sábado, 30 de junho de 2007

BEDUÍNOS E TUAREGUES


Agora que aquele Ministro classificou a margem Sul do Rio Tejo como um deserto, há que fazer, aqui na cidade do Barreiro, a distinção entre Beduínos e Tuaregues.
Sim, porque isto de se viver num deserto, tem que se lhe diga.
Ainda por cima corremos o risco de contrair cancro do pulmão, o que é uma chatice, pois hospital é coisa que por aqui não há.
Estava eu a dar de beber a alguns camelos, no meu oásis privado, quando ouvi dizer que se aproximava a comitiva do tal Ministro.
Vinha ele acompanhado de um muçulmano e de um hindu para estudar a possibilidade de colocação de bombas nas pontes e eu, como boa anfitriã que sou, com uma casa de férias no Poceirão, convidei-o a ficar em minha casa, já que no deserto não há hotéis.
O problema é que só tinha um quarto vago, com duas camas, e um sítio no curral onde estão também um porquinho e uma vaquinha que comprei na feira da Verderena.
Todos aceitaram a minha hospitalidade e o hindu ofereceu-se para ficar ele a dormir no curral, no tal sítio limpinho, junto da vaquinha e do porquinho.
Recolhemos aos nossos aposentos para passar a noite.
Ainda não tinham passados dez minutos, quando o hindu aparece muito consternado, dizendo que não podia, de modo algum, pernoitar junto da vaca, pois esta era um animal sagrado.
O muçulmano levantou-se e concordou ir ele dormir para o curral.
Maldita a hora!
Passados dez minutos aparece à porta de casa a dizer que não poderia dormir com o porco, pois este era um animal imundo.
Eu fiquei a ver no que aquilo dava, quando o senhor Ministro se ofereceu para ir ele dormir para o curral, junto do porco e da vaca.
Estava eu quase a adormecer, quando oiço tocar a campainha da porta da rua e vou abrir. Qual não é o meu espanto, era o porquinho e a vaquinha que preferiram ir dormir para a casota do cão.
Já não consegui dormir mais. Levantei-me, vesti a minha burka azul e fui ter com os Tuaregues, aqueles homens azuis, ali para os lados do Barreiro Velho onde costumamos tertuliar.
Um deles leu-me um velho provérbio Tuaregue que diz “Deus criou o mar para que o Homem pudesse viver e criou o deserto para que o Homem pudesse ver a sua alma”.
Achei o provérbio lindo e, não sei por que carga de água, dei comigo a pensar nos responsáveis da Autoeuropa, situada bem no coração da Margem Sul.

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