segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

UM CORAÇÃO COM ROSTO



Falando de cidadania, neste tempo tão conturbado, não posso deixar de pensar que, apesar de ser um conceito que remonta à antiga Grécia e que em Roma tinha o sentido específico de inclusão social, nos tempos que correm, é muito difícil ser-se cidadão de plenos direitos e deveres.
Vem isto a propósito de há pouco ter lido que o cidadão Cabós Gonçalves, Barreirense de gema, se encontra nomeado para o Rosto do Ano 2007, na vertente cidadania.
As teorias da cidadania são importantes na medida em que todas as instituições democráticas desmoronar-se-iam se os cidadãos não possuíssem certas virtudes, tais como um espírito cívico e uma grande boa vontade para com o seu próximo.
Quando dizemos que vivemos em democracia, esquecemo-nos quase sempre de considerar que antes de sermos democratas nascemos cidadãos. Uma boa democracia só o será se os seus eleitores não forem apáticos, intolerantes, xenófobos, racistas e incumpridores.
A saúde de uma democracia depende não apenas da estrutura das suas instituições mas também das qualidades dos seus cidadãos: por exemplo, da sua lealdade, integridade, tolerância e pela forma como encaram as identidades nacionais, sejam elas políticas, étnicas ou religiosas, potencialmente rivais.
Na sua luta pela deslocalização, a contento, do Mercado da Verderena, Cabós Gonçalves revelou ser um cidadão de mão cheia porque, ao levantar a questão, teve a capacidade de chamar a atenção para o problema e fazer com que o mesmo fosse resolvido com rapidez, contribuindo para que dezenas de famílias de feirantes não vissem o seu futuro seriamente comprometido por um capricho de uma edilidade insensível às necessidades básicas e aos direitos de quem é pobre, iletrado e precisa de trabalhar.
Não vi mais ninguém avançar para defender aquela gente. Até os do seu partido se demarcaram, salvo três ou quatro excepções que, timidamente, referiram nos seus blogues que apoiavam Cabós Gonçalves e o Mercado. Mas ficaram-se por aí.
Deste modo, pela sua capacidade de conviver com pessoas muito diferentes de si mesmo, pela sua participação activa na vida pública, pela sua boa-vontade, pela sua moderação e sobretudo pelo seu grande coração, considero o cidadão Cabós Gonçalves digno merecedor da nomeação Rosto 2007, na vertente cidadania.
Para ele, os meus melhores votos.

A rosa é para si.
Que seja sempre feliz!

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