sexta-feira, 21 de março de 2008

"BULLYING"



Estudei em estabelecimentos de ensino público e particular numa época em que a violência era muito menor que nos dias de hoje.
Apesar de ter sido numa época em que ainda não se falava de educação sexual nas escolas, já naquele tempo havia, no ambiente escolar, os chamados alunos problemáticos.
Esses alunos eram aqueles que, sendo mais desenvolvidos fisicamente que os seus pares da mesma idade, passavam o tempo dentro e fora da sala de aulas, humilhando e intimidando física e verbalmente, qualquer criança que fosse diferente ou mais fraca.
Recordo o caso de uma colega que ficou sem a sua bela trança, cortada de uma tesourada só, por um colega sentado na carteira de trás. Mas a família desse aluno actuou em conformidade e ele acabou por se corrigir.
Naquele tempo não existia um termo para designar este tipo de comportamento mas actualmente os media, os técnicos de educação e os psicólogos utilizam a expressão “bullying”para classificar aquilo que outrora era designado por má educação.
Em Portugal, talvez porque a nossa língua se tornou permeável a uma colonização permanente, utiliza-se aquele termo inglês para designar, num só, muitos outros em português. Deste modo, ofender, humilhar, fazer sofrer, discriminar, excluir, isolar, ignorar, intimidar, perseguir, maltratar, assediar, aterrorizar, amedrontar, tiranizar, dominar, agredir, bater, ferir e roubar, é convertido numa só palavra: “bullying”.
Não é uma realidade nova, mas sim um fenómeno crescente na nossa sociedade, ao qual, pais, professores, psicólogos e comunicação social têm vindo a dar maior atenção.
No último ano, o que era uma realidade restrita somente às relações entre alunos, estendeu-se também aos professores e a outras áreas da vida em sociedade.
Fala-se igualmente de "cyber-bullying", a forma mais sofisticada de humilhação e agressão psicológica. Consiste em fazer circular na Internet, boatos, fotografias, comentários, sobre pessoas que não têm qualquer hipótese de se defender, pois o agressor actua, quase sempre, sob anonimato total, difícil de responsabilizar.
Recentemente, entre nós, a comunicação social deu relevo ao caso de uma professora de Francês que se viu envolvida num episódio de “bullying”, por alegadamente ter retirado o telemóvel a uma aluna, durante uma aula.
Aos gritos e tratando a professora por “tu”, a aluna de quinze anos, humilhou a docente, desrespeitou-a, para gáudio dos outros colegas presentes na sala, que até filmaram o acontecimento, rindo e fazendo comentários jocosos. Nunca tal coisa se viu.
Fica aqui a pergunta: até que ponto o comportamento ético deste Governo para com os professores, não poderá ser também considerado “bullying”?
Pelo facilitismo hoje imposto na escola, através da publicação do Estatuto do Aluno, agora em vigor, pela constante perseguição aos docentes sob as mais diversas formas de pressão, pela incapacidade de fazerem aplicar leis que responsabilizem as acções não só dos professores mas também dos alunos, este Governo tem responsabilidade directa no que se passou naquela Escola.
A escola não é nenhuma selva e o uso de um telemóvel, em plena aula, não se admite.
Agora e para animar o circo, só faltará dizer que se tratou do roubo de um telemóvel a uma aluna, pela própria professora, durante a aula de Francês.
A ver vamos!

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