segunda-feira, 3 de setembro de 2007

BEIJOS, BEIJINHOS E BEIJOKAS



Hoje vou falar do beijo.

Há um beijo especial em cada vida. Inesquecível. Imune ao desgaste temporal. É felicidade ter ao lado, meses e anos a fio, quem beija assim.

Beijos a este ou àquele. Ilusões perdidas. Amores que ficaram pelo caminho. Enganos.

Beijos aos que nos são queridos por laços de família ou de amizade. Fiéis. Dados e recebidos com gosto, mesmo se no instante não pensamos na benesse dos afectos partilhados.

Beijos há esvoaçantes que enviamos por e-mail, sms ou telemóvel. Beijos que voam da palma da mão.

A Beijoca é outra coisa. Húmida e peganhenta na pele. Por aqui ainda há beijocas.

Dizem que só as mulheres para cima dos setenta as dão. Dos pêlos do buço espetados esperamos desconforto, mas para uma beijoca nunca estamos suficientemente preparados. As especialistas espalmam a boca na bochecha da vítima, que lambuzam. O embaraço é atroz. Apetece limpar a face no momento. Mas não. Durante a conversa de circunstância, é sentida a «coisa» a secar. Ouvir quem nos fala, nem pensar - não pela monumental seca do prosear, mas pela falta de um lenço, de álcool ou de água que nos livre daquilo que não deixámos de sentir.

Os homens não beijocam, repenicam. Por vezes até melhor que nós. E eu sei do que falo...

Os beijinhos são etéreas formas de estar. Mal afloram a face. Gesto simbólico que nada quer dizer. Mas é bom distribuir e receber beijinhos como quem apanha confeitos numa boda ou festa popular. “Beijinhos. Até depois!” ou “dá-lhe beijinhos meus.”

Porém, numa noite de luar, fresca, entre lençóis de cetim, perfumados com alfazema, ir tocando com os lábios o corpo amado, suavemente da cabeça aos pés, numa lentidão apetecida, é redimir os beijinhos e fornecer-lhes significado.

São doces arrepios numa noite de Verão.

Sem comentários: