sexta-feira, 22 de agosto de 2008

A PROCISSÃO



Ontem passei uma boa parte da noite na risota com o meu vizinho do peito, o Conde do Barreiro Velho, com quem tenho uma forte ligação de amizade, desde há quase três anos.

Eu sei que ele fica encabulado quando lhe dou beijokas em público e foge de mim a sete pés, quando se apercebe que lhe vou beliscar o traseiro.

"Você é uma abusadora", diz-me ele. "Eu podia ser seu pai e você anda sempre a aborrecer-me e trata-me como se eu fosse da sua idade. Qualquer dia dou-lhe um estaladão nessas ventarolas, que você até vai aterrar na misericórdia".

Pronto! Amocho logo. Este meu vizinho tem um quê de psicólogo que o faz adivinhar que, quem quiser ver-me passada dos carretos, é só falar em misericórdia e misericordiosos.

Por falar de misericórdia, o meu vizinho convidou-me a ver as fotos que tirou da procissão de Nossa Senhora do Rosário, no dia 15 de Agosto. Este ano não estive presente a acompanhar a minha tia Vivi que é frequentadora assídua da Igreja e devota da Santa. Escapei-me de boa, porque sempre achei que aquela procissão serve apenas de "montra" de vaidades e de outras intenções menos religiosas, a pessoas sem escrúpulos.

Eles lá estavam todos de óculos escuros e trajes muito pouco apropriados à solenidade. Quem acompanha uma procissão como representante do que quer que seja, deveria, no mínimo, primar pela sobriedade, pela discrição e pela decência.

Debaixo do Pálio vinham pessoas que em tempos renegaram a Cruz de Cristo. Por que motivo andam agora a beijocar a cruz e a fazer de conta que são católicos fervorosos?

Aquelas fotos deram-me volta ao estômago.

Adorei o casal de óculos escuros, de mãozinhas dadas e vestido a rigor para ir ao baile do cabaré da coxa. Aquele tom celestial de azul-cueca e aquele branco imaculado de virgem maometana, comoveram-me até às lágrimas e inspiraram-me um poema ao estilo de Bocage, que mais tarde "postarei" aqui.

Então aquele saco prateado, com chinelas a condizer e aquele cinto a espartilhar as provectas banhas, nem vos conto.

Acho que Nossa Senhora vai pedir para não saír mais na procissão.

Por que será que certas pessoas não se olham ao espelho, antes de saír de casa?

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

CARTA A NINGUÉM



Hoje, nas minhas arrrumações, encontrei uma velha caixa de cartão que julgava perdida para sempre.

Aquela caixa continha uma parte da minha vida que não cheguei a viver, se é que se pode dizer que não se viveu, vivendo.

Lá estavam as minhas fitas azuis escuras, todas escritas com mensagens de sorte e de esperança, o bilhete do saudoso Prof. Paulo Quintela felicitando-me pela média obtida e o "cachucho" de letras, de oiro já sujo e safira azul brilhante, que recebi como presente. Tudo cuidadosamente embrulhado em papel de celofane já pardo, porque o tempo não se compadece com brancuras.

Desculpa. Sempre sonhaste para mim uma cátedra de professora de línguas que estudei só para te fazer a vontade. Nos meus 22 anos eu sonhava outro sonho que não era o teu e, por isso, optei por outro caminho.

Ficaste triste, eu sei, quando me viste mais tarde com fitas vermelhas e um anel de rubi vermelho que não me tinhas dado.

Mas se isso te fizer feliz, digo-te que sábado pela manhã lá estarei como se fosses tu, junto de todos aqueles que um dia comigo receberam fitas azuis e aneis de safiras azuis brilhantes.

Falarei todas as línguas que me ensinaste a falar e a escrever e, por uns dias, terei a convicção que estarás sempre junto de mim, apesar de saber que já partiste há muitos, muitos anos atrás.

Um dia, as minhas fitas vermelhas e as azuis juntar-se-ão às tuas azuis e ficaremos juntas para sempre. Os meus dois aneis repousarão para sempre ao lado do teu, numa caixa de cartão que outro alguém guardará com o nosso nome e sentirá saudades nossas.

Um dia, descansaremos em paz.

A RIFA



Antes de ir de férias, fui a uma patuscada Ribatejana, com alguns amigos que são contumazes em arrastar-me para sítios impensáveis, onde se come até rebentar, porque a comida, de tão apetitosa que é, não deixa outra alternativa que são seja a de repetir as doses vezes sem conta (passe o pleonasmo).

Claro que isso do "rebentar" é uma metáfora que utilizo para provocar os meus amigos mais lateiros, já que eu não sou moçoila para grandes comezainas. Vou a esses eventos mais porque aprecio a sã camaradagem entre amigos e colegas de profissão e também para quebrar um pouco a monotonia e a rotina do dia a dia.

Como ia dizendo, depois da patuscada lá fomos beber a bica ao café da aldeia porque, dizem eles, o café de saco, feito em casa, não presta e sabe a água de castanhas.

O dono do café, presidente da associação recreativa e cultural lá da terra, cravou-nos com várias rifas destinadas à compra de uma nova aparelhagem sonora para a colectividade. Havia vários prémios em jogo e o único que eu fixei era um televisor pequeno, daqueles que costumamos pôr na cozinha.

Cada rifa cinco euros e eu lá comprei quatro bilhetes que deixei ao caseiro do meu amigo, para que tomasse conta dos números e me avisasse no caso de ter algum prémio. Todos os outros seguiram o meu exemplo e toca a escrever os nomes e os telefones nos tickets, para serem informados também.

Hoje, passados quase dois meses, estava eu na Moderna, à luta com uma bola de manteiga, quando toca o telemóvel e é o Senhor José, o tal caseiro, que me deu a notícia de que sou, desde há vários dias, proprietária de uma porca de seis meses e que devia ir buscá-la o mais breve possível.

Claro que entrei em pânico. Eu que já tenho três cães, dois caturros, um cágado, dois periquitos, um papagaio verde e um gato vadio, vejo agora crescer a arca de Noé e logo com uma porca.

Acho que vou ter de pedir conselho ao Senhor do Barreiro a quem também já saiu um porco.

Onde é que ele teria enfiado o bichinho?

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

FALÁCIAS...



Já baixou o desemprego, anda ele a dizer todo ufano, a quem o quiser ouvir.

Será que ele se estará a referir aos mais de três mil desempregados a quem ultimamente mandou cortar o subsídio de desemprego?

Desta forma expedita, o homem conseguiu que as pessoas que estavam ontem desempregadas passassem a empregados hoje, num abrir e fechar de olhos, sem ter de recorrer a grandes malabarismos técnicos. Resolveu, de forma administrativa, um dos maiores problemas com que Portugal se debate na actualidade.

Viva a estatística!

E ainda dizem que o homem não é engenheiro...

terça-feira, 19 de agosto de 2008

CURIOSIDADES





Micaela Reis é Barreirense, filha de pais angolanos de Benguela, residentes no Barreiro, como eu, e foi candidata a Miss Angola-Portugal, no ano de 2007.

É uma jovem de dezanove anos, muito bonita, como podem ver pelas fotos, que foi eleita Miss Angola 2007.

Foi candidata a Miss Mundo e ficou em segundo lugar, como 1.ª Dama de Honor, no concurso que decorreu na China, no dia 1 de Dezembro de 2007.

Também representou Angola no concurso de Miss Universo e ficou em sétimo lugar.

Nós, por cá, pouco ouvimos falar do evento.

A Micaela vive agora em Angola, a fim de dar cumprimento aos seus compromissos de Miss.

Soube que brevemente regressará ao Barreiro, onde ainda moram os seus progenitores.

Parabéns ao Barreiro e a esta Barreirense que representou Angola com muita dignidade.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

DE VOLTA!



Só para dizer aos meus amigos do peito, que já regressei das minhas férias magníficas, em terras africanas.

Foram dias de sonho que não vou esquecer jamais.

Na imagem, a Caotinha, a minha praia preferida, onde aprendi a nadar aos quatro anos de idade e onde ganhei a paixão pelo mergulho subaquático que ainda hoje pratico em Sines e Sesimbra, nos fins de semana, com os amigos mais afoitos.

Agora estou a desfazer as malas e a preparar nova bagagem, porque na próxima semana irei para Saragoça, à Expo 2008, onde me esperam mais amigos e companheiros, para um Congresso que costuma ser todos os anos muito divertido.

Voltarei aqui, antes de ir, para vos relatar algumas curiosidades.

Beijokas!