sábado, 30 de junho de 2007

INFERÊNCIAS GRAMATICAIS


Surgem regularmente na Comunicação Social, notícias muito pouco animadoras sobre o insucesso escolar em Portugal: ou porque as taxas de reprovações em Matemática atingem níveis escandalosos, ou porque a maior parte dos alunos demonstra uma falta de conhecimento da língua portuguesa, tanto ao nível da leitura como da escrita, que se repercute em todas as outras disciplinas.
A educação em Portugal tem sido frequentemente transformada em laboratório de experiências e de ensaios. Foi assim, ainda recentemente, a propósito da Nova Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário (TLEBS), que preconiza uma forma nova de ver a língua portuguesa.
A Portaria 1488/2004, de 24 de Dezembro, que só deveria entrar em vigor após três anos de experiência pedagógica vai, ao que tudo indica, alterar a forma tradicional de morfologia e sintaxe da nossa língua, sem que tenha havido formação dos professores, nesse sentido.
Todos concordamos que a língua não é estática e que necessita de um contexto de enunciação para se actualizar, sendo que esta actualização não se faz a qualquer preço, porque implica saberes aos vários níveis. Sabemos também que serão várias as dificuldades que irão apresentar-se na implementação da nova terminologia, uma vez que os professores não a dominam e terão de a estudar para a aprender, pondo em equação a formação e o saber de uma vida inteira, que desta forma também sofrerá transformações.
Os alunos portugueses sempre tiveram problemas com a gramática. Se até aqui não apreenderam bem as regras desde sempre aplicadas, mais dificilmente irão assimilar outros nomes para os mesmos elementos gramaticais, em virtude de terem já uma ideia cristalizada da gramática portuguesa e aquilo que lhes irá ser ensinado, é totalmente novo.
Constata-se que a TLEBS se baseia numa linguagem técnica de acesso difícil, com conceitos que não fazem parte da gramática tradicional, desconhecida da maior parte dos professores dos ensinos básico e secundário.
Segundo a Portaria, a divulgação da Nova Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário, deverá ser complementada com a concretização de medidas e acções adequadas, nomeadamente ao nível da formação de professores.
Tanto quanto se sabe, a única acção levada a cabo nesse sentido, foi a disponibilização de uma base de dados em CD-ROM, de cariz teórico, sem exemplos práticos do funcionamento da linguagem, o que impede a sua aplicação de uma forma didáctica e pedagógica.
Por outro lado, não há nenhuma gramática portuguesa baseada na TLEBS e poucos são os materiais didácticos de apoio, que a utilizam.
Deste modo, esta reforma é geradora de instabilidade no ensino, tanto para os alunos como para os professores, porque introduz conceitos que dificilmente serão apreendidos ao nível dos ensinos básico e secundário.
Também os pais e encarregados de educação irão sentir-se ignorantes, de cada vez que os seus educandos os questionarem sobre o que é um “tritongo”, uma “consoante fricativa” ou uma “consoante africada”, porque são conceitos que não saberão explicar.

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