segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

ALDA LARA ( 09-06-1930 / 30-01-1962)



Nascida em Benguela, Angola, aos 09.06.1930, estudou em Portugal onde se licenciou em Medicina pela Universidade de Coimbra.

Morreu aos 30-01-1962, em Cambambe, Angola, enquanto dava à luz o seu quarto filho.

Casada com o escritor Orlando Albuquerque, também médico, este fez publicar toda a sua obra postumamente.

A sua poesia é um hino à Humanidade.

Todos nós, Benguelenses, prestamos tributo à sua memória e à sua obra.

Destaco o poema "Testamento" que não sei por que carga de água foi modificado quando cantado por fadistas portugueses.

Em vez de "prostituta mais nova" cantaram "rapariga mais nova", o que retira completamente a alma ao poema.

Nós, angolanos, abominamos que tenham adulterado os versos da nossa poetisa.


"TESTAMENTO

À prostituta mais nova
Do bairro mais velho e escuro,
Deixo os meus brincos, lavrados
Em cristal, límpido e puro...
E àquela virgem esquecida
Rapariga sem ternura,
Sonhando algures uma lenda,
Deixo o meu vestido branco,
O meu vestido de noiva,
Todo tecido de renda...
Este meu rosário antigo
Ofereço-o àquele amigo
Que não acredita em Deus...
E os livros, rosários meus
Das contas de outro sofrer,
São para os homens humildes,
Que nunca souberam ler.
Quanto aos meus poemas loucos,
Esses, que são de dor
Sincera e desordenada...
Esses, que são de esperança,
Desesperada mas firme,
Deixo-os a ti, meu amor...
Para que, na paz da hora,
Em que a minha alma venha
Beijar de longe os teus olhos,
Vás por essa noite fora...
Com passos feitos de lua,
Oferecê-los às crianças
Que encontrares em cada rua... "

Alda Lara


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