domingo, 9 de setembro de 2007

STARA ZAGORA



Embora não tome café, por imposição médica, hoje acedi ao convite do meu amigo VTM , proprietário do Barreiro Velho, para lhe fazer companhia.
Costumamos juntar-nos nos fins de tarde, nos seus domínios, para prosear um pouco e trocar ideias sobre tudo o que movimenta a cidade.
Estávamos os dois em amena cavaqueira na pastelaria Tico Tico quando veio à baila Stara Zagora.
Conheço a Bulgária e a cidade de Stara Zagora. Tem um clube de futebol, um teatro e um estabelecimento prisional aceitável, atendendo às limitações dos países de Leste, em termos de Direito Penal.
Foi para lá que nos dirigimos, eu e os meus colegas, quando acabámos o curso. Em Portugal é da praxe ir-se para qualquer lado, quando se acaba o curso.
Quando vou a alguma cidade que não conheço, a primeira coisa que faço é visitar o hospital, a cadeia e o cemitério. Rigorosamente por esta ordem. Vá-se lá saber porquê.
Nunca soube explicar muito bem o motivo desta “panca”.
Em Portugal também se usa geminar cidades e dar o nome das mesmas às ruas, por dá cá aquela palha.
O Barreiro não será excepção.
Conversámos muito sobre Stara Zagora. Eu e o VTM. Até nos rimos imenso pelo facto de haver pessoas no Barreiro, que pensam que Stara Zagora foi uma ceifeira amiga de Catarina Eufémia, assassinada junto com ela.
Rimos a bom rir e chorámos também. A rir.
Ele tomou o seu café, nas calmas, e eu bebi uma água mineral com uma rodela de limão, como sempre faço nos dias de canícula.
A seguir houve aquela troca de franquezas: “pago eu!”, “não senhor, sou eu que pago!” , “nem pense! Fui eu que convidei…”.
Ok! Pagou ele.
É um homem à moda antiga que acha que os homens é que têm de pagar às mulheres e não o contrário. Eu não me importei. Afinal de contas foi só uma água. Um copo de água nunca se nega a ninguém.

Despedimo-nos. Escrevi na sua agenda o meu novo número de telemóvel e, distraída, assinei o meu nome.

Foi-se embora surpreendido por lhe ter dito o meu nome, o meu verdadeiro nome.

Eu, solitária como sempre, por ali fiquei a bebericar a minha água, ao mesmo tempo que sentia um desejo enorme de tomar café.

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