terça-feira, 20 de novembro de 2007

A PATOLOGIA DO SER



Cada vez dou mais valor à decência, ao mesmo tempo que, cada vez mais, acho a decência uma das coisas que actualmente menos contam no dia a dia das pessoas.

Não que isto seja verdadeiramente novidade para mim, mas tenho sempre aquela ideia (esperança) de que tal como precisamos de uma forma para fazer um bolo, também muitas situações que atravessamos na vida precisam de uma forma. De preferência bem untada de valores que interiorizamos para que possamos desenformar o bolo sem precalços de monta.

A realidade, porém, é bem diversa. A cada dia que passa, a cada hora do dia, há mais e mais situações que me fazem pensar numa total inversão de valores e que a decência é substituída pela necessidade de ajuste a uma série de situações indecentes. Das mais intrincadas e importantes situações profissionais ao mais simples e comezinho café que se tome com um amigo ou colega, discutindo banalidades. Tanto numas como noutras situações, cada vez mais a indecência é uma forma de vida. Mais grave: não só forma de vida, como absolutamente vital para a sobrevivência.

Ontem, então, foi um dia indecente a cada minuto. Cheio de pequeninas coisas, manhas, artimanhas, jogos de cintura, mentirinhas, mentironas, sacanices, hipocrisias e uma tendência quase patológica para o maior desporto nacional – a filhadaputice militante, perdoe-se-me o termo.

Quando este tipo de situações vai incidir sobre terceiros, a coisa então torna-se-me insuportável.

Será que virei otária ou estarei a ficar com o coração mole?

Admito que fui ingénua, que substimei a falta de carácter da outra parte.

Mas uma coisa é certa: não vou morrer disso.

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