sexta-feira, 2 de maio de 2008

CARTAS DE AMOR



Não é um tema recorrente, nos dias que correm.

Longe vão os tempos em que se perdia tempo a desenhar afectos nas palavras.

Disse o Poeta que "Todas as cartas de amor são ridículas". Como é bom ser-se ridículo ao dizer ao outro que o amamos, que temos sentimentos, que somos pessoas.

Antes de adormecer, entretenho-me a ler aquele maço de cartas de amor dos meus avós, amarelecidas pelo tempo, guardadas religiosamente naquela caixa de madeira das Índias, que ainda mantém o perfume lavanda impregnado nas fitas azuis que enlaçam aquele pedaço de história, que preservo e guardo só para mim.

Momentos de ternura em que me escondo e em que revejo aquela felicidade que já não existe mais.

Tão simples, tão amantes, tão autênticos.

Perdeu-se o hábito de escrever. Substituiu-se o papel e a caneta pelas sms, pelo e-mail, pelo messenger.

Os C são substituidos por K e os S por X, em mensagens idiotas e sem qualquer conteúdo.

Tudo é curto e sem sentido.

Acabaram-se as cartas de amor.

Mas eu quero ser ridícula. Quero continuar a gastar muito papel e tinta.

Quero escrever a alguém e dizer tudo o que me vai na alma.

Mesmo que não obtenha qualquer resposta.

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