segunda-feira, 24 de setembro de 2007

CHATOS DE MERDA!



Acabei de tomar o meu duche e, antes de ir para a cama, resolvo fazer uma incursão pelos blogs de todos os meus amigos virtuais.
Detenho-me à entrada do Barreiro Velho, munida do meu spray insecticida, pois avizinha-se naquele local, uma praga de melgas. Ele é melgas de bicicleta, melgas partidárias, melgas novas, velhas e assim-assim, enfim, melgas para todos os gostos e feitios.
Não entro. Ponho-me a observar o VTM que, de spray em punho, vai pulverizando as ditas, e não posso evitar pensar naqueles outros bichinhos a que vulgarmente se dá o nome de chatos.
Quem alguma vez não esteve frente a frente com um chato de merda?
Imaginem vocês que costumo passar-me dos carretos quando me tocam ao domingo, de manhã cedo, à campainha e verifico que é um grupo de senhoras Jeovas a tentar converter-me, ou um vendedor da TV Cabo, ou alguém a pedir para S. Nunca à tarde. Lógico que a minha vontade seria mandá-los abaixo de Braga, mas a minha índole tolerante fala mais alto do que o meu instinto feroz. Saco das luvas de borracha, visto um avental, pego no espanador e aí vou eu à porta, com o ar mais santo deste mundo, informar que a patroa não está e, por conseguinte, não tenho autorização para falar com ninguém.
Não sou a única. Tenho um colega que faz o mesmo quando vem o guita da esquadra da zona, notificá-lo das multas de estacionamento proibido. Dá-lhe um prazer imenso quando abre a porta e pergunta: -“era só com ele?” - “neste momento, não está. Se quiser, posso transmitir-lhe qualquer recado.”
Bem, eu isso nunca faria, até porque sou conhecida da esquadra. O chefe foi meu colega de escola e eu não teria qualquer hipótese.
Mas voltando ao assunto dos chatos, por que motivo acham que os serviços de atendimento em Portugal, não funcionam? Por que motivo vemos filas e filas nas Finanças, nos Notários, nas lojas do cidadão, nos Centros de Saúde, etc. etc., etc.,?
Graças ao chato de merda.
Nunca vos aconteceu ter um fulano à vossa frente, na fila, a fazer mil perguntas desnecessárias, do género, “tenho de assinar o meu nome no requerimento?”
O resultado é que quem está ao balcão de atendimento deixa-se contagiar pelo chato e quem paga são os outros.
O atendedor torna-se ansioso, malcriado e até agressivo.
Por isso, antes de pedir o livro amarelo para reclamar, pense primeiro e ponha-se no lugar de quem o atendeu.
Vai ver que, antes de si, esteve lá um chato de merda a dar-lhe cabo do juízo.

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