quinta-feira, 5 de julho de 2007

PAZ À MINHA ALMA - 4 de Julho de 2006


ONTEM NÃO POSTEI.

FEZ UM ANO QUE MORRI DE MORTE ESTÚPIDA.

Encontrava-me na fila das Finanças para liquidar o IRS, depois de ter tirado um ticket que me fez logo adivinhar uma longa tarde de espera.

Tudo à minha volta estava carregado: O tempo, quente cum'ocaraças. Os semblantes. A vida.

"Ela", aproveitando-se da minha fragilidade, abraçou-me com o seu manto negro.

Tentei resistir-lhe, buscando na minha bolsa, os meus comprimidos SOS. Não consegui!

Entrei no seu túnel de luz e senti-me leve. Tão leve!


Rocei a perfeição e senti-me eu. Finalmente era Eu!

Conseguia ver através das sombras reflectidas nas paredes do túnel, aquela figura imponente que julguei ser Jesus Cristo ou o Diabo.
E senti uma tremenda angústia.

Permaneci no tempo e na luz. Quis ficar para sempre!

O meu Anjo da Guarda ucraniano não deixou.

Acordei no hospital, três dias depois de ter morrido e julguei-me no paraíso.

Um Anjo de olhos azuis como se fossem lagos, estava debruçado sobre mim e falava-me numa língua que eu julguei ser a dos Anjos.

Soube que foi ele o meu Anjo da Guarda. Aquele trolha ucraniano de olhos lindos como o azul do céu, salvou-me de morrer, quando tenho ainda tantas coisas para fazer, tantas coisas para dizer, tanto para dar.

Médico no país que o viu nascer, trolha explorado no país que o acolheu.

Teve a percepção que eu apertava na mão esquerda os comprimidos que não consegui levar à boca. Prontamente reconheceu os sintomas de um AVC e iniciou uma série de manobras que o INEM, quando chegou, se limitou a completar.

OLEG, de seu nome. O médico- trolha explorado.

Não falava português, o meu Anjo da Guarda.

Tomei a meu cargo a sua aprendizagem da língua portuguesa e, juntamente com alguns amigos, comecei a tratar dos documentos, para que pudesse fazer o exame à Ordem dos Médicos.

Um ano depois, o Oleg fala e escreve quase fluentemente a língua portuguesa e tem o exame à Ordem marcado para Outubro.

Foi o mínimo que pude fazer.

Em Outubro lá estarei a apoiá-lo.

É O MEU ANJO DA GUARDA!

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