quarta-feira, 29 de agosto de 2007

MEDITANDO...


Em Portugal inovar torna-se difícil porque somos um país de hábitos e somos avessos à mudança, por princípio. Temos medo do que não conhecemos e de tudo aquilo que não podemos controlar.
O discurso da inovação de âmbito estratégico, isto é, planeado, não tem impacto estratégico mas tem grande relevância para a criação de culturas de inovação que têm na sua base a criatividade individual.
Porque entendemos a inovação como uma faculdade apenas permitida a especialistas em questões para lá do alcance comum, cria-se a ideia de que inovar é prerrogativa de apenas determinados grupos.
Por isso nunca deixaremos de ser retrógrados porque nos auto-limitamos na criação das referidas culturas de inovação, na medida em que se estabelece à partida que a maioria dos cidadãos não têm qualquer responsabilidade na implementação de ideias vantajosas para a cidade onde vivem e trabalham. Esta perspectiva redutivista é duplamente perniciosa porque quem não participa na inovação não gera ideias relevantes e tende a opor-se mais facilmente às ideias dos outros.
Não fazemos, nem queremos que se faça.
A generalidade dos cidadãos do Barreiro tem ideias que podem contribuir para melhorar a cidade. Todas somadas podem representar uma mais-valia para a solução da deslocalização do Mercado da Verderena, com uma participação ampla de todos e de envolvimento alargado, já que o executivo camarário pouco ou nada tem feito nesse sentido.
A pressão para a geração de novas ideias força a curiosidade e o interesse, impedindo a acomodação e o “deixa andar”.
A ideia de que todos devem contribuir para melhorar o Barreiro Velho, através das suas ideias e sugestões pode, apesar da evidência das suas vantagens, ser mais fácil de apregoar que de praticar, porque pessoas habituadas a criticar e sem uma história de participação, podem simplesmente preferir o "statu quo ante", esse estado de letargia mental, durante o qual, noções como responsabilidade, melhoria, desafio e novidade constituem valores perigosos e indesejáveis, cuja impraticabilidade deve ser demonstrada pela prática. Ou seja, as ideias são grátis, mas nem sempre.

Há sempre quem pague muito caro por elas.

Sem comentários: