domingo, 30 de março de 2008

MAIS UM ANO



Hoje acordei para mais uma década.

Durante toda a minha vida acho que fiz coisas más, coisas boas e coisas assim-assim.

Mas não me arrependo de nada.

Os meus telemóveis estão cheios de mensagens. Uma delas, de um número que não conheço, começado por "92".

Com um texto lacónico, alguém me desejou: "Parabéns um feliz dia bjs", e não assinou.

Deve ser fruto de alguma das coisas menos boas que fiz.

Não sei.

Tudo é possível.

O CASAMENTO



Enquanto bebo o meu chá, vem-me à memória o dia de ontem, muito bem passado entre os amigos de sempre.
Nos últimos tempos tenho andado muito arredada das nossas tertúlias mas ontem foi um dia muito especial e eu não podia faltar.
A mais nova do nosso grupo resolveu dar o "nó", numa altura em que as relações já não são o que eram e os afectos andam perdidos, sabe-se lá por onde.
Não podia perder a ocasião e lá fui marcar presença, vestida de dourado transparente, cabelos ao vento e uma vontade enorme de me divertir.
Como sempre, tinha de acontecer alguma coisa que marcasse o acontecimento e o tornasse inesquecível.
Quando vou a algum lado, prometo sempre a mim própria que me vou portar bem e que tudo à minha volta estará na paz do Senhor.
Mais uma vez não foi o caso.
Como uma das seis damas de honor, coube-me a tarefa de transportar as alianças que o padre benzeu na presença de todos. Até aqui tudo bem, não fosse eu ter escorregado do alto dos meus saltos finíssimos e ter deixado caír a salva com as alianças.
Como por encanto, as ditas desapareceram e ficámos todos a olhar uns para os outros.
Tinham-se eclipsado nas barbas de toda a gente e, o fotógrafo, a postos para captar a tradicional troca, olhava-me furibundo enquanto eu, atabalhoadamente, procurava em redor um sinal dos benditos aros dourados.
A noiva, desolada, lá estava no seu vestido branco, com metros de cauda e um véu prateado que lhe escondia o ar zangado.
Tropecei mais uma vez, porque isto de andar de saltos altos tem que se lhe diga, e fui caír em cima do sacristão, ao mesmo tempo que pregava a minha amiga ao solo com o salto finíssimo do meu sapato esquerdo.
Gerou-se tamanho burburinho que nem me quero lembrar.
O sacristão, caído em cima de mim, com as fuças aconchegadas no meu peito, não atava nem desatava e parecia que tinha morrido. Eu empurrava-o e o diabo do velho cada vez se apranchava mais.
As outras damas de honor, muito divertidas, tentavam despregar a rabona da noiva que estava pregada ao chão pelo salto do meu sapato que, entretanto, me tinha saltado do pé.
O padre olhava a cena, paciente, na esperança de ver aparecer as alianças, para assim poder dar por finda a cerimónia.
O fotógrafo, esse, tirava fotografias a torto e a direito, como se estivesse possuído por uma coisa má.
Nisto, lá consegui libertar-me do velhote e agarrar-me à perna do noivo que, instintivamente, a sacudiu.
Milagre!
As alianças estavam alojadas na dobra das calças do noivo.
Despregada a noiva do chão, alianças no dedo e sacristão a postos, lá fomos então todos a caminho do copo de água deste casamento que ficou para a posteridade.
As fotos ficaram todas do melhor que há.

Pelo acontecido, duvido que nos próximos tempos volte a ser convidada para um casamento.

sábado, 29 de março de 2008

OS "NHONHAS"



Detesto "Nhonhas".

Quem me conhece, sabe que digo a verdade.

Não os suporto.

Têm medo de tudo e de todos.

São sempre politicamente correctos.

Escondem as suas opiniões e não dão voz aos outros, com medo de represálias.

Incentivam o mau carácter e têm, eles próprios, mau carácter.

São "escovas" e vivem de adular o próximo, na expectativa de que lhes "toque" alguma coisa.

Nunca sabem de nada, mas estão sempre lá.

São cagões e borram-se por tudo e por nada.

Censuram tudo o que pode ser lido, porque são medrosos.

Normalmente dizem-se poetas, escritores ou jornalistas.

Odeio "Nhonhas"!.

sexta-feira, 28 de março de 2008

GAYOLADAS



Ontem combinei com uns amigos encontrar-me com eles num bar de Lisboa.

Como sou distraída, não apontei a morada.

Estive muitos anos fora de Portugal e conheço muito mal a noite de Lisboa.

Lá fui ao encontro, pensando que sabia onde era.

Estacionei, atravessei a rua e entrei.

Lá dentro, homens a dançar com homens e mulheres a dançar com mulheres. Hughgh!

Saí esbaforida.

Cá fora, a polícia preparava-se para uma rusga, com a televisão a filmar.

Pensei: Era desta que o meu pai tinha um "treco" se me visse na televisão a entrar para uma "ramona", saída de um bar gay.

quarta-feira, 26 de março de 2008

"DURA LEX SED LEX"



O Procurador Raul Barrios foi hoje condenado, com pena suspensa, por violência doméstica.

A sentença refere um cúmulo jurídico de 3 anos e 10 meses de prisão.

Pelo crime de dano, foi condenado na pena de multa de 2.000 euros, acrescidos das custas judiciais.

Apraz-me registar que começam a perceber que ninguém deverá ser inamovível.

No entanto, tendo em conta o cargo que ocupa, pergunta-se:

QUID IURIS?

UM DIA PÉSSIMO



Hoje não me correu lá muito bem o dia.

Por isso, regressei mais cedo a casa e busquei conforto no meu pijama côr-de-rosa, aquele que tem uma girafa desenhada, com um casaco muito fôfo, igual.

Calcei as minhas pantufas encarnadas, com o emblema do Benfica, acendi a lareira em busca daquele calor que me faltou durante todo o dia e agarrei no meu urso castanho, confidente das horas más.

Detesto quando tenho de usar as minhas prerrogativas.

Odeio quando as pessoas não são profissionais e ignoram que serviço é serviço e conhaque é e será sempre conhaque.

Vou ter de agir em conformidade.

terça-feira, 25 de março de 2008

"PARA LERES NUMA MANHÃ DE CHUVA"



"Quando a chuva cai,
impiedosa e rija,
encharcando de lágrimas
os telhados das casas todas...
Quando a chuva cai,
dolorosa e triste,
de um céu pesado
de amargura e acusação...

agonias esquecidas
nos sobem outra vez no peito...
(ah! essa sensação de nada se ter feito!...)
... a lembrança das horas inúteis,
dos anseios desprezados,
dos gestos impiedosamente deturpados...

Quando a chuva cai,
toda a agonia de uma vida mesquinha,
nos invade outra vez...
para que a natureza
não chore sozinha..."

Poema de Alda Lara - 1951 (In Poemas)

OPS!...



Desconfio que o meu pai já sabe das minhas travessuras.

Penso que ele já descobriu este meu blog.

Papá, prometo que não escrevo mais asneirolas.

Uma beijoka para ti.

segunda-feira, 24 de março de 2008

NO SILÊNCIO DA NOITE



Abro a janela do meu quarto e espreito o teu corpo velho, magro, sujo e sem abrigo.
Deitado naquele banco da praça, que teimas em chamar tua, acenas-me sempre, feliz.
Nunca consegui perceber porquê.
Tu que tens um tecto de estrelas e uma cama de luar, és feliz.
É a tua casa, dizes tu. Já tiveste muitos amigos, já foste alguém.
Agora és apenas tu.
E eu.
Não és ninguém e eu sou apenas eu.
Observo-te enquanto dormes, pela calada da noite, quando não estás a ver-me.
Interrogas-me com o olhar e não te sei responder.
Tenho casa, tenho um tecto mas faltam-me as estrelas e o luar.
Viras-te para o outro lado.
Encosto a minha janela de mansinho, com medo de perturbar o teu silêncio.
Fico por instantes a ouvir a noite.
Depois, cansada, recolho-me e penso

Amanhã, quem sabe...

O COMPASSO



Esta coisa de ter sido muito bem educada no respeito pelas tradições ancestrais portuguesas, por vezes tem os seus inconvenientes.

Não calculam o esforço que algumas vezes faço, para conseguir manter aquela postura a que estou obrigada, não apenas por ser uma adulta com responsabilidades do foro ético-jurídico, mas também por ser membro de uma família tradicional, para quem a religião é uma espécie de "res intocabilis".

Nesta altura, claro que me refiro ao compasso. Aquela cerimónia Pascal que arrasta multidões e revela o quão mesquinhas algumas pessoas são.

Estou a falar daquelas pessoas que passam a vida a sacanear meio mundo, nunca dão uma esmola a um pobre e que, depois, pensam que ajoelhando-se naquele dia, dando uma beijoca a Jesus Cristo e um gordo envelope ao padre da paróquia, ficam santas para toda a vida, por obra e graça do Espírito Santo.

Lá estive, impávida e serena, a assistir ao espectáculo, com uma vontade maluca de arrear a bronca e acabar com aquela farsa.

Triste país em que até Jesus Cristo, na sua Cruz, serve para ostentar riqueza e poder.

Todos, à uma, quiseram babar a Cruz. Os beijos foram tantos que Jesus Cristo ficou coberto de bactérias e morreria novamente, se fosse vivo.

Juro que no próximo ano vou chamar a ASAE, para acabar com aquilo.

domingo, 23 de março de 2008

A SEGUNDA VIDA



Ainda não tive pachorra para brincar ao Second Life.

Ainda não entrei lá porque me conheço. Conheço o nível da minha compulsão e essa coisa de criar personagens e interagir com elas, meio realidade, meio blogue e meio loucura total, deve ser algo de que não saberia libertar-me tão cedo.

Se eu decidir fazer parte daquela realidade virtual, de certeza que não vou conseguir sair por iniciativa própria.

No dia em que eu entrar, é certo e sabido que irei ficar por lá. Faço um blog lá dentro e só sairei num carro da polícia ou de ambulância.

Das poucas vezes que joguei The Simms, diverti-me à brava.

Criei vários personagens que me divertiram imenso e aos meus amigos.

Todos os dias tenho resistido à tentação de construir o Barreiro na Second Life e farto-me de rir sozinha só de imaginar o impacto que teria nos outros avatares, a construção de uma cidade de malucos, como o é a cidade do Barreiro.

É uma ideia que renasce, à medida que conheço a cidade e os seus habitantes.

Rio porque acho que a loucura alheia é mais colorida que a minha e, cada vez mais, me convenço que, de perto, ninguém é normal.

Vou adormecer sobre a ideia e, quem sabe, por estes dias, não acordarei com uma vontade incontrolável de reconstruir o Barreiro e transformá-lo numa cidade paraíso virtual, com uma ponte até Chelas e uma cidade do cinema.

AVENIDA DA REPÚBLICA



Obviamente que no decorrer de toda minha vida já me apaixonei várias vezes.

Já namorei, noivei, casei e divorciei.

Mas amar, amar mesmo, acho que amei pouco.

Ou, melhor dizendo, amei poucos.

Por incrível que pareça, o amor mais intenso e profundo, aconteceu-me quando tinha 16 anos.

Eu era estudante e ele estudante-trabalhador, meu vizinho, um pouco mais velho que eu.

Namorámos durante vários meses.

Agora, muitos anos depois, ainda fico abalada quando penso ou falo nele.

Era um rapaz inteligente, bonito, culto, trabalhador, engraçado. Era socialista e isso incomodava-me horrores. Provavelmente eu fosse mais tolerante hoje mas, na época, era um problema muito grave.

Uma vez, numa daquelas nossas conversas de namorados, ele fez-me a seguinte proposta: escreveríamos uma lista das coisas que nos incomodavam um ao outro e trocaríamos a tal lista no dia seguinte, quando fosse ter com ele ao serviço, ali para os lados da Avenida da República, em Lisboa, junto ao Saldanha.

No dia seguinte, depois do nosso almoço, lá lhe entreguei a minha longa lista.

Ele deu-me um papel dobrado em quatro e, quando o abri, estava em branco.

Com um sorriso que nunca mais vou esquecer, disse que nada em mim o incomodava.

Nunca adorei tanto uma mentira.

sexta-feira, 21 de março de 2008

"BULLYING"



Estudei em estabelecimentos de ensino público e particular numa época em que a violência era muito menor que nos dias de hoje.
Apesar de ter sido numa época em que ainda não se falava de educação sexual nas escolas, já naquele tempo havia, no ambiente escolar, os chamados alunos problemáticos.
Esses alunos eram aqueles que, sendo mais desenvolvidos fisicamente que os seus pares da mesma idade, passavam o tempo dentro e fora da sala de aulas, humilhando e intimidando física e verbalmente, qualquer criança que fosse diferente ou mais fraca.
Recordo o caso de uma colega que ficou sem a sua bela trança, cortada de uma tesourada só, por um colega sentado na carteira de trás. Mas a família desse aluno actuou em conformidade e ele acabou por se corrigir.
Naquele tempo não existia um termo para designar este tipo de comportamento mas actualmente os media, os técnicos de educação e os psicólogos utilizam a expressão “bullying”para classificar aquilo que outrora era designado por má educação.
Em Portugal, talvez porque a nossa língua se tornou permeável a uma colonização permanente, utiliza-se aquele termo inglês para designar, num só, muitos outros em português. Deste modo, ofender, humilhar, fazer sofrer, discriminar, excluir, isolar, ignorar, intimidar, perseguir, maltratar, assediar, aterrorizar, amedrontar, tiranizar, dominar, agredir, bater, ferir e roubar, é convertido numa só palavra: “bullying”.
Não é uma realidade nova, mas sim um fenómeno crescente na nossa sociedade, ao qual, pais, professores, psicólogos e comunicação social têm vindo a dar maior atenção.
No último ano, o que era uma realidade restrita somente às relações entre alunos, estendeu-se também aos professores e a outras áreas da vida em sociedade.
Fala-se igualmente de "cyber-bullying", a forma mais sofisticada de humilhação e agressão psicológica. Consiste em fazer circular na Internet, boatos, fotografias, comentários, sobre pessoas que não têm qualquer hipótese de se defender, pois o agressor actua, quase sempre, sob anonimato total, difícil de responsabilizar.
Recentemente, entre nós, a comunicação social deu relevo ao caso de uma professora de Francês que se viu envolvida num episódio de “bullying”, por alegadamente ter retirado o telemóvel a uma aluna, durante uma aula.
Aos gritos e tratando a professora por “tu”, a aluna de quinze anos, humilhou a docente, desrespeitou-a, para gáudio dos outros colegas presentes na sala, que até filmaram o acontecimento, rindo e fazendo comentários jocosos. Nunca tal coisa se viu.
Fica aqui a pergunta: até que ponto o comportamento ético deste Governo para com os professores, não poderá ser também considerado “bullying”?
Pelo facilitismo hoje imposto na escola, através da publicação do Estatuto do Aluno, agora em vigor, pela constante perseguição aos docentes sob as mais diversas formas de pressão, pela incapacidade de fazerem aplicar leis que responsabilizem as acções não só dos professores mas também dos alunos, este Governo tem responsabilidade directa no que se passou naquela Escola.
A escola não é nenhuma selva e o uso de um telemóvel, em plena aula, não se admite.
Agora e para animar o circo, só faltará dizer que se tratou do roubo de um telemóvel a uma aluna, pela própria professora, durante a aula de Francês.
A ver vamos!

CHEGOU A PRIMAVERA!



Chegou a Primavera!

Ela aí está para florir as nossas almas e as nossas vidas. Assim espero.

É certo e sabido que todos nós já tivemos muitas e felizes Primaveras. Mas, na verdade, espero que esta, a que está a florir, seja uma Primavera especial para o resto da minha vida.

Pode parecer ironia mas quando chegamos a uma certa altura da vida, fazemos projectos e traçamos metas, mesmo sabendo que essas metas, por vezes, são difíceis de atingir.

Desta vez, dando espaço ao tempo, escolhi o início da Primavera.

Porque, na Primavera, quero voltar a sentir a vida com toda a intensidade, perseguindo todos aqueles desafios que um dia fui deixando para trás.

Porque, na Primavera, ao amanhecer, quero, da janela do meu quarto, ver o sol nascer para todos nós e abraçar a brisa que nos refresca a alma e purifica os sentidos.

Porque, na Primavera, ao final da tarde, quero ver a luz ao fundo daquele túnel escuro que tantos já percorreram um dia, sem rumo e sem esperança.

Porque, na Primavera, ao anoitecer, quero contar todas aquelas estrelas e abraçar-te.

Porque, na Primavera, quero sonhar contigo e dizer-te
que um dia serei flor e tu poema.

Porque, na Primavera, vamos ser nós, apenas nós.

quinta-feira, 20 de março de 2008

PÁSCOA FELIZ!



Para todos vós que ainda aqui vêm, teimosamente, pelo carinho ou por curiosidade.

Para ti que ficas aí, protegido pelo ecrã, escondido, na sombra.

Amigos sem rosto, amigas sem sorriso.

Falando de ti, sem ninguém saber quem és.

Como eu.

Uma Páscoa Feliz, do fundo do coração.

Que esta época nos faça lembrar que podemos morrer muitas vezes, ao longo das nossas vidas.

Que todos tenhamos plena consciência de que há sempre um tempo de luto e um dia de ressurreição.

Um beijo.

PENSAMENTOS



É necessário abrirmos os olhos e percebermos que as coisas boas estão dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão.

O importante é aproveitar o momento e vivê-lo intensamente, pois a vida está nos olhos de quem souber ver.

quarta-feira, 19 de março de 2008

A VOTAÇÃO



Não teria sido mais fácil terem posto a cruz num papel em branco e depois terem feito um sorteio, para apurar o vencedor?

Teria sido preferivel.

terça-feira, 18 de março de 2008

MACACOS, MACAQUINHOS E MACACÕES



Aquele meu vizinho anda impossível.
Meteu-se-lhe naquela cabeça que havia de reconstruir a muralha à volta do nosso "cotê" e, agora, quem quiser vê-lo, é só de vigas às costas, botas de biqueira de aço e capacete protector, para não falar das luvas de amianto e da fita métrica que teima em esticar, de cada vez que me apresto a saír para os meus passeios matinais.
Para além disso, suja-me as escadas todas e deixa-me pégadas à entrada da porta, o que é uma grande chatice, pois quem olhar para aqueles enormes pés marcados na soleira da minha porta, até pensa que eu, moçoila honesta e recatada, ando a fazer o pino com o fiscal de obras da Avenida da Praia.
Há uns dias que não o vejo e até já lhe toquei várias vezes à campainha mas ele não me ligou nenhuma. Inclusivamente deixei-lhe à porta umas bejecas que trouxe da Irlanda, da famosa marca Guinness, mas nem assim fui senhora da sua atenção.
O que é facto é que as bejecas desapareceram e o cão dele apareceu de repente com um tremendo ar de borrachola, deitado no sofá da portaria.
Cá para mim, o rasteirinho foi-se às cervejolas e o dono ficou a ver navios.
Mas adiante, que atrás vem gente.
Como ia dizendo, cheguei há pouco de fora e encontrei a cidade em polvorosa com a eleição do macaco-mor. E em polvorosa porque em quatro jaulas havia macacos de várias espécies, todos eles com pretensões a macacões, distribuidos por duas secções: macaquinhos e gorilas.
Saltitantes, de galho em galho, os macaquinhos foram corridos pelos gorilas que tiveram a ajuda dos macacos velhos, vindos da santa selva bendita.
Era vê-los a catarem-se uns aos outros e a comer bananas importadas do multibanco, fresquinhas, chegadas directamente da selva, no próprio dia da eleição, oferecidas pelo King Kong e pela Jane do Lavradio.
O Tarzan também por lá andava, juntamente com o Homem do Martini e Mr. Magoo. Este último num frenesi pois o gorila-mor, seu patrão, atirou-se à girafa e ambos rolaram pelas escadas abaixo, até onde se encontrava a urna que andava num virote, escada acima escada abaixo.
Acabada a festa, recolheram-se os macaquinhos pequeninos que, sem a ajuda dos macacos velhos, viram o seu galho partir e o seu calo traseiro sangrar.
Pobres macaquinhos pequeninos!
Estais à mercê daqueles grandes macacões.

domingo, 16 de março de 2008

UM HOMEM INTELIGENTE



Morreu hoje o Procurador Rodrigues Maximiano.

A nossa Justiça ficou mais pobre.

Perdemos um verdadeiro Homem Bom.

Mediático, de gravatas extravagantes, que eram a sua predilecção, tinha uma visão integrada de todos os problemas e resolvia-os como ninguém.

O céu ganhou mais uma estrela brilhante.

Até sempre!

sábado, 15 de março de 2008

O BANDO



O PS do Barreiro não é um partido, é um bando. E sem história.

Uma organização estrutura-se em grupos à volta de um desígnio e de grandes objectivos, comandada por um líder.

Um bando age em função de interesses individuais, não tem líder, mas sim um chefe, que muda conforme os interesses dos seus membros.

Uma organização possui uma cultura - é uma cultura - que enforma todos os membros que a constituem. O seu líder é o cimento dessa cultura, um exemplo a seguir.

Num bando não há cultura, há intriga, luta por um bolo que todos querem comer, guerra, ódios, vinganças, ajuste de contas. Por isso, constantemente, rolam cabeças, dos que se opõem ao chefe e, muitas vezes também, dos chefes. No bando, não há cabeças, há fulanos.

Uma organização contribui para a construção da história. Faz história. De um país, de uma região, de um local, de uma cidade.

Um bando nada inscreve. Cada fulano quer ser ele a própria história.

A história da organização é feita com e pela comunidade; a do bando é escrita para enaltecer o próprio fulano.

"POR QUE NO TE CALLAS?"



Que se desenganem todos aqueles que tentaram, de uma forma ignóbil, calar a minha voz.

Depois de uma temporada em terras civilizadas, estou de volta.

Continuarei a escrever e a denunciar tudo aquilo que vai mal no Barreiro e arredores.

Por isso, como dizem lá para terras do Norte: "Tendes que me aguentar!"

Jamais bloquearei os "comments" no meu Blog.

Se a intenção era essa, foi uma boa tentativa.

Beijokas

segunda-feira, 3 de março de 2008

ELES COMEM TUDO



Hoje acordei com as minhas caixas de correio electrónico cheias da mesma mensagem, vinda de procedências diferentes e de endereços desconhecidos.

Apelavam-me a que divulgue o descalabro deste país sem norte, à beira mar plantado.

Como acho um escândalo o que se está a passar, não quero deixar de fazer uma referência à mensagem e, por isso, a publico na íntegra:

"O Senhor Presidente da República não deve conhecer esta. Será que alguém lhe pode dizer?
APESAR de ter apenas 50 anos de idade e de gozar de plena saúde, o socialista Vasco Franco, número dois do PS na Câmara de Lisboa durante as presidências de Jorge Sampaio e de João Soares, está já reformado .
A pensão mensal que lhe foi atribuída ascende a 3.035 euros (608 contos), um valor bastante acima do seu vencimento como vereador.
A generosidade estatal decorre da categoria com que foi aposentado - técnico superior de 1ª classe , segundo o «Diário da República» - apesar de as suas habilitações literárias se ficarem pelo antigo Curso Geral do Comércio, equivalente ao actual 9º ano de escolaridade.
A contagem do tempo de serviço de Vasco Franco é outro privilégio raro, num país que pondera elevar a idade de reforma para os 68 anos, para evitar a ruptura da Segurança Social.
O dirigente socialista entrou para os quadros do Ministério da Administração Interna em 1972, e dos 30 anos passados só ali cumpriu sete de dedicação exclusiva; três foram para o serviço militar e os restantes 20 na vereação da Câmara de Lisboa, doze dos quais a tempo inteiro. Vasco Franco diz que é tudo legal e que a lei o autoriza a contar a dobrar 10 dos 12 anos como vereador a tempo inteiro.
Triplicar o salário . Já depois de ter entregue o pedido de reforma, Vasco Franco foi convidado para administrador da Sanest, com um ordenado líquido de 4000 euros mensais (800 contos). Trata-se de uma sociedade de capitais públicos, comparticipada pelas Câmaras da Amadora, Cascais, Oeiras e Sintra e pela empresa Águas de Portugal, que gere o sistema de saneamento da Costa do Estoril. O convite partiu do reeleito presidente da Câmara da Amadora, Joaquim Raposo, cuja mulher é secretária de Vasco Franco na Câmara de Lisboa. O contrato, iniciado em Abril, vigora por um período de 18 meses.
A acumulação de vencimentos foi autorizada pelo Governo mas, nos termos do acordo, o salário de administrador é reduzido em 50% - para 2000 euros - a partir de Julho, mês em que se inicia a reforma, disse ao EXPRESSO Vasco Franco. Não se ficam, no entanto, por aqui os contributos da fazenda pública para o bolo salarial do dirigente socialista reformado. A somar aos mais de 5000 euros da reforma e do lugar de administrador, Vasco Franco recebe ainda mais 900 euros de outra reforma, por ter sido ferido em combate em Moçambique já depois do 25 de Abril (????????), e cerca de 250 euros em senhas de presença pela actuação como vereador sem pelouro.
Contas feitas, o novo reformado triplicou o salário que auferia no activo, ganhando agora mais de 1200 contos limpos. Além de carro, motorista, secretária, assessores e telemóvel.”

VERGONHA!

domingo, 2 de março de 2008

OS BANQUEIROS DE DEUS



Consta que Roberto Calvi, o ex-presidente do Banco Ambrosiano, encontrado morto em Londres há 26 anos, foi assassinado, segundo peritos indicados por juízes em Roma.
O painel de peritos afirmou que Calvi, apelidado de "o banqueiro de Deus" pelas suas relações com o Vaticano, não podia ter-se suicidado, como foi sugerido de início.
Segundo os especialistas, não havia no pescoço de Calvi ferimentos característicos de enforcamento e as mãos dele nunca tocaram nas pedras encontradas nos bolsos das suas roupas.
O resultado das investigações, baseado numa nova autópsia ao corpo de Calvi, foi revisto por dois juízes em Roma, que iriam decidir se deveriam ordenar um julgamento por assassinato envolvendo a Máfia.
Os investigadores suspeitavam que Calvi foi morto pela Máfia por não ter reembolsado os seus "depósitos". O resultado das investigações deveria ter sido entregue oficialmente aos juízes, segundo o promotor de Roma, Salvatore Vecchione.
Segundo o jornal italiano La Repubblica, o filho de Calvi, também chamado Roberto, disse que embora estivesse convencido de que a Máfia matou o seu pai, isso terá sido feito em nome de terceiros.
"Por trás da Máfia, há alguém", disse ele, acrescentando: "Os políticos que deram essa ordem precisam ser encontrados."
O corpo de Calvi foi encontrado amarrado pelo pescoço a uma viga da ponte de Blackfriars, em Junho de 1982, poucos dias depois da falência suspeita do Banco Ambrosiano, controlado pelo Vaticano.
A família sempre disse que a sua morte não tinha sido causada por suicídio.
Quando Calvi chegou a Londres, andava foragido, utilizando um passaporte falso.
As transacções irregulares de Calvi levaram o banco à beira da falência, com dívidas superiores a 1 bilião de dólares.
O caso acabou por se transformar num dos maiores escândalos políticos e financeiros em Itália.
Houve intensa especulação de que a Máfia estaria envolvida, assim como um grupo maçónico pouco conhecido chamado P2.
O corpo de Calvi foi exumado, depois de a família insistir na tese de que ele tinha sido assassinado.
Calvi era um membro da loja maçónica secreta direitista P2, e também tinha ligações com a Máfia Siciliana.
Inicialmente, o médico legista afirmou que se tratava de suicídio, mas depois da insistência da família, um segundo inquérito deixou a questão em aberto.
Nos últimos anos surgiram novos indícios que sugerem que Calvi foi assassinado pela Máfia. A Máfia queria impedir que ele divulgasse detalhes sobre as ligações entre a Máfia, o Vaticano e a loja maçónica P2.

Até hoje, tudo continua no segredo dos deuses.

Máfia, Maçonaria, Vaticano e Opus Dei safaram-se bem.

Aqui, entre nós, também há banqueiros de Deus.

Onde é que eu já ouvi esta história?

sábado, 1 de março de 2008

ESQUELETOS



Há dias em que a inspiração me falha e não sei o que escrever.
Não sei sequer sobre o que escrever. Apenas sei que me apetece escrever sobre qualquer coisa, mesmo não sabendo bem o quê ou sobre o quê.
Hoje pensei em esqueletos. Sim, esqueletos. Daqueles que todos temos guardados nos nossos armários da memória.
Aqueles assuntos estranhos de que nunca falamos, aquelas pessoas e sentimentos incómodos que não queremos recordar nem partilhar com ninguém.
Todos nós temos esqueletos. Uns mais esqueléticos do que outros, outros já mais gastos e, por isso, com ossos mais fracos.
Há aqueles que nos atrapalham muito e por isso são considerados esqueletos adultos e outros de que nem nos lembramos que existem e que, por isso, são esqueletos infantis.
No meu caso, eu própria tenho vários esqueletos de estimação, no meu armário, como se um esqueleto fosse coisa que se mimasse e preservasse.
Há um deles que não consigo deitar fora. Como aqueles objectos que estão velhos, mas que nos trazem recordações tão boas que nós não conseguimos separar-nos deles. Eu tenho um esqueleto assim. O meu esqueleto é uma pessoa, ou melhor, as recordações do que vivi e do que passei com essa pessoa.
É um esqueleto adulto, porque me atrapalha muito em muita coisa, porque me traz muitas recordações, boas e más, como tudo na vida. Porque tem uns ossos tão grandes que me conseguem prender em muitas decisões. É um esqueleto adulto porque em muitas situações não me larga e lembro-me muitas vezes que ele está lá guardado nas profundezas do meu armário.
É aquele esqueleto que eu detesto. Apetece-me queimá-lo e atirar as cinzas dos seus ossos à primeira lufada de vento Siroco, aquele vento quente dos desertos de África, que nos aquece por fora e por dentro e que arrasta areia suficiente para que essas cinzas se misturem com os seus finos grãos, transformando-as em poeira que o vento transporta para fora da nossa memória.
Este meu esqueleto é pesado. Talvez por isso ainda não tenha conseguido tirá-lo do meu armário. Tenho andado a partir-lhe os ossos aos poucos e já dei alguns a roer a muitos cães vadios e esfaimados que tenho encontrado por aí.
E são esses ossos todos que me entopem o armário e as recordações.
Como seria fácil se pudessem transformar-se em roupa usada para distribuir por todos aqueles que não tivessem no armário um esqueleto para mimar.
À medida que avanço no tempo, dou conta que tenho um esqueleto na alma e na memória e que o transporto em três armários: o da vida, o da memória e o do coração.
Um esqueleto que ocupará sempre uma parte vital do meu ser.
Um esqueleto que teimo em estimar.

01-03-2008 - UM ANO



Faz hoje um ano que o melhor guarda-redes do mundo nos deixou.

Recordo-o com grande saudade e muita tristeza.

Onde estiveres, Bento, vê lá se pregas, no domingo, umas rasteiras aos avançados do Sporting.

Aqueles que um dia puseram um fardo de palha e fruta podre à porta da tua loja, será que conseguem dormir descansados?

Não terão remorsos?

Eras o maior.

Descansa em paz!