domingo, 1 de julho de 2007

O FILHO DA MUSA


Filho de musa e de rei, ele era o mais talentoso músico entre os mortais e imortais.
Os pássaros paravam de voar para o escutar e os animais selvagens tornavam-se calmos e dóceis. Possuía o poder extraordinário e sobrenatural de conseguir fascinar, com o seu canto e doces melodias. Toda a natureza o ouvia, extasiada e o sol dançava.
As árvores balançavam-se ao som da sua música, procurando captá-la no vento.
Casou com Política, mulher madura, na esperança de ter uma vida fácil, governando e governando-se, mas tal não foi possível. Ela era séria demais e recusava as atenções desse marido que quis enganá-la e aproveitar-se da sua condição de mulher rica, bonita e atraente.
Ao tentar escapar-se, Política é abraçada por um polvo gigante que lhe ceifa a vida. E ele, filho de musa, ficou transtornado. Levando a sua música, entrou no mundo dos mortos para trazê-la de volta. Cantou uma canção pungente e emocionada e convenceu o povo a levá-lo ao colo, adormecendo cérebros e avivando tormentos.
E o povo, convencido, lá o deixou entrar no seu reino e ele chorou lágrimas de crocodilo, dias e dias, a fio.
Comovido, o rei dos mortos atendeu o seu desejo e devolveu-lhe a sua amada.
Política poderia voltar ao mundo dos vivos. Mas com uma condição: que ele não olhasse para ela, enquanto não chegasse à claridade.
E ele, filho de musa, atravessou, dançando, o escuro reino da morte, tocando músicas de alegria e celebração.
Política não resistiu. Esfumou-se na escuridão e o seu grito ainda hoje ecoa, no triste Reino dos Mortos.

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