segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

ALDA LARA ( 09-06-1930 / 30-01-1962)



Nascida em Benguela, Angola, aos 09.06.1930, estudou em Portugal onde se licenciou em Medicina pela Universidade de Coimbra.

Morreu aos 30-01-1962, em Cambambe, Angola, enquanto dava à luz o seu quarto filho.

Casada com o escritor Orlando Albuquerque, também médico, este fez publicar toda a sua obra postumamente.

A sua poesia é um hino à Humanidade.

Todos nós, Benguelenses, prestamos tributo à sua memória e à sua obra.

Destaco o poema "Testamento" que não sei por que carga de água foi modificado quando cantado por fadistas portugueses.

Em vez de "prostituta mais nova" cantaram "rapariga mais nova", o que retira completamente a alma ao poema.

Nós, angolanos, abominamos que tenham adulterado os versos da nossa poetisa.


"TESTAMENTO

À prostituta mais nova
Do bairro mais velho e escuro,
Deixo os meus brincos, lavrados
Em cristal, límpido e puro...
E àquela virgem esquecida
Rapariga sem ternura,
Sonhando algures uma lenda,
Deixo o meu vestido branco,
O meu vestido de noiva,
Todo tecido de renda...
Este meu rosário antigo
Ofereço-o àquele amigo
Que não acredita em Deus...
E os livros, rosários meus
Das contas de outro sofrer,
São para os homens humildes,
Que nunca souberam ler.
Quanto aos meus poemas loucos,
Esses, que são de dor
Sincera e desordenada...
Esses, que são de esperança,
Desesperada mas firme,
Deixo-os a ti, meu amor...
Para que, na paz da hora,
Em que a minha alma venha
Beijar de longe os teus olhos,
Vás por essa noite fora...
Com passos feitos de lua,
Oferecê-los às crianças
Que encontrares em cada rua... "

Alda Lara


ALDA LARA - GRANDE POETISA ANGOLANA



PRELÚDIO

Pela estrada desce a noite
Mãe-Negra, desce com ela...
Nem buganvílias vermelhas,
nem vestidinhos de folhos,
nem brincadeiras de guisos,
nas suas mãos apertadas.
Só duas lágrimas grossas,
em duas faces cansadas.
Mãe-Negra tem voz de vento,
voz de silêncio batendo
nas folhas do cajueiro...
Tem voz de noite, descendo,
de mansinho, pela estrada...
Que é feito desses meninos
que gostava de embalar?...
Que é feito desses meninos
que ela ajudou a criar?...
Quem ouve agora as histórias
que costumava contar?...
Mãe-Negra não sabe nada...
Mas ai de quem sabe tudo,
como eu sei tudo
Mãe-Negra!...
Os teus meninos cresceram,
e esqueceram as histórias
que costumavas contar...
Muitos partiram p'ra longe,
quem sabe se hão-de voltar!...
Só tu ficaste esperando,
mãos cruzadas no regaço,
bem quieta bem calada.
É a tua a voz deste vento,
desta saudade descendo,
de mansinho pela estrada...

ALDA LARA - Lisboa, 1951 (Poemas, 1966)

domingo, 24 de fevereiro de 2008

A TURMA



A PROFESSORA ARMINDA E A MADRE MARGARIDA ATURAVAM-NOS CADA UMA...

S. JOSÉ DE CLUNY - O MEU COLÉGIO



LUANDA - SAUDADES QUE VOLTAM, SEMPRE QUE A MEMÓRIA ACORDA.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

O HOMEM DO VINHO



Vinho, esse precioso néctar, que fala sempre verdade, inspirador de poetas e da arte do relacionamento, a bebida mais higiénica e saudável de todas, segundo Louis Pasteur.

Quando se critica o preço praticado nos restaurantes, esquecemo-nos por vezes de considerar a relação preço/qualidade. Sim, porque se não queremos beber qualquer "morraça", a qualidade paga-se.

Todos nós sabemos que os preços dos vinhos comuns estão indexados à produção do vinho do Porto, porque não existe consenso entre os produtores desses vinhos e os produtores do vinho do Porto, que utilizam na sua produção a aguardente vínica, que é caríssima.

Em tempos, alguns deputados do PS levantaram essa questão dos preços dos vinhos, mas é de estranhar, já que têm a maioria e, com isso, a faca e o queijo na mão, para que seja aprovada legislação sobre o assunto.

Sítios há onde o vinho pode ser servido mais barato: nos bares de algumas associações, colectividades e partidos políticos.

No Barreiro é preciso ter cuidado com o vinho. O que está a ser servido na célebre campanha que termina dia 8 de Março de 2008, é um vinho comum, desencorpado, trepador, cuja única finalidade é a de "fazer boca" aos espertalhaços que contam com a ingenuidade dos provadores.

Por isso, nada de consumir vinho só pelo rótulo, qualquer que seja a proveniência, porque não há coisa pior que uma ressaca.

E de ressacas andamos nós fartos.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

ROUPA SUJA



Aproxima-se o dia das limpezas na Miguel Bombarda.

Estão todos numa azáfama, a ver quem fala mais mal deste ou daquele candidato, deste ou daquele Partido.

E o Bairro das Palmeiras volta, assim, à ribalta.

De repente, todos se interessam, de novo, pela sua requalificação e pelo Projecto Prohabita que nunca foi projecto naquela zona, porque foi morto e enterrado por eles próprios.

Ó suprema hipocrisia e distinta lata de quem tudo faz para atingir fins, não olhando a meios.

Em todas as campanhas "choram" baba e ranho pelo Bairro das Palmeiras mas o Bairro, passada a "onda", lá continua na mesma e a degradação também, para desespero das pessoas de bem que nele habitam.

O Bairro das Palmeiras é o "bombo" da festa daqueles que NADA FIZERAM pelo Barreiro.

Ideias, não há.

E como não há ideias, há que trilhar o caminho mais fácil: lavar roupa suja e defender a recuperação do Bairro, como se este lhes interessasse para alguma coisa.

Estamos fartos!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

MAIS UMA VITÓRIA!



SOMOS OS MAIORES!

BENFICA, SEMPRE!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

FELIZ ANIVERSÁRIO!



Completa hoje mais um aniversário, o Dr. Cabós Gonçalves.

Para ele vão os meus votos sinceros de longa vida e que continue a ser o lutador de causas, o cidadão empenhado que tem sido ao longo de toda a sua vida.

Que seja Feliz!

Um carinhoso abraço.

As rosas são para si.

BALADA DOS OLHOS LINDOS



"balada dos olhos lindos


se eu pudesse olhos bonitos queria
ser teu trovador

eu dantes tinha um cavalo todo
branco e tão vaidoso que era cavalo
de sonho como de sonho era
a espada e com ela as aventuras em que vencia
gigantes um dia
encontrei olhos
bonitos sem par

fui montar
em meu cavalo fui buscar
a minha espada dei-te
um castelo de nuvens o mais lindo
alaúde fui buscar-te e
cinco cisnes foram pousar-te
à porta

os teus olhos lindos lindos
tudo olharam sem ver

é por isso olhos
bonitos que não sou
teu trovador"


Autor: Carlos Alberto Correia

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

PAS DE DEUX



A dança vai começar.

Organizaram-se em pares, ensaiaram os passos e escolheram as vestes.

Un, deux, trois, voilá!

A música começa ao som do papalvo militante, como instrumento de sopro.

E o papalvo lá vai rodopiando, rodopiando.

Un deux, trois, voilá!

Mancebos e donzelas, velhos e velhas na dança.

O disfarce é perfeito.

Do velho se fez novo.

Com o novo se engana o povo.

Un, deux, trois, voilá!



domingo, 17 de fevereiro de 2008

O RESORT



Esta coisa de se ser solidário e ser distinguido por isso, tem muito que se lhe diga, porque dá uma trabalheira do caneco, aturar velhos ranhosos e pelintras.

A solução está à vista e é a criação de um resort de luxo, com restaurante "à la carte" e um SPA, onde ficarão alojados todos os idosos ricaços cujas famílias se queiram ver livres deles por bom preço.

"Mas é evidente que isto paga-se". "Não podemos ter um serviço deste e perder dinheiro".

Depois há a outra vantagem: o aumento de funcionários de 230 para 340.

Pessoal, toca a filiar no PS do Barreiro, em vez da inscrição no IEFP. O lugar fica assim garantido e há a hipótese de integrar também as listas para a Concelhia.

Eu, pela parte que me toca, vou tirar do baú aquele fio dental, que já não uso, para emprestar a uma daquelas velhinhas casadoiras, para os banhos de sol no terraço.

Depois, há que promover casamentos entre os idosos porque se um deles morrer, o outro fica com metade da sua aposentação e sempre é mais algum para ajudar a pagar os "cuidados continuados".

Isto é o que se chama de verdadeira solidariedade.

AVISO - VÍRUS TROJAN HORSE



Têm aparecido nas minhas caixas de "comments" e eu tenho apagado, mensagens provenientes de supostos blogues escritos em inglês, que apelam à curiosidade das pessoas com a simples frase "see here" (veja aqui).

No meu correio electrónico acontece a mesma coisa.

Só quero avisar os meus leitores que não caiam na "esparrela", porque são vírus altamente poderosos que contaminam o PC.

Quem os tem mandado, esquece-se que sou uma pessoa avisada e entendida nestas coisas.

Por isso, meu querido ou minha querida, está a perder o seu tempo a tentar "acabar" comigo.

Boa tentativa, mas não colou.

Beijokas para o "Ivan" e para a "Malebei" e para a próxima sejam mais criativos.

Detesto gente burra!

sábado, 16 de fevereiro de 2008

FUTEBOLICES



Viajavam no mesmo compartimento de um comboio, um português, um grego, uma loira espectacular e uma gorda enorme.

Depois de uns minutos de viagem, o comboio passa por um túnel e ouve-se uma chapada.

Ao saírem do túnel, o grego tinha um vermelhão na cara.

A loira espectacular pensou: Este parvalhão do grego queria apalpar-me, enganou-se, apalpou a gorda e ela deu-lhe uma valente chapada.

A gorda enorme pensou: O filho da mãe do grego apalpou a loira e ela mandou-lhe uma chapada.

O grego pensou: Este sacana do português apalpou a loira, ela enganou-se e mandou-me uma chapada.

E o português pensou: Oxalá venha outro túnel para poder mandar mais uma chapada ao grego!!

É assim.

O futebol deixa marcas!...

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

AS JURADAS




Está descoberto o "mistério" sobre a atribuição da distinção Rostos do Ano 2007, na área da Solidariedade, à Santa Casa da Misericórdia do Barreiro.

O Júri foi composto por um grupo de loiras.

MANNEKEN-PIS



Adoro Bruxelas.

Quando vou, faço os possíveis por me demorar sempre mais um dia ou dois, do que estava previsto.

A Grand Place, imponente, faz-me bem ao olhos e ao espírito.

Bruxelas poderá ser confundida com a Grand Place, mas tal injunção é uma malvadeza.

Não devemos caír em redutivismos.

Pensemos no Menino Mijão (Manneken-Pis), ex-libris de Bruxelas.

Com os seus mais de 731 trajes, é, sem dúvida, a atracção turística mais procurada em toda a Bélgica.

Habituei-me a pensar que o Manneken-Pis me dá sorte, de cada vez que visito Bruxelas e o encontro vestido com uma das suas diversas roupas.

A tal ponto, que fico numa grande ansiedade até chegar perto dele.

Um dia cheguei e ele estava todo nuzinho a fazer o seu chi-chi. Nisto chegou o funcionário com umas roupas ucranianas e vestiu-o à frente de toda a gente.

Fiquei a pensar se não teria sido por minha causa.

Nesse dia, obtive mais uma vitória.

Enfim, superstições...

HÁ IMAGENS QUE VALEM POR MIL PALAVRAS



Foi o melhor presente no dia de S. Valentim.

S.L.B., forever!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

I HATE S. VALENTINE'S DAY!



É uma seca para mim, este dia.

Recebo flores, sem gostar de receber flores.

Sempre achei que as flores também têm alma e sentem, quando são arrancadas.

Por isso detesto que me ofereçam flores.

Depois vem o stress.

Sim, aquele stress originado por não querer compromissos de maior.

Receber flores pode indicar que estamos afim de algo que no fundo não queremos.

Por outro lado, é falta de educação rejeitar.

Mas eu lá recebo as flores e devolvo os presentes.

Não sei porquê, devolvo sempre os presentes neste dia.

Devolvi um coração de cristal

Porque não acredito.

Detesto o dia de S. Valentim!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

O ROSTO DE MONSIEUR LAPALISSE



Apesar de não ser fumadora, nestes pequenos intervalos que faço, para arejar as ideias, não posso, nunca, deixar de pensar em tudo o que me rodeia.

Por vezes sou forçada a fazer juízos de valor, porque há coisas que já não consigo entender muito bem.

Estava um destes dias a escrever um "post" sobre o Dr. Cabós Gonçalves e o facto de ter sido eleito o Rosto do Ano na vertente cidadania, quando simultaneamente me veio à ideia a nomeação do Rosto do Ano 2007, na vertente solidariedade.

Não consegui reprimir uma daquelas gargalhadas que só eu sei dar e que contagiam e despertam a curiosidade de quem estiver por perto.

Como não tive tempo para escrever sobre as duas coisas, deixei para hoje estes pequenos momentos de reflexão.

Foi nomeada a Santa Casa da Misericórdia do Barreiro, para Rosto do Ano 2007, na vertente solidariedade.

É aqui que se instala aquela dúvida metódica, que me penetra o cérebro e fere as minhas convicções mais puras.

Uma Santa Casa da Misericórdia tem de ser solidária por natureza. Para isso é que foi criada: para ser solidária e não deverá ser reconhecida por esse facto. É essa a sua função.

E se atentarmos que são o Estado, os cidadãos e a Igreja que a viabilizam, não podemos deixar de pensar que uma Santa Casa não poderá deixar nunca de prosseguir a solidariedade.

Alguém, de forma Lapalissiana, foi acometido de uma crise de falta de imaginação e de criatividade ou então caíu na tentação de beijocar um traseiro, na expectativa de que vai ficar bem com Deus e com o Diabo.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

O HOMEM DO MARTINI



Quando quero falar de alguém, sem que essa pessoa se aperceba, faço-o utilizando "nick-names" de alguma forma consentâneos com a sua personalidade ou com a aversão que lhe dedico.

Sou uma pessoa fiel. Quando detesto alguém é para a toda a vida e não há nada que essa pessoa faça, que me leve a mudar de ideias. Uma vez formada uma opinião sobre alguém, a tendência é mantê-la até que a morte me separe.

Sou assim. Sempre fui assim.

Vem isto a propósito do Homem do Martini.

Não sei por que motivo comecei a chamá-lo assim e assim ficou no meu vocabulário.

Dizia ele, há bem pouco tempo, automobilisticamente falando, que se considerava uma terceira via conducente a um Barreiro com outras perspectivas que não as que se vislumbram neste momento e que são as resultantes de uma abordagem tanatológica e redutivista que uns filósofos inexperientes mas sedentos de protagonismo e de poder, têm feito da vida política da cidade.

Eu, moçoila destemida e irreverente, aprestava-me a cortar os tintins ao touro para que ele pudesse refrescar o seu Martini, quando sou confrontada com uma desistência inesperada, a favor de um quarto elemento, com desculpas que não colhem.

Não gostei.

Agora, em vez do Homem do Martini, vamos ter uma lata de salsichas acompanhadas por um vinho rosé a martelo.

Ficaram pelo caminho as expectativas, as justas expectativas de que houvesse algo de novo no panorama político cá do burgo.

Vamos ter outra vez aqueles candidatos a cheirar a "môfo".

Voltamos a ter candidatos de candidatos, com um vasto cortejo de apoios recrutados nos piores "antros" da cidade, cujos elementos desgastados já devem alguns anos à reforma, quiça à sepultura.

Por isso, o Barreiro é e será sempre uma cidade adiada.

Não há volta a dar.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

MIRAGEM OU REALIDADE?



Dizem que será o fim do Porto de Lisboa e que uma ponte entre o Barreiro e Chelas, como o Governo pretende fazer para a passagem da linha do TGV, será um erro enorme.
Os motivos serão: a destruição da capacidade actual de navegação marítima do Porto de Lisboa. Os grandes navios que desejem fundear em Lisboa vão deixar de ter acesso à zona mais profunda do mar da Palha, no estuário do Tejo. Esta Zona já recebeu a maior esquadra americana, com cerca de doze grandes navios.
Com a ligação Barreiro-Chelas, prevista pelo Governo para ser a Terceira Travessia do Tejo, todos os navios deixarão de ter segurança nas suas manobras.
Será uma questão de segurança que vai pôr em risco o sonho dos Barreirenses.
Mas além de os grandes navios ficarem impedidos de entrar em Lisboa, também o novo cais para os cruzeiros, planeado pela Administração do Porto de Lisboa, em Santa Apolónia, vai ficar em risco.
As manobras de atracação dos navios ao cais a norte de Santa Apolónia tornar-se-á impossível e vai impedir as atracações e manobras no futuro cais para cruzeiros ou paquetes durante a maré-cheia.
Outro problema será o vão de passagem à navegação da ponte que terá de ter no mínimo 700 ou 800 metros porque uma distância mais pequena vai tornar a travessia perigosa, sobretudo no período de fortes vazantes. O tal vão, é o espaço livre entre os pilares que permitirá aos barcos fazerem a travessia. A Ponte 25 de Abril tem cerca de mil metros de vão.
Como sempre, nunca aproveitamos as infra-estruturas que temos.
Por que motivo não se opta antes por um túnel semelhante ao do Canal da Mancha, que liga a França a Inglaterra?
Os túneis são mais baratos, mais fáceis de conservar, mais resistentes e não se vêem.
Pessoalmente, acho muito mais divertido atravessar um túnel que uma ponte.
Já imaginaram a quantidade de Tugas Barreirenses a apitar durante o trajecto, à boa maneira portuguesa, só para ouvirem o “eco”?
Seria uma festa e, aquilo que o Povo precisa, é de festa.
Fala-se agora em Montijo-Beato ou vice-versa e o especialista que fez o estudo da ligação através de uma ponte, entre Montijo e Beato, é o mesmo que realizou os estudos iniciais da ligação Barreiro-Chelas para o Ministério das Obras Públicas.
No estudo da CIP, a travessia Beato-Montijo seria quarenta por cento mais barata.
Basearam-se em estudos de especialistas ingleses. Segundo estes, a ligação por túnel será à partida mais barata que a ponte. Estes técnicos britânicos foram os mesmos que criaram e construíram o Túnel de Oresund, que liga a Suécia e a Dinamarca.
Pelo rumo que as coisas levam, já estou a imaginar o foguetório com o executivo da CMB a anunciar que vai solicitar a Joan Busquets que faça também alguns estudos de viabilidade, com vista à construção de um túnel que ligue a Recosta ao Terreiro do Paço, cujo orçamento será inteiramente suportado pelos lucros obtidos com a Cidade do Cinema.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

A PONTE



Acreditaram

E embandeiraram em arco.

Aquilo que foi, já não será.

A dúvida instala-se

Com os seus tentáculos

De mentira programada.

Só os ingénuos acreditaram

Naquela bondade calculada

Em função da inocência de um Povo.

Abre os olhos Povo

E corre com eles.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

O BILTRE



Aproxima-se de nós mansamente.

Tenta caír nas nossas boas graças.

Inclina-se à nossa passagem.

Apressa-se a adivinhar o que precisamos

E percorre este mundo e o outro para encontrar.

Bajula-nos.

Acaricia-nos o ego.

É subserviente e servil.

Mas quando lhe damos a mão

Agarra-nos o braço

E tenta acabar connosco,

O Biltre.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

O JORNALECO



Blá, blá, blá, o jornaleco.

Cinquentenário, gaba-se.

Na matéria, tendencioso.

No verbo, boçal.

Na resposta, varina.

Olhó jornaleco!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

SOMOS OS MELHORES



É portuguesa a Empresa que conseguiu assinar hoje o maior contrato de sempre, na área de infraestruturas, a nível internacional, na Líbia.

A Hagen é a prova viva de que Portugal, mais uma vez, pode ser um país exportador de conhecimento e de mão de obra qualificada.

Não ficamos atrás de ninguém.

Para ti Luís, que foste o mediador, os meus sinceros parabéns.

Estamos todos de parabéns, porque somos os melhores!

FOLIANDO



Estas festas de Carnaval matam-me, dão cabo de mim. São como um "jetlag" porque, primeiro que me reorganize em termos interiores, é um verdadeiro bico de obra.
Sou adepta da máxima "deitar cedo e cedo erguer...", embora a minha vida profissional me faça fazer muitas "directas". Mas uma vez não são vezes e também faz falta soltar, de vez em quando, o vulcão que há em mim. Sim, porque embora não pareça, eu sou um autêntico furacão. Que o digam aqueles que comigo privam. ´
A língua portuguesa é muito traiçoeira e, por isso, nada de maus pensamentos sobre "moi-même". Para isso já basta aquele "estrunfo" que, à conta de andar a propagandear os meus dotes sexuais, fez com que haja uma curiosidade inusitada a meu respeito. Isto aqui para nós, até nem me desagrada nada porque, como moçoila irreverente que sou, gosto de os manter na dúvida: Será "freira", será "boazona"?
O melhor mesmo é que fiquem na dúvida e não dêem ouvidos a despeitados analfabetos que pensam com a "piroca".
Quando estou com este estado de espírito, vou até ao Barreiro Velho bater na janela de um dos meus vizinhos preferidos para dar dois dedos de prosa, apesar de a maior parte das vezes ele correr comigo, por não estar para me aturar.
Hoje ficou furioso porque o acordei quando estava ainda no primeiro sono. Roncou-me forte e feio e, eu, sentei-me à porta de casa, como o cachorro do VTM, à espera que acordasse, para podermos conversar um pouco.
Já o sol ia alto quando a porta da rua se abriu e saíu o meu vizinho.
-"Ó vizinho, isto é que são horas?", perguntei-lhe eu. Nunca pensei que me gritasse aos ouvidos, que eu não tenho nada a haver com isso.
Injusto, este vizinho. Só lhe queria lembrar que dia 12 de Fevereiro de 2008 faz anos que o Barreiro foi elevado a freguesia. Precisamente 521 anos.
- "Ó vizinho, não acha que é muito tempo"?
Não obtive resposta. Ele é assim. Quando está fulo comigo, nem sequer me responde.
Lá fui a saltitar atrás dele, na esperança que parasse um pouco para me ouvir, mas nada. Não parava.
Comprou o jornal e sentou-se no banco do jardim a ler. Não me ligava nenhuma. A páginas tantas, lá se dignou falar comigo para dizer:
- "Você é uma pessoa muito estranha. Conhece toda a gente e sabe tudo sobre a cidade, mas ninguém sabe quem você é. Isso não é normal, convenhamos. Veio morar aqui ao lado e, quando me bate na janela, é só para arranjar bronca. Por que motivo você é assim?"
Não respondi. Talvez nem saiba responder.
Pedi-lhe o suplemento do jornal e fingi que lia com atenção. Pela minha cabeça começaram a passar histórias e imagens que fazem a história simultaneamente alegre e triste desta gente maltratada, mas decidida e confiante num futuro melhor, qualquer que ele seja.
Nada mudou no Barreiro. Existe agora uma outra espécie de fascismo e de repressão. A exploração, opressão, discriminação e a intolerância continuam com outros actores autocráticos, que desempenham muito bem o seu papel.
Os novos operários da globalização não serão nunca promovidos, se não pertencerem à organização. Os anti-cristo deverão pertencer todos à "Opus Dei" e todos os outros farão da Maçonaria o seu Credo, ao encontro de um Oriente esplendoroso de terras Lusitanas só para meia dúzia.
Foi-se a integridade, a verticalidade, a honradez, a coerência, a coragem desta gente anónima, agora compelida a viver e a militar em sonhos e emoções que já não são os seus.
-"Vizinho, pegue lá o jornal. Vou-me embora."
-"Ah, está aí. Pensei que tivesse adormecido. Se quiser, pode ficar com ele. Já o li".
Levantei-me, sacudi o meu vison e fui até à Avenida Alfredo da Silva para ver o Carnaval passar.
Há dias assim.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

SONHO MAU



Sonho-te sem rosto.

E, ainda acordada, sonho com alguém sem voz.

Apenas sonho, de olhos abertos e com a alma entregue.

Não procuro esse encontro. Deixo-me levar ao sabor da emoção causada por alguém sem pele.

O sonho continua, comigo prisioneira, delirando intensamente, por alguém já sem calor.

Sonho contigo, alguém que não conheci realmente.

Escrevo palavras apenas. Letras que são a minha tela colorida. Letras que não me dão sinal algum de forma ou de formosura. Letras onde sei que ainda posso encontrar pedaços de ti.

Depois, sozinha, deitada , mas bem desperta, sonho com aqueles momentos que me fizeram sentir o quanto significavas para mim.

Todos os momentos em que me deixaste ser eu, ainda que eu não soubesse quem eras.

Por fim, descubro o teu rosto e abraço-te. Colo-me a ti na esperança de não te deixar partir, sem entender o motivo.

Sonho-te, sem conseguir compreender as letras salpicadas nesta minha tela, que agora é tão mais viva e colorida.

Adivinho o teu olhar sem rosto e aquele sorriso na tua face que, pouco a pouco, se foi esbatendo no meu coração.

FRAUDULÊNCIAS E OUTRAS BOMBEIRICES



“Fraude, diz a lei

Segundo o penalista Costa Andrade, citado pelo matutino, a chamada «assinatura de favor em projectos de engenharia e arquitectura constitui uma fraude à lei, embora sem relevância criminal», mas considerou que é «portadora de uma inquestionável carga ética negativa».
Ausente dos seus curículos, os trabalhos de José Sócrates como projectistas são desconhecidos. No entanto, José Sócrates confirmou ao jornal que exerceu «funções privadas» desde 1980, mas nada adiantou quanto ao número, natureza e localização das obras que projectou.
O jornal diz ter consultado aleatoriamente do arquivo camarário da Guarda mil processos de licenciamento de obras particulares de entre os cerca de 4.000 submetidos à autarquia entre 1981-1990.
Nessa amostra de um quarto da totalidade dos processos o jornal encontrou 27 com a assinatura de José Sócrates, sobretudo no que diz respeito a casas de emigrantes, ampliações e anexos mas também dois edifícios de habitação colectiva.
Nos documentos consultados pelo jornal destacam-se processos em que José Sócrates, que na altura era engenheiro técnico na Câmara da Covilhã, assina peças manuscritas, nomeadamente memórias descritivas, termos de responsabilidade e cálculos de betão, em que a caligrafia usada nada tem a ver com a do actual primeiro-ministro.
Em muitos dos processos, salienta o Público, essa caligrafia é a mesma que aparece nos autos das vistorias realizadas no fim das obras pelos técnicos da Câmara da Guarda: Fernando Caldeira, colega de curso de José Sócrates e que, por ser funcionário do município, estava legalmente impedido de subscrever projectos na área do concelho.
Os projectos tinham em comum o facto de serem rapidamente aprovados, apesar dos reparos e observações, críticas dos arquitectos da repartição técnica da Câmara da Guarda e até de pareceres contrários da administração central, escreve o jornal.
Um dos engenheiros e arquitectos da Guarda contactados pelo jornal, que pediu o anonimato, referiu que «a versão que corria é que havia um grupo de técnicos da câmara que açambarcava uma boa parte dos projectos de casas dos emigrantes e como não podiam assinar, punham Sócrates a fazê-lo porque ele era da Covilhã e não tinha esse impedimento legal.»
O grupo seria composto por Fernando Caldeira, António Patrício e Joaquim Valente, todos engenheiros técnicos e antigos colegas no Instituto Superior de Engenharia de Coimbra.”