cada vez que fechava os olhos lá vinha mais um ataque. Estava a viver com um míssil Scud. Já mal conseguia andar. Jurou-me que se ele viesse outra vez com aquela história do "Olá, com licença", matava o sacana!
Fez de tudo para ele a deixar em paz, mas nada resultou. Chegou a vestir-se de freira, mas ainda foi pior.
Pensei que ela acabaria por matá-lo. Eram umas dores infernais quando se sentava. O cão e o gato fugiam dele e os amigos nem se atreviam a aparecer lá em casa.
O sacana queixava-se de dores de cabeça, quem lhe dera a ela que explodisse. Ela sugeriu-lhe que largasse o Viagra e voltasse a tomar o Prozac.
Finalmente resolveu mudar de comprimidos, mas parece que não fez efeito.
Um dia o Prozac começou finalmente a fazer efeito. O filho da mãe passava o dia inteiro sentado em frente à TV, com o controlo remoto na mão à espera que ela lhe fizesse tudo. Ah! Que vida maravilhosa.
E assim terminou um casamento e eu ganhei uma cliente.
Hoje vou vestir-me de dourado transparente.
Espero que a Isabel seja feliz.

sábado, 22 de setembro de 2007

A DOR E O GRITO


Hoje acordei na minha casa amarela, no seio do Barreiro Velho, esse bairro maldito para tantas pessoas que já se esqueceram do tempo e das memórias e mataram a saudade, enterrando-a em preconceitos.
Cheguei, mas partirei em seguida, porque há coisas a que nunca poderemos fugir, por muito que desejemos fazê-lo.
Não sei porquê, acordei com uma tremenda enxaqueca. Há muito tempo que não tinha uma enxaqueca.
Não conseguia raciocinar nem tampouco levantar a cabeça da almofada.
Meti-me num táxi com a minha receita SOS e rumei à primeira farmácia de serviço, que encontrei. O mundo girava à minha volta, tremelicando por todos os lados, bruxuleando como a luz de um pedaço de vela. E as náuseas malditas, essas, não me largavam o corpo. Apetecia-me gritar. Uma sensação, grande, de desconforto e insegurança tomava, pois, conta de mim.
Para minha irritação, quando entrei, tinha duas mulheres à minha frente.
Sentei-me.
A primeira pediu Trifene. Bufei. Resfoleguei como os búfalos que me conheceram pequenina, lá longe, nas anharas de Angola. Uma dor menstrual tem lá comparação com a sensação de ressaca provocada por uma enxaqueca!
A segunda mulher pediu palmilhas de silicone, anti derrapantes para os sapatos. Aí não aguentei e reclamei que aquilo era uma farmácia de serviço, não uma sapataria.
A farmacêutica, do outro lado do balcão, insolente, disse-me para esperar.
Meu Deus, como tive saudades, tantas, daquela empregada do senhor doutor, a tal Teresa, tão simpática, tão subserviente, tão senhora doutora para aqui, senhora doutora para acolá.
Encolhi-me. A empregada demorou imenso tempo a mostrar palmilhas de silicone à velha que estava à minha frente.
E eu ali a morrer devagarinho.
Por fim, lá se dignou a atender-me.
Quando viu a minha receita, olhou-me em silêncio.
Eu olhei-a de volta, prestes a desfalecer.
Mal saí da farmácia meti um comprimido à boca.
Passados poucos minutos, o mundo parou de tremer e eu voltei a ser Eu.

SENTIMENTOS E AFECTOS



Era uma vez uma ilha onde viviam todos os sentimentos: a Alegria, a Tristeza, a Sabedoria e todos os outros afectos. Um dia os moradores foram avisados que aquela ilha iria afundar e todos eles se apressaram a deixá-la.
Pegaram nos seus barcos e partiram. Mas o Amor ficou, pois queria ficar mais um pouco com a ilha, antes que ela afundasse. Quando, por fim, estava quase a afogar-se, o Amor começou a pedir ajuda. Nesse momento passava a Riqueza, num lindo barco. O Amor pediu-lhe :
- Riqueza, leva-me contigo.
- Não posso. Há muito ouro e prata no meu barco. Não há lugar para ti.
Pediu ajuda à Vaidade, que também ia a passar.
- Vaidade, por favor, ajuda-me .
- Não posso ajudar-te , Amor, estás todo molhado e poderias estragar o meu barco novo.
Então, o Amor pediu ajuda à Tristeza.
- Tristeza, leva-me contigo.
- Ah! Amor, sinto-me tão triste, que prefiro ir sozinha.
Também passou a Alegria, mas esta estava tão alegre que nem ouviu o Amor chamá-la.
Já desesperado, o Amor começou a chorar. Foi quando ouviu uma voz chamar:
- Vem Amor, eu levo-te!
Era um velhinho. O Amor ficou tão feliz que se esqueceu de perguntar o nome dele. Quando chegou ao outro lado da praia, perguntou à Sabedoria.
- Sabedoria, quem era aquele velhinho que me trouxe aqui?
A Sabedoria respondeu:

- Era o TEMPO.

- O Tempo? Mas por que só o Tempo me quis trazer?

- Porque só o Tempo é capaz de entender o "AMOR".

GO WEST

HOJE ACORDEI NA MINHA CASA DO BARREIRO, COM VONTADE DE IR PARA OESTE.

"Together we will find a way".

Will you come with me?

I'm waiting for you.

We shall dance!

I know you love me. I love you too.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

O CHOQUE TECNOLÓGICO



Mentira!

Grande Mentira!

José Sócrates não foi nada a um safari no Quénia.

Foi ao Quénia inspirar-se no choque tecnológico.

Lá teremos que gramar agora as consequências.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

PENTA CAFÉ


Hoje fui dar um passeio com o meu amigo VTM. Apesar de tudo, ele é um homem tímido, pouco conversador e muito curioso. Extremamente curioso. Mas eu já estou habituada à curiosidade das pessoas e nunca levo a mal quando me fazem perguntas, por muito indiscretas que as considere.
Respondo sempre a todas as perguntas, apesar de muitas vezes tentar esquivar-me delas. Sou um bocado compulsiva.
Não sou de muitas intimidades. Gosto de manter distância quanto baste. Mas há quatro pessoas no Barreiro a quem gosto de “dar o braço”, enquanto passeio, calmamente, pelas margens do rio, conversando e discutindo pontos de vista. São elas o meu tio João, o Kira , o VTM e o Dr. Carlos Correia, a quem baptizei de “Mecinho Dr. CC”. São muito ternurentos e são o tipo de pessoas que nos transmitem segurança e tranquilidade.
O meu amigo VTM é muito ciumento. É uma faceta dele posta a descoberto pela polémica do Mercado Marquês de Pombal. Ficou com receio de que eu, a quem considera a sua secretária virtual, me bandeasse para os lados do Dr. Cabós Gonçalves.
Lá tive uma trabalheira monumental para o convencer de que tal seria impossível, porque tenho um contrato de trabalho que me obriga a exclusividade. Sou uma escrava da globalização. Sou como uma prostituta. Escorrem-me o cérebro, pagam para o usar e estou à disposição de qualquer caçador de cabeças que me pague bem para ser boa e até excelente, se for preciso.
Lá fomos caminhando paulatina e silenciosamente pela Avenida da Praia. De repente, o meu amigo VTM disse-me: “Que raio de nome lhe puseram!”.
Fiquei surpreendida porque não o julgava ser pessoa para comentar esse tipo de coisa: o nome. Todos nós somos vítimas, logo quando nascemos, desses exemplos de sublimação que se consubstanciam nos nomes que por vezes damos às crianças. Eu não escapei dessa. O meu nome resulta de uma coisa desse género. Não o considero dos piores, apesar de me sentir embaraçada quando me trocam o apelido ou o estilizam à boa maneira telenovelesca, agora tão em voga. Aí, sim. Fico possessa!
Enquanto caminhamos, vamos dando conta dos nossos pontos comuns e chegamos à conclusão que ambos fomos cuspidos do inferno.
O Diabo não nos quis lá. Era dose a mais, a Verdadeira e o VTM, juntos no mesmo inferno.
Voltámos como dois anjos e pairamos por aí, despertando ódios e paixões. Diz ele que, ou nos amam ou nos odeiam. Não há meio termo para nós.
Falámos de bruxas, de duendes e de Alburrica. Da lama de Alburrica e das “lamejinhas”, paraíso secreto do olheiro e dos outros.
Falámos dos ciganos, o nosso ponto de desencontro. Mas apesar de tudo concordámos: eu vejo os ciganos de uma forma branda, porque sou mulher e as mulheres são brandas por natureza. Ele vê os ciganos porque estes são e serão sempre ciganos.
“Você anda estranha, confesso.” – disse-me ele, ao mesmo tempo que olhava para mim, tentando adivinhar os meus pensamentos.
Eu, como sempre, furtando-me às directas, respondi à laia de desafio: “Vai um chocolate quente no Penta Café?”

PARA O KIM



Dia 13 de Outubro, cá te espero para almoçar.

Espero que não leves o teu pessoal para desembarques na praia dos tesos, só para veres os "borrachos".

Fico com ciúmes.

Bom regresso até Vale de Zebro.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

SALDONHA



Saldonha é uma pequena freguesia que dista 20 Km de Alfândega da Fé.Tem 157 habitantes porque o 158.º é um grandessíssimo filho da mãe, que emigrou para o Barreiro, para mal de muitas pessoas de bem.

Gosto imenso de turismo de habitação. A Casa do Poeta, em Saldonha, é um exemplo do que poderia ser feito noutras localidades do país, com potencialidades para aquele género de turismo.

É lá que passo férias e alguns dos meus poucos tempos livres, sempre acompanhada de um bom livro e de bons amigos. Gosto de passear nos arredores. Gosto de respirar o ar puro e conviver com as suas gentes boas e sãs.

Na imagem, o quarto onde costumo ficar.

É um hino à tranquilidade.

Se puderem, vão até lá e não se arrependerão.

sábado, 15 de setembro de 2007

DOCES RECORDAÇÕES



A cidade chove as primeiras lágrimas de Outono, lágrimas que eu evito a custo.
As palavras já perderam há muito o hábito de conversar connosco. Habita-nos este silêncio que nos consome e respira o nosso ar, até à lenta asfixia em que sobrevivemos.
Vou caminhando pelas ruas onde me perco em cantos e recantos que conheço de cor e paro. Da rua vejo a tua sombra gigante reflectida nas paredes do teu quarto que já foi nosso, por instantes, e sinto um desejo enorme de subir para me despedir de nós. Oiço o vento que traz até mim a música que escutas e que era a nossa e danço sozinha no passeio, uma dança demente, sem nexo.
Doce melancolia. Um dia voltei e disseste-me que pensavas que eu já tinha morrido. Mas eu ressuscitei e estava ali ao teu lado, como sempre estive em pensamento e queria estar.
Confessaste-me os teus amores, os teus medos e as tuas desilusões como sempre fazias, quando éramos crianças e eu ainda era viva para ti.
Comprei champanhe e morangos e convidei-te para jantar na minha nova casa e recusaste. Deitei fora os morangos, o jantar e arrumei a garrafa junto às velharias que ofereci. E fiquei só. Toda a noite aquela coruja piou como que a lamentar-se por mim e eu adormeci sem ti.
Não sei quando morri. Apenas sei que já não sou eu e, por isso, vou partir. Um dia deixei tudo por ti mas, apesar de tudo, fiquei só. Foi para ficar contigo, se ainda me quisesses. Tu não quiseste.
Mas que me importa? Valeram aqueles momentos e ficaram as boas recordações.
Já tudo foi dito entre nós. O que ficou por dizer, vou guardar para o meu último instante e esperar que me oiças.
Até lá, levantarei o meu olhar silente à tua passagem anónima por esta ausência a que gosto de chamar vida.
Um dia, talvez, quem sabe, ainda chame por ti, se me lembrar do teu nome...