quinta-feira, 21 de agosto de 2008

A RIFA



Antes de ir de férias, fui a uma patuscada Ribatejana, com alguns amigos que são contumazes em arrastar-me para sítios impensáveis, onde se come até rebentar, porque a comida, de tão apetitosa que é, não deixa outra alternativa que são seja a de repetir as doses vezes sem conta (passe o pleonasmo).

Claro que isso do "rebentar" é uma metáfora que utilizo para provocar os meus amigos mais lateiros, já que eu não sou moçoila para grandes comezainas. Vou a esses eventos mais porque aprecio a sã camaradagem entre amigos e colegas de profissão e também para quebrar um pouco a monotonia e a rotina do dia a dia.

Como ia dizendo, depois da patuscada lá fomos beber a bica ao café da aldeia porque, dizem eles, o café de saco, feito em casa, não presta e sabe a água de castanhas.

O dono do café, presidente da associação recreativa e cultural lá da terra, cravou-nos com várias rifas destinadas à compra de uma nova aparelhagem sonora para a colectividade. Havia vários prémios em jogo e o único que eu fixei era um televisor pequeno, daqueles que costumamos pôr na cozinha.

Cada rifa cinco euros e eu lá comprei quatro bilhetes que deixei ao caseiro do meu amigo, para que tomasse conta dos números e me avisasse no caso de ter algum prémio. Todos os outros seguiram o meu exemplo e toca a escrever os nomes e os telefones nos tickets, para serem informados também.

Hoje, passados quase dois meses, estava eu na Moderna, à luta com uma bola de manteiga, quando toca o telemóvel e é o Senhor José, o tal caseiro, que me deu a notícia de que sou, desde há vários dias, proprietária de uma porca de seis meses e que devia ir buscá-la o mais breve possível.

Claro que entrei em pânico. Eu que já tenho três cães, dois caturros, um cágado, dois periquitos, um papagaio verde e um gato vadio, vejo agora crescer a arca de Noé e logo com uma porca.

Acho que vou ter de pedir conselho ao Senhor do Barreiro a quem também já saiu um porco.

Onde é que ele teria enfiado o bichinho?

Sem comentários: