sábado, 26 de abril de 2008

PORCARIAS



O Provedor poisou cinco notas de cem euros em cima de uma mesa do bar do seu Partido, para pagar o resto das quotas que a brigada do reumático não tinha pago nas últimas eleições de 8 de Março.

Enquanto estava distraído a conferir os nomes de todos os velhotes e os talões multi-banco que a sua empregada tinha baralhado, um porco que por lá andava a estagiar, comeu-lhe as notas todas.

O criado míope, que andava por ali a varrer, sugeriu ao Provedor que desse bagaço ao animal para ele arrotar, de forma a que as notas voltassem todas inteirinhas cá para fora.

Como já não havia bagaço no bar, o dito cujo Provedor levou o porco para o seu novo refeitório da Rua Miguel Bombarda e pediu três bagaços: dois para si e outro para o bicharoco.

Passado pouco tempo, o homem dá um pontapé no rabo do porco e este arrota uma nota.
Mais uns minutos, mais um pontapé, mais uma nota.

O seu confrade Vereador, visita da casa e amigo do peito de longa data, com um fetiche por porcos, aproxima-se e pergunta:

- Eu estarei a ver bem?

Sem responder, o Provedor dá novo pontapé no traseiro do porco.

O bicho dá um novo arroto e logo de seguida surge uma nova nota.

O Vereador ficou de tal forma encantado que, tirando um maço de notas do bolso do casaco não resistiu fazer uma proposta de compra de tão maravilhoso animal:

- Ó confrade Provedor, dou-lhe já 50 mil euros por esse porco e não se fala mais no assunto.

- Vendido, diz o outro!

O Provedor pega no dinheiro, deixa o porco com o confrade Vereador e vai-se embora, todo feliz da vida, esfregando as mãos de contentamento.


Título do Jornal do Barreiro, no dia seguinte: “VEREADOR GANANCIOSO MATA PORCO A PONTAPÉ”.

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