terça-feira, 22 de janeiro de 2008

MENTIRAS SINCERAS



Amiudadas vezes dizemos: "Se tu o dizes eu acredito". Depois, passado algum tempo, percebemos que, na verdade, não acreditamos.

Também não podemos forçar-nos a acreditar.

Ou se acredita, ou não.

Os intelectualmente falidos do costume, muito têm destilado mentiras que vão apresentando como se fossem verdades insofismáveis.

O Camarada Presidente do Comité Central rejubila de "felicidade de estar a viver um momento histórico tal como foi o 25 de Abril".

Ó suprema felicidade de ver a sua terra pobre, ficar ainda mais pobre.

Ó supremo bem de ver os pequenos e médios empresários do comércio tradicional, falidos, sem cheta, à míngua da caridade e da Segurança Social.

Venham as lojas de marca, criem-se postos de trabalho a preencher por pessoal de fora da cidade, de preferência espanhois.

Mandem-se centenas de trabalhadores para o desemprego para se criarem mil postos de trabalho directos e dois mil indirectos, destinados aos amigos e benfeitores, de preferência com filiação partidária.

Construam-se rotundas para enganar o povo e para justificar o esbanjamento de verbas.

Chamem-se arquitectos espanhois porque os portugueses são uma merda e nem merecem sequer ir a concurso público para aquisição de serviços.

Faça-se contratos com lojas de marca porque as lojas tradicionais não são dignas de figurar no novo Forum.

Faça-se do Mercado 1.º de Maio um novo Mercado do Bolhão, virado para a especulação imobiliária e para o lucro fácil.

Cavem-se fossos para estacionamento de automóveis, a pagar balúrdios à hora.

Alarguem-se os passeios para que a comandita passe, vestida de libré e montada em cavalos de troia.

Plantem-se árvores para que os pobres possam morrer na sua sombra.

Eles mentiram, eles continuam a mentir descaradamente.

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