quarta-feira, 3 de outubro de 2007

DES(EMPREGO)



Ao pegar hoje numa edição de um jornal diário, li em letras gordas, na primeira página, que a taxa de desemprego subiu mais em Portugal e está nos 8,3 por cento, o maior aumento da UE.
Veio-me logo à memória, e eu tenho memória de elefante, que uma das promessas do Eng.º Sócrates, durante a campanha, foi criar postos de trabalho, acho que 150.000, se não estou em erro.
Apesar de tantas promessas, o que é facto é que todos os dias o desemprego em Portugal aumenta e com ele o estado de carência de um povo cada vez mais sobrecarregado de impostos.
Qual é o balanço actual e qual vai ser o resultado no final do mandato, nesta matéria sensível que é o trabalho?
Não sei, não sabemos.
No entanto, sei que os investimentos deveriam ser dirigidos para criar riqueza, pois é a riqueza que cria novos empregos e faz aumentar o PIB.
A oferta de mão de obra em Portugal, é desqualificada. È urgente reconverter pessoas e formá-las, sobretudo aquelas com mais de 45 anos, porque Portugal é um país envelhecido onde a terceira idade, em termos laborais, começa aos 24 anos. Estou a lembrar-me que grande parte dos anúncios de oferta de emprego que se lêem nos jornais, são caricatos e referem como data limite os 24 anos, de preferência com experiência profissional.
Pelos dados fornecidos pelo EUROSTAT, só podemos concluir que o desemprego aumentou, ao contrário do que pretende José Sócrates e os seus apoiantes.
Estamos perante um fenómeno estrutural resultante das opções políticas e económicas que foram tomadas desde há muitos anos a esta parte.
Os dois partidos que se têm revezado no poder ao longo dos anos, têm toda a responsabilidade no aumento do desemprego. São responsáveis porque foram incapazes de criar condições que permitissem a melhoria do clima económico.
E o mais grave é que este fenómeno alimenta-se a si próprio. Quanto menor for o sector produtivo, menores serão as receitas para alimentar a despesa do Estado ou, inversamente, se se quiser manter o nível das receitas, mais gravoso será o ónus que pesará sobre o sector produtivo e sobre a sua competitividade.
O emprego no sector produtivo deveria ser privilegiado. Só esse emprego poderá agir como motor da economia. Grandes investimentos públicos geram empregos pontuais, mas quando desaparece o seu efeito, esse emprego desaparece quase totalmente. Em contrapartida, os encargos com esses investimentos ficam a pesar na despesa pública e travam o desenvolvimento do sector produtivo, degradando a sua competitividade. O mesmo sucede com o emprego público.
Tomemos o caso português. Em Portugal coexistem duas situações paradigmáticas – um “mercado” de trabalho absolutamente rígido, e um mercado completamente flexível, baseado nos “recibos verdes” e nos contratos precários. A existência deste último mercado tem sido a principal responsável pelo crescimento económico português. Quando as expectativas sobem, os empresários não têm dúvidas em aumentar o nível do emprego, porque sabem que, se essas expectativas se gorarem, poderão reduzir os seus efectivos. Sucede que, na maioria dos casos, essas admissões acabam por se tornar permanentes porque a economia estimulada pelas decisões desses empresários, cresceu o suficiente para assegurar a manutenção desse nível de emprego.
A falta de emprego ou a sua precariedade, sobretudo quando prolongada, acarreta consequências pessoais e sociais muito graves, que podem levar à “exclusão social”, e gera tensões sociais e conflitualidade social acrescida, propensão a comportamentos desviantes ou anomia social.

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