segunda-feira, 24 de março de 2008

O COMPASSO



Esta coisa de ter sido muito bem educada no respeito pelas tradições ancestrais portuguesas, por vezes tem os seus inconvenientes.

Não calculam o esforço que algumas vezes faço, para conseguir manter aquela postura a que estou obrigada, não apenas por ser uma adulta com responsabilidades do foro ético-jurídico, mas também por ser membro de uma família tradicional, para quem a religião é uma espécie de "res intocabilis".

Nesta altura, claro que me refiro ao compasso. Aquela cerimónia Pascal que arrasta multidões e revela o quão mesquinhas algumas pessoas são.

Estou a falar daquelas pessoas que passam a vida a sacanear meio mundo, nunca dão uma esmola a um pobre e que, depois, pensam que ajoelhando-se naquele dia, dando uma beijoca a Jesus Cristo e um gordo envelope ao padre da paróquia, ficam santas para toda a vida, por obra e graça do Espírito Santo.

Lá estive, impávida e serena, a assistir ao espectáculo, com uma vontade maluca de arrear a bronca e acabar com aquela farsa.

Triste país em que até Jesus Cristo, na sua Cruz, serve para ostentar riqueza e poder.

Todos, à uma, quiseram babar a Cruz. Os beijos foram tantos que Jesus Cristo ficou coberto de bactérias e morreria novamente, se fosse vivo.

Juro que no próximo ano vou chamar a ASAE, para acabar com aquilo.

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