quarta-feira, 10 de setembro de 2008

À ROSARINHO E AOS SEUS PAIS



Hoje fui convidada a jantar no Barreiro Velho, em casa de umas pessoas de quem já quase não me lembrava, pois conheci-as quando era ainda muito pequena, quando vinha visitar os meus avós.

Ultimamente tenho andado muito em baixo de forma, porque sinto saudades. Por isso aceitei o convite. Precisava de estar com alguém que me falasse do meu avô e me ajudasse a reviver os bons momentos que passámos juntos.

Isto nunca me aconteceu.

Fiquei surpreendida pela forma como essas pessoas me receberam em sua casa. Uma casa humilde mas limpíssima, transpirando harmonia e paz.

Senti-me como se estivesse no céu, rodeada de anjos.

Tinham em cima de uma antiga cómoda, fotografias daquele tempo: a minha falecida amiga Rosarinho e eu, o meu avô num grupo de operários da CUF, a minha avó com os seus alunos, onde estava também o dono da casa e a cadela Lassie que eu e a minha falecida amiga costumavamos vestir com a roupa das bonecas.

Eu, que já não choro, senti um ardor nos olhos, difícil de controlar.

Foram buscar vários albuns de fotografias e, numa atrás de outra, lá estava eu com os meus caracois brancos, que todos os rapazes com quem brincava, teimavam em puxar, para ver se eram verdadeiros.

Fiquei sem palavras.

Aquela família incluiu-me e aos meus, na sua história de vida e nas suas recordações.

Senti-me tão pequena.

Senti-me tão inútil.

Senti-me tão mal.

Talvez porque só agora tenha compreendido que afinal há sempre alguém que nos estima e que gosta de nós, embora tenhamos esquecido que essa pessoa existe e que um dia fez parte da nossa vida e nos ajudou a crescer.

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