terça-feira, 2 de outubro de 2007

O SEGREDO



Chovia torrencialmente quando o rádio do carro deu a notícia da demissão de Gonçalo Amaral, investigador da Polícia Judiciária no Caso Maddie MacCann. Senti um arrepio.
Nunca fiz aqui qualquer comentário acerca deste caso mas as recentes notícias e consequente alteração do comportamento dos media e forças policiais britânicas e portuguesas, leva-me a tecer algumas considerações.
É hoje mais do que óbvio que fizeram deste caso, uma espécie de Portugal-Inglaterra. Acontece que neste "jogo", o árbitro foi comprado e parece que vale mesmo TUDO.
A "táctica" dos ingleses tem sido tudo menos lógica, imparcial e factual. Começaram por atacar com todas as armas a nossa Polícia Judiciária. Disseram cobras e lagartos: que não fechámos as fronteiras, não investigámos bem, não isolámos a área do crime, não fizemos as buscas certas, não falámos com as pessoas correctas, etc., etc.
Depois, quando os media portugueses começaram a levantar a hipótese de o casal MacCann estar envolvido no desaparecimento da filha, viraram-se todos contra os jornalistas portugueses. De um momento para o outro, os tablóides ingleses começaram a passar atestados de sensacionalista aos jornais portugueses.
Mas, pelos vistos, eram os portugueses que tinham razão.
Pouco tempo depois, a PJ constitui os pais de Madeleine arguidos, pelo crime de obstrução à justiça, e são suspeitos de ocultação de cadáver.
Estes regressaram a Inglaterra como estrelas de cinema e por lá andam na maior, beneficiando de um fundo criado às custas da pequena Maddie.
Por cá, contrataram Rogério Alves, Bastonário da Ordem dos Advogados, que por trinta dinheiros passou de “Olívia patroa” a “Olívia costureira” e Gonçalo Amaral, da Polícia Judiciária, foi despedido por ter posto a boca no trombone.
O país perdeu completamente o Norte. Temos um Bastonário que ao invés de se demitir, continua a acumular a sua condição de Bastonário com a de advogado da família MacCann, ao arrepio dos arrepios. Demite-se o investigador por este ser incómodo e ter posto em causa tudo aquilo que nos querem fazer acreditar.
Que segredo tão bem guardado será este?
Este caso vai continuar a dar que falar por muito tempo, apesar de haver já muita gente farta deste assunto. A investigação continua e o estatuto de arguido dos pais, pode durar até 8 meses. Até lá muita tinta vai ainda correr. Depois, no fim de tudo e pelo rumo que os acontecimentos levam, ficará a certeza de que este caso não passará apenas de um belo “case study”.

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