domingo, 27 de abril de 2008

REERGUENDO ABRIL...



Quando chega o dia 25 de Abril, não há cão nem gato que não queira chamar a si as bondades de tão gloriosa data, afirmando à boca cheia que se comemora a liberdade, a democracia e as conquistas dos trabalhadores.
Resolvi fazer este “post” e tecer algumas considerações sobre a matéria, depois de ter lido um comunicado da Federação das Mulheres Socialistas do Distrito de Setúbal, em que as moçoilas fazem a destrinça entre trabalhadores e trabalhadoras, cidadãos e cidadãs. Eu que pensava que as mecinhas eram pela igualdade do género, fiquei deveras surpreendida com a distinção.
Mas há outras coisas que me chamaram, de igual modo, a atenção.
Depois de uma introdução com vários considerandos beligerantes com Cravos, Mário Soares e Salgado Zenha à mistura, não esquecendo de passar a mão pelo pêlo do Zé Povinho que igualmente classificam de “astuto”, elas entraram naquele discurso esgotado que só convence quem for maluquinho.
Os “visionários” deste Governo têm deitado por terra todas as conquistas que foram feitas naquela bela e longínqua madrugada do 25 de Abril.
Em 34 anos da Revolução de Abril nunca Portugal esteve tão enrascado como está agora. Se em 1974 vivíamos num país de mínimos sociais, hoje vivemos, apesar das facilidades apregoadas, num país de mal-estar, num país pobre onde os níveis de exigência são baixos, onde o facilitismo e o desenrasca imperam, num país onde a maioria dos cidadãos não tem acesso aos mais elementares bens de consumo, já não têm protecção social, onde se é punido por delito de opinião, onde os alunos batem nos professores, onde despudoradamente reinam as “cunhas” e os tráficos de influências.
Este Partido Socialista autocrático e autista tem sido o principal obreiro de todas estas desconquistas, com a colaboração e a indiferença das diferentes forças políticas e até deste povo sofredor e resignado, que tem sido, nestes últimos três anos, exaurido até à medula.
Portugal aderiu à União Europeia e está na sua cauda. Tem uma moeda única que compete com o dólar, com as inevitáveis consequências que daí advêm. Aprovou um Tratado de Lisboa que limita a sua soberania. Os jovens licenciados em Portugal têm de se fazer ao mundo, se não quiserem acabar numa caixa de hipermercado ou numa bomba de gasolina.
Dizem elas que não aceitam que se olhe para Portugal de forma miserabilista e fatalista, porque se orgulham do percurso democrático alcançado, que consideram um percurso progressista. Depois falam daquilo que dizem ser as grandes “criações” do Partido Socialista.
Seria bom que o rendimento mínimo garantido fosse efectivamente recebido por quem dele verdadeiramente necessita, que o complemento solidário para os idosos não tivesse as rasteiras que tem (se for um casal de idosos, não recebe cada um “de per se”).
Seria bom que não continuassem a passar a mensagem de que as contas públicas estão em ordem, porque tal não corresponde à verdade. A despesa pública tem aumentado substancialmente e apenas se limitaram a extinguir e a fundir serviços que agora se verifica serem essenciais. O salário mínimo é menos de metade do de outros países da UE.
Orgulham-se de ter despenalizado a Interrupção Voluntária da Gravidez. Verifica-se que há hospitais a não atender doentes de oftalmologia e de outras valências, por falta de meios. Mas as verbas para abortar lá continuam disponíveis, ao arrepio do que é razoável e sensato.
Introduziram uma Lei da Paridade que trata as mulheres como borregas prontas a serem marcadas e tosquiadas por um partido qualquer. Fizeram aprovar uma alteração à Lei do Divórcio sem terem em conta o Direito da Família e acabaram com o progresso em nome de todo o progresso.
Dizem que a alteração ao Código do Trabalho está na ordem do dia e que virá também ela marcar a agenda do progresso em Portugal. Era bom que assim fosse. Ao contrário do que estas Senhoras defendem, a nossa legislação laboral é das mais flexíveis da Europa porque a par de um mercado rígido de trabalho, existe um mercado totalmente flexível, baseado nos recibos verdes, tão ao gosto dos patrões, que lhes permite despedir os efectivos, sempre que entenderem.
O tal bem-estar social será sempre dos patrões e estou em crer que, com este Governo, os recibos verdes apenas mudarão de cor, passando a ser cor de rosa.
Antes de se fazer um Código do Trabalho deveria primeiro educar-se a classe empresarial que em Portugal é totalmente irresponsável. Se não houver empresários empreendedores, nunca poderá haver investimento.
Graças a este PS, aquela revolução dos cravos que acordou Portugal há 34 anos, trazendo ondas de esperança num futuro melhor, está a morrer um pouco todos os dias.

Mas o nosso Povo é sereno e acordará, no momento certo, para reerguer Abril.

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