quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Je T'aime... Moi Non Plus

Hoje bateu-me a saudade e fui desafiar o meu amigo VTM, ali para os lados do Barreiro Velho.
Levei os meus velhos discos de vinil e fomos sentar-nos nas escadas da Igreja de Santa Cruz, onde outrora tangeram fados e guitarradas.
Ele olhou-me desconfiado quando viu que o disco que eu tinha na mão era o mesmo que ele ouvia nos seus tempos de jovem consciente. Sim, porque isto de ser jovem, antigamente tinha que se lhe dissesse. Ser jovem, naquele tempo, era ser adulto responsável.
Lá pus a tocar no meu velho gira-discos, a pilhas, o famoso disco que me valeu umas sapatadas do meu pai, no tempo em que as meninas só deviam tocar piano e falar francês.
Fiquei surpreendida quando o VTM se levantou e me convidou para dançar. Julgava-o um "pé de chumbo" mas afinal ele lá foi seguindo o compasso, levando-me por entre a melodia, como se tivessemos asas nos pés.
E dançámos, dançámos, sempre, até ao anoitecer.
Quando demos conta, não estávamos sozinhos. Faziam-nos companhia todos os nossos fantasmas de estimação.
Um deles trazia nas mãos "O Crime do Padre Amaro" e queria trocá-lo pelo meu disco de vinil.
O meu par afastou-o e pôs-se a cantar em voz alta.
De repente, alguém nos atirou com um balde de memórias e nós por ali ficámos, estáticos e em silêncio, enquanto a música continuava a tocar.

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