sexta-feira, 17 de agosto de 2007

GYPSIES, GITANOS, ZÍNGAROS, CIGANOS...


A origem dos ciganos permanece um mistério. O que hoje se sabe, graças a indícios nos vários dialectos do seu idioma – o romani – é que vieram do norte da Índia para o Médio oriente há cerca de mil anos. Trabalhavam como menestréis e mercenários, ferreiros e artistas, damas de companhia e aios. Os ingleses acreditando que os ciganos vinham do Egipto, chamaram-nos de "gypsies". Porém, os ciganos chamam a si próprios "roma", que significa "homem" no seu idioma.
No Barreiro formam uma comunidade que se dedica à venda ambulante e, à semelhança do que acontece em outras zonas do país, não são bem vindos.
A forma como encaram a cidadania, será uma das principais fontes de conflito porque a maior parte deles está apenas interessada em direitos, mas recusa-se a assumir deveres. Isso revela a natureza cultural do problema.
A sua cultura tem uma elevada matriz tribal com a apologia do grupo e do clã familiar.
O binómio direitos/deveres apenas é exequível no seio do seu grupo de pertença e por isso reagem sempre como uma tribo.
Encaram as leis e as instituições públicas como exteriores à sua comunidade, contra as quais se unem, para garantir a sua sobrevivência.
Mas em Portugal o problema não está apenas nos ciganos. Está também naqueles que os usam para levar a cabo as suas políticas demagógicas.
O papel das instituições de poder, nomeadamente o Estado, autarquias e forças policiais, tem originado a que haja uma espécie de cegueira institucional face aos problemas resultantes da sua especificidade como etnia, que já não é tão menor, como por vezes nos querem fazer crer.
A culpa não é só deles. É nossa também. Nós, os não-ciganos, pactuamos e demitimo-nos de fazer com que sejam cumpridas as elementares regras de urbanidade e civilidade. Deixámo-los entregues à precariedade, ao analfabetismo, ao insucesso escolar, à ausência de saídas profissionais que compensassem o desaparecimento progressivo das profissões tradicionais da comunidade, porque as Câmaras estão a acabar com os mercados tradicionais, por troca com as grandes superfícies. A venda ambulante é a única saída enquanto forma de auto-emprego, porque é um dos aspectos que singulariza a sua cultura e que levará algumas gerações a alterar.

Não sejamos hipócritas. Não queiramos culpá-los por todas as coisas más que existem à face da terra.

Quantos de nós não ouvimos, quando éramos crianças, aquela ameaça torpe:

“Olha que eu chamo o cigano!”

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