sexta-feira, 7 de setembro de 2007

VOLTA, AMORE MIO!



Vivo numa espécie de residência universitária, cheia de gente.
É uma casa a cair de podre, de vários andares, escura e desarrumada, ali para os lados da Avenida.

De repente, oiço tocar à campainha e alguém abre a porta.

É o correio. Traz nas mãos um telegrama.

Vindos do andar de cima, descendo uma escada em caracol, apressados, chegam dois homens. Ambos estão descalços. Usam apenas uns slips brancos. O primeiro é Luís Filipe Menezes, que corre para a porta. O segundo é Marques Mendes e traz um ar circunspecto. Marques Mendes apanha o telegrama e, sofregamente, lê em voz alta: “Volta, amore mio!”.

Emocionado, vira-se para Luís Filipe Menezes e murmura-lhe ao ouvido: “Ele quer que eu volte!”.

O outro não lhe responde.

Voltam a subir as escadas em caracol, apressados.

Devem ir falar das suas vidas.

O amor é uma coisa complicada. Pode-se amar muita gente, ao mesmo tempo, de maneiras diferentes. Entretanto, saio com Cabós Gonçalves que me guiará pela cidade.

Encontro Bruno Vitorino, de olhar azul, resplandecente. Guia um Todo-o-terreno preto, envergando um vison branco e tem um ar distante.

De repente, oiço tocar o órgão da Igreja de Nossa Senhora do Rosário.

Acordo sobressaltada e o sol vai alto.

Estes meus sonhos andam mesmo baralhados!

Deste, não percebi mesmo nada!

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