segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

SOMOS ILHAS

"We are islands, but never too far..."

É uma verdade que constatamos todos os dias.

Fica a música para meditarmos sobre isso
.

sábado, 26 de janeiro de 2008

… Nos Longos Domingos Tristes da Europa


Diz à tua Mãe
que o menino branco
um dia há-de voltar
cheio de pobreza e de saudade
cheio de sofrimento
quase destruído pela Europa.
Ele há-de voltar para se sentar à tua mesa
e voltar a comer contigo e com teus irmãos
e meus irmãos
aquela moambada de domingo
com quiabos e gengibre
aquela moambada que nunca mais esqueci
nos longos domingos tristes e invernais da Europa
ou então
aquele calulu
de dona Ema.


Parte do poema “Infância Perdida” de Ernesto Lara Filho

UM HOMEM COM "ELES" NO SÍTIO




MARINHO PINTO PÔS A "BOCA NO TROMBONE".

"QUID IURIS"?

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

MENTIRAS SINCERAS



Amiudadas vezes dizemos: "Se tu o dizes eu acredito". Depois, passado algum tempo, percebemos que, na verdade, não acreditamos.

Também não podemos forçar-nos a acreditar.

Ou se acredita, ou não.

Os intelectualmente falidos do costume, muito têm destilado mentiras que vão apresentando como se fossem verdades insofismáveis.

O Camarada Presidente do Comité Central rejubila de "felicidade de estar a viver um momento histórico tal como foi o 25 de Abril".

Ó suprema felicidade de ver a sua terra pobre, ficar ainda mais pobre.

Ó supremo bem de ver os pequenos e médios empresários do comércio tradicional, falidos, sem cheta, à míngua da caridade e da Segurança Social.

Venham as lojas de marca, criem-se postos de trabalho a preencher por pessoal de fora da cidade, de preferência espanhois.

Mandem-se centenas de trabalhadores para o desemprego para se criarem mil postos de trabalho directos e dois mil indirectos, destinados aos amigos e benfeitores, de preferência com filiação partidária.

Construam-se rotundas para enganar o povo e para justificar o esbanjamento de verbas.

Chamem-se arquitectos espanhois porque os portugueses são uma merda e nem merecem sequer ir a concurso público para aquisição de serviços.

Faça-se contratos com lojas de marca porque as lojas tradicionais não são dignas de figurar no novo Forum.

Faça-se do Mercado 1.º de Maio um novo Mercado do Bolhão, virado para a especulação imobiliária e para o lucro fácil.

Cavem-se fossos para estacionamento de automóveis, a pagar balúrdios à hora.

Alarguem-se os passeios para que a comandita passe, vestida de libré e montada em cavalos de troia.

Plantem-se árvores para que os pobres possam morrer na sua sombra.

Eles mentiram, eles continuam a mentir descaradamente.

sábado, 19 de janeiro de 2008

"A-VERDADEIRA"



Vários amigos e conhecidos têm-me desafiado para contar coisas sobre mim, neste meu blog.
A escolha deste "nick name" é uma história tão engraçada, que não resisto a contá-la aqui.
Na vida real, muitas vezes não gostamos do nome que os nossos pais nos puseram, mas carregamo-lo a vida toda quer queiramos, quer não. Assim sendo e se o mudasse agora, nesta altura da minha vida (devo estar na pré-adolescência), poderia vir a ser responsável por algum trauma difícil de controlar no futuro. Esta coisa das identidades tem muito que se lhe diga. Quem sabe, quando chegar à idade adulta...
Mas como ia dizendo, a história da “Verdadeira” é muito simples de contar. Não há duas sem três e, apesar de detestar o meu nome, tenho consciência que não sou a única a usá-lo. Comprovei-o quando no meu local de trabalho apareceu uma outra colega com a mesma graça.
O curioso da questão é que os outros colegas, de cada vez que se referiam em particular à minha pessoa, diziam sempre: “A Verdadeira”. Nunca consegui entender o porquê e levei a coisa para o facto de a antiguidade ser um posto e, por esse motivo, me considerarem “a genuína” como se a outra colega fosse uma espécie de imitação.
“A- Verdadeira” nasceu nas caixas de comentários de outros blogs. Alguns já não existem. Outros, já não os visito. À medida que fui crescendo, descobrindo, amadurecendo, passei a ser muito mais criteriosa nas escolhas de leitura.
O primeiro blog que li, tal como tantos outros que por aqui andam hoje, foi "O meu Pipi". A propósito disso, tenho uma história hilariante, uma peripécia muito saborosa de entre várias que me têm acontecido ao longo da minha vida de moçoila divertida e irreverente. Na presença da minha melhor amiga e falando ao telefone com o marido dela (a quem eu tinha apresentado o blog) perguntei-lhe – “Já foste hoje ao Meu Pipi?”. Enfim ... não calculam a bronca que eu arranjei nesse dia. Equívocos desfeitos, lá consegui manter a amizade. A par de "O meu Pipi", eu ia lendo e ajavardando o “ Barreiro Velho”, para desespero do meu amigo VTM.
Quando já navegava bem pela blogosfera, descobri um Blog de um colega, onde fui desafiada a “postar”. Foi das experiências mais ricas e divertidas que vivi. Aceitei o desafio para vestir a pele de um homem e assinei alguns textos como tal. Uma "fraude" tão divertida como difícil. Mas ficou o bichinho de “ postar”.
Foi então que “conheci” os blogs do Kira, do Dr. Carlos Alberto Correia, do Vladimiro, do Dr. Cabós Gonçalves, do Jorge Santos e de alguns outros com quem tenho alguma empatia. Comentadora militante nesses espaços de bons textos e boa disposição, fui alimentando a minha vontade de descobrir como era isto dos blogs, acabando eu própria por criar e conquistar o meu espaço, a pedido de alguns amigos que gostam de ver o circo pegar fogo.
Hoje, no meio deste grupo de pessoas fantásticas, com quem eu rio, discuto, partilho e com quem me comovo às vezes, encontrei novos amigos. Amigos que já passaram, há muito, do virtual para o real.
Por isso, hoje vou ficar por aqui com a certeza de que a amizade existe.
Beijokas com todos os sabores possíveis e imaginários.

O BALÃO



Um homem que se deslocava num balão de ar quente, a dada altura compreendeu que se encontrava perdido. Decidiu então reduzir a altitude.

Já próximo do solo, avistou uma mulher e interpelou-a nestes termos:

Peço desculpa de a importunar, mas será que a Senhora podia ajudar-me?
Estou perdido. Prometi a um amigo que me encontraria com ele há uma hora atrás, mas a verdade é que não sei onde estou.

A mulher em baixo respondeu-lhe:

O Senhor encontra-se num balão de ar quente que paira no ar a cerca de 8 metros acima do solo. A sua posição situa-se entre os 40 e 41 graus de latitude Norte e entre os 59 e 60 graus de longitude Oeste.

A Senhora é de certeza uma funcionária pública - disse o balonista.

- De facto sou funcionária pública. Como é que adivinhou? - perguntou a mulher admirada.

- Bom - disse o balonista - tudo o que me disse é muito burocrático, formal e com um sentido obscuro. Até pode ser tecnicamente correcto, mas não resolve o meu problema. A verdade é que eu não sei o que fazer com a informação que me deu e continuo a não ter a mínima ideia onde me encontro.
Continuo perdido. Para ser franco, não me ajudou em nada. Se alguma coisa daqui resultou, foi que a Senhora só contribuiu para atrasar a minha viagem.

A mulher respondeu - O Senhor deve ser um ministro.

Na verdade, sou o Primeiro Ministro - disse o balonista - mas como é que descobriu?

- Fácil - disse a mulher - o Senhor não sabe onde está nem para onde vai.
Atingiu a posição onde se encontra com uma grande dose de ar quente.
Fez uma promessa e não tem a mínima ideia como a vai cumprir.
Espera e pretende que pessoas que estão abaixo de si resolvam o seu problema. A realidade é que o Senhor está exactamente na mesma posição em que se achava antes de me encontrar, mas agora, vá-se lá saber porquê, isso é culpa minha!...

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

NÃO SÃO ROSAS, MEUS SENHORES!



Sob o lema “habituem-se” e como uma “chicotada psicológica”, o Governo de José Sócrates, mais uma vez, prepara-se para agitar o país para “tempos de mudança”.
Podemos supor que chegou agora a vez de uma nova estratégia, para pior, através da alteração da lei eleitoral para as autarquias.
E porque só a inteligência humana é limitada (a estupidez humana infelizmente não tem limites), resolveu atirar poeira aos olhos dos portugueses, pensando que estes são uns idiotas.
Também o Presidente do PSD, Dr. Luís Filipe Menezes, se congratula com o acordo entre PS e PSD, acerca da Nova Lei Eleitoral das Autarquias, garantindo que este acordo "satisfaz e orgulha" o partido e que ”foi dado um passo em frente”.
Atendendo a que as bases dos partidos em questão não foram ouvidas acerca do assunto e a discussão não se generalizou, tal passo em frente representa a queda num abismo profundo para onde foram atirados todos os valores de um Estado de Direito.
A lamentar igualmente é o facto de no acordo estar firmado que os Presidentes de Junta (eleitos indirectos das Assembleias Municipais) perderão a capacidade de voto nas Assembleias Municipais. Se isto não é um revés na política autárquica local dos últimos 33 anos, então o que será?
Só falta mesmo começar a mandar fuzilar os Presidentes das Juntas de Freguesia.
PS e PSD juntaram-se, mais uma vez, e tudo indica que é para continuar.
Estamos perante um atentado grosseiro à democracia e às conquistas do 25 de Abril.
Este pacto entre PS e PSD visa alterar e manipular os votos livremente expressos pelos cidadãos, cujo objectivo é bipartidarizar as eleições locais entre o PS e PSD, retirando e anulando todas as vozes incómodas.
Tal é a podridão a que chegámos e tal será o destino dos homens livres, se nada fizerem: o da fogueira, queimados por dizerem aquilo que todos sabemos, por revelarem aquilo que nos vai destruindo por dentro como nação, mas que não temos coragem para enfrentarmos.
Que o ano de 2008 nos devolva a esperança de que este estado de coisas possa definitivamente mudar.
Está nas mãos de cada um, no ano de 2009.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

UM CORAÇÃO COM ROSTO



Falando de cidadania, neste tempo tão conturbado, não posso deixar de pensar que, apesar de ser um conceito que remonta à antiga Grécia e que em Roma tinha o sentido específico de inclusão social, nos tempos que correm, é muito difícil ser-se cidadão de plenos direitos e deveres.
Vem isto a propósito de há pouco ter lido que o cidadão Cabós Gonçalves, Barreirense de gema, se encontra nomeado para o Rosto do Ano 2007, na vertente cidadania.
As teorias da cidadania são importantes na medida em que todas as instituições democráticas desmoronar-se-iam se os cidadãos não possuíssem certas virtudes, tais como um espírito cívico e uma grande boa vontade para com o seu próximo.
Quando dizemos que vivemos em democracia, esquecemo-nos quase sempre de considerar que antes de sermos democratas nascemos cidadãos. Uma boa democracia só o será se os seus eleitores não forem apáticos, intolerantes, xenófobos, racistas e incumpridores.
A saúde de uma democracia depende não apenas da estrutura das suas instituições mas também das qualidades dos seus cidadãos: por exemplo, da sua lealdade, integridade, tolerância e pela forma como encaram as identidades nacionais, sejam elas políticas, étnicas ou religiosas, potencialmente rivais.
Na sua luta pela deslocalização, a contento, do Mercado da Verderena, Cabós Gonçalves revelou ser um cidadão de mão cheia porque, ao levantar a questão, teve a capacidade de chamar a atenção para o problema e fazer com que o mesmo fosse resolvido com rapidez, contribuindo para que dezenas de famílias de feirantes não vissem o seu futuro seriamente comprometido por um capricho de uma edilidade insensível às necessidades básicas e aos direitos de quem é pobre, iletrado e precisa de trabalhar.
Não vi mais ninguém avançar para defender aquela gente. Até os do seu partido se demarcaram, salvo três ou quatro excepções que, timidamente, referiram nos seus blogues que apoiavam Cabós Gonçalves e o Mercado. Mas ficaram-se por aí.
Deste modo, pela sua capacidade de conviver com pessoas muito diferentes de si mesmo, pela sua participação activa na vida pública, pela sua boa-vontade, pela sua moderação e sobretudo pelo seu grande coração, considero o cidadão Cabós Gonçalves digno merecedor da nomeação Rosto 2007, na vertente cidadania.
Para ele, os meus melhores votos.

A rosa é para si.
Que seja sempre feliz!

sábado, 12 de janeiro de 2008

MOMENTOS DE MERDA



Chegámos ao início de mais um ano, desta feita bissexto. Sou um pouco supersticiosa a esse respeito e, embora a astrologia diga que as pessoas nascidas sob o meu signo vão ter um ano excelente, com uma estrela que os guiará num caminho de plenas realizações, eu acredito que para grande parte dessas pessoas, tal não irá ser possível.
E não será possível, porquê?
Porque os arianos que vivem em Portugal, esse país que já foi grande e que hoje é a vergonha de todos aqueles que têm orgulho na sua história de antanho, não têm projecto de vida, nem tampouco vislumbram uma luz ao fundo do túnel.
Estamos num país em que as oportunidades são só para aqueles que podem pagar ou que têm um universo de amigos influentes, com o condão de lhes encurtar a via sacra. É uma espécie de clube em que pobre não entra e, se entrar, é porque já pagou a dobrar.
Quando vinha do aeroporto para casa, durante o percurso, fui reparando na série de Pais Natal alpinistas, pendurados nas varandas. Uns maiores, outros mais pequenos, mas todos eles com algo em comum: Made in China.
Não consegui deixar de pensar no que motiva as pessoas a adoptar crenças e costumes que não lhes pertencem.
Acho que Portugal se tornou um país atípico, com um Governo atípico.
Com esta história das festas de Natal e de Fim de Ano, tenho passado mais tempo na casa de banho que é o meu local de eleição para pôr em dia as minhas leituras. Os distúrbios alimentares têm-me proporcionado bons momentos de leitura e de reflexão que de outra forma não poderia desfrutar, dado a minha limitação em termos de tempo.
Foi num desses momentos de reflexão que tomei conhecimento, incrédula, através de um daqueles jornais fornecidos à borla, que não iria haver referendo e que a Assembleia da República iria "ratificar" o Tratado de Lisboa.
Não que eu duvidasse que mais uma vez José Sócrates mentiu ao Zé Povinho mas porque achei imperdoável que a nossa comunicação social não saiba que a Assembleia da República não ratifica Tratados Internacionais, apenas os aprova, sendo a ratificação uma competência constitucional do Presidente da República. Trata-se de uma questão elementar de Direito Internacional que os orgãos de comunicação social demonstram ignorar e isso é grave porque quem faz notícias não as pode pôr cá para fora de forma leviana e ignorante.
Outra tirada hilariante foi aquela frase sobre o aeroporto de Alcochete: "decisão provisória". Fiquei a saber que em Portugal as decisões são todas provisórias e por lá se mantêm até que alguém se lembre de retomar a questão e torná-las efectivamente decisões, na verdadeira acepção da palavra.
Enfim...
Vou continuar a ter os meus momentos de reflexão e a dar voltas ao miolo para tentar compreender por que motivo algumas coisas que se passam em Portugal já não acontecem em nenhum outro país do mundo.
Até lá vou ficar na minha: que se lixe o Darfur enquanto em Portugal houver crianças maltratadas, com fome e a passar mal.
Que sejamos mais solidários com aquelas pessoas que precisam, que passam todos os dias por nós e que teimamos fingir que não as vemos.
Que todos possamos ter, uma vez na vida, um momento de reflexão.
Que todos sejamos pessoas.



ORAÇÃO - REZAR DURANTE NOVE DIAS, COM UMA VELA ACESA E DEPOIS PUBLICAR



Meu rico Santo António
Meu Santinho Milagreiro
Vê se levas o Zé Sócrates
P´ra junto do Sá Carneiro

Se puderes faz lá um esforço
Porque o caminho é penoso
Aproveita a viagem
E leva o Durão Barroso

Para que tudo corra bem
Faz-nos lá essa benesse
Faz uma limpeza geral
E leva também o PS

P’ra que não fiquem a rir-se
Os senhores do PSD
Mete-os no mesmo carro
Juntamente com os do PCP

Porque as viagens estão caras
E as estradas andam tortas
Para rentabilizar o percurso
Não deixes cá ficar o Paulo Portas

Para ficar tudo limpo
E purificar bem a coisa
Arranja por lá um cantinho
E leva o Jerónimo de Sousa

Como estamos em democracia
Embora não pareça, às vezes
Aproveita o transporte
E leva também o Menezes

Se puderes faz esse jeito
Transporta-os sem afã
Leva-os para bem longe
E não te esqueças do Louçã.

Porque são todos matreiros
E vivem à base de golpes
Faz-nos lá um favorzinho
E leva o Santana Lopes

Isto chegou a tal ponto
E vão as coisas tão mal
Que só varrendo essa gente
Se salvará Portugal

VOLTEI!



Estou de volta a este país adiado e não gosto do que tenho visto.

As pessoas andam tristes, estão pobres, sem saúde, o dia a dia é uma tempestade permanente e a bonança tarda.

Os incompetentes estão todos no Governo e cada dia que passa é mais um dia para esquecer.

Até quando?