sexta-feira, 5 de outubro de 2007

O ZÉ DAS MEDALHAS



Nesta modorra que se vai arrastando por este Outono suado, nem a língua se me afia nem a vontade de escrever se apronta.
Às vezes, só ás vezes, algo me desperta, e mexe com o meu delicado sistema nervoso.
As comemorações nesta cidade, mais uma vez, (insistentemente, diria eu) fizeram o favor aos fatos e demais adereços das suas mais distintas damas e cavalheiros.
As “boutiques” de alta-costura, certamente juntaram mais umas contas ao seu já longo calvário (e as cabeleireiras também).
Pelo Restaurante Acordeon, montra excelsa da mais fina sociedade Barreirense, passaram ufantes, os beija-mão oficiais e demais entidades oficiosas.
Estoicamente e à intempérie, aguentaram a estocada em nome da tradição (que nisto de galas, festas e protocolos, ainda é a tradição que manda!).
Houve quem contasse!
Eu não!
Mas ao que parece, os mesários (aqueles que comem à mesma mesa), seriam mais de cinquenta.
Entre eles estava, distinto e aboletado, o medalhado, figura que na sua contribuição para a causa (neste caso o nosso concelho), se distinguiu pelo esforço, abnegação e dedicação, com que aportou saberes e mais valias várias, para o usufruto comunitário.
É aqui, no significativo deste último parágrafo, que “a porca torce o rabo”, ou que as evidências me titilam, na minha por vezes inconveniente massa cinzenta.
Então por que carga de água, ou decreto celestial, se honra publicamente em nome de uma cidade, figuras, estimáveis ou não, para o caso não interessa, que em nada, repito, NADA, contribuíram, por enquanto, para o bem comum da cidade a que respeita o galardão?
Alguns já adivinham. Estou a referir-me, é claro (já volto a duvidar da palavra Claro), ao representante polivalente de várias modalidades desportivas, espalhadas por esse mundo fora.
Sendo certamente das mais representativas, não serão concerteza das mais merecedoras de prebendas, honrarias e reconhecimento.
Do atleta tributado, desconheço os feitos. Apenas aqueles que têm circulado via tradição oral, potenciados por alguma imprensa on-line. E quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto.
Desconhecendo-o, reconheço não ser merecedor da homenagem que, afanosamente, alguém lhe entendeu por bem prestar.
Nesta feira de vaidades, resta-me perguntar:
- Será que a Região da Costa Azul tem dinheiro a menos e medalhas a mais, sobrantes do último "Barreiro Reconhecido"?
- Estarão eles a cumprir alguma espécie de pena absolutória de pretéritos pecados?
- Será que, de alguma forma, se trata de alguém que, subtilmente, tenta arregimentar apoios para o seu, cada vez mais periclitante, estatuto partidário?
A continuarem assim, ainda se arriscam a ter que medalhar-me, com propriedade, porque, apesar de tudo, tenho contribuído para que muitos blogs do Barreiro sejam lidos além fronteiras.
Ora vamos lá a pensar nisso. Isto de escrever, também tem muito que se lhe diga.

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