sábado, 13 de setembro de 2008

JARDIM PROIBIDO



Gosto imenso de falar com as minhas plantas.

É uma "panca" antiga, já dos tempos de escola, em que tinha de pôr um feijão a germinar, para ser estudado na aula do falecido Dr. Lacerda.

Tenho um pequeno jardim onde plantei algumas flores e quatro árvores de fruto: uma cerejeira, uma laranjeira, um pessegueiro e uma romãzeira.

A romãzeira, preguiçosa, não havia meio de dar fruto.

Ontem, sentada ao sereno da noite, entabulei com ela uma conversa de bêbado.

"Então eu plantei-te e tu só bebes água e adubo, mas fruta, nada. Acho que te vou substituir por outra. Assim, como assim, parto em breve e és capaz de ficar para aí a morrer, porque ninguém te vai tratar tão bem como eu te tratei. Nem sequer uma romã me deste. És mesmo ingrata!".

Está claro que ela não me ligou nenhuma. Nem sequer me respondeu.

Acabei o meu chá e fui-me deitar.

Hoje de manhã, quando abri a porta da cozinha, que dá para o jardim, vi uma pequena bola rosada, a despontar da romãzeira.

Fiquei a pensar.

Será que ela ouviu o que eu disse?

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