sábado, 1 de setembro de 2007

BAIRRO DAS PALMEIRAS



Não querendo ser a Madre Teresa de Calcutá, não posso deixar de tecer algumas considerações sobre o Bairro das Palmeiras a fim de sensibilizar todos os Barreirenses a uma tomada de posição pública acerca do grave problema da pobreza e da exclusão, naquela parte da cidade do Barreiro.

Poucos de nós têm dedicado o melhor das suas vidas em favor dos mais desfavorecidos, sobretudo daqueles que se debatem com situações massivas de pobreza e de fome.

Verificamos que o esforço de pessoas e instituições do Barreiro, que se dedicam à causa dos pobres e dos excluídos é, infelizmente, insuficiente face à dimensão que o problema assume, entre nós. Isto revela, de modo flagrante, o défice de empenhamento que existe em confronto com aquilo que urge realizar perante tanto sofrimento gerado pela pobreza.

Acredito que a pobreza e a exclusão não existem por acaso, nem se resolvem apenas com sobras ou gestos de caridade a metro. Muito tem de ser feito numa base interpessoal e directa, junto do pobre e do excluído. Entendo a pobreza como um problema que reclama apoio pessoal para acorrer às carências, mas, cujas causas só podem ser removidas modificando os factores económicos, sociais e culturais que geram a miséria e que perpetuam a pobreza. São, aliás, estes mesmos factores que se opõem às indispensáveis mudanças.

Esta pobreza continua a ser vista como um problema periférico, pretensamente resolúvel por políticas e medidas periféricas e residuais.

Embora existam programas mais ou menos elaborados de luta contra a pobreza, persistem no Bairro das Palmeiras situações de cortar o coração e isso é inadmissível.

Perante esta realidade, chegamos à conclusão de que a maior parte de quanto se tem feito, evidencia ineficiência na aplicação dos recursos e permite deduzir que passam ao lado as reais causas da pobreza no Barreiro.

Há que reverter este estado das coisas, alterando os modelos económico, cultural e de poder da sociedade.

O País atravessa uma crise mas devemos rejeitar o dogmatismo, o pensamento único. Teremos de reconhecer que as condicionantes existentes não determinam soluções únicas. Existem espaços de liberdade onde a intervenção humana, individual e colectiva é possível e necessária, porque há pessoas no Barreiro que estão a passar mal e têm vergonha de pedir ajuda. É a chamada miséria escondida e que ninguém quer ver.

Faço aqui um apelo a todos aqueles não-pobres, que superem preconceitos acerca da pobreza e suas causas e estimulem comportamentos mais solidários.

A pobreza será sempre uma grave negação dos direitos fundamentais e das condições necessárias ao exercício da cidadania.

Vamos ajudar!

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