quinta-feira, 30 de agosto de 2007

CONTRA-INFORMAÇÃO



As notícias sobre a possibilidade de implementação efectiva do Mercado Marquês de Pombal no Barreiro Velho, que são publicadas pela imprensa regional ou criticadas ou apoiadas em blogues, nunca falam do que mudaria na vida de centenas de pessoas, com a sua realização.

Muito raramente se fala dos benefícios ou dos malefícios que ele traria para a cidade e muito menos se explica o motivo por que se torna urgente encontrar uma solução a contento.

Também as opiniões contrárias não são fundamentadas e tem-se verificado que é mais fácil criticar por criticar ou apenas para ser do contra.

Na maioria das vezes, as opiniões versam o tom de criminalização das pessoas que dão origem a movimentos sociais que lutam para que tal projecto se torne realidade, desqualificando todos aqueles que o defendem, sejam estes cidadãos comuns de dentro ou de fora dos partidos, das instituições ou da polis como aglomerado urbano.

Com o tratamento que tem sido dado em vários meios de comunicação, cria-se no imaginário da população do Barreiro a ideia de que o trabalhador feirante é vagabundo, arruaceiro, traficante ou bandido, no mínimo, usurpador dos espaços que os elitistas pretendem reclamar como um exclusivo e uma prerrogativa só seus.

Quando o homem ou a mulher feirante é personagem de uma matéria de jornal ou de blogue, lá está por causa da sua pobreza, da sua miséria. Nunca ou quase nunca merecem mais do que poucas palavras por serem protagonistas de outras histórias que também merecem ser contadas: a sua capacidade de inventar, de produzir, de fazer cultura, de resistir, de amar, de criar bons filhos, de contestar. O mesmo acontece com os homens e mulheres trabalhadores que vivem em Bairros como o das Palmeiras, no coração do Barreiro Velho e que são quotidianamente apresentados como vagabundos, traficantes e consumidores de drogas.

Não podemos segregar a pobreza nem transformar o Barreiro Velho naquele ghetto que tanto preocupa aqueles que preferem fazer daquela zona da cidade um condomínio fechado, de luxo, povoado de moradias de estilo duvidoso, que nada têm a ver com a traça dos edifícios envolventes.

Temos de ter em conta a vida das pessoas que lutam honestamente pela sua sobrevivência e que, através do seu trabalho, constroem um país mais humano e mais justo, que ajudariam a trazer movimento ao Barreiro Velho e a reabilitá-lo como zona histórica.

O Barreiro Velho está em ruínas graças à omissão de todos nós, durante anos a fio.

Quem tem medo do Mercado Marquês de Pombal?

Que outros interesses estarão por detrás de tanta desinformação?

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