quinta-feira, 27 de setembro de 2007

O ANIVERSÁRIO



Uma das coisas que me dá imenso prazer é entrar à socapa nas festas de aniversário, sem ser convidada e empanturrar-me de bolos.
Terça-feira passada não resisti à tentação e penetrei numa festa em que o aniversariante fazia cinco aninhos de idade.
Meu Deus, como eu gostaria de ter cinco anos de idade e saber o que sei hoje!
Cheguei e, como boa penetra que sou, fui-me aproximando do local onde estavam concentrados todos os convivas, que é como quem diz, em volta do progenitor da criancinha. Este, agarrado ao seu cachimbo, desdobrava-se em agradecimentos a todos aqueles que o felicitavam pela criança esperta e irreverente de que é o demiurgo.
Sou uma pessoa muito discreta por natureza. Não gosto de dar nas vistas.
De prato na mão, lá fui rondando de grupo em grupo, escutando as conversas deste e daquele.
O progenitor lá andava de cachimbo em punho, exultante, num gesto ritual de descontracção e prazer que, apesar de tudo, requer uma certa destreza, pois não é qualquer um que consegue manter um cachimbo aceso durante o tempo suficiente para apreciar o verdadeiro prazer de o fumar.
Dizia um dos convivas que fumar cachimbo faz a boca torta e tira o brilho dos olhos. Não sei. Nunca fumei cigarros quanto mais cachimbo. Por isso não posso dar a minha opinião. De cachimbo, só aprecio o cheiro perfumado do tabaco.
Fui trincando aqui e ali, até que me dei conta que o meu amigo VTM também tinha penetrado na festa para tirar fotografias. Aproximou-se de mim e eu, com a boca cheia, saudei-o.
Resmungou. Disse-me que não se falava com a boca cheia nem lambuzada. Que para lambuzadores já bastavam os convivas que não pouparam elogios à criança feiinha e hiperactiva, que fazia cinco aninhos de idade.
Amochei!
Olhei-me a um espelho que estava pendurado no salão da festa e cheguei à conclusão de que realmente o VTM tinha razão.
De repente, oiço cantar os parabéns.
Deu-me uma volta ao estômago.
Enjoada, corri para a casa de banho e vomitei.

Sem comentários: