terça-feira, 18 de março de 2008

MACACOS, MACAQUINHOS E MACACÕES



Aquele meu vizinho anda impossível.
Meteu-se-lhe naquela cabeça que havia de reconstruir a muralha à volta do nosso "cotê" e, agora, quem quiser vê-lo, é só de vigas às costas, botas de biqueira de aço e capacete protector, para não falar das luvas de amianto e da fita métrica que teima em esticar, de cada vez que me apresto a saír para os meus passeios matinais.
Para além disso, suja-me as escadas todas e deixa-me pégadas à entrada da porta, o que é uma grande chatice, pois quem olhar para aqueles enormes pés marcados na soleira da minha porta, até pensa que eu, moçoila honesta e recatada, ando a fazer o pino com o fiscal de obras da Avenida da Praia.
Há uns dias que não o vejo e até já lhe toquei várias vezes à campainha mas ele não me ligou nenhuma. Inclusivamente deixei-lhe à porta umas bejecas que trouxe da Irlanda, da famosa marca Guinness, mas nem assim fui senhora da sua atenção.
O que é facto é que as bejecas desapareceram e o cão dele apareceu de repente com um tremendo ar de borrachola, deitado no sofá da portaria.
Cá para mim, o rasteirinho foi-se às cervejolas e o dono ficou a ver navios.
Mas adiante, que atrás vem gente.
Como ia dizendo, cheguei há pouco de fora e encontrei a cidade em polvorosa com a eleição do macaco-mor. E em polvorosa porque em quatro jaulas havia macacos de várias espécies, todos eles com pretensões a macacões, distribuidos por duas secções: macaquinhos e gorilas.
Saltitantes, de galho em galho, os macaquinhos foram corridos pelos gorilas que tiveram a ajuda dos macacos velhos, vindos da santa selva bendita.
Era vê-los a catarem-se uns aos outros e a comer bananas importadas do multibanco, fresquinhas, chegadas directamente da selva, no próprio dia da eleição, oferecidas pelo King Kong e pela Jane do Lavradio.
O Tarzan também por lá andava, juntamente com o Homem do Martini e Mr. Magoo. Este último num frenesi pois o gorila-mor, seu patrão, atirou-se à girafa e ambos rolaram pelas escadas abaixo, até onde se encontrava a urna que andava num virote, escada acima escada abaixo.
Acabada a festa, recolheram-se os macaquinhos pequeninos que, sem a ajuda dos macacos velhos, viram o seu galho partir e o seu calo traseiro sangrar.
Pobres macaquinhos pequeninos!
Estais à mercê daqueles grandes macacões.

Sem comentários: