domingo, 25 de novembro de 2007

"MIOPIA"



O que levará os homens e as mulheres a usarem aqueles cordelinhos a que prendem os óculos para os trazerem ao pescoço?
Será por medo de os perderem, ou será por quererem chamar a atenção para o facto de estarem a ficar mais velhos?
Também costumo usar óculos, quando não ponho as lentes de contacto e acho bizarro o facto de nas reuniões, ter colegas que passam o tempo todo com os óculos nas mãos ou pendurados ao pescoço sem os porem uma única vez.
Brincam com eles, segurando-os pelas hastes o que me leva a concluir que os usam apenas como um acessório.
Também os grandes armazéns e lojas da especialidade, expõem os ditos cordelinhos junto dos acessórios de moda.
Acho que os óculos conferem a qualquer pessoa que tenha de usá-los, uma imagem de maior maturidade e como tal há que abusar do seu uso.
Recordo-me a esse propósito que as crianças são cruéis. Chamam aos colegas que usam óculos “caixa d’óculos”, mesmo que estes usem o tal cordelinho que lhes dá um ar chique e lhes retira a conotação negativa pelo facto de usarem óculos.
Eu cá sou como as crianças. Quando não gosto de alguém e se esse alguém usa óculos, é certo e sabido que leva o cognome de “míope”.
Odeio míopes.
A esses, nem o cordelinho salva, porque são míopes dos olhos e do juízo.
E então aqueles que papam hóstias e os outros que lhes lambem as botas, são míopes ao cubo.
Há míopes em todos os quadrantes da vida portuguesa. Uns mais do que outros mas regra geral todos são uns grandes sacanas oportunistas.
Meu Deus, faz com que a miopia não seja contagiosa. Deixa-me ficar apenas com a minha hipermetropia e o meu astigmatismo e não me deixes cair em tentação.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

A PATOLOGIA DO SER



Cada vez dou mais valor à decência, ao mesmo tempo que, cada vez mais, acho a decência uma das coisas que actualmente menos contam no dia a dia das pessoas.

Não que isto seja verdadeiramente novidade para mim, mas tenho sempre aquela ideia (esperança) de que tal como precisamos de uma forma para fazer um bolo, também muitas situações que atravessamos na vida precisam de uma forma. De preferência bem untada de valores que interiorizamos para que possamos desenformar o bolo sem precalços de monta.

A realidade, porém, é bem diversa. A cada dia que passa, a cada hora do dia, há mais e mais situações que me fazem pensar numa total inversão de valores e que a decência é substituída pela necessidade de ajuste a uma série de situações indecentes. Das mais intrincadas e importantes situações profissionais ao mais simples e comezinho café que se tome com um amigo ou colega, discutindo banalidades. Tanto numas como noutras situações, cada vez mais a indecência é uma forma de vida. Mais grave: não só forma de vida, como absolutamente vital para a sobrevivência.

Ontem, então, foi um dia indecente a cada minuto. Cheio de pequeninas coisas, manhas, artimanhas, jogos de cintura, mentirinhas, mentironas, sacanices, hipocrisias e uma tendência quase patológica para o maior desporto nacional – a filhadaputice militante, perdoe-se-me o termo.

Quando este tipo de situações vai incidir sobre terceiros, a coisa então torna-se-me insuportável.

Será que virei otária ou estarei a ficar com o coração mole?

Admito que fui ingénua, que substimei a falta de carácter da outra parte.

Mas uma coisa é certa: não vou morrer disso.

domingo, 11 de novembro de 2007

UM JANTAR COSMOPOLITA



Perguntaram-me os colegas estrangeiros, durante o jantar de S. Martinho, por que motivo o Primeiro Ministro de Portugal andava sempre eufórico e aos abraços nas Cimeiras e nas reuniões com os representantes dos outros países.

Embatuquei.

Por que será?

Vão ver que é um novo ritual de socialização, daqueles que os macacos fazem. Estes para serem aceites no grupo, põem-se a catar a piolhice do macho dominante.

Lá tive de traduzir também a célebre frase "Porreiro, pá!".

Eles riram-se mas eu não achei graça nenhuma.

No meu íntimo, não pude deixar de pensar: Se Portugal vai ser o rosto da Europa durante seis meses e esta ficou com cara de cú, por esse motivo, agora vamos ser também o papel higiénico da Europa, para o resto das nossas vidas.

Tudo isso graças aos abraços do nosso Primeiro Ministro e ao Tratado de Lisboa.

É fodido, pá!

sábado, 10 de novembro de 2007

O MAGUSTO



Hoje é mais uma véspera de S. Martinho.
Por estes lados, vou fazer a festa, deitar os foguetes e apanhar as canas, se fôr preciso.
Convidei alguns portugueses amigos e, como não podia deixar de ser, a maior parte dos meus colegas de trabalho, de outras nacionalidades.
Esta noite vou ter, como convidados, dois espanhois, cinco noruegueses, um alemão e uma nepalesa gaga.
O magusto terá início às oito da noite e prolongar-se-á madrugada dentro, até que todos estejam saturados da companhia uns dos outros.
É cansativo ter de pensar em português e falar outras línguas simultaneamente. Mas o exercício compensa porque ficamos sempre com a consciência de que somos capazes.
A ementa, essa, escolhi-a de acordo com as preferências dos lateiros portugueses: bacalhau assado na brasa, com batatas a murro, caldo verde e arroz doce para a sobremesa. O vinho será Muralhas de Monção e para quem preferir tinto, optei por um Periquita. Não bebo, mas sei escolher vinhos. É um talento inato. Talvez noutra encarnação eu tivesse sido uma grande "borrachola".
As castanhas serão comidas à ceia, assadas e cozidas com erva doce, conforme o gosto, acompanhadas com jeropiga verdadeira e ginjinha, mandadas vir de propósito de uma aldeia do Norte de Portugal.
Acrescentei o meu toque pessoal de servir a jeropiga e a ginjinha em chávenas de chocolate, o que confere um sabor requintado a ambas as bebidas. Se alguém nunca experimentou, que o faça, porque ficam simplesmente deliciosas.
Os meus amigos dizem sempre que gostam que seja eu a organizar os eventos, porque sou toda cheia de paneleirices requintadas, que sabem bem e fazem bem ao ego (deles, está claro), porque se sentem distinguidos pela forma como recebo toda a gente.
São sete horas e já tenho quase tudo pronto, para receber a "marabunta".
Acho que vai ser um sucesso.
Desejo a todos um Bom S. Martinho.