domingo, 30 de setembro de 2007

MANTORRAS - O ROEDOR DE SAPATOS



Dou o “dito” e três tostões para estar em minha casa.
Adoro o meu espaço, a minha cama, o meu sofá e tudo aquilo que me faz sentir bem.
Por vezes, dou comigo a pensar: bendito o problema de saúde que tive o ano passado, que me obriga a vir à Lusitânia sempre que a minha luz vermelha se acende.
Os médicos, onde estou, até que nem são maus. Mas eu não troco o meu Dr. Miguel, por nada deste mundo. Primeiro, porque me conhece as manhas todas e, segundo, porque é um “borracho” e está na cidade onde tenho o meu “quartel-general” e sou feliz.
Alguns dizem que as minhas férias são fêmea, que nunca mais acabam.
Sacanas! Nem sequer relevam o facto de eu ter estado doente no ano passado e não as ter podido gozar então. É através de pequenas “bocas” como esta, que se conhecem os verdadeiros amigos. É inveja por eu ter agora uma pipa de férias para gozar.
Mas não será por isso que direi aquela frase canalha “quanto mais conheço as pessoas, mais gosto dos meus cães”. Não, nada disso. Eu gosto muito dos meus cães, mesmo sem conhecer as pessoas.
E a prova é que eles também gostam muito de mim. Quando regresso, é uma festa cá em casa. São como miúdos traquinas. Correm, saltam e escondem-se de mim, quando lhes faço algum reparo.
Os meus colegas sabem deste meu fraco por cães e alimentam-no.
A minha amiga Jessie presenteou-me com uma coisa fofa a que dei o nome de Mantorras. Na altura era uma bolinha escura, de olhos azulados, pequenino, ternurento. Apressei-me a levá-lo ao veterinário, para ter as vacinas em ordem e essas coisas todas que uma boa dona deve providenciar para o seu bicho ser saudável.
O veterinário avisou-me que tinha de lhe fazer um seguro, porque era um Bull Mastiff e por isso integrava a lista de raças perigosas. Eu, obediente, lá fui fazer o seguro ao bicho e vim para casa descansada, com a bolinha ternurenta, fofa e pequenina ao colo.
Já não o via há seis meses. Quando meti a chave à fechadura fui literalmente assaltada por um monstro babão de quase 50 quilos, que mais parecia ter uns cordões de sapatilha pendurados aos cantos da boca. Lambeu-me do queixo à testa e arrastou-me por vários metros. Era ele, o meu Mantorras, em toda a sua plenitude.
A empregada olhou-me confrangida.Vi logo que me queria dizer algo e não sabia bem como começar. Fiquei desconfiada. Passava-se qualquer coisa e devia ser grave, pensei eu.
Vou para a despensa onde guardo os sapatos, a fim de calçar uns chinelos e ia tendo uma apoplexia. Todos os meus chinelos, as minhas sandálias e os meus sapatos jaziam agora a um canto, completamente triturados. Dei um grito de horror.
Pedi explicações à Dona Mimi, a senhora que me ajuda nas lides da casa. A D.ª Mimi justificou-se: tinha deixado o Mantorras fechado na despensa, sem querer, e ele vingou-se. Roeu-me os sapatos todos.
Acabei por achar graça e não consegui ficar zangada por muito tempo, porque o sacana, nas minhas bochechas, começou a roer-me a mala de viagem.
A D.ª Mimi, com o seu riso que lhe é peculiar, só dizia: “deixem roer o Mantorras!”.
Não sei porquê, não consegui deixar de pensar no meu Benfica que mais uma vez empatou.

HOSPITAL DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO CONTRATA O DR. HOUSE

Izabel Montanelle, presidente do conselho de administração do Hospital do Barreiro, revelou ao Jornal on-line "Fronhas", que o Hospital decidiu contratar o Dr. House.
O mesmo já se encontra a dar consultas na Unidade de Massagens da Marilyn Monroe.
Os doentes que desejem ser consultados, deverão contactar o Hospital, através da linha azul.

sábado, 29 de setembro de 2007

MELGAS NO BARREIRO!

FEZ-LHES BEM ÀS HEMORROIDAS.

A MISSA



"O novo padre da paróquia estava tão nervoso no seu primeiro sermão que quase não conseguiu falar. Antes do seu segundo sermão, no Domingo seguinte, perguntou ao Arcebispo como poderia fazer para relaxar. Este sugeriu o seguinte: -“Da próxima vez, coloque umas gotinhas de vodka na água e vai ver que, depois de alguns goles, vai ficar mais relaxado.” No Domingo seguinte o Padre aplicou a sugestão e sentiu-se tão bem, que poderia falar alto até no meio de uma tempestade, tão descontraído se encontrava.
Depois de regressar a casa, encontrou um bilhete do Arcebispo que dizia: - “Caro Padre, da próxima vez, coloque umas gotas de vodka na água e não umas gotas de água no vodka. Deixo-lhe os seguintes reparos para que não se repita o que vi no sermão de hoje: * Não há necessidade de pôr limão e sal na borda do cálice. * O missal não é, nem deverá ser usado como apoio para o copo. *Aquela casinha ao lado do altar era o confessionário e não a casa de banho. *Evite apoiar-se na imagem de Nossa Senhora e muito menos abraçá-la e beijá-la. *Existem 10 mandamentos e não 12. *Os apóstolos eram 12 e não 7. Nenhum era anão. *Não nos referimos ao nosso Salvador, Jesus Cristo, e seus apóstolos como: J.C. & Cª”.* David derrotou Golias com uma fisga e uma pedra. Nunca lhe foi ao cú.* Não nos referimos a Judas como “filho da puta” *Não deverá tratar o Papa por “O Padrinho”. *Judas não enforcou Jesus e o Bin Laden não tem a ver com esta história. * A água benta é para benzer e não para refrescar a nuca. *Nunca reze a missa sentado na escada do altar, muito menos com um pé sobre a Bíblia Sagrada. *As hóstias devem ser distribuídas pelo povo. Não devem ser usadas como aperitivo para acompanhar o vinho. *Procure usar roupas debaixo da batina e evite abanar-se quando estiver com calor. *Os pecadores vão para o inferno e não “para a puta que os pariu”. *A iniciativa de chamar o público para dançar foi muito plausível, mas fazer um “comboio” pela igreja é que não! Pelos 45 minutos da missa que acompanhei, notei estas falhas. Lembro-lhe também que uma missa leva em torno de 1 hora e não 2 tempos de 45 minutos cada. Importante: *Aquele sentado ao canto do altar, ao qual se referiu como “paneleiro, travesti de saia”, era eu!! Espero que estas falhas sejam corrigidas no próximo Domingo.

O Arcebispo."

QUE VENHA O DIABO E ESCOLHA!



Dei voltas e mais voltas e não me ocorreu uma, uma única, solução para este caso. Quem puder dar uma ajudita aos aflitos, julgo que será benvindo.
Que sorte lhes saiu na rifa!
O que houve para escolher, afinal?
É caso para dizer: dos dois, venha o diabo e escolha!
O PSD já demonstrou, mais que uma vez, não conseguir libertar-se do seu karma e, como não resta aos militantes outra alternativa credível, ou votam ou abstêm-se. No caso de optarem pelo segundo procedimento, eles contribuem para que seja eleito aquele que tem a mais duvidosa representatividade eleitoral.
Em primeiro lugar, a classe política portuguesa é constituída por portugueses. Não é nenhum corpo estranho que se incrustou na nossa sociedade e lhe está a devorar as entranhas. Os militantes dos partidos e os políticos, somos todos nós: vêm de nós e somos nós que os elegemos.
O PSD como todas as outras forças politicas tem necessariamente de levar uma "vassourada" interna de modo a remover os instalados e aproximar-se dos interesses da população. Só quando existe afinidade se ganham eleições. Este Partido tem nos seus quadros actuais, os ex-Jotas que hostilizam qualquer renovação, pois consideram ter chegado a sua altura de ser poder, não pelas suas competências, ou por mérito, mas sim por compadrio. Estas são as equipas que rodearam Marques Mendes e Felipe Menezes, ao longo de toda a campanha para líder do partido.
Felipe Menezes “partiu a loiça” e ganhou. Agora terá forçosamente que ir buscar novos quadros por mérito e esta é, quanto a mim, a questão crucial. Será o fim dos direitos adquiridos e dos baronatos, conforme ele preconizou durante toda a campanha. Mas será também o princípio do fim de um partido que se pretendia como alternativa credível, porque Felipe Menezes sempre fez e fará oposição ao seu próprio partido. Quem não se lembra da célebre contenda “Sulistas, elitistas e liberais”?
Não lhe restará outra alternativa que não seja a de ir colando os cacos e esperar, até que Rui Rio avance, em toda a sua plenitude, no ano de 2009, que será então o ano da Graça do Partido Social Democrata.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

CARA DE CÚ



Há dias em que uma pessoa não devia olhar-se ao espelho.
Hoje é um desses dias. Acordei com cara de cu, a pensar na Europa.
Imaginem, eu que até nem sou muito feiosa, senti-me hoje com cara de traseiro velho e enrugado.
A culpa foi do serão de ontem à noite, na companhia do grupo dos lateiros espanhóis e noruegueses que me visitam em minha casa, para comer o bacalhau assado na brasa, com batatas a murro. Eles apreciam muito a comida portuguesa e acham que sou um génio da cozinha. Mal sabem eles que só os convido por puro egoísmo, para não me sentir só, cá longe, onde o tempo custa a passar, por muito tempo que se tenha.
Nas nossas tertúlias, para além da gastronomia, falamos também sobre o país de cada um.
Achei-os uns queridos por me felicitarem pelo facto de Portugal ir ser a cara da Europa durante seis meses.
Cara de cu, penso eu.
Não é verdade que Portugal está na cauda da Europa?
Então quando o rosto da Europa é o do país que está na sua cauda, logo a Europa tem cara de cu.
É a corrupção a todos os níveis, a burocracia irracional e asfixiante, a indiferença absoluta com as desgraças alheias, a estupidez militante, as perseguições políticas, a censura, o servilismo, a carneirada, a demagogia, a morte lenta.
Diz o ministro das finanças que, para sairmos da cauda da Europa, basta a nossa economia começar a funcionar. Eu digo-lhe que, para sairmos do cu da Europa, é preciso muito mais do que isso.
É necessário que se deixe de exigir o atestado de óbito para um professor se poder reformar por invalidez. É necessário que os nossos governantes e autarcas deixem de considerar a fidelidade canina a qualidade essencial de um servidor ou colaborador do Estado. É necessário que o partido que está no poder não ressuscite, nem encarne, sistematicamente, o espírito da malfadada União Nacional. É necessário o primeiro-ministro, os ministros, os directores gerais e os presidentes de Câmara deixarem de se sentir ofendidos na sua honra e consideração com um simples sorriso ou uma gargalhada dada à socapa. É necessário que qualquer um de nós, independentemente de onde viva ou trabalhe, sinta que pode expressar livremente as suas opiniões, sem temer que daí possa advir qualquer prejuízo para a sua carreira ou um processo-crime por difamação.
Enfim, é necessário ainda muita coisa.
Virámos um povo completamente desprovido de vergonha, de verticalidade e de sentido crítico.
O país está reconhecidamente falido. Quem são os grandes culpados desta situação?
Precisamos de uma grande regeneração dos partidos políticos em Portugal. Essa é que seria a grande reforma estrutural que Portugal precisa para sair da cauda da Europa, mas que só é possível levar a cabo através de um voto maciço de descontentamento.
Deveríamos apostar mais nos independentes com ideias válidas e sérias. Sendo certo que, se algum deles fosse eleito, não faria pior, de certeza absoluta, do que as figuras nacionais e altamente prestigiadas dos partidos políticos que se têm revezado estes anos todos e que puseram o país no estado lastimável em que ele se encontra.
Mas um rasgo destes é demasiado para um povo que viveu tantos anos com a canga às costas. É por esta razão que sou, frontalmente, contra o referendo ao Tratado Europeu, apesar de votar contra o Tratado se houver referendo.
E serei contra o referendo precisamente porque, face à pouca qualidade da nossa democracia e dos nossos governantes, prefiro ser governada por Bruxelas ou por Berlim do que por Lisboa. No entanto, como portuguesa, seria incapaz de votar favoravelmente um Tratado em que o meu país deixa, literalmente, de ter peso e relevância política nas instâncias comunitárias.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

O ANIVERSÁRIO



Uma das coisas que me dá imenso prazer é entrar à socapa nas festas de aniversário, sem ser convidada e empanturrar-me de bolos.
Terça-feira passada não resisti à tentação e penetrei numa festa em que o aniversariante fazia cinco aninhos de idade.
Meu Deus, como eu gostaria de ter cinco anos de idade e saber o que sei hoje!
Cheguei e, como boa penetra que sou, fui-me aproximando do local onde estavam concentrados todos os convivas, que é como quem diz, em volta do progenitor da criancinha. Este, agarrado ao seu cachimbo, desdobrava-se em agradecimentos a todos aqueles que o felicitavam pela criança esperta e irreverente de que é o demiurgo.
Sou uma pessoa muito discreta por natureza. Não gosto de dar nas vistas.
De prato na mão, lá fui rondando de grupo em grupo, escutando as conversas deste e daquele.
O progenitor lá andava de cachimbo em punho, exultante, num gesto ritual de descontracção e prazer que, apesar de tudo, requer uma certa destreza, pois não é qualquer um que consegue manter um cachimbo aceso durante o tempo suficiente para apreciar o verdadeiro prazer de o fumar.
Dizia um dos convivas que fumar cachimbo faz a boca torta e tira o brilho dos olhos. Não sei. Nunca fumei cigarros quanto mais cachimbo. Por isso não posso dar a minha opinião. De cachimbo, só aprecio o cheiro perfumado do tabaco.
Fui trincando aqui e ali, até que me dei conta que o meu amigo VTM também tinha penetrado na festa para tirar fotografias. Aproximou-se de mim e eu, com a boca cheia, saudei-o.
Resmungou. Disse-me que não se falava com a boca cheia nem lambuzada. Que para lambuzadores já bastavam os convivas que não pouparam elogios à criança feiinha e hiperactiva, que fazia cinco aninhos de idade.
Amochei!
Olhei-me a um espelho que estava pendurado no salão da festa e cheguei à conclusão de que realmente o VTM tinha razão.
De repente, oiço cantar os parabéns.
Deu-me uma volta ao estômago.
Enjoada, corri para a casa de banho e vomitei.

RECORDANDO...



Por vezes esqueço.
As cálidas noites de estrelas em que apenas as olhávamos.
Os grãos de areia que nos tocavam os pés descalços, nos luares de Agosto. As melodias das ondas que nos salpicavam o sono exausto à beira-mar.
Por vezes esqueço.
Os silêncios que gostavas de guardar entre as palavras que me iludiam a razão.
As lágrimas que sabiam o que fazer para me arrancar um sorriso.
Os dias que se juntaram e fizeram anos desde a última mensagem que hoje reli.
Por vezes lembro. E esqueço.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

O VERNÁCULO LUSITANO



Que me perdoem os eruditos mas eu sou mesmo assim. Eu adoro o vernáculo do Norte e não há volta a dar.
Na Cidade Invicta, o vernáculo é uma arte. Nunca ninguém se poderá sentir ofendido com as conotações sexuais de cada palavra, de cada frase.
No Norte, eles acariciam as palavras.
No resto do país, os palavrões são utilizados em situações extremas, para mostrar desagrado por uma situação, ou para insultar alguém que se pretende rebaixar.
No Porto, os palavrões não são obscenos. São uma filosofia e uma arte. São de todos e não apenas de uma elite e servem para exprimir uma sabedoria.
O jogo de metáforas, todas elas referentes ao acto sexual, servem para compreender a vida.
Tudo não passa de um jogo tácito.
Por exemplo, quando dizem que alguém “apanhou no c.”, isso significa que foi vítima de um abuso tão flagrante que nem teve tempo de reclamar. A expressão aplica-se a variadas situações como ter sido despedido, ou ter pago um preço exorbitante por uma compra qualquer. Parte-se do princípio que o sexo anal é um acto de prazer unilateral, que implica a humilhação do sujeito passivo.
Quando dizem “tenho apanhado muito no c.”, querem dizer que já passaram por muito, nesta vida. Se respondem a um pedido ou a uma proposta com a frase “na c. da tua tia”, isso significa sempre uma recusa peremptória do tipo “nem penses!” ou “isso é que era bom!”. Eu, pessoalmente, adoro a frase “nos tomates!”.
Outra coisa que me fascina no vernáculo portuense, são as alocuções “p. que te pariu” ou “filho da p.”. Ambas são inequivocamente negativas, pois pressupõem que a mãezinha do outro seria uma trabalhadora do cabedal, pelo que o interlocutor teria sido gerado durante um acto mercantil.
Mas pelo contrário, ao dizer-se “meu grande filho da p.”, este é um gesto de carinho sem limite, como que a bendizer o indivíduo em causa, por se ter portado como um filho exemplar e merecedor de todo o respeito e protecção da sociedade, apesar de as circunstâncias adversas em que foi criado.
Depois ainda temos a medida-padrão: grande “comó c.”, feio “comó c.”, ou ainda o sentido de posse expresso na frase “é do c.!”.
Que outra palavra haveria, mais adequada, para nos dar a noção de grandeza?
Quando nos apercebemos que vivemos num país em que quase nada funciona, o desemprego não baixa, os impostos são altos, a saúde, a educação e a justiça estão num caos, os empresários são mafiosos e procuram o lucro fácil em pouco tempo, as reformas são baixas e o tempo para a desejada reforma vai ter de aumentar, pensamos "já me f.!"
Então, só nos resta ter esperança e pensar: Este país ainda vai ser “um país do c.! “.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

ROSTOS



Quando leio o jornal, gosto de ir à página da necrologia. Não sei porquê, não posso deixar de fazê-lo. É superior às minhas forças.
Detenho-me a olhar as fotos. Algumas não estão de acordo com a idade dos falecidos. São fotos de jovens que à primeira vista teriam morrido na flor da idade. Uma leitura mais atenta, porém, denuncia que a idade do “ de cujus” é avançada e que o jovem que vemos na foto, já o foi há muitos anos atrás.
Por qualquer motivo, alguém pegou na primeira foto que apanhou e, sem sentido crítico, numa espécie de marketing fúnebre, colocou o anúncio da praxe: “ Foi Deus servido chamar à sua divina presença…”. Uma sacanice, uma falta de respeito para com o morto.
Enfim, não podemos imputar a responsabilidade aos falecidos. Isso seria exigir demais e, como nós, os vivos, dizemos, paz às suas almas.
Por analogia, debruço-me também sobre as fotos que ilustram os artigos de opinião, nos jornais impressos e on-line. São em tudo parecidas com as dos anúncios da necrologia.
Há vários anos que os retratados exibem a mesma juventude, o mesmo sorriso, a mesma cabeleira farta, o mesmo ar de quem está ali para as curvas.
Ok. Eu compreendo que nem sempre o fotógrafo acerta com o nosso lado mais sensual e que, quando se fica bem no retrato, é a felicidade das felicidades e a tendência é fazer dele um cartão de visita, ao ponto de o utilizarmos "ad eternum", mesmo que as rugas já comecem a instalar-se e o sorriso outrora pepsodent, seja agora desdentado.
Algumas dessas fotos são em tudo parecidas com as da necrologia. São perenes, catatónicas e obedecem quase sempre a uma lógica do sentimento de si próprio, como um exorcizar escatológico do tempo e da razão. Talvez no seu íntimo, no mais profundo do seu ser, o retratado se considere como um Dorian Gray e veja no seu retrato a sua própria sombra como um instrumento de sedução, aquela sedução que já foi e não voltará a ser.
Este é um fenómeno recorrente. Eles e elas são unânimes e contumazes na utilização de fotos antigas, apesar de a legislação portuguesa de identificação civil e criminal prever que as fotografias deverão ter menos de um ano.
Dá-me um certo gozo verificar que há pessoas que não têm a noção do ridículo.
Se eu um dia tiver essa maluqueira, que Deus me faça cair qualquer coisa em cima do toutiço.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

CHATOS DE MERDA!



Acabei de tomar o meu duche e, antes de ir para a cama, resolvo fazer uma incursão pelos blogs de todos os meus amigos virtuais.
Detenho-me à entrada do Barreiro Velho, munida do meu spray insecticida, pois avizinha-se naquele local, uma praga de melgas. Ele é melgas de bicicleta, melgas partidárias, melgas novas, velhas e assim-assim, enfim, melgas para todos os gostos e feitios.
Não entro. Ponho-me a observar o VTM que, de spray em punho, vai pulverizando as ditas, e não posso evitar pensar naqueles outros bichinhos a que vulgarmente se dá o nome de chatos.
Quem alguma vez não esteve frente a frente com um chato de merda?
Imaginem vocês que costumo passar-me dos carretos quando me tocam ao domingo, de manhã cedo, à campainha e verifico que é um grupo de senhoras Jeovas a tentar converter-me, ou um vendedor da TV Cabo, ou alguém a pedir para S. Nunca à tarde. Lógico que a minha vontade seria mandá-los abaixo de Braga, mas a minha índole tolerante fala mais alto do que o meu instinto feroz. Saco das luvas de borracha, visto um avental, pego no espanador e aí vou eu à porta, com o ar mais santo deste mundo, informar que a patroa não está e, por conseguinte, não tenho autorização para falar com ninguém.
Não sou a única. Tenho um colega que faz o mesmo quando vem o guita da esquadra da zona, notificá-lo das multas de estacionamento proibido. Dá-lhe um prazer imenso quando abre a porta e pergunta: -“era só com ele?” - “neste momento, não está. Se quiser, posso transmitir-lhe qualquer recado.”
Bem, eu isso nunca faria, até porque sou conhecida da esquadra. O chefe foi meu colega de escola e eu não teria qualquer hipótese.
Mas voltando ao assunto dos chatos, por que motivo acham que os serviços de atendimento em Portugal, não funcionam? Por que motivo vemos filas e filas nas Finanças, nos Notários, nas lojas do cidadão, nos Centros de Saúde, etc. etc., etc.,?
Graças ao chato de merda.
Nunca vos aconteceu ter um fulano à vossa frente, na fila, a fazer mil perguntas desnecessárias, do género, “tenho de assinar o meu nome no requerimento?”
O resultado é que quem está ao balcão de atendimento deixa-se contagiar pelo chato e quem paga são os outros.
O atendedor torna-se ansioso, malcriado e até agressivo.
Por isso, antes de pedir o livro amarelo para reclamar, pense primeiro e ponha-se no lugar de quem o atendeu.
Vai ver que, antes de si, esteve lá um chato de merda a dar-lhe cabo do juízo.

domingo, 23 de setembro de 2007

A NEURA



Hoje estou como o meu vizinho do Barreiro Velho. Estou com o Amok. Estou com uma neura, que nem sei. Acho que o primeiro que me diga algo que eu não goste, vai levar com aquilo que está acumulado, e que nem eu própria sei bem o que é.
Até nem acordei mal disposta e, até às 10 horas, o dia nem me correu mal. A partir daí foi sempre a descer. Foi o meu vestido que não chegava da costureira, foi a Net que teimou em não querer nada com a minha nova casa, foram coisas que por causa disso ficaram por fazer.
Só faltou mesmo vir o cão do VTM e mijar-me nos pés. Até do trabalho não me largam a molécula. Chamam daqui, refilam dali, favor dacolá, irra. Tirem senha, vão para a bicha, mas não me moam o capacete.
Há dias assim, eu sei, mas também há dias melhores e é desses que eu gosto. Quando sou eu que controlo as minhas coisas. Faço os meus horários, distribuo o meu trabalho pelas diversas fases do dia. Sinto-me frustrada, danada, irada, chateada e outras coisas acabadas em "ada" ou "ida" sempre que me sinto ultrapassada pelos acontecimentos, mesmo que eu não tenha responsabilidades na ultrapassagem.
Se calhar, se me encostasse a uma parede, lhe desse 3 ou 4 murros, chamasse uns quantos nomes feios que o pudor e os bons costumes deste blog não me permitem reproduzir e a seguir fosse fumar um charro e beber um café, descansadamente, se calhar até me aliviava, mas não sou capaz. Arriscava-me a ficar com a fama de ser ainda mais doida do que as pessoas já me acham.
Bem, já desabafei mas os meus colegas voltaram a ligar-me por nada e o outro continua a dar-me música no telemóvel. Desamparem-me a loja. Não conhecem mais nenhum nome?
Há pouco tempo escrevi um post, onde falava sobre Beijos Negros. Meu Deus, que fui eu fazer...
Recebi alguns mails a tratar-me de um modo que não gostei e decidi apagá-los.
Não, não eram daqueles com asneiras, mas sim algumas belas flores deste jardim global que se sentiram atraiçoadas por mim. Diziam que não estavam à espera e tal, que os meus outros posts eram bem diferentes e que de um momento para o outro agora só falava de sexo.
Ora bem, vamos a ver se nos entendemos: eu não sou a Madre Teresa de Calcutá. Eu escrevo para mim e quando criei este blog foi porque estava a passar uns maus dias e precisava de uma terapia assim. Se alguém ler os meus posts e gostar, ainda bem, se não, paciência. Mas não me venham dizer que não devo escrever sobre sexo, porque não tem nada a ver comigo.
Como é que sabem disso? Conhecem-me???

Aos meus leitores que dizem não ao sexo nos blogs, dedico-lhes a imagem com que ilustrei este post.

Inté!

VIAGRA VERSUS PROZAC


Hoje acordei ao som de marteladas, como se estivesse num estaleiro de construção civil. O relógio indicava uma hora não muito própria para estar na cama, já que o dia estava radioso e os passarinhos cantavam lá fora, no jardim. Acresce o facto de ser o dia do segundo casamento da minha amiga “Isabel”. Vou ser a madrinha e, por conseguinte, vou ter de estar radiosa como manda a sapatilha. Por isso, toca a levantar!
Entristecem-me os casamentos. No final da festa fica-nos sempre aquela sensação de vazio, que nunca sabemos interpretar. Será de alegria? Será de tristeza?
Enfim, seja o que for, não é nada de bom.
Dou comigo a lembrar-me da Isabel e do seu divórcio, do qual fui mandatária.
Recordo quando tudo teve origem, no dia em que ela celebrou o 20º aniversário de casamento. Na verdade tinham pouco que celebrar. Quando chegou à altura de relembrar a noite de núpcias ele trancou-se na casa de banho e chorou. Nesse dia, contou-lhe o seu grande segredo: estava impotente e queria que ela fosse a primeira a saber. Grande novidade, ele realmente pensava que ela ainda não sabia.
Aquele casamento estava mal. Uma mulher tem as suas necessidades. Um dia vi-a a olhar uma foto de um quadro do Kirapintor, aquele que tem umas estacas levantadas, e a desatar a chorar.
Ficou entusiasmada quando leu no jornal que havia uma nova droga no mercado que podia resolver o problema. Chamava-se Viagra. Ela disse-lhe que se tomasse esse medicamento, as coisas poderiam ser como na lua de mel. Realmente pensou que poderia resultar. Ele então substituiu o Prozac pelo Viagra, na esperança que levantasse algo mais do que o entusiasmo.
Foi uma benção dos céus.
A vida começou a ser maravilhosa para eles, apesar de ser um pouco complicado ela escrever enquanto ele fazia "aquilo".
O Viagra começou a subir-lhe à cabeça (sem segundas intenções). No restaurante o empregado perguntava à Isabel se estava a gostar da carne e ele pensava logo que se estava a referir a ele. Mas ela confessou que, apesar de tudo, foi muito bom. Nunca foi tão feliz.
Acho que ele começou a exagerar na dose de Viagra aos fins de semana. Ela ficava um pouco dorida nas partes baixas e deixou de ter tempo para escrever, porque ele apanhava-a.
Ok, ela chegou a admitir no Tribunal, que se escondia dele. É que não há mulher que aguente tanto e, para piorar as coisas, ele andava a tomar os comprimidos com Whisky. O que havia ela de fazer? Estava toda moída.
Estava praticamente a ser comida até a morte. Era o mesmo que ir para a cama com um Black&Decker. Acordou uma manhã colada à cama, até os sovacos não escapavam, ele era um grandessíssimo animal.
Quem lhe dera que ele fosse bicha. Deixou de se maquilhar, tomar banho, lavar os dentes, mas mesmo assim ele ia atrás dela. Até bocejar era um perigo.
De cada vez que fechava os olhos lá vinha mais um ataque. Estava a viver com um míssil Scud. Já mal conseguia andar. Jurou-me que se ele viesse outra vez com aquela história do "Olá, com licença", matava o sacana!
Fez de tudo para ele a deixar em paz, mas nada resultou. Chegou a vestir-se de freira, mas ainda foi pior.
Pensei que ela acabaria por matá-lo. Eram umas dores infernais quando se sentava. O cão e o gato fugiam dele e os amigos nem se atreviam a aparecer lá em casa.
O sacana queixava-se de dores de cabeça, quem lhe dera a ela que explodisse. Ela sugeriu-lhe que largasse o Viagra e voltasse a tomar o Prozac.
Finalmente resolveu mudar de comprimidos, mas parece que não fez efeito.
Um dia o Prozac começou finalmente a fazer efeito. O filho da mãe passava o dia inteiro sentado em frente à TV, com o controlo remoto na mão à espera que ela lhe fizesse tudo. Ah! Que vida maravilhosa.
E assim terminou um casamento e eu ganhei uma cliente.
Hoje vou vestir-me de dourado transparente.
Espero que a Isabel seja feliz.

sábado, 22 de setembro de 2007

A DOR E O GRITO


Hoje acordei na minha casa amarela, no seio do Barreiro Velho, esse bairro maldito para tantas pessoas que já se esqueceram do tempo e das memórias e mataram a saudade, enterrando-a em preconceitos.
Cheguei, mas partirei em seguida, porque há coisas a que nunca poderemos fugir, por muito que desejemos fazê-lo.
Não sei porquê, acordei com uma tremenda enxaqueca. Há muito tempo que não tinha uma enxaqueca.
Não conseguia raciocinar nem tampouco levantar a cabeça da almofada.
Meti-me num táxi com a minha receita SOS e rumei à primeira farmácia de serviço, que encontrei. O mundo girava à minha volta, tremelicando por todos os lados, bruxuleando como a luz de um pedaço de vela. E as náuseas malditas, essas, não me largavam o corpo. Apetecia-me gritar. Uma sensação, grande, de desconforto e insegurança tomava, pois, conta de mim.
Para minha irritação, quando entrei, tinha duas mulheres à minha frente.
Sentei-me.
A primeira pediu Trifene. Bufei. Resfoleguei como os búfalos que me conheceram pequenina, lá longe, nas anharas de Angola. Uma dor menstrual tem lá comparação com a sensação de ressaca provocada por uma enxaqueca!
A segunda mulher pediu palmilhas de silicone, anti derrapantes para os sapatos. Aí não aguentei e reclamei que aquilo era uma farmácia de serviço, não uma sapataria.
A farmacêutica, do outro lado do balcão, insolente, disse-me para esperar.
Meu Deus, como tive saudades, tantas, daquela empregada do senhor doutor, a tal Teresa, tão simpática, tão subserviente, tão senhora doutora para aqui, senhora doutora para acolá.
Encolhi-me. A empregada demorou imenso tempo a mostrar palmilhas de silicone à velha que estava à minha frente.
E eu ali a morrer devagarinho.
Por fim, lá se dignou a atender-me.
Quando viu a minha receita, olhou-me em silêncio.
Eu olhei-a de volta, prestes a desfalecer.
Mal saí da farmácia meti um comprimido à boca.
Passados poucos minutos, o mundo parou de tremer e eu voltei a ser Eu.

SENTIMENTOS E AFECTOS



Era uma vez uma ilha onde viviam todos os sentimentos: a Alegria, a Tristeza, a Sabedoria e todos os outros afectos. Um dia os moradores foram avisados que aquela ilha iria afundar e todos eles se apressaram a deixá-la.
Pegaram nos seus barcos e partiram. Mas o Amor ficou, pois queria ficar mais um pouco com a ilha, antes que ela afundasse. Quando, por fim, estava quase a afogar-se, o Amor começou a pedir ajuda. Nesse momento passava a Riqueza, num lindo barco. O Amor pediu-lhe :
- Riqueza, leva-me contigo.
- Não posso. Há muito ouro e prata no meu barco. Não há lugar para ti.
Pediu ajuda à Vaidade, que também ia a passar.
- Vaidade, por favor, ajuda-me .
- Não posso ajudar-te , Amor, estás todo molhado e poderias estragar o meu barco novo.
Então, o Amor pediu ajuda à Tristeza.
- Tristeza, leva-me contigo.
- Ah! Amor, sinto-me tão triste, que prefiro ir sozinha.
Também passou a Alegria, mas esta estava tão alegre que nem ouviu o Amor chamá-la.
Já desesperado, o Amor começou a chorar. Foi quando ouviu uma voz chamar:
- Vem Amor, eu levo-te!
Era um velhinho. O Amor ficou tão feliz que se esqueceu de perguntar o nome dele. Quando chegou ao outro lado da praia, perguntou à Sabedoria.
- Sabedoria, quem era aquele velhinho que me trouxe aqui?
A Sabedoria respondeu:

- Era o TEMPO.

- O Tempo? Mas por que só o Tempo me quis trazer?

- Porque só o Tempo é capaz de entender o "AMOR".

GO WEST

HOJE ACORDEI NA MINHA CASA DO BARREIRO, COM VONTADE DE IR PARA OESTE.

"Together we will find a way".

Will you come with me?

I'm waiting for you.

We shall dance!

I know you love me. I love you too.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

O CHOQUE TECNOLÓGICO



Mentira!

Grande Mentira!

José Sócrates não foi nada a um safari no Quénia.

Foi ao Quénia inspirar-se no choque tecnológico.

Lá teremos que gramar agora as consequências.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

PENTA CAFÉ


Hoje fui dar um passeio com o meu amigo VTM. Apesar de tudo, ele é um homem tímido, pouco conversador e muito curioso. Extremamente curioso. Mas eu já estou habituada à curiosidade das pessoas e nunca levo a mal quando me fazem perguntas, por muito indiscretas que as considere.
Respondo sempre a todas as perguntas, apesar de muitas vezes tentar esquivar-me delas. Sou um bocado compulsiva.
Não sou de muitas intimidades. Gosto de manter distância quanto baste. Mas há quatro pessoas no Barreiro a quem gosto de “dar o braço”, enquanto passeio, calmamente, pelas margens do rio, conversando e discutindo pontos de vista. São elas o meu tio João, o Kira , o VTM e o Dr. Carlos Correia, a quem baptizei de “Mecinho Dr. CC”. São muito ternurentos e são o tipo de pessoas que nos transmitem segurança e tranquilidade.
O meu amigo VTM é muito ciumento. É uma faceta dele posta a descoberto pela polémica do Mercado Marquês de Pombal. Ficou com receio de que eu, a quem considera a sua secretária virtual, me bandeasse para os lados do Dr. Cabós Gonçalves.
Lá tive uma trabalheira monumental para o convencer de que tal seria impossível, porque tenho um contrato de trabalho que me obriga a exclusividade. Sou uma escrava da globalização. Sou como uma prostituta. Escorrem-me o cérebro, pagam para o usar e estou à disposição de qualquer caçador de cabeças que me pague bem para ser boa e até excelente, se for preciso.
Lá fomos caminhando paulatina e silenciosamente pela Avenida da Praia. De repente, o meu amigo VTM disse-me: “Que raio de nome lhe puseram!”.
Fiquei surpreendida porque não o julgava ser pessoa para comentar esse tipo de coisa: o nome. Todos nós somos vítimas, logo quando nascemos, desses exemplos de sublimação que se consubstanciam nos nomes que por vezes damos às crianças. Eu não escapei dessa. O meu nome resulta de uma coisa desse género. Não o considero dos piores, apesar de me sentir embaraçada quando me trocam o apelido ou o estilizam à boa maneira telenovelesca, agora tão em voga. Aí, sim. Fico possessa!
Enquanto caminhamos, vamos dando conta dos nossos pontos comuns e chegamos à conclusão que ambos fomos cuspidos do inferno.
O Diabo não nos quis lá. Era dose a mais, a Verdadeira e o VTM, juntos no mesmo inferno.
Voltámos como dois anjos e pairamos por aí, despertando ódios e paixões. Diz ele que, ou nos amam ou nos odeiam. Não há meio termo para nós.
Falámos de bruxas, de duendes e de Alburrica. Da lama de Alburrica e das “lamejinhas”, paraíso secreto do olheiro e dos outros.
Falámos dos ciganos, o nosso ponto de desencontro. Mas apesar de tudo concordámos: eu vejo os ciganos de uma forma branda, porque sou mulher e as mulheres são brandas por natureza. Ele vê os ciganos porque estes são e serão sempre ciganos.
“Você anda estranha, confesso.” – disse-me ele, ao mesmo tempo que olhava para mim, tentando adivinhar os meus pensamentos.
Eu, como sempre, furtando-me às directas, respondi à laia de desafio: “Vai um chocolate quente no Penta Café?”

PARA O KIM



Dia 13 de Outubro, cá te espero para almoçar.

Espero que não leves o teu pessoal para desembarques na praia dos tesos, só para veres os "borrachos".

Fico com ciúmes.

Bom regresso até Vale de Zebro.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

SALDONHA



Saldonha é uma pequena freguesia que dista 20 Km de Alfândega da Fé.Tem 157 habitantes porque o 158.º é um grandessíssimo filho da mãe, que emigrou para o Barreiro, para mal de muitas pessoas de bem.

Gosto imenso de turismo de habitação. A Casa do Poeta, em Saldonha, é um exemplo do que poderia ser feito noutras localidades do país, com potencialidades para aquele género de turismo.

É lá que passo férias e alguns dos meus poucos tempos livres, sempre acompanhada de um bom livro e de bons amigos. Gosto de passear nos arredores. Gosto de respirar o ar puro e conviver com as suas gentes boas e sãs.

Na imagem, o quarto onde costumo ficar.

É um hino à tranquilidade.

Se puderem, vão até lá e não se arrependerão.

sábado, 15 de setembro de 2007

DOCES RECORDAÇÕES



A cidade chove as primeiras lágrimas de Outono, lágrimas que eu evito a custo.
As palavras já perderam há muito o hábito de conversar connosco. Habita-nos este silêncio que nos consome e respira o nosso ar, até à lenta asfixia em que sobrevivemos.
Vou caminhando pelas ruas onde me perco em cantos e recantos que conheço de cor e paro. Da rua vejo a tua sombra gigante reflectida nas paredes do teu quarto que já foi nosso, por instantes, e sinto um desejo enorme de subir para me despedir de nós. Oiço o vento que traz até mim a música que escutas e que era a nossa e danço sozinha no passeio, uma dança demente, sem nexo.
Doce melancolia. Um dia voltei e disseste-me que pensavas que eu já tinha morrido. Mas eu ressuscitei e estava ali ao teu lado, como sempre estive em pensamento e queria estar.
Confessaste-me os teus amores, os teus medos e as tuas desilusões como sempre fazias, quando éramos crianças e eu ainda era viva para ti.
Comprei champanhe e morangos e convidei-te para jantar na minha nova casa e recusaste. Deitei fora os morangos, o jantar e arrumei a garrafa junto às velharias que ofereci. E fiquei só. Toda a noite aquela coruja piou como que a lamentar-se por mim e eu adormeci sem ti.
Não sei quando morri. Apenas sei que já não sou eu e, por isso, vou partir. Um dia deixei tudo por ti mas, apesar de tudo, fiquei só. Foi para ficar contigo, se ainda me quisesses. Tu não quiseste.
Mas que me importa? Valeram aqueles momentos e ficaram as boas recordações.
Já tudo foi dito entre nós. O que ficou por dizer, vou guardar para o meu último instante e esperar que me oiças.
Até lá, levantarei o meu olhar silente à tua passagem anónima por esta ausência a que gosto de chamar vida.
Um dia, talvez, quem sabe, ainda chame por ti, se me lembrar do teu nome...

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

I MISS YOU!



Uma vez por ano, sempre naquele dia, ela ia visitá-lo. Há algum tempo que já não estavam juntos, mas ambos sentiam gostar tanto um do outro que era necessário que se reencontrassem, nem que fosse por um só dia.
Sentado, alheio ao que o rodeava, ele esperava-a sempre com ansiedade.
Viu-a quando ela apareceu ao longe, radiosa, caminhando devagar pelas alamedas sombrias, cobertas de folhas secas, trazendo nas mãos as mesmas rosas vermelhas que tantas vezes lhe enviara pelo correio e que ele enjeitara, troçando do seu amor e da sua ingenuidade, trocando-a por amores fúteis e franquiados.
Como estava arrependido de a ter feito sofrer e como a amava afinal…
Se o tempo pudesse voltar para trás, para poder abraçá-la e pedir-lhe perdão…
Ela gostava de manter aquela formalidade, o que fazia com que ele se sentisse tanto lisonjeado quanto culpado, porque jamais se lembrava de lhe ter oferecido flores.
Sorriu quando percebeu que ela continuava linda, mais do que no ano anterior, mais do que na época em que se conheceram, há mais de trinta anos atrás. Ela também sorriu ao vê-lo, iluminando o seu rosto tenso. Por mais que os seus encontros se repetissem anualmente, ela parecia nunca se acostumar a eles.
Afinal, reencontraram-se. Ofereceu-lhe as flores e encarou-o por um longo momento. Sabiam que já não havia nada a ser dito, que o tempo se tinha gasto e que muita coisa ficou por dizer.
Ela estava só e arranjou um emprego melhor. Já ele, permanecia na mesma situação desde a separação, alguns anos antes, mas nenhum dos dois se importava com isso. Reviam-se, e isso bastava.
Percebeu que os olhos dela ficaram húmidos e sabia o que ela pensava: "Se ainda pudéssemos estar juntos e ser felizes…".
Lamentava. Estava tudo acabado, não havia jeito. Quantos mais anos de separação seriam necessários para ela se convencer?
Ele não conseguia entender a razão de tal apego dela ao passado, de pensar em como seria se tivesse sido, de entristecer-se sem motivo, desejando o impossível.
De repente, uma lufada de vento fez com que ela se lembrasse de que era hora de partir. Fitou-o uma última vez, enxugando os olhos com as costas da mão, sorrindo incerta e despediu-se com uma tristeza resignada na voz.
Ele, por sua vez, não se mexeu. Acompanhou-a com o olhar, vendo-a a afastar-se lentamente nos seus passos leves mas seguros, sobre as folhas secas caídas nas estreitas alamedas.
Ela voltaria sempre, ele sabia. Estaria lá novamente, no mesmo dia de Finados, para lhe oferecer as suas rosas vermelhas que ele antes enjeitara.
E ambos, mais uma vez, recordariam o tempo em que haviam estado juntos, como se, por um só momento, pudessem esquecê-lo.

EMPLASTRO


ATÉ O EMPLASTRO FICA LINDO, GRAÇAS À CIRURGIA ESTÉTICA

ROMAGNOLI



QUALQUER SEMELHANÇA COM O EMPLASTRO, É PURA COINCIDÊNCIA

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

GRANDES CAGÕES!


Não fazem, nem deixam fazer.

São amigos da onça.

Dizem-se democratas.

E quando a coisa tem pernas para andar, demarcam-se e dizem: "Eu cá não fui!"

E o pior é que falam em nome de todos, o que é de lamentar.

Os cagões é a coisa pior que existe ao cimo da terra.

Odeio Cagões!

terça-feira, 11 de setembro de 2007

TEMPESTADE



Sentia o trepidar do carro de cada vez que um camião passava.
E chovia torrencialmente.
Chuva indomável, fria, furiosa.
Sentada no carro, contei os segundos.
Comi uma barra de chocolate que se desfez e deixou nódoas na minha saia de pregas, cor de rosa.
Os camiões, lá fora, continuaram a passar como elefantes, durante muito tempo.
Perguntava-me a mim própria como pudera o pneu rebentar, assim, num final de tarde de Verão, no meio de uma tempestade, na auto-estrada do Norte, tão longe de tudo, de todos, com a chuva a fustigar por todos os lados.
Senti-me tão só e a solidão, pela primeira vez na minha vida, assim tão perto, com corpo de chuva, assustou-me.
Até que olhei pelo retrovisor e te vi. Chegaste risonho como uma Primavera, enfiado na tua farda azul de GNR.

Naquele instante, naquele preciso instante, gostei tanto de ti!

BARREIRO SEX BOMB



Isto das mulheres se juntarem no “corte” é uma coisa muito perigosa. Toda a gente é unânime em afirmar que somos pior que os homens e até já há quem diga que também ejaculamos e temos próstata.
Sinto-me feliz! Já não nos falta nada. Bonitas, inteligentes e com “ tusa”.
Uma colega minha, durante a leitura dos anúncios eróticos do Correio da Manhã, descobriu uma palavra nova: pinguelinho. Duas tipas anunciavam ter um pinguelinho grandíssimo.
Assim mesmo.
Ficou curiosa.
"O que será um pinguelinho", perguntou-me ela.
“E, por oposição, haverá pinguelinhos pequeninos?”
“Imagino que não seja nada bom ter um pinguelinho pequenino”.
Não consegui reprimir uma gargalhada. Esta minha colega, apesar de ter a experiência profissional e a mesma formação académica que eu tenho, e lidar com todo o tipo de pessoas nas oficiosas, não sabia o que era o clítoris em versão relax.
E o pior de tudo é que chamou a atenção dos nossos colegas gandulos e sabidolas, sempre prontos para uma boa brejeirice, que entraram na conversa a matar.
Como sou moçoila de resposta pronta e raciocínio rápido, raramente fico a perder e todos eles são unânimes em considerar-me boa de língua.
Tive sempre a preocupação de me documentar sobre todos os assuntos e o mundo “relax” sempre despertou em mim curiosidade, não pela matéria em si mas pelo mundo fascinante do amor a metro e ao quilo, que ele engloba e as suas motivações sórdidas. Posso dizer que sou uma “expert” na matéria.
Os noticiários referem que os bordeis estão em crise e que há alguns a levar quinze euros pelos seus serviços.
Dizia-me uma cliente apanhada numa rusga, que o segredo reside em fazer crer aos otários que são os únicos, os maiores e se possível fazer-lhes acreditar que é a a primeira vez que o fazem. Essa rapariga põe anúncios a pedir uma companhia por ser casada, carente com o marido ausente. Os otários aparecem às resmas e ela vê-se grega para gerir o tempo e a passarinha. Confessou-me que é o próprio marido que coloca os anúncios no jornal e lhe saca a massa toda que ganha nessa vida.
Uma outra, brasileira, confidenciou-me que se prostitui porque é a forma mais fácil de ganhar dinheiro. Num dia chega a ganhar quinhentos euros e como não tem chulo, tem uma vida boa. Queixa-se dos velhos jarretas e dos tarados que tem de aturar e a quem tem de fazer crer que são os super lá do sítio, quando na realidade se sente confrangida porque a maior parte deles já não vai lá, de tão despencados e murchos que estão. E como tempo é dinheiro, em vez de uma hora pagam duas ou três, para não ficarem mal vistos.
Analisando a redacção da maior parte dos anúncios, verificamos que também nessa área se assiste a uma certa sofisticação.
Confesso que já não entro com os meus sobrinhos numa confeitaria a pedir chupa-chupas em voz alta, nem convido o meu director a dançar uma espanholada, nem tampouco vou à ourivesaria escolher um broche.
Quando vou ao ginásio evito pronunciar a palavra “fist” e faço os possíveis para que no Bingo não me calhe o cartão com o número 69.
Já não ofereço botões de rosa a ninguém, nem beijos negros, não me ponho a apanhar chuva dourada nem convido ninguém a dançar minuetes.
Andar a cavalo, nem pensar, por causa do pingalim e, simulações, essas só no Totta ou no BES.

Mas o que me lixa mesmo é aquela história do bum-bum guloso e da matulona índia e peluda no Barreiro.

O que haverá de doce em tanta javardice e degradação pessoal?






segunda-feira, 10 de setembro de 2007

FRIO



Está frio.
Tirito.
Apetece-me comer maçãs assadas com canela.
A minha velha ama, que tem nos olhos e nos ombros a solidão, fá-las muito bem.
Se um dia me morre a ama ou o pai, morrerei também.
Mato-me que não me quero por cá sem eles.
Sou mais filha que mãe, tia ou irmã.
Quero ser outra vez menina para ver as trovoadas da janela da cozinha da minha avó.
Com o nariz esborrachado no vidro, imaginando Deus como um génio gigante, feroz, vestido de cetim debruado a estrelas e cometas, arrastando móveis e lançando feitiços, raios e coriscos cá para baixo.
Agora sou crescida.
Sou uma mulher crescida e gelada.
Vou para casa enrolar-me em folhas de jornal.
Depois acendo um fósforo.
Pode ser que me aqueça.

DEAMBULANDO...


Durmo mal.
Acordo muitas vezes durante a noite.
Às vezes, como cereais e quadradinhos de chocolate com passas e avelãs inteiras que compro, muito baratos, no Lidl que alguns dizem ser o supermercado dos pelintras.
Faço a ronda aos animais da casa: as cadelas, os peixes, o hamster, os periquitos e o canário.
E leio. Gosto muito de ler.
Nunca vou aos outros quartos vazios. Faço de conta que estão ocupados por todos aqueles que amei e que já partiram.
Vou para a sala e imagino que estou a tomar conta deles, a velar-lhes o sono. Atravesso o corredor como um espectro. Acho que os meus pés nem tocam o chão. O meu corpo é evanescente, transparente. Sou capaz de atravessar paredes, voar através do tempo, falar com os mortos, dar gargalhadas assustadoras.
Sonho muito. Sempre sonhei.
Sou feita de sonhos: árvores de folhas douradas de onde caem afectos, jardins coloniais plantados no cimo da Alfredo da Silva, um tigre de Bengala pachorrento passeando, calmo, pelo Parque da Cidade. No Barreiro Velho, labiríntico, um homem cigano, magro como eu, sorrindo-me ao abrir a porta, convidando-me a entrar.
E, antes de adormecer novamente, a mesma imagem toma conta de mim: são dois pulsos cortados. Um corte ligeiro em cada um deles.
Lágrimas de sangue escorrem lentamente e ensopam um tapete felpudo cor de mágoa e solidão.

Não é uma imagem terrível ou angustiante.

Não me assusta nem me preocupa.

É uma imagem como outra qualquer.

Faz lembrar as chagas de um Cristo padecente, mas sereno.

ESPELHO MEU



Olho para aquela imagem que o espelho reflecte.
A imagem olha-me enquanto repito gestos matinais.
Tomar duche.
Lavar os dentes.
Espalhar o creme hidratante.
Depois a sombra e o traço do lápis nos olhos.
Escovar o cabelo.
Volto a olhar a imagem do espelho.
Tem os olhos rasos de água.
Coitada!
Tem um mar de escuridão dentro deles.
Estende-me os braços.
Parece querer abraçar-me.
Borrifo-me de Coco Mademoiselle Chanel.
Fujo-lhe.
Apago a luz.
Era o só que me faltava!
Detesto cenas de compaixão logo pela manhã.

domingo, 9 de setembro de 2007

STARA ZAGORA



Embora não tome café, por imposição médica, hoje acedi ao convite do meu amigo VTM , proprietário do Barreiro Velho, para lhe fazer companhia.
Costumamos juntar-nos nos fins de tarde, nos seus domínios, para prosear um pouco e trocar ideias sobre tudo o que movimenta a cidade.
Estávamos os dois em amena cavaqueira na pastelaria Tico Tico quando veio à baila Stara Zagora.
Conheço a Bulgária e a cidade de Stara Zagora. Tem um clube de futebol, um teatro e um estabelecimento prisional aceitável, atendendo às limitações dos países de Leste, em termos de Direito Penal.
Foi para lá que nos dirigimos, eu e os meus colegas, quando acabámos o curso. Em Portugal é da praxe ir-se para qualquer lado, quando se acaba o curso.
Quando vou a alguma cidade que não conheço, a primeira coisa que faço é visitar o hospital, a cadeia e o cemitério. Rigorosamente por esta ordem. Vá-se lá saber porquê.
Nunca soube explicar muito bem o motivo desta “panca”.
Em Portugal também se usa geminar cidades e dar o nome das mesmas às ruas, por dá cá aquela palha.
O Barreiro não será excepção.
Conversámos muito sobre Stara Zagora. Eu e o VTM. Até nos rimos imenso pelo facto de haver pessoas no Barreiro, que pensam que Stara Zagora foi uma ceifeira amiga de Catarina Eufémia, assassinada junto com ela.
Rimos a bom rir e chorámos também. A rir.
Ele tomou o seu café, nas calmas, e eu bebi uma água mineral com uma rodela de limão, como sempre faço nos dias de canícula.
A seguir houve aquela troca de franquezas: “pago eu!”, “não senhor, sou eu que pago!” , “nem pense! Fui eu que convidei…”.
Ok! Pagou ele.
É um homem à moda antiga que acha que os homens é que têm de pagar às mulheres e não o contrário. Eu não me importei. Afinal de contas foi só uma água. Um copo de água nunca se nega a ninguém.

Despedimo-nos. Escrevi na sua agenda o meu novo número de telemóvel e, distraída, assinei o meu nome.

Foi-se embora surpreendido por lhe ter dito o meu nome, o meu verdadeiro nome.

Eu, solitária como sempre, por ali fiquei a bebericar a minha água, ao mesmo tempo que sentia um desejo enorme de tomar café.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

VOLTA, AMORE MIO!



Vivo numa espécie de residência universitária, cheia de gente.
É uma casa a cair de podre, de vários andares, escura e desarrumada, ali para os lados da Avenida.

De repente, oiço tocar à campainha e alguém abre a porta.

É o correio. Traz nas mãos um telegrama.

Vindos do andar de cima, descendo uma escada em caracol, apressados, chegam dois homens. Ambos estão descalços. Usam apenas uns slips brancos. O primeiro é Luís Filipe Menezes, que corre para a porta. O segundo é Marques Mendes e traz um ar circunspecto. Marques Mendes apanha o telegrama e, sofregamente, lê em voz alta: “Volta, amore mio!”.

Emocionado, vira-se para Luís Filipe Menezes e murmura-lhe ao ouvido: “Ele quer que eu volte!”.

O outro não lhe responde.

Voltam a subir as escadas em caracol, apressados.

Devem ir falar das suas vidas.

O amor é uma coisa complicada. Pode-se amar muita gente, ao mesmo tempo, de maneiras diferentes. Entretanto, saio com Cabós Gonçalves que me guiará pela cidade.

Encontro Bruno Vitorino, de olhar azul, resplandecente. Guia um Todo-o-terreno preto, envergando um vison branco e tem um ar distante.

De repente, oiço tocar o órgão da Igreja de Nossa Senhora do Rosário.

Acordo sobressaltada e o sol vai alto.

Estes meus sonhos andam mesmo baralhados!

Deste, não percebi mesmo nada!

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

ALBURRICA NEWS CHANNEL - ÚLTIMA HORA



Interrompemos o nosso serviço noticioso a fim de dar conta dos últimos desenvolvimentos sobre a reunião com o “Sheik”, na Assembleia Municipal.

Segundo as últimas informações, o avião que deveria levá-lo de volta ao seu país, foi impedido de descolar devido à forte neblina que atingiu toda a cidade. Tanto o Aeroporto do Terminal como a Base Aérea do Mexilhoeiro Grande, estiveram encerrados durante todo o dia de ontem e de hoje, não se prevendo a sua reabertura nas próximas horas. Também o porta- aviões, propriedade da Santa Inquisição dos Pintores e Artistas Plásticos, ancorado junto ao Cais dos Catamarans, foi mobilizado numa tentativa de ajudar o monarca árabe, a sair do Barreiro.

Do nosso local de reportagem damos conta da maior confusão.

Todos querem apertar a mão ao “Sheik” que procura por todos os meios refugiar-se em local seguro. Consegue disfarçar-se de “Inês” e entrar à socapa no asilo dos velhinhos. Os “stewards” do largo da Rata formam uma barreira cerrada em frente ao portão principal do asilo, para não deixar passar ninguém estranho ao serviço.

Vemos na fila da frente a D.ª “Mecinha” envergando um cinto de ligas e botas de cano alto douradas. Agita a lingerie e grita palavras de ordem, baixando e levantando as cuecas. Um velhote não resiste e manda-se do segundo andar à rua, aterrando em cima da contabilista do asilo, que tinha vindo cá fora comprar alcagoitas para o seu chá.

Atenção! A melhor atenção! Vejam como isto é possível! O Conde de Santa Casa corre para a ajudar. Neste momento começa a despir a rapariga e a fazer-lhe respiração boca a boca, massajando o peito da donzela, numa tentativa de reanimação. Como esteve muito tempo agachado, reparamos que torceu a bengala. Ouvimo-lo a gritar pelo Viagra e pelo Ciális, que julgamos serem funcionários da Instituição que virão ajudá-lo, certamente.

A Rua Miguel Bombarda virou uma autêntica praça de guerra. Está tudo um caos. No quartel general do Governo, muito perto do asilo, Luís Fileiras está à janela, desfolhando malmequeres e trincando madalenas, como se nada fosse com ele.

Incrível! Vemos agora Carlos Palacetes de Carvalho a ameaçar a população. Isto só visto! Do alto da janela dos Paços do Concelho, ameaça chamar o corpo de intervenção da polícia municipal, altamente treinado.

Juntam-se agora os apoiantes do Mercado Marquês de Pombal. Do outro lado da rua, concentram-se os opositores ao Mercado. A batalha está eminente.

Vêmo-lo pegar no telemóvel. Vai mesmo chamar a tropa de elite da edilidade.
Vamos mudar de sítio. Já se ouvem as sirenes! Fujam!

As viaturas policiais ocupam lugares estratégicos e dão início a uma mega rusga na Rua Marquez de Pombal. Tem sido uma correria. Cabós Gonçalves e alguns suspeitos estão a ser revistados. Frequentadores estão em pânico. Os Bares fecharam mais cedo. As minorias desapareceram da área.

Entrevistamos alguns comerciantes que apoiam a operação. Outros são contra.
Sabemos que há estabelecimentos sem alvará e sem acústica adequada para conter o excesso e barulho.

Pedimos à nossa repórter Verdadeira que tente chegar junto de Carlos Palacetes de Carvalho, para obter uma declaração.

- Ora então boa noite! Em directo do terreiro dos acontecimentos, temos Carlos Palacetes que acede em prestar o seu depoimento.

- Senhor Presidente, o que o levou a chamar o grupo de intervenção da polícia municipal da edilidade? Não acha que foi uma medida exagerada?

- De todo! O executivo tem prometido tudo e mais alguma coisa e não há razão para haver esta confusão toda. É tudo uma questão de participação! Ninguém me compreende! Inclusivamente já prometi instalar câmeras de televisão nas ruas para os mais vaidosos. Já convidei o emplastro e o Rui Rio, para umas sessões de fotografia de promoção à cidade . Não vejo por que haver tamanha ingratidão.
Como pode observar, eu tenho modernizado. Ora veja o equipamento da Polícia Municipal. Têm-me acusado de gastar tudo com os assessores, mas isso é falso.
Contratei a Fátima Flopes para desenhar e confeccionar as fardas e veja como são práticas e arejadas. Ingratos! A minha vontade era não me recandidatar e chamar o António. Podia ser que assim me dessem o devido valor.

- Atenção, daqui a repórter Verdadeira. Dou como terminada a entrevista a Palacetes de Carvalho.

Para todos fica a imagem de um corpo de polícia de intervenção municipal muito bem equipado.

Como podem ver, as fardas desenhadas por Fátima Flopes são do mais prático e arejado que há.

Atenção estúdios.

- Obrigada Verdadeira. Ficamos na verdade com uma boa imagem daquilo que são as fardas do corpo de intervenção da edilidade.

Por hoje, da nossa parte é tudo. Voltaremos logo que os acontecimentos o justifiquem.

Boa noite!

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

BARREIRO SHOW-ROOM



A nossa repórter de moda foi convidada, pelas marcas Barreirenses de peças íntimas masculinas, “Tininho” e “Pierre Fardin”, agora de olho nos potenciais compradores que representam os políticos e as figuras mediáticas da cidade, a visitar os bastidores dos ensaios da passagem de modelos que se vai realizar brevemente no salão oval dos Paços do Concelho e nos jardins da casa de massagens da Marilyn Monroe, no Barreiro Velho.

Aquelas griffes, que apenas têm em vista a conquista do mercado do futuro, a instalar no novo Fórum, reforçaram o seu marketing na zona, com a divulgação em publicações voltadas para o público politicamente comprometido, promovendo um show- room em que são vedetas, conhecidas figuras masculinas da sociedade Barreirense.

As campanhas das duas marcas trazem referências explícitas aos códigos de sedução partidária, escolhendo modelos ousados, em poses provocantes.

As cuecas com suporte frontal, que dão volume, viraram um hit de design atrevido e preocupado com a máxima "tamanho é documento".

Vamos poder apreciar Carlos Palacetes de Carvalho num fio dental provocante, de cores flamejantes e tecido leve, que faz sobressair os seus óculos. Este modelo acedeu vestir a colecção “Tininho” para Presidentes de Câmara, em nome da participação. De notar o toque inovador que as correntes de metal lhe conferem, sobretudo quando utilizadas também como acessório. Observemos que foi dado um toque de charme com a elegante tatuagem de uma foice e de um martelo na nádega esquerda. Na parte frontal nota-se um pequeno piercing dourado, um total desafio à imaginação das mais atrevidas.

De salientar também a participação no desfile, de Juliano Freire e Martelo Feliz, o primeiro envergando uns boxers de gola alta, com desenhos bíblicos de fundo vermelho estampado, com um pequeno bolso para meter moedas e o segundo vestindo uma tanga azul-cueca, de modelo canguru aos saltos, importado directamente do Kosovo pelo VTM.

A nossa repórter referiu ainda a presença de um terceiro elemento, C.C. de seu nome, galã de serviço à Cidade do Cinema. Não lhe foi possível recolher elementos suficientes sobre o modelo de cuecas que este irá usar no desfile, em virtude de o mesmo se ter borrado todo e a produção ter mandado as cuecas para lavar.

O modelo lá estava sentado a um canto, todo mal cheiroso, à espera que alguém lhe emprestasse uma toalha e um frasco de Betadine.

Contamos poder dar amanhã uma nova perspectiva da passagem de modelos que se avizinha, bem como o nome de todos os intervenientes.

Sabe-se que a receita reverterá a favor da implosão do Barreiro Velho e do Mercado Marquês de Pombal.

Fiquem connosco.

Até lá, xau xau, beijinho, beijinho!

TARZAN E JANE



Devido à inocência de Tarzan, que viveu sozinho durante muito tempo, Jane deu-lhe umas aulas sobre sexualidade.
Ela tratava de explicar-lhe tudo, como se fosse uma criança:

- Olha Tarzan, isso que tens aí entre as tuas pernas pendurado é um trapo e isso que tenho aqui entre as minhas pernas é uma máquina de lavar. O que tu tens que fazer é pegar no teu trapo, colocar aqui na máquina e lavá-lo.
Nas cinco noites seguintes Tarzan lavou o seu trapo sem parar e, quando Jane conseguiu respirar, disse:

- Escuta Tarzan, as lavagens de trapos não podem ser tão frequentes porque a máquina de lavar pode danificar-se, bem como o trapo ficar gasto. Sugiro que esperes dois ou três dias para de novo lavares o teu trapo.

Ao ouvir isso Tarzan ficou decepcionado e depois de ficar 1 mês sem pôr o trapo para lavar, Jane disse-lhe:

- Tarzan, o que está a acontecer? Por que já há mais de um mês não lavas o teu trapo na minha máquina?

Ao que Tarzan respondeu:

- Tarzan aprendeu a lavar à mão!!!

terça-feira, 4 de setembro de 2007

SÓ À PANTUFADA!



Não sou muito disso, mas dias há em que só me apetece dar umas pantufadas em alguém.

Acho que vou aderir à moda dos "crocs", essas chancas deselegantes e descomunais e vou começar a distribuir biqueiros, para relaxar.

AO SENHOR DOS E-MAILS



Tenho recebido na minha "redacção", vários testemunhos que dão conta de um clima de guerra aberta por causa do poço de petróleo descoberto pelo pessoal que não constroi nem deixa construir, em terras do Barreiro Velho.

Tentaram o sequestro virtual dos vários intervenientes e armadilharam os vários blogues e caixas de comments e de correio electrónico, que são a favor da causa, com notícias falsas que visam tão somente desestabilizar a região, já de si tão pobre e carenciada.

O meu "jornal" rejeita completamente ter qualquer ligação ao Sheik do Qatar e às suas fantasias sexuais.

Para o provocador anónimo, que tem bombardeado a "redacção" com mails pornográficos, insurgindo-se contra o apoio que tenho dado à causa do Mercado Marquês de Pombal, envio os meus sinceros votos de que aprenda a ser urbano e civilizado e respeite as diferenças de opinião, sem precisar de recorrer ao insulto e ao argumento soez.

Aproveito para lhe dizer que não me mete medo nenhum e que estou perfeitamente preparada e à sua altura, para lhe dar o troco que merece, em qualquer ocasião.

Ou não me chamasse eu, "Verdadeira"!

BARREIRO - ÚLTIMA HORA!



O "sheik" é notícia na maior parte dos blogues e dos "media" nacionais e internacionais. A esta hora "o senhor das trevas" só não é mencionado pela CIA, FBI e MI6, os serviços de informação americano e inglês. De resto, desde a Al-Jazeera, no Qatar, até ao "Sidney Morning Herald", na Austrália, todos estão alertados para as tramoias preparadas pelo "sheik". A Scotland Yard já deve estar a vigiar os passos e a ler os discursos do "profeta negro", para analisar se, nas entrelinhas, haverá alguma mensagem dirigida aos seus seguidores no Barreiro.
Como principal investidor da Cidade do Cinema e construtor de moradias de gosto duvidoso, está reunido com o executivo camarário da cidade a fim de "fazer a folha" a Cabós Gonçalves e a todos os seus seguidores, principalmente à Angolana, considerada pelos falsos Camarros, a Salman Rushdie da blogosfera.
Veio acompanhado de Joan Busquets que mandou emparedar a Rua Marquês de Pombal que será o futuro cenário dos filmes de terror em vez do Mercado, e pelo proprietário virtual do Barreiro Velho, que também nutre uma raiva especial pela Angolana por esta ter oferecido uns alfinetes de peito ao Sheik, num gesto de cortesia e de tentativa de o cativar para a causa do Mercado Marquez de Pombal.
Aguarda-se a todo o momento o desenvolvimento da questão e o resultado da reunião.
Logo que tivermos novidades, entraremos no ar, em directo, para dar conta dos últimos desenvolvimentos.
Acrescentamos que também se encontram no local elementos de vários jornais e algumas figuras carismáticas da cidade do Barreiro, das quais destacamos o “Fronhas” representado pelo seu editor Sousa Lareira e a famosa “Mecinha” que, quando ouviu falar em árabes, se dirigiu de imediato para a porta principal da Câmara Municipal do Barreiro, envergando um vison e uma lingerie cor-de-rosa Isabel que todos sabemos ter-lhe sido oferecida pelo Pintor Kira, também ele defensor do Mercado Marquês de Pombal.
A “Mecinha” grita palavras de ordem que daqui do nosso local de reportagem não conseguimos compreender muito bem mas que parece terem a ver com a monarquia e com a falta de óculos.

Mais adiante, um grupo de beduínos fortemente armadilhados, prepara-se para fazer implodir o Mercado.

A coisa está a aquecer.

Aguardem os últimos desenvolvimentos. Voltaremos para actualizar as últimas notícias logo que tenhamos mais novidades.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

BEIJOS, BEIJINHOS E BEIJOKAS



Hoje vou falar do beijo.

Há um beijo especial em cada vida. Inesquecível. Imune ao desgaste temporal. É felicidade ter ao lado, meses e anos a fio, quem beija assim.

Beijos a este ou àquele. Ilusões perdidas. Amores que ficaram pelo caminho. Enganos.

Beijos aos que nos são queridos por laços de família ou de amizade. Fiéis. Dados e recebidos com gosto, mesmo se no instante não pensamos na benesse dos afectos partilhados.

Beijos há esvoaçantes que enviamos por e-mail, sms ou telemóvel. Beijos que voam da palma da mão.

A Beijoca é outra coisa. Húmida e peganhenta na pele. Por aqui ainda há beijocas.

Dizem que só as mulheres para cima dos setenta as dão. Dos pêlos do buço espetados esperamos desconforto, mas para uma beijoca nunca estamos suficientemente preparados. As especialistas espalmam a boca na bochecha da vítima, que lambuzam. O embaraço é atroz. Apetece limpar a face no momento. Mas não. Durante a conversa de circunstância, é sentida a «coisa» a secar. Ouvir quem nos fala, nem pensar - não pela monumental seca do prosear, mas pela falta de um lenço, de álcool ou de água que nos livre daquilo que não deixámos de sentir.

Os homens não beijocam, repenicam. Por vezes até melhor que nós. E eu sei do que falo...

Os beijinhos são etéreas formas de estar. Mal afloram a face. Gesto simbólico que nada quer dizer. Mas é bom distribuir e receber beijinhos como quem apanha confeitos numa boda ou festa popular. “Beijinhos. Até depois!” ou “dá-lhe beijinhos meus.”

Porém, numa noite de luar, fresca, entre lençóis de cetim, perfumados com alfazema, ir tocando com os lábios o corpo amado, suavemente da cabeça aos pés, numa lentidão apetecida, é redimir os beijinhos e fornecer-lhes significado.

São doces arrepios numa noite de Verão.

domingo, 2 de setembro de 2007

Entre Mis Recuerdos

Trabalho ao som desta bela música, cantada pela Luz Casal que muito admiro.

sábado, 1 de setembro de 2007

BAIRRO DAS PALMEIRAS



Não querendo ser a Madre Teresa de Calcutá, não posso deixar de tecer algumas considerações sobre o Bairro das Palmeiras a fim de sensibilizar todos os Barreirenses a uma tomada de posição pública acerca do grave problema da pobreza e da exclusão, naquela parte da cidade do Barreiro.

Poucos de nós têm dedicado o melhor das suas vidas em favor dos mais desfavorecidos, sobretudo daqueles que se debatem com situações massivas de pobreza e de fome.

Verificamos que o esforço de pessoas e instituições do Barreiro, que se dedicam à causa dos pobres e dos excluídos é, infelizmente, insuficiente face à dimensão que o problema assume, entre nós. Isto revela, de modo flagrante, o défice de empenhamento que existe em confronto com aquilo que urge realizar perante tanto sofrimento gerado pela pobreza.

Acredito que a pobreza e a exclusão não existem por acaso, nem se resolvem apenas com sobras ou gestos de caridade a metro. Muito tem de ser feito numa base interpessoal e directa, junto do pobre e do excluído. Entendo a pobreza como um problema que reclama apoio pessoal para acorrer às carências, mas, cujas causas só podem ser removidas modificando os factores económicos, sociais e culturais que geram a miséria e que perpetuam a pobreza. São, aliás, estes mesmos factores que se opõem às indispensáveis mudanças.

Esta pobreza continua a ser vista como um problema periférico, pretensamente resolúvel por políticas e medidas periféricas e residuais.

Embora existam programas mais ou menos elaborados de luta contra a pobreza, persistem no Bairro das Palmeiras situações de cortar o coração e isso é inadmissível.

Perante esta realidade, chegamos à conclusão de que a maior parte de quanto se tem feito, evidencia ineficiência na aplicação dos recursos e permite deduzir que passam ao lado as reais causas da pobreza no Barreiro.

Há que reverter este estado das coisas, alterando os modelos económico, cultural e de poder da sociedade.

O País atravessa uma crise mas devemos rejeitar o dogmatismo, o pensamento único. Teremos de reconhecer que as condicionantes existentes não determinam soluções únicas. Existem espaços de liberdade onde a intervenção humana, individual e colectiva é possível e necessária, porque há pessoas no Barreiro que estão a passar mal e têm vergonha de pedir ajuda. É a chamada miséria escondida e que ninguém quer ver.

Faço aqui um apelo a todos aqueles não-pobres, que superem preconceitos acerca da pobreza e suas causas e estimulem comportamentos mais solidários.

A pobreza será sempre uma grave negação dos direitos fundamentais e das condições necessárias ao exercício da cidadania.

Vamos ajudar!

PROVOCAÇÕES - "BOA COMO O MILHO"



Por ter lido um comentário num blog, referente a alguém que supostamente serei eu (não sou), hoje apetece-me falar dos Vegansexuais.

Aqueles que dos vegetais apreciam penetrações.

Cenouras, pepinos, alhos porros, nabos e até espigas de milho, são os mais utilizados.

Que o confirme qualquer médico que faça urgências em hospitais que servem variegadas gentes - Santo António, Santa Maria, São José, Nossa Senhora do Rosário e Garcia de Horta.

Para alguns anónimos, aqui deixo o mote para que possam construir juizos com valor, sem se deixarem manipular por quem é curto de juízo e do resto.

Beijokas com broas de milho.