segunda-feira, 8 de outubro de 2007

O TELEFONEMA



O telefone tocou esta manhã.
Atendi e eras tu, que eu já esqueci.
Querias não sei o quê, de mim, e desliguei.
Estou sem pachorra para ti.
Deixa-me em paz! Pedi-te.
Que me queres agora?
Tu que tiveste todo o tempo do Mundo e a quem dei o melhor de mim.
Agora já é tarde demais para nós.
Podíamos ter sido mas não fomos.
Podíamos ter dito algo mais que um adeus e não dissemos.
Podíamos ter sido felizes mas nem sequer tentaste.
Podíamos ter arriscado e não o fizeste.
Fica um beijo, um abraço.
Fica um peito transbordante de saudade
Do que nunca me foi permitido viver contigo,
Porque não quiseste.
Por medo? Talvez...
Seguiremos agora caminhos opostos.
Foi o que escolheste.
Talvez um único caminho seja demasiado pequeno para os dois.
Mas, apesar de tudo, vou sentir-te a falta.
De verdade.
Tenho a certeza que me lembrarei muitas vezes de ti.
Chegou a hora de te deixar finalmente partir.
E eu sei que levas também um pouco de mim.
É apenas um fim. Tudo tem um fim.
Quem sabe, um dia?
Se não for pedir demais,
Aí dentro do teu peito, não me deixes morrer.
Pedirei sempre a um Deus que olhe por ti, que cuide de ti, que esteja a teu lado.
No fundo, o que eu um dia quis que fizesses por mim.
Mas não foste capaz.
Eu gostei muito de ti e não pensei que me doesse tanto dizer-te adeus.
Mesmo sabendo que já te foste embora há muito, muito tempo.
Ainda guardo no bolso o bilhete do barco.
Até um dia!
Já parti!

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