sábado, 30 de junho de 2007

O ÍCONE


O que faz a miopia!



Há um que se acha o Harrison Ford do Barreiro e vai daí confundiu uma mulher a dias, com a Marilyn Monroe.



Aquela, por sua vez, vendo ali a possibilidade de sacar umas massas ao tanso, não disse que não. À revelia do marido lá foi fazendo uns "alfinetes de peito" e outras coisas mais, em troca de carcalhol que lhe permitisse andar nos "trinques", para aviar mais uns otários. Sim, porque a vida está difícil e não é todos os dias que aparecem uns cromos ingénuos como aquele.
Não é que o Kennedy descobriu?
Brevemente, cenas de faca e alguidar ali para os lados da Miguel Bombarda.
Só espero não estar na escala, nesse dia, para as oficiosas.



O que mais me lixa é que quando ele se sentiu enganado, foi a correr procurar a Julia Roberts que o mandou dar uma volta ao bilhar grande.



Não havia necessidade!



Moral da história: Nem tudo o que luz é ouro e quem tudo quer, tudo perde.

AS TUAS MÃOS - Poema dedicado ao Pintor KIRA


Dá-me a tua mão,

Vem comigo,

Embala-me nas tuas cores.


Acorda os silêncios

Feitos de encanto

No refúgio deste mar

Em que me banho.


Sou a musa errante

Das palavras certas,

Misto de destino

E de breve instante.


Dá-me a tua mão,

Vem comigo.


Mostra-me pedaços de céu

Em telas de azul

E rendas de espuma.


Canta-me o sol

Em tons de amanhecer

E glória.


Dá-me a tua mão,

Vem comigo.


Fala-me dos teus gestos

E guia-me nos caminhos

Das palavras proibidas.


Dá-me a tua mão

E sente...


Tens nas mãos

Um reino de poeta.

SONHOS DE PORCELANA


Enquanto a noite dorme,

A ti, negra senhora,

Entrego o meu pranto

E em teus braços morro.


Entrego-me ao silêncio

Que adormece os sentidos,

Neste jardim transparente

Em que te encontro e renasço.


Mergulho em cada bruma

Onde o sonho é secreto

E os versos rasgados

Sem forma, nem espaço.


Afago o tempo e morro

Em cima da própria morte.


E procuro nas vielas escondidas,

Das memórias silenciosas,

Os sonhos de porcelana.

MENSAGEM


Hoje não te mando rosas…
Apenas palavras
Desvendando a alma,
Passo a passo.
Memórias e sentidos
Num abraço.
Mas já partimos
Um do outro,
De cansaço.
E ficaram as mágoas,
Os ressentimentos
E tudo aquilo
Que não dissemos.
Hoje não te mando rosas…
Apenas versos.
Pura fantasia
De momentos secretos,
Plenos de magia
E reflexos de mim.

BEDUÍNOS E TUAREGUES


Agora que aquele Ministro classificou a margem Sul do Rio Tejo como um deserto, há que fazer, aqui na cidade do Barreiro, a distinção entre Beduínos e Tuaregues.
Sim, porque isto de se viver num deserto, tem que se lhe diga.
Ainda por cima corremos o risco de contrair cancro do pulmão, o que é uma chatice, pois hospital é coisa que por aqui não há.
Estava eu a dar de beber a alguns camelos, no meu oásis privado, quando ouvi dizer que se aproximava a comitiva do tal Ministro.
Vinha ele acompanhado de um muçulmano e de um hindu para estudar a possibilidade de colocação de bombas nas pontes e eu, como boa anfitriã que sou, com uma casa de férias no Poceirão, convidei-o a ficar em minha casa, já que no deserto não há hotéis.
O problema é que só tinha um quarto vago, com duas camas, e um sítio no curral onde estão também um porquinho e uma vaquinha que comprei na feira da Verderena.
Todos aceitaram a minha hospitalidade e o hindu ofereceu-se para ficar ele a dormir no curral, no tal sítio limpinho, junto da vaquinha e do porquinho.
Recolhemos aos nossos aposentos para passar a noite.
Ainda não tinham passados dez minutos, quando o hindu aparece muito consternado, dizendo que não podia, de modo algum, pernoitar junto da vaca, pois esta era um animal sagrado.
O muçulmano levantou-se e concordou ir ele dormir para o curral.
Maldita a hora!
Passados dez minutos aparece à porta de casa a dizer que não poderia dormir com o porco, pois este era um animal imundo.
Eu fiquei a ver no que aquilo dava, quando o senhor Ministro se ofereceu para ir ele dormir para o curral, junto do porco e da vaca.
Estava eu quase a adormecer, quando oiço tocar a campainha da porta da rua e vou abrir. Qual não é o meu espanto, era o porquinho e a vaquinha que preferiram ir dormir para a casota do cão.
Já não consegui dormir mais. Levantei-me, vesti a minha burka azul e fui ter com os Tuaregues, aqueles homens azuis, ali para os lados do Barreiro Velho onde costumamos tertuliar.
Um deles leu-me um velho provérbio Tuaregue que diz “Deus criou o mar para que o Homem pudesse viver e criou o deserto para que o Homem pudesse ver a sua alma”.
Achei o provérbio lindo e, não sei por que carga de água, dei comigo a pensar nos responsáveis da Autoeuropa, situada bem no coração da Margem Sul.

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA É CRIME


Não faria sentido abordar este tema tão polémico, se Portugal não fosse um dos países onde se regista uma elevada incidência de episódios de violência doméstica. No nosso país, mais de um milhão de pessoas, na sua maioria mulheres, são afectadas por este tipo de crime, embora só uma pequena parte o tenha reportado às autoridades competentes.
A violência doméstica é um fenómeno de longa data, que só a partir da década de oitenta foi identificado como problema social. Continua a ser um dos grandes flagelos da nossa sociedade e não ocorre somente com pessoas pobres e de baixo nível educacional. Existe, de igual modo, em famílias ricas, cultas e respeitáveis.
Designa-se como violência doméstica todo o tipo de agressões existentes no seio familiar e que vitimam sobretudo crianças, idosos, deficientes, doentes e mulheres. Em todos os grupos sociais, a situação das mulheres é a mais frequente e generalizada, embora haja também casos muito raros de mulheres que maltratam os seus companheiros.
Uma das causas da violência doméstica tem origem na cultura de muitos povos, onde a mulher é considerada um ser inferior ao homem a quem se desculpa toda e qualquer forma de agressão. Outra das causas apontadas para grande parte dos crimes, é o sentimento de posse associado ao “ciúme”.
O silêncio das vítimas é o maior obstáculo ao combate deste tipo de criminalidade. O agressor pressiona a vítima através de ameaças, intimidando-a e incutindo-lhe um sentimento de terror que a leva a calar e a esconder o sofrimento e, consequentemente, as agressões tendem a perpetuar-se.
Por medo, vergonha ou dependência sentimental e económica, muitas mulheres sofrem em silêncio, não só violência física, mas também psicológica e sexual.
A violência física é a que deixa marcas visíveis mas são os maus-tratos psicológicos que mais magoam, mais doem, mais ferem e os mais difíceis de ultrapassar. Os insultos e as más palavras ferem a alma e são tão violentos que a mulher perde o amor-próprio, a auto estima e o sentimento de si. É na família, na intimidade do lar, que as mulheres sofrem grande parte da violência de que são alvo.
Infelizmente a sociedade, com a sua máxima “entre marido e mulher não metas a colher”, fecha os olhos perante uma realidade que considera como “algo privado” e muitas vezes espera que seja a própria vítima a defender-se e a denunciar o espancamento, lavando desta forma as mãos, como Pilatos, mesmo sabendo tratar-se de uma violação grave dos direitos humanos fundamentais: da liberdade, da integridade física, da dignidade individual e da própria vida.
Segundo as estatísticas, no ano de 2006, em Portugal, trinta e nove mulheres foram mortas no seio familiar. Outras quarenta e três ficaram gravemente feridas. Muitas desconhecem que existe uma linha telefónica de apoio à vítima, através da qual poderão ter acesso a ajuda especializada, que as encaminhará para uma nova vida, longe e a salvo do agressor.
A revisão do Código Penal vai clarificar o crime de violência doméstica e vai alargar a designação de companheiro ou marido, aos namorados ou qualquer pessoa que tenha uma relação de intimidade com a vítima.
Uma pergunta ficará no ar: Será que isso vai acabar com o problema?
Caberá, a todos nós, ficar alerta e denunciar.

INFERÊNCIAS GRAMATICAIS


Surgem regularmente na Comunicação Social, notícias muito pouco animadoras sobre o insucesso escolar em Portugal: ou porque as taxas de reprovações em Matemática atingem níveis escandalosos, ou porque a maior parte dos alunos demonstra uma falta de conhecimento da língua portuguesa, tanto ao nível da leitura como da escrita, que se repercute em todas as outras disciplinas.
A educação em Portugal tem sido frequentemente transformada em laboratório de experiências e de ensaios. Foi assim, ainda recentemente, a propósito da Nova Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário (TLEBS), que preconiza uma forma nova de ver a língua portuguesa.
A Portaria 1488/2004, de 24 de Dezembro, que só deveria entrar em vigor após três anos de experiência pedagógica vai, ao que tudo indica, alterar a forma tradicional de morfologia e sintaxe da nossa língua, sem que tenha havido formação dos professores, nesse sentido.
Todos concordamos que a língua não é estática e que necessita de um contexto de enunciação para se actualizar, sendo que esta actualização não se faz a qualquer preço, porque implica saberes aos vários níveis. Sabemos também que serão várias as dificuldades que irão apresentar-se na implementação da nova terminologia, uma vez que os professores não a dominam e terão de a estudar para a aprender, pondo em equação a formação e o saber de uma vida inteira, que desta forma também sofrerá transformações.
Os alunos portugueses sempre tiveram problemas com a gramática. Se até aqui não apreenderam bem as regras desde sempre aplicadas, mais dificilmente irão assimilar outros nomes para os mesmos elementos gramaticais, em virtude de terem já uma ideia cristalizada da gramática portuguesa e aquilo que lhes irá ser ensinado, é totalmente novo.
Constata-se que a TLEBS se baseia numa linguagem técnica de acesso difícil, com conceitos que não fazem parte da gramática tradicional, desconhecida da maior parte dos professores dos ensinos básico e secundário.
Segundo a Portaria, a divulgação da Nova Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário, deverá ser complementada com a concretização de medidas e acções adequadas, nomeadamente ao nível da formação de professores.
Tanto quanto se sabe, a única acção levada a cabo nesse sentido, foi a disponibilização de uma base de dados em CD-ROM, de cariz teórico, sem exemplos práticos do funcionamento da linguagem, o que impede a sua aplicação de uma forma didáctica e pedagógica.
Por outro lado, não há nenhuma gramática portuguesa baseada na TLEBS e poucos são os materiais didácticos de apoio, que a utilizam.
Deste modo, esta reforma é geradora de instabilidade no ensino, tanto para os alunos como para os professores, porque introduz conceitos que dificilmente serão apreendidos ao nível dos ensinos básico e secundário.
Também os pais e encarregados de educação irão sentir-se ignorantes, de cada vez que os seus educandos os questionarem sobre o que é um “tritongo”, uma “consoante fricativa” ou uma “consoante africada”, porque são conceitos que não saberão explicar.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

PARA TI




Serena cai a noite e não consigo adormecer. Assaltam-me pensamentos, avivam-se memórias que julgava já esquecidas. Não resisto e ao mesmo tempo não sei por que te escrevo. Já fomos tudo ou nada e agora somos apenas tu e eu, indiferentes. Dou por mim a falar sozinha nesta angústia perpétua, deste não poder ser, que é.
Lembras-te quando nos conhecemos?
Abraçavas-me ternamente e eu adorava-te em silêncio, naquele silêncio só quebrado pelo grande amor que sentia por ti.
Onde estão esses momentos?
Para onde foram os afectos e as promessas que fizemos um ao outro?
Pediste que esperasse por ti e eu esperei. Nunca me procuraste.
Para onde foste?
Onde estarás agora?

Nunca te esqueci.