domingo, 21 de setembro de 2008

O RETRATO



Hoje acordei com uma grande vontade de fazer maldades.

Deitei abaixo um "outdoor" da Câmara Municipal do Barreiro e trouxe-o para a minha porta, a fim de fazer uso dele.

Quem não gostou nada da ideia foi o meu ilustre vizinho, o Conde do Barreiro Velho, que nestas coisas é muito parcimonioso.

Fui pedir-lhe a ferramenta emprestada para pregar o meu retrato, aquele que tirei há menos de quinze dias e ele começou logo a resmungar:

"Lá está você com as suas invenções! Mas cabe lá na cabeça de alguém pregar um retrato na Avenida Alfredo da Silva? Ainda para mais que agora a Câmara aumentou em 300% as taxas de publicidade?

Você não anda boa da cabeça. Fez-lhe mal a viagem de avião. E aviso-a já, que não quero chinfrim aqui à porta. Vá martelar ali para o lado dos ciganos, que assim já não incomoda ninguém. Ora essa!".

Este meu vizinho anda sempre mal disposto. Mas eu compreendo-o perfeitamente. Não é por mal.

- "Vizinho, chegue-me aí os pregos, se faz favor". "E ajude-me a erguer esta coisa, para eu fazer a esquadria e não ficar torto".

- "Você anda a abusar. Olhe lá, já meteu as licenças à Câmara, para pendurar essa coisa? É que já estou a ver os índios barreirenses que a "adoram", munidos de arco e flecha, a tentar acertar-lhe nas ventarolas. Vai provocar ajuntamentos".

Este meu Vizinho veio de férias muito pessimista.

E eu importo-me lá com os índios ou com o que quer que seja?

O que eu quero mesmo é que o retrato seja colocado na Avenida Principal e distraia os transeuntes das medidas dos lancis e da largura da rua.

Percebeu Vizinho?

Este meu Vizinho é um "must".

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