domingo, 27 de abril de 2008

VIAJANDO



Quando viajo de avião tenho tempo mais do que suficiente para pensar, meditar, analisar e tirar conclusões sobre todas as coisas que constituem a nossa rotina e a nossa razão de viver.

Actualmente, em Portugal, estamos a atravessar tempos de mudança, ainda que não tenhamos plena consciência desse facto.

Tenho pensado muito nas minhas viagens de Copenhaga a Estocolmo de comboio.

Por lá, esse meio de transporte equipara-se em velocidade aos nossos Alfas, embora menos luxuosos e dotados de menos serviços de apoio aos passageiros.

Normalmente, leva-se cerca de cinco horas de viagem, através de florestas geladas e planícies brancas a perder de vista.

Se eu não fosse crítica acérrima do projecto TGV e conhecendo a realidade económica e social daqueles países, daria comigo a pensar se os nórdicos, representantes únicos dos PIB e superavites orçamentais, serão mesmo uns palermas.

Se não conhecesse bem o seu modo de vida, perguntaria onde gastarão eles os abundantes recursos financeiros resultantes da substancial criação de riqueza.

A resposta está bem à vista na excelência das suas escolas, na qualidade do seu Ensino Superior, nos seus Museus e Escolas de Arte, nas creches e jardins-de-infância em cada esquina, nas políticas de apoio à terceira idade e à juventude.

Percebe-se bem por que não construíram estádios de futebol megalómanos e desnecessários, por que não constroem aeroportos em cima de pântanos, nem optam por ter comboios que só agradam a meia dúzia de multinacionais .

O chamado TGV que agora queremos para Portugal, é um transporte adaptado a países de dimensão continental, extensos, onde o comboio rápido é, numa perspectiva de tempo de viagem/custo por passageiro, competitivo com o transporte aéreo.

Encontramo-lo em Espanha e França devido à referida pressão de certos grupos estrangeiros que fornecem essas tecnologias.

Não o encontramos na Noruega, na Suécia, na Holanda e em muitos outros países ricos, porque os respectivos governos são sensatos.

O TGV em Portugal diminuirá em apenas 30 ou 40 minutos a distância de Lisboa ao Porto, à custa de um investimento faraónico de cerca de 7,5 mil milhões de euros que não trará qualquer benefício à economia do País.

Como é um projecto praticamente não financiado pela União Europeia, constitui um presente envenenado para as várias gerações de portugueses que, com maior ou menor engenharia financeira vão ter de o pagar.

Com esses 7,5 mil milhões de euros poderiam construir-se mil escolas básicas e secundárias ultra-modernas que substituíssem as mais de cinco mil obsoletas agora existentes (a 2,5 milhões de euros cada uma), mais mil creches inexistentes (a 1 milhão de euros cada uma), mais mil centros de dia para os nossos idosos (a 1 milhão de euros cada um).

Ainda sobrariam cerca de 3,5 mil milhões de euros para construir hospitais e aplicar em muitas outras carências, como a urgente reabilitação de toda a degradada rede viária secundária.

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