domingo, 28 de outubro de 2007

"BURROCRACIA"



Este meu vizinho do lado, por mais que eu lhe ensine todos os truques, não há meio de aprender.
Há dias acompanhei-o numa incursão à Câmara Municipal do Barreiro, por causa das obras que ele também quer fazer na sua casa.
Foi o bom e o bonito com a história das paredes-mestras e a forma como a edilidade interpreta a legislação sobre o assunto.
O meu vizinho, que não se pode enervar, barafustou e quase que deitava a edilidade abaixo, à linguada.
Se fosse eu, tinha feito a obra e pronto. Não se falava mais no assunto.
Foi o que fiz em relação a uma janela que quis abrir no sótão da minha casa, virada para a rua. A Câmara, face ao projecto do Arquitecto, recusou a licença de abertura de uma janela no sótão, com a treta da história das fachadas e das paredes mestras.
Eu não me conformei porque, analisando a construção, não estava em causa nenhuma fachada, nem nenhuma parede mestra.
Matutei, matutei e estive três noites sem dormir a pensar numa forma de contornar a questão.
Numa dessas noites, quando estava quase a adormecer, surgiu-me uma ideia brilhante, que iria provar que as Câmaras fazem da legislação tábua rasa e não aplicam a interpretação correctiva da mesma. São como aqueles burricos com palas: só vêem o que julgam ver.
Vai daí, levantei-me e redigi, "à maneira", um requerimento em que solicitava o fecho de uma janela no sótão. Está claro que a janela não existia e o que eu queria mesmo era abrir uma nova.
O Arquitecto ficou estupefacto e duvidou das minhas capacidades de jurista idónea e experiente. Tranquilizei-o dizendo-lhe que não queria vigarizar ninguém, mas apenas provar que a Câmara não estava a ver o "filme".
Dei entrada ao requerimento e, como esperava, foi indeferido: não podia fechar a janela do sótão.
Deste modo, eu passei, na prática, a ter uma janela aberta no sótão e não posso fechá-la, porque o despacho camarário impede-me de o fazer.
Lógico que acabei por não abrir a tal janela. Contentei-me com uma daquelas de telhado, que se levantam com uma leve pressão e que acabou por ficar mais airosa e menos dispendiosa.
Ainda hoje me divirto muito, quando conto esta cena aos amigos.

ALÔ! ALÔ!



As escutas telefónicas em Portugal são o pão-nosso de cada dia. Metade do país encontra-se sob escuta. Pelo menos é o que tenho lido em dois jornais portugueses que assino religiosamente e recebo aqui em terras de Sua Majestade, El Rei D. Juan Carlos de Bourbon.
O caricato da questão é que as escutas estão a ser feitas ilegalmente, à revelia de quem quer que seja e ao arrepio da "Grundnorm".
Por isso, caros compatriotas, toca a interpôr providências cautelares, no sentido de as polícias começarem a ajudar no pagamento da conta de telemóvel, a quem fôr escutado. Sim, porque isto de ter acesso aos segredos mais íntimos de cada um, de borla e a seco, tem que acabar.
A Gente, a Lux e a Caras, certamente que pagariam muito bem para "cuscar" as conversas que as nossas forças de segurança escutam à borlix.
Não é justo!
Da próxima vez que falar ao telefone ou ao telemóvel com alguém e, quando digo alguém, estou a pensar em alguém muito especial, vou tentar negociar com o elemento da escuta: se quer na minha casa ou na dele, porque de certeza que o homem já está de calças em baixo, a imaginar que me está a saltar para cima.
Só assim se compreende o motivo de tanta escuta telefónica. É uma forma de voyeurismo, de taradice sexual, legitimada ao arrepio dos preceitos Constitucionais.


sexta-feira, 19 de outubro de 2007

DE PARTIDA! (AGAIN)



Estarei de volta no Natal, para a minha última semana de férias.

Até lá, vou escrevendo por aqui, sempre que a minha disponibilidade o permitir.

Beijokas!

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

AS "CUNHAS"



O governo continua à nora por falta de "matemáticos". É um desespero. Ninguém dá duas para a caixa em matéria de prestação de contas e de contas públicas. E a falta de "raciocínio lógico"!!!… – Outro drama.
Uma vez pensei que se, por qualquer motivo, fosse obrigada a deixar Portugal, e me perguntassem de que é que teria mais saudades, não hesitaria em dizer: «Sinto falta das pessoas, da terra, da luz, do mar, do ar».
Agora, alguns anos volvidos, não posso deixar de reflectir nesse meu sentimento.
Como tantos outros jovens licenciados, tive de me fazer ao Mundo, para poder sobreviver condignamente, dentro da minha área profissional. Foram tempos difíceis que exigiram, de cada um de nós, cabeça fria e peito aberto para o que desse e viesse, em termos de carreira profissional. Mas, apesar de tudo, eu e os meus colegas, tivemos sorte. Levámos a nossa enxada e cavámos o melhor que sabíamos e que fomos capazes. Por lá ficámos até hoje. Nós, portugueses, somos dedicados, produzimos e temos espírito de missão, quando nos vemos privados do nosso universo.
Volto sempre, quando posso e me deixam e, nos dias de hoje, dou comigo a pensar se hoje teria tido a mesma coragem de me matricular em qualquer curso que fosse, numa universidade portuguesa.
Tem-se constatado que as coisas não mudaram muito em Portugal e que hoje, ser-se licenciado, é o mesmo que ser candidato ao desemprego de longa duração.
O Governo anuncia novas oportunidades que não se vêem em lado nenhum. Conheço casos de jovens que calcorreiam Seca e Meca, de diploma e curriculum debaixo do braço, à procura de trabalho. Muitos ouvem a frase caricata: “Tem habilitações a mais, para o desempenho do cargo”.
E eles continuam a dizer que Portugal precisa de procurar a “excelência”, cultivando a educação e procurando novas oportunidades, ao arrepio das tristes evidências.
A maior parte dos concursos públicos de admissão de técnicos superiores para a administração pública, publicados em Diário da República, estão viciados à partida. Quando leio os critérios de admissão, não posso deixar de pensar que muitos deles já têm destinatário e que só falta pôr lá a fotografia dessa pessoa a quem o lugar já está destinado.
Nas empresas privadas passa-se o mesmo. Se é licenciado, só poderá ser o filho do gerente do banco onde a empresa em questão tem o crédito mal parado, ou qualquer outra coisa do género. Uma mão lava a outra.
Enfim, incrementa-se o factor C de forma vergonhosa e despudorada.
Infelizmente, em Portugal, é do entendimento geral que as cunhas, ao fim e ao cabo, serão atitudes de grande humanidade em que, quem implora um favor, só quer facilitar a vida aos que gostam de ajudar. Portanto, seremos um país de boas pessoas, de queijos, de garrafas e de presuntos no Natal e na Páscoa...
Em última análise, um país que aposta na comunicação e no convívio entre as pessoas. Ora, isto é sempre bonito, na óptica de alguns .
Caros desempregados: deixo-vos aqui uma palavra de alento. Não desistam. Apostem na vossa formação, mesmo que não vislumbrem novas oportunidades.
As tais novas oportunidades através da educação, de que o Governo fala, é uma forma de eles levarem a água ao seu moinho: enquanto estiveres na escola, não figuras nas listas de desemprego.
E isso, para eles, é ouro sobre azul!

terça-feira, 16 de outubro de 2007

O BANHO



É mesmo assim. Uma pessoa dá-lhes a mão, como por exemplo a felicidade metafísica de terem o nosso “Querido Líder” Camarada Presidente do Comité Central, a liderar as suas vidas, e depois querem logo o braço.
É como uma virose.
No Barreiro Velho, por exemplo, há quem exija coisas absurdas como a substituição de bacios por quartos de banho. É que não se entende.
Meus senhores, está nos estatutos da CMB: um bacio é muito mais etnográfico para os pobres se lavarem, do que uma casa de banho.
Mas face a tantas queixas, gostaria de deixar aqui duas notas. A primeira é que a Câmara vai fazer um vídeo de propaganda anti-WC, devidamente registado no Youtube, já que o Google ainda não assinou com a Câmara Municipal do Barreiro aquele protocolo que permite desactivar todos os blogues que expressem livremente as suas opiniões, assim com tão evidente má-fé, como eu faço.
A segunda nota é para que todos os habitantes do Barreiro Velho deixem as suas moradas, para que a Câmara lhes possa enviar um pacote de WC Pato Floral, completamente grátis, para enfiar dentro do penico.
O banho é algo desnecessário. Gasta a pele e constipa.
E, além disso, os homens querem-se a cheirar a cavalo.
Tenho dito!

CENAS ENTRE VIZINHOS DO PEITO



Há já algum tempo que não vou ao teatro. E teatro é uma das coisas que aprecio muito nesta vida. Falta-me disposição mas também me falta companhia. Vou ao futebol sozinha, mas não consigo ir ao teatro sem alguém com quem possa comentar a peça e dividir o chocolate com amêndoas, que teimo sempre em levar comigo, quando vou ver algum espectáculo de antologia. É superior às minhas forças: teatro sem chocolate, não é teatro.
Por isso, aqui há dias, bati na janela do meu vizinho do lado. Convidei-o para vir comigo assistir ao vivo a uma peça no AMAC, na cidade do Barreiro.
Este meu vizinho, de vez em quando está mal-humorado. Abriu a janela de supetão e gritou-me aos ouvidos: ”Estou farto das suas maluquices!” “Não me venha para aqui meter cunhas, que eu não estou para aí virado!”.
Vizinho injusto. Eu mal abri a boca!
Tentei convencê-lo a vestir-se de mulher, é verdade. Levei o meu vison, o meu vestido dourado transparente e os meus collants. Fuzilou-me com o olhar mas vi que ele ficou curioso.
Consegui que experimentasse os meus collants. Realmente, não lhe ficavam lá muito bem. Os pêlos das pernas saíam pela malha sedosa das meias e na parte da frente havia qualquer coisa que não assentava muito bem.
Pronto, desisti! O VTM decididamente não estava para me aturar.
E se fossemos visitar o Kira? (perguntei eu).
Sentindo-se confortável, o vizinho não quis despir os collants. Lá fomos em direcção ao hospital com meia cidade a reparar naquelas pernas esquisitas, de pêlos espetados e a sair para fora das meias.
- “Está a ver o que você me arranjou?” –“Agora toda a gente vai dizer que sou maluco como você!”
Senti remorsos.
No hospital o Kira jazia na sua cama articulada, com um ar feliz. Hummm…,pensei eu. Aquela cara é de quem está a ser muito bem tratado. Será que a Marilyn Monroe trabalha naquela ala?
Nisto reparo que o VTM retira uma pulseira electrónica a um bébé e enfia-a no seu próprio pulso, com um ar de missão cumprida.
Apresso-me a retirar-lhe a pulseira e a colocá-la de novo na criança, antes que meio hospital viesse atrás de nós.
Repreendi-o. Aquilo não era coisa que se fizesse, muito menos num hospital.
Olhou-me furibundo e desabafou: “Eu só queria testar a eficácia da pulseira, para poder usá-la em si. Você dá-me cabo do juízo e seria uma forma de a controlar”.
Nisto o Kira suspirou. Contava os doze pontos que vai oferecer ao Sporting e sorria de satisfação. Vamos ter campeão à custa dele.
Oiço um grito: “Fuja!”.
Olho para trás e vejo o VTM a fugir a sete pés de uma enfermeira mamalhuda que, de luvas calçadas, tentava enfiar-lhe os dedinhos, sabe-se lá onde.
Corremos os dois e conseguimos fugir aos tropeções pelos corredores fora.
Já cá fora, exclamámos em uníssono:
“Ufa! Escapámos de boa!”.

CELULITE



Todos os dias ao sair de casa dou de caras com um anúncio que me deixa logo mal disposta o dia inteiro. É de uma clínica de estética e tem esta brilhante tirada publicitária: "os homens não gostam de celulite".
Não há dúvida que este é o argumento que me faltava para eu pôr fim à celulite que se instalou no meu rabo sem qualquer espécie de permissão. Eu até gosto de ter celulite, adoro!. Faço os possíveis por ter sempre mais e mais.
Ah, mas espera lá, se os homens não gostam, então eu vou já pagar um tratamento de 500 contos numa clínica de estética, para ficar sem celulite!!
Será que eles estão a falar a sério? Será que os senhores que fizeram esta campanha, acham mesmo que este tipo de terror psicológico barato faz efeito numa mulher???
Se o anúncio dissesse "mulheres com celulite não entram na Zara", aí sim, era ver-me a correr para a Corporacion Dermoestetica, primeira das primeiras!
Se formos a ver, também há muita coisa que nós gajas não gostamos, e nem por isso mandamos espalhar outdoors gigantescos pela cidade. Sim, porque senão já estou a imaginar os possíveis anúncios:
- ELAS não gostam de pilas pequenas e flácidas;
- ELAS não gostam de ejaculação precoce;
- ELAS não gostam de pêlos a mais;
- ElAS não gostam de gajos flatulentos;
- ELAS não gostam de sexo oral medíocre e insuficiente;
- ELAS não gostam que cocem os tomates (muito menos em público);
- ELAS não gostam de gajos míopes;
- ELAS não gostam (nem acham sexy) as barrigas de cerveja;
- ELAS não gostam de tampas da sanita levantadas;
- ELAS não gostam que cortem as unhacas dos pés em cima da mesinha da sala;
- ELAS não gostam de mãozinhas sapudas (e pouco hábeis);
- ELAS não gostam de slips nem de boxers com ursinhos;
- ELAS não gostam de atrasados emocionais;
Se os homens deste País se deparassem com estas publicidades, tentariam resolver algumas das questões apontadas?
Não, pois não? Então deixem lá a nossa celulitezinha sossegada.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

A "LUTA"



Eles aí estão, prontinhos para a “luta”. Agora que se aproxima o tempo de carregar armas, começam a desenhar-se os possíveis cenários dentro do Partido Socialista do Barreiro.
Li por aí, algures, que a luta pela liderança no PS do Barreiro está, nesta altura, circunscrita a três candidatos. Um deles, automobilisticamente falando, considera-se uma terceira via.
Ganhe quem ganhar, e partindo do pressuposto de que o elenco de candidatos não está encerrado, o PS não poderá, seguramente, contar com o meu voto.
Felizmente para mim, sou uma cidadã e uma eleitora não partidarizada. Voto livremente em quem quero.
E se eu fosse militante, não me revia politicamente neste PS à moda antiga, dirigido por qualquer um daqueles três candidatos.
A política portuguesa, sobretudo à esquerda, precisa urgentemente de abrir as portas e as janelas à novidade. Inovar, é preciso.
Aqueles candidatos, ainda que por diferentes caminhos, emergem do mesmo passado pouco glorioso, como os candidatos do bocejo programático. O PS do Barreiro hibernou, acomodou-se e deixou de fazer oposição estratégica. Tem-se limitado a gerir os erros dos outros e esperar que o ano de 2009 chegue com tranquilidade e sem grandes sobressaltos.
A ver vamos, as cenas dos candidatos, nos próximos capítulos.
Fora do PS, e politicamente falando, alguém lhes compraria um carro em segunda mão?
Eu não.
Jamais!

sábado, 13 de outubro de 2007

PARA O KIRA



VOTOS DE RÁPIDAS MELHORAS!

QUE TUDO NÃO TENHA PASSADO SÓ DE UM SUSTO.

VOLTE DEPRESSA!

NÃO SE DEIXE IR ABAIXO.

BEIJOKAS COM GELADO DE BAUNILHA

"TREBLINKA"



Ando com um problema para resolver mas tenho medo de ser injusta. Eu sou assim. Penso sempre nos prós e nos contras, antes de resolver seja o que for.
Enquanto não chega o momento de decidir, vou andando por aí, pelas ruas da cidade, observando tudo aquilo que normalmente escapa à maioria dos olhares atentos, para ver se me inspiro.
Num desses meus passeios sem rumo, fui parar à zona degradada dos caminhos-de-ferro do Barreiro.
Vieram-me à memória os meus tempos de infância, quando visitava o meu falecido avô, engenheiro da CUF, no seu local de trabalho, paredes-meias com as linhas de comboio. Recordo-me do bulício e do fervilhar de vida em torno da CP e daquele cheiro a vapor e a carvão.
No Barreiro, o sector ferroviário e o caminho-de-ferro fazem parte do imaginário de várias gerações.
Antigamente havia apenas duas hipóteses: ou a farda de polícia ou da CP. Muitos optaram por vestir a segunda. O Barreiro não foi excepção. Não havia família que não tivesse alguém ferroviário.
Percorro os carris desdentados e reparo nas máquinas ferrugentas. Estou a olhar para o passado, um passado que também foi meu, ainda que por breves instantes. Imagino o meu avô com o seu ar franzino e olhar inteligente que me dizia sempre: “se fosses rapaz, levava-te comigo a andar no comboio”. Eu morria de inveja dos meus primos que, por serem rapazes, tinham esse privilégio: andar no pequeno comboio que transportava mercadorias da CUF.
Os lugares, outrora preenchidos, estão agora desertos e têm uma história para contar. Os fantasmas espreitam pelas janelas de vidros partidos e caixilharias podres. Acenam-me como que a despedir-se de mim e eu, sem querer, associo-os a Treblinka. Meu Deus, como aquele local é parecido com Treblinka!
Dali, daquelas oficinas, foram deportados em massa, milhares de trabalhadores, gaseados sem piedade em nome do Progresso. O desaparecimento do caminho-de-ferro foi uma grande perda, não apenas para aqueles que viviam dele mas também para a cidade como um todo, porque contribuiu para o empobrecimento do Barreiro.
Temos a obrigação de restaurar a memória dos Ferroviários Barreirenses e transmiti-la às futuras gerações.
Por isso, penso muitas vezes que não seria despicienda a ideia da criação de um Museu da História dos Ferroviários Barreirenses, em vez de deixar apodrecer o que resta das memórias.
Avô, da janela do teu escritório, já não se vêem pessoas. E agora já não há gestores capazes. Só olham para o TGV.
Tenho saudades tuas.
Vou ficar por aqui, mais um pouco, para me lembrar de ti.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

THE REASON (O MOTIVO)

Por vezes, pedir desculpa não chega.
Há que evitar fazer sofrer aqueles que amamos.
Um dia, tudo acabará de repente e os remorsos irão perseguir-nos para sempre
.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

TRISTEZA



A tristeza faz-nos viver a vida em lume brando.
Todo o movimento é penoso e a palavra de ordem é a lentidão.
Quase sempre, a tristeza começa com uma perda.
Perda de afectos, emprego, estatuto, casa, cidade, alguém, ou um objecto, o que nos faz sentir sozinhos e abandonados.
Apesar disso, a tristeza não é negativa. Com ela paramos para pensar e fazemos uma espécie de retiro espiritual.
Assim, poderemos aprender a evitar situações semelhantes àquela que nos causou a dor.
A tristeza também nos protege da agressividade dos outros e remete-nos para dentro de nós.
Quando a tristeza se apodera definitivamente de nós, entramos na espiral da depressão e pode acabar mal.
A tristeza é parente da melancolia e do tédio.
Para acabar com ela, é preciso reflectir, procurar o apoio dos outros e deixar que o tempo sare algumas feridas.
A tristeza também tem como sinónimo o vazio e enquanto o vazio dominar a nossa existência, não haverá espaço para o entusiasmo nem para a alegria.
O vazio tem cura. Basta enchê-lo com afecto.
E o afecto não se força, sente-se.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

A "PIANISTA"



Nunca entendi muito bem o motivo por que os meus cães uivam, quando toco piano.

Mal inicio os primeiros acordes, começa logo uma sinfonia de loucos, com o Mantorras em 1.º plano, parecendo querer acompanhar-me com a sua voz de "soprano".

É um mistério. Acho que nunca vou entender o porquê.

Eu, que tanto gosto deles, já cheguei à conclusão que foi a forma que encontraram de protestar contra a "pianista".

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

O TELEFONEMA



O telefone tocou esta manhã.
Atendi e eras tu, que eu já esqueci.
Querias não sei o quê, de mim, e desliguei.
Estou sem pachorra para ti.
Deixa-me em paz! Pedi-te.
Que me queres agora?
Tu que tiveste todo o tempo do Mundo e a quem dei o melhor de mim.
Agora já é tarde demais para nós.
Podíamos ter sido mas não fomos.
Podíamos ter dito algo mais que um adeus e não dissemos.
Podíamos ter sido felizes mas nem sequer tentaste.
Podíamos ter arriscado e não o fizeste.
Fica um beijo, um abraço.
Fica um peito transbordante de saudade
Do que nunca me foi permitido viver contigo,
Porque não quiseste.
Por medo? Talvez...
Seguiremos agora caminhos opostos.
Foi o que escolheste.
Talvez um único caminho seja demasiado pequeno para os dois.
Mas, apesar de tudo, vou sentir-te a falta.
De verdade.
Tenho a certeza que me lembrarei muitas vezes de ti.
Chegou a hora de te deixar finalmente partir.
E eu sei que levas também um pouco de mim.
É apenas um fim. Tudo tem um fim.
Quem sabe, um dia?
Se não for pedir demais,
Aí dentro do teu peito, não me deixes morrer.
Pedirei sempre a um Deus que olhe por ti, que cuide de ti, que esteja a teu lado.
No fundo, o que eu um dia quis que fizesses por mim.
Mas não foste capaz.
Eu gostei muito de ti e não pensei que me doesse tanto dizer-te adeus.
Mesmo sabendo que já te foste embora há muito, muito tempo.
Ainda guardo no bolso o bilhete do barco.
Até um dia!
Já parti!

domingo, 7 de outubro de 2007

QUE GRANDE SECA!



ESTE BENFICA MATA-ME!
MAIS UM JOGO ASSIM E EU MORRO!

ALTO DA PAIVA / VERDERENA



Estamos quase a chegar ao Natal e à época de certas práticas comerciais contemporâneas, organizadas sempre em torno de datas comemorativas.
Alguém disse, um dia, que “Natal é quando um homem quiser”. Neste nosso tempo, e por experiência própria, sei que não será bem assim.
Detenho-me a pensar no Mercado do Levante que tudo indica, em Dezembro, deixará de ser da Verderena e passará para o Alto da Paiva, ali para os lados do Hospital de Nossa Senhora do Rosário, paredes-meias com o IC21.
Não posso deixar de referir que acredito ter sido o Dr. Cabós Gonçalves o directo causador de tão rápida resolução porque, em política, ninguém quer perder nem a feijões. O executivo camarário não quis dar de barato uma vitória que agora clamará como sua. O cidadão Cabós Gonçalves, quer queiram, quer não, teve a sua quota-parte nesta resolução a contento.
Foi hilariante aquela tirada esfarrapada de dizerem que não sabiam que aquele terreno era propriedade da CMB. Adorei!
Ganharam os feirantes e os cidadãos que poderão assim desfrutar de um comércio mais em conta, porque nem todos podem ir comprar às lojas “fashion”, nas grandes superfícies comerciais, que têm retirado toda a alma ao comércio tradicional, contribuindo para falências em massa.

sábado, 6 de outubro de 2007

O ASSOCIATIVISMO/COOPERATIVISMO



Há muitos temas que despertam a minha curiosidade e que gosto de abordar, talvez porque não tenha com eles grande familiaridade e não façam parte da minha realidade laboral.
Já em anteriores “posts” tenho manifestado a minha predilecção pela cidade do Barreiro, cidade que conheço desde os meus três anos de idade e onde gostava de ter vivido.
Alguém me disse há dias que, se tivesse sido educada no Barreiro, talvez não tivesse ido tão longe. O mais curioso é que foi um Barreirense, que considero dos quatro costados, o autor da cogitação.
Fiquei a pensar. Sempre achei que o Barreiro estava na vanguarda da solidariedade e do associativismo.
Disseram-me que não. Que hoje em dia tudo está em crise no concelho, a começar pelo associativismo.
O associativismo estará em crise?
Esta é uma questão recorrente que sempre se apresenta quando o objectivo de discussão ou de simples conversa é a necessidade que faz juntar os homens para a defesa ou para o desenvolvimento e dignificação de uma actividade comum que os une.
Podemos recuar no tempo, ao tempo das mutualistas do século XIX, ou até a épocas mais remotas. Haverá mesmo quem defenda ir à origem do ser humano, para encontrar a génese do associativismo. Sempre que o Homem sentiu que isolado não conseguiria resolver uma dificuldade, juntou-se a outros homens desejosos de resolverem problemas idênticos.
Mas então, e a tão falada “crise do associativismo” no Barreiro?
Há quem defenda que o associativismo atravessa ciclicamente épocas de dificuldades. Outros, que a crise não se situa no associativismo mas no dirigismo associativo, nos termos em que hoje se apresenta. A maioria defende que o associativismo, propriamente dito, não está em crise.
É complexa, realmente, esta realidade. Não se deverá tomar uma posição de forma leviana sem pesar todos os condicionalismos e envolventes. Para isso, deveriam realizar-se debates e colóquios sobre o tema, na procura de objectividade nas conclusões.
Uma das razões que historicamente levou o Homem a unir esforços, a congregar o seu saber e a sua acção à volta de objectivos comuns, foi o espírito de solidariedade. Donde, a questão para a qual urge encontrar uma resposta é: Hoje em dia, o Homem é um ser solidário ou um ser solitário?
Como uma letrinha, apenas, faz toda uma diferença...
Um punhado de homens de boa vontade, continua uma luta sem quartel na defesa do associativismo, esbarrando muitas vezes na falta de reconhecimento das entidades oficiais onde, cada vez mais, se conhece o preço de tudo e o valor de nada.
A conclusão que se tira é que hoje em dia já não existe o associativismo puro, resultante da vontade daqueles que pensam em si próprios e nos outros como pessoas.
O associativismo actual resulta apenas da vontade dos partidos e do poder instituído. Esta vontade actua como filtro da solidariedade e os homens hoje associam-se não tendo em vista o bem comum mas única e exclusivamente para garantir que a actividade comum seja apenas de uns poucos, de preferência com filiação partidária.
Pelo que se tem constatado, o Barreiro não será excepção.



sexta-feira, 5 de outubro de 2007

A REPÚBLICA DAS BANANAS



Comemora-se hoje, em Portugal, a implantação da República.

Nesta República que hoje vivemos, falta-nos o encanto da segunda parte do hino, que quase ninguém conhece.

Deveríamos clamar mais pelo "ridente porvir".

Deixo-vos aqui, a título de curiosidade, a parte do Hino Nacional que ninguém canta.

"Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal de ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.
Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar."

A CIGARRA E A FORMIGA



Era uma vez uma formiguinha e uma cigarra que eram muito amigas.
Durante todo o Outono, a formiguinha trabalhou sem parar, armazenando comida para o período de Inverno. Não aproveitou nada do sol, da brisa suave do fim da tarde e nem do convívio com os amigos no final do trabalho. O seu nome era "trabalho" e o seu apelido "sempre".
Enquanto isso, a cigarra só queria cantar nos grupos de amigos e nos bares da cidade. Não desperdiçou um minuto sequer! Cantou e dançou durante todo o Outono, aproveitou o sol, curtiu a valer sem se preocupar com o Inverno que estava para chegar.
Então, passados alguns dias, começou a fazer frio. Era o Inverno que estava a começar.
A formiguinha, exausta de tanto trabalho, entrou para a sua singela e aconchegante toca repleta de comida. Mas, nesse momento, alguém chamou o seu nome do lado de fora da toca.
Quando abriu a porta para ver quem era, ficou surpreendida com o que viu. Quem era? A sua amiga cigarra estava ao volante de um Ferrari vestindo um confortável casaco de vison.
A cigarra disse para a formiguinha:
- Olá amiga, vou passar o Inverno a Paris. Será que tu poderias cuidar da minha toca?
- Claro, sem problemas, respondeu a formiguinha. Mas o que te aconteceu? Como é que conseguiste tanto dinheiro para ir a Paris e comprar esse Ferrari?
E a cigarra respondeu:
- Imagina tu que eu estava a cantar num bar, na semana passada e um produtor ouviu e gostou da minha voz. Fechei um contrato de seis meses para fazer vários shows em Paris. A propósito, a minha amiga deseja algo de lá?
Respondeu a formiguinha:
- Desejo sim. Se encontrares por lá um tal La Fontaine, manda-o para a Puta que o Pariu...!!!!

Moral da História:

"Aproveita a vida, sabendo dosear o trabalho e o lazer, pois o trabalho em demasia só traz benefícios nas fábulas do La Fontaine e ao teu patrão."

O ZÉ DAS MEDALHAS



Nesta modorra que se vai arrastando por este Outono suado, nem a língua se me afia nem a vontade de escrever se apronta.
Às vezes, só ás vezes, algo me desperta, e mexe com o meu delicado sistema nervoso.
As comemorações nesta cidade, mais uma vez, (insistentemente, diria eu) fizeram o favor aos fatos e demais adereços das suas mais distintas damas e cavalheiros.
As “boutiques” de alta-costura, certamente juntaram mais umas contas ao seu já longo calvário (e as cabeleireiras também).
Pelo Restaurante Acordeon, montra excelsa da mais fina sociedade Barreirense, passaram ufantes, os beija-mão oficiais e demais entidades oficiosas.
Estoicamente e à intempérie, aguentaram a estocada em nome da tradição (que nisto de galas, festas e protocolos, ainda é a tradição que manda!).
Houve quem contasse!
Eu não!
Mas ao que parece, os mesários (aqueles que comem à mesma mesa), seriam mais de cinquenta.
Entre eles estava, distinto e aboletado, o medalhado, figura que na sua contribuição para a causa (neste caso o nosso concelho), se distinguiu pelo esforço, abnegação e dedicação, com que aportou saberes e mais valias várias, para o usufruto comunitário.
É aqui, no significativo deste último parágrafo, que “a porca torce o rabo”, ou que as evidências me titilam, na minha por vezes inconveniente massa cinzenta.
Então por que carga de água, ou decreto celestial, se honra publicamente em nome de uma cidade, figuras, estimáveis ou não, para o caso não interessa, que em nada, repito, NADA, contribuíram, por enquanto, para o bem comum da cidade a que respeita o galardão?
Alguns já adivinham. Estou a referir-me, é claro (já volto a duvidar da palavra Claro), ao representante polivalente de várias modalidades desportivas, espalhadas por esse mundo fora.
Sendo certamente das mais representativas, não serão concerteza das mais merecedoras de prebendas, honrarias e reconhecimento.
Do atleta tributado, desconheço os feitos. Apenas aqueles que têm circulado via tradição oral, potenciados por alguma imprensa on-line. E quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto.
Desconhecendo-o, reconheço não ser merecedor da homenagem que, afanosamente, alguém lhe entendeu por bem prestar.
Nesta feira de vaidades, resta-me perguntar:
- Será que a Região da Costa Azul tem dinheiro a menos e medalhas a mais, sobrantes do último "Barreiro Reconhecido"?
- Estarão eles a cumprir alguma espécie de pena absolutória de pretéritos pecados?
- Será que, de alguma forma, se trata de alguém que, subtilmente, tenta arregimentar apoios para o seu, cada vez mais periclitante, estatuto partidário?
A continuarem assim, ainda se arriscam a ter que medalhar-me, com propriedade, porque, apesar de tudo, tenho contribuído para que muitos blogs do Barreiro sejam lidos além fronteiras.
Ora vamos lá a pensar nisso. Isto de escrever, também tem muito que se lhe diga.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Je T'aime... Moi Non Plus

Hoje bateu-me a saudade e fui desafiar o meu amigo VTM, ali para os lados do Barreiro Velho.
Levei os meus velhos discos de vinil e fomos sentar-nos nas escadas da Igreja de Santa Cruz, onde outrora tangeram fados e guitarradas.
Ele olhou-me desconfiado quando viu que o disco que eu tinha na mão era o mesmo que ele ouvia nos seus tempos de jovem consciente. Sim, porque isto de ser jovem, antigamente tinha que se lhe dissesse. Ser jovem, naquele tempo, era ser adulto responsável.
Lá pus a tocar no meu velho gira-discos, a pilhas, o famoso disco que me valeu umas sapatadas do meu pai, no tempo em que as meninas só deviam tocar piano e falar francês.
Fiquei surpreendida quando o VTM se levantou e me convidou para dançar. Julgava-o um "pé de chumbo" mas afinal ele lá foi seguindo o compasso, levando-me por entre a melodia, como se tivessemos asas nos pés.
E dançámos, dançámos, sempre, até ao anoitecer.
Quando demos conta, não estávamos sozinhos. Faziam-nos companhia todos os nossos fantasmas de estimação.
Um deles trazia nas mãos "O Crime do Padre Amaro" e queria trocá-lo pelo meu disco de vinil.
O meu par afastou-o e pôs-se a cantar em voz alta.
De repente, alguém nos atirou com um balde de memórias e nós por ali ficámos, estáticos e em silêncio, enquanto a música continuava a tocar.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

DES(EMPREGO)



Ao pegar hoje numa edição de um jornal diário, li em letras gordas, na primeira página, que a taxa de desemprego subiu mais em Portugal e está nos 8,3 por cento, o maior aumento da UE.
Veio-me logo à memória, e eu tenho memória de elefante, que uma das promessas do Eng.º Sócrates, durante a campanha, foi criar postos de trabalho, acho que 150.000, se não estou em erro.
Apesar de tantas promessas, o que é facto é que todos os dias o desemprego em Portugal aumenta e com ele o estado de carência de um povo cada vez mais sobrecarregado de impostos.
Qual é o balanço actual e qual vai ser o resultado no final do mandato, nesta matéria sensível que é o trabalho?
Não sei, não sabemos.
No entanto, sei que os investimentos deveriam ser dirigidos para criar riqueza, pois é a riqueza que cria novos empregos e faz aumentar o PIB.
A oferta de mão de obra em Portugal, é desqualificada. È urgente reconverter pessoas e formá-las, sobretudo aquelas com mais de 45 anos, porque Portugal é um país envelhecido onde a terceira idade, em termos laborais, começa aos 24 anos. Estou a lembrar-me que grande parte dos anúncios de oferta de emprego que se lêem nos jornais, são caricatos e referem como data limite os 24 anos, de preferência com experiência profissional.
Pelos dados fornecidos pelo EUROSTAT, só podemos concluir que o desemprego aumentou, ao contrário do que pretende José Sócrates e os seus apoiantes.
Estamos perante um fenómeno estrutural resultante das opções políticas e económicas que foram tomadas desde há muitos anos a esta parte.
Os dois partidos que se têm revezado no poder ao longo dos anos, têm toda a responsabilidade no aumento do desemprego. São responsáveis porque foram incapazes de criar condições que permitissem a melhoria do clima económico.
E o mais grave é que este fenómeno alimenta-se a si próprio. Quanto menor for o sector produtivo, menores serão as receitas para alimentar a despesa do Estado ou, inversamente, se se quiser manter o nível das receitas, mais gravoso será o ónus que pesará sobre o sector produtivo e sobre a sua competitividade.
O emprego no sector produtivo deveria ser privilegiado. Só esse emprego poderá agir como motor da economia. Grandes investimentos públicos geram empregos pontuais, mas quando desaparece o seu efeito, esse emprego desaparece quase totalmente. Em contrapartida, os encargos com esses investimentos ficam a pesar na despesa pública e travam o desenvolvimento do sector produtivo, degradando a sua competitividade. O mesmo sucede com o emprego público.
Tomemos o caso português. Em Portugal coexistem duas situações paradigmáticas – um “mercado” de trabalho absolutamente rígido, e um mercado completamente flexível, baseado nos “recibos verdes” e nos contratos precários. A existência deste último mercado tem sido a principal responsável pelo crescimento económico português. Quando as expectativas sobem, os empresários não têm dúvidas em aumentar o nível do emprego, porque sabem que, se essas expectativas se gorarem, poderão reduzir os seus efectivos. Sucede que, na maioria dos casos, essas admissões acabam por se tornar permanentes porque a economia estimulada pelas decisões desses empresários, cresceu o suficiente para assegurar a manutenção desse nível de emprego.
A falta de emprego ou a sua precariedade, sobretudo quando prolongada, acarreta consequências pessoais e sociais muito graves, que podem levar à “exclusão social”, e gera tensões sociais e conflitualidade social acrescida, propensão a comportamentos desviantes ou anomia social.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

O SEGREDO



Chovia torrencialmente quando o rádio do carro deu a notícia da demissão de Gonçalo Amaral, investigador da Polícia Judiciária no Caso Maddie MacCann. Senti um arrepio.
Nunca fiz aqui qualquer comentário acerca deste caso mas as recentes notícias e consequente alteração do comportamento dos media e forças policiais britânicas e portuguesas, leva-me a tecer algumas considerações.
É hoje mais do que óbvio que fizeram deste caso, uma espécie de Portugal-Inglaterra. Acontece que neste "jogo", o árbitro foi comprado e parece que vale mesmo TUDO.
A "táctica" dos ingleses tem sido tudo menos lógica, imparcial e factual. Começaram por atacar com todas as armas a nossa Polícia Judiciária. Disseram cobras e lagartos: que não fechámos as fronteiras, não investigámos bem, não isolámos a área do crime, não fizemos as buscas certas, não falámos com as pessoas correctas, etc., etc.
Depois, quando os media portugueses começaram a levantar a hipótese de o casal MacCann estar envolvido no desaparecimento da filha, viraram-se todos contra os jornalistas portugueses. De um momento para o outro, os tablóides ingleses começaram a passar atestados de sensacionalista aos jornais portugueses.
Mas, pelos vistos, eram os portugueses que tinham razão.
Pouco tempo depois, a PJ constitui os pais de Madeleine arguidos, pelo crime de obstrução à justiça, e são suspeitos de ocultação de cadáver.
Estes regressaram a Inglaterra como estrelas de cinema e por lá andam na maior, beneficiando de um fundo criado às custas da pequena Maddie.
Por cá, contrataram Rogério Alves, Bastonário da Ordem dos Advogados, que por trinta dinheiros passou de “Olívia patroa” a “Olívia costureira” e Gonçalo Amaral, da Polícia Judiciária, foi despedido por ter posto a boca no trombone.
O país perdeu completamente o Norte. Temos um Bastonário que ao invés de se demitir, continua a acumular a sua condição de Bastonário com a de advogado da família MacCann, ao arrepio dos arrepios. Demite-se o investigador por este ser incómodo e ter posto em causa tudo aquilo que nos querem fazer acreditar.
Que segredo tão bem guardado será este?
Este caso vai continuar a dar que falar por muito tempo, apesar de haver já muita gente farta deste assunto. A investigação continua e o estatuto de arguido dos pais, pode durar até 8 meses. Até lá muita tinta vai ainda correr. Depois, no fim de tudo e pelo rumo que os acontecimentos levam, ficará a certeza de que este caso não passará apenas de um belo “case study”.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

DE PEQUENINO, SE TORCE O PEPINO



Uma criança está dentro do carro do seu pai, quando avista duas prostitutas na rua.
- Pai, quem são aquelas senhoras?
O pai, meio embaraçado, responde:
- Não interessa, filho …… Olha, antes, para esta loja…. Já viste os brinquedos tão lindos?
- Sim, sim, já vi. Mas …quem são as senhoras e o que fazem ali paradas?
- São…são ….São senhoras que vendem na rua.
- Ah, sim?! Mas, vendem o quê? – pergunta, admirado, o garoto.
- Vendem... vendem.... Sei lá..... vendem um pouco de prazer!
O garoto começa a reflectir sobre o que o pai lhe disse e, quando chega a casa, abre o seu mealheiro com a intenção de ir comprar um pouco de prazer. Está com sorte! Pode comprar 25 Euros de prazer! No dia seguinte, vai ver uma prostituta e pergunta-lhe:
- Desculpe, minha senhora, mas pode vender-me 25 € de prazer, por favor?
A mulher fica admirada e, por momentos, não sabe o que dizer, mas como a vida está difícil, ela aceita, leva o garoto para sua casa e prepara-lhe seis tortas de morango.
Já era tarde quando o garoto chegou a casa. O pai, preocupado pela demora do filho, pergunta-lhe onde esteve. O garoto olha para o pai e diz:
- Fui ver as senhoras que nós vimos ontem, para comprar um pouco de prazer!
O pai fica amarelo!
- E.... e então.... como é que se passou?
- Bom, com as quatro primeiras não tive dificuldade. Com a quinta levei quase uma hora, tive que empurrar com o dedo, mas comi-a, mesmo assim. Com a sexta foi com muito sacrifício! No fim, estava todo lambuzado.... Até derramei creme por todo o chão, mas fui convidado a voltar amanhã.... Posso ir?

O pai caiu de costas.