terça-feira, 9 de setembro de 2008

RENTRÉE



Acabaram-se as férias de Verão.

Tudo a postos para mais um ano de trabalho intenso.

Não sei porquê, sinto uma certa nostalgia em relação ao que me rodeia.

É como se já sentisse saudades antes de ter partido.

O ritual da escolha das malas, das roupas e das coisas que vou querer levar, é desgastante, porque talvez no fundo de mim, eu quisesse ficar por aqui.

Fico com um nó na garganta e aquele frio na barriga, porque sei que agora será de vez.

Vou levar o xaile de lã que me aconchegou nas noites perdidas de leituras vãs e aquela manta colorida que um dia me ofereceram numa aldeia do Nordeste Transmontano, para me agasalhar das saudades que irei sentir.

Ficam para trás as rosas vermelhas num envelope, os lenços bordados e aquelas tardes que não vou esquecer jamais.

Até que a morte me separe.

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