quarta-feira, 19 de setembro de 2007

PENTA CAFÉ


Hoje fui dar um passeio com o meu amigo VTM. Apesar de tudo, ele é um homem tímido, pouco conversador e muito curioso. Extremamente curioso. Mas eu já estou habituada à curiosidade das pessoas e nunca levo a mal quando me fazem perguntas, por muito indiscretas que as considere.
Respondo sempre a todas as perguntas, apesar de muitas vezes tentar esquivar-me delas. Sou um bocado compulsiva.
Não sou de muitas intimidades. Gosto de manter distância quanto baste. Mas há quatro pessoas no Barreiro a quem gosto de “dar o braço”, enquanto passeio, calmamente, pelas margens do rio, conversando e discutindo pontos de vista. São elas o meu tio João, o Kira , o VTM e o Dr. Carlos Correia, a quem baptizei de “Mecinho Dr. CC”. São muito ternurentos e são o tipo de pessoas que nos transmitem segurança e tranquilidade.
O meu amigo VTM é muito ciumento. É uma faceta dele posta a descoberto pela polémica do Mercado Marquês de Pombal. Ficou com receio de que eu, a quem considera a sua secretária virtual, me bandeasse para os lados do Dr. Cabós Gonçalves.
Lá tive uma trabalheira monumental para o convencer de que tal seria impossível, porque tenho um contrato de trabalho que me obriga a exclusividade. Sou uma escrava da globalização. Sou como uma prostituta. Escorrem-me o cérebro, pagam para o usar e estou à disposição de qualquer caçador de cabeças que me pague bem para ser boa e até excelente, se for preciso.
Lá fomos caminhando paulatina e silenciosamente pela Avenida da Praia. De repente, o meu amigo VTM disse-me: “Que raio de nome lhe puseram!”.
Fiquei surpreendida porque não o julgava ser pessoa para comentar esse tipo de coisa: o nome. Todos nós somos vítimas, logo quando nascemos, desses exemplos de sublimação que se consubstanciam nos nomes que por vezes damos às crianças. Eu não escapei dessa. O meu nome resulta de uma coisa desse género. Não o considero dos piores, apesar de me sentir embaraçada quando me trocam o apelido ou o estilizam à boa maneira telenovelesca, agora tão em voga. Aí, sim. Fico possessa!
Enquanto caminhamos, vamos dando conta dos nossos pontos comuns e chegamos à conclusão que ambos fomos cuspidos do inferno.
O Diabo não nos quis lá. Era dose a mais, a Verdadeira e o VTM, juntos no mesmo inferno.
Voltámos como dois anjos e pairamos por aí, despertando ódios e paixões. Diz ele que, ou nos amam ou nos odeiam. Não há meio termo para nós.
Falámos de bruxas, de duendes e de Alburrica. Da lama de Alburrica e das “lamejinhas”, paraíso secreto do olheiro e dos outros.
Falámos dos ciganos, o nosso ponto de desencontro. Mas apesar de tudo concordámos: eu vejo os ciganos de uma forma branda, porque sou mulher e as mulheres são brandas por natureza. Ele vê os ciganos porque estes são e serão sempre ciganos.
“Você anda estranha, confesso.” – disse-me ele, ao mesmo tempo que olhava para mim, tentando adivinhar os meus pensamentos.
Eu, como sempre, furtando-me às directas, respondi à laia de desafio: “Vai um chocolate quente no Penta Café?”

1 comentário:

Anónimo disse...


Some splendid pictures. Impressive colours.

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