quinta-feira, 30 de outubro de 2008

O FORUM



Terça-feira fui convidada por uma empresa nossa cliente, para a inauguração do Forum do Barreiro.

Não sei porquê, considero-o um empreendimento que veio cavar um pouco mais funda a sepultura dos pequenos comerciantes barreirenses.

Decidi não ir à inauguração, embora as pressões que tenho recebido, sejam muitas.

Depois acresce o facto de já estar frio e eu não estar com pachorra para paneleirices de inaugurações. Até porque, segundo consta, o estacionamento e as acessibilidades vão ser um caos.

Prefiro ficar neste meu canto, tranquila e aquecida, a ler um bom livro.

Vai haver pessoas que se vão deslumbrar e consumir sem regras.

Vai haver ofertas de descontos, de cartões de crédito sem juros e outras artimanhas que os menos avisados não saberão evitar.

Vai ser mais uma machadada na situação difícil de muitas famílias do Barreiro.

Vou ficar por aqui, no dia 4, e esperar que não aconteça o que estou a prever.

domingo, 26 de outubro de 2008

O JANTAR



Hoje fui jantar ao sítio do costume.

É Domingo e a D.ª Mimi teve o seu dia de folga.

Ainda bem, porque intromete-se sempre naquilo que como ou deixo de comer.

Obriga-me a comer sopa e pratalhadas de comida, eu que até sou um "pisco".

Estou sempre à espera que chegue o fim de semana para não a ter à "perna".

Hoje consolei-me e deixei o empregado do restaurante a falar sozinho e a pensar que sou maluca.

Pedi um bife grelhado com duas rodelas de ananaz e azeitonas com mel. Apeteceu-me molhar as azeitonas em mel, antes de as comer.

Os restantes comensais olhavam-me desconfiados.

Caramba, já não se pode comer à vontade?

Que se lixe!

Para amanhã já estou a pensar em filetes de pescada com bananas fritas e requeijão.

COISAS DO "MANTORRAS"



Hoje acordei às sete da manhã, ao som estridente do meu novo telemóvel, fornecido pela empresa.

Ainda não me habituei a ele o suficiente, para mudar os tons e personalizar algumas funções.

Ia eu dizendo que saltei da cama, esbaforida, com a sensação de estar dentro da Igreja de Notre Dame, a ouvir tocar os sinos, tal era o chinfrin do toque do telemóvel.

Atendi.

Do lado de lá, uma voz histérica debitava frases sem nexo.

Pedi-lhe que se acalmasse e falasse pausadamente.

Falava-me de médico, de clínica e de IVG.

Eu não percebia nada.

Por fim, a senhora mais calma, lá me foi dizendo que o problema era o meu Mantorras e a sua cadela "Fifi", uma caniche de dois anos e que a responsabilidade era minha.

Ora o meu Mantorras até tem estado na quinta de um amigo meu, o Eduardo, que gosta muito dele e quer ficar com o bicho, quando me fôr embora.

Fiquei baralhada.

Ao fim de alguns minutos a tentar perceber a conversa, lá descortinei que o Mantorras se escapou para a vizinha do Eduardo, "saltou" na tal caniche e agora a dona quer que eu mande castrar o cão e que seja eu a pagar a "IVG" da bicha, porque, segundo o veterinário, o Mantorras é um Bull Mastif e as crias, de tão grandes que são, poderão matar a "Fifi", ao nascerem.

Isto só podia acontecer comigo.

Que culpa tenho eu que a "Fifi" seja uma desavergonhada?

Caniche que se preze, não devia "transar" por aí à toa, ainda por cima com um cão daquele tamanho.

Tive pena da dona da "Fifi".

O irmão do Eduardo é veterinário e vai fazer a "IVG".

Castrar o Mantorras é que está fora de questão.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

O CASAMENTO



Tenho andado furiosa.

E o caso não é para menos.

Alguém anda a espalhar aos quatro ventos no Barreiro, que vou casar no fim do ano, com um conhecido socialista barreirense, muito mais velho que eu.

O caricato da questão é que nem nos conhecemos pessoalmente e acho até que o senhor é comprometido.

O boato já chegou aos ouvidos da minha família que me tem ligado, muito surpreendida.

O meu pai já se disponibilizou até a arcar com todas as despesas.

Os meus amigos estão em polvorosa e entusiasmados, a pensar na festança.

Ligam-me três e quatro vezes ao dia a perguntar a data e a oferecerem-se para cantar na cerimónia.

Eu estou mesmo furibunda.

Toda a gente que me conhece sabe que, se um dia eu me casar, é porque devo estar completamente bêbeda.

Ninguém tem o direito de dispôr dessa forma do bom nome de duas pessoas.

Se apanho quem se lembrou de semelhante, não responderei por mim.

Mas eu vou descobrir. Olá se vou!

terça-feira, 21 de outubro de 2008

HERESIA OU ARTE?



O sapo crucificado é uma obra polémica do falecido artista alemão Martin Kippenberger, que a criou no ano de 1990.

Segundo dizem, representa o próprio autor que era feio e alcoólico.

Ainda se encontra exposta no museu italiano de Bolzano, apesar de Bento XVI ter movido o céu e a terra, para que fosse retirada da exposição.

As questões que se põem são as seguintes:

Heresia ou arte?

Hipocrisia ou convicção?

Quem atira a primeira pedra?

O TAROT



Esta coisa de ser uma pessoa ocupada, tem muito que se lhe diga.

Não me esqueci que prometi ao meu vizinho, Conde do Barreiro Velho, uma dissertação sobre o dito, e sobre todas as coisas que normalmente nunca são faladas, quando o assunto é o Barreiro Velho.

Vizinho, não me esqueci de si. Como sou perfeccionista, tenho de estruturar bem aquilo que vou escrever, para sair uma coisa perceptível por todos, já que tenho a fama de escrever, quase sempre, só para alguns e nas entrelinhas.

Por falar em escrever, tenho-me divertido imenso com alguns comentários aos meus artigos no Rostos. Constato aquilo que o meu vizinho me tem dito milhentas vezes: ninguém, ou quase ninguém, entende aquilo que eu pretendo dizer. É patético.

Quando tal, aparece sempre um zé dos anzois que não percebeu nada daquilo que leu, mas que bota escritura como se tivesse entendido tudo, tim tim por tim tim.

Os meus preferidos são os Socialistas ressaibiados. Esses são os que me dão maior gozo, sobretudo porque aparecem sempre uns queridos a defender-me e que lhes dão forte e feio naquelas cabeças. Bem feito. Nem me dou ao trabalho de lhes responder. Leio e rio-me a bandeiras despregadas.

Encontrei, assim, uma nova forma de passar o tempo, graças ao Director Sousa Pereira que, quanto a mim, também não desgosta nada de ver o circo a pegar fogo.

Uma das minhas alunas de Direito Fiscal, é taróloga. Até aqui tudo bem, não fosse o facto de, volta e meia, ela querer prever-me o futuro através das cartas de tarot.

Hoje informou-me que a minha carta de tarot, para esta semana, é a Morte.

Fez-me saber que, apesar de ser uma carta assustadora, é muito positiva e radical e significa grandes mudanças na vida de uma pessoa.

Não pude deixar de pensar: será que é desta que vou ser barbaramente assassinada, no Barreiro, por delito de opinião?

Tudo é possível.

sábado, 11 de outubro de 2008

A ENXAQUECA



Não sei porquê, nunca gostei do termo "enxaqueca". Acho que tem algo de erótico e de pornográfico, ao mesmo tempo.

Hoje acordei às quatro da manhã com uma daquelas valentes.

Por norma, e porque não posso, nunca costumo tomar nada para aquelas dores horríveis. Utilizo o sistema de fechar tudo e enfiar-me na cama, no escuro, até que ela passe.

Como não aguentava mais, desci à cozinha e tomei um copo de leite morno com um Nolotil.

Resultado: acordei às cinco da tarde com a minha empregada e a minha amiga Isabel, debruçadas sobre mim,a pensar que eu já tinha morrido.

A minha amiga cardiologista mais uma vez me passou umas valentes "gáspeas", porque não ligo nada ao controle das tensões arteriais que sou obrigada a fazer diariamente e não faço.

Sou daquelas pessoas que pensam que o nosso destino está escrito em qualquer lado e não adiantará muito fugir dele.

Se tiver de morrer, que seja.

Mas pelo menos ainda queria ver o Benfica campeão.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

FINALMENTE, FIM DE SEMANA!



Já há muito tempo que não ansiava assim tanto um fim de semana.

A semana foi muito dura e difícil de passar.

Fim de ano, balanços, projecções, programações e o diabo a quatro.

Para complicar, as aulas que dou numa Universidade Privada, em Lisboa, ao final do dia, que exigem muito do meu esforço e dedicação.

Hoje de manhã, durante uma pausa para tomar o meu chá, passei os olhos pelo Jornal on-line "Rostos".

Li a moção de solidariedade e de desagravo para com Madalena Alves Pereira do Partido Socialista do Barreiro, que terá sido "ofendida" pela Comissão de apoio a Vítor Ramalho.

Não pude deixar de me rir para dentro, com tanta falta de oportunidade dos subscritores de tal moção.

Os problemas no seio de um partido, quaisquer que eles sejam, entendo eu, deverão ser resolvidos em sede própria e nunca na praça pública, como foi feito.

Alguém, muito bem, mandou retirar o texto do "Rostos", que já contava com dois comentários desfavoráveis, um deles bastante jocoso de uma "Maria Chulé".

Não foi dada qualquer explicação aos leitores.

Pelo teor da moção, verificamos que existe uma grande falta de maturidade política por parte de quem actualmente está à frente dos destinos do Partido Socialista do Barreiro.

Não foi nada bonito de se ler.

Ainda bem que não sou militante de nenhum partido.

Que Deus me guarde de o ser.

Não iria aguentar muito tempo.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

MAIS UM DIA...



Hoje foi mais um dia.

Depois de um dia para esquecer lá na empresa, conheci a minha nova turma de Finanças Públicas, horário pós laboral, e fiquei agradavelmente surpreendida.

A maior parte dos alunos são membros de forças de segurança e oficiais de justiça, com vontade de investir em si próprios e no seu futuro.

Lá lhes fui dizendo que serei sua professora só este semestre, porque estou de partida, uma vez mais.

Os mais atrevidotes tentaram saber o motivo por que me vou embora.

Sem entrar em grandes pormenores, lá fui dizendo que sou nómada por excelência e que só estou bem onde não estou, como dizia o falecido Variações.

Riram-se e ouvi uma voz que disse: "Fique connosco, porque, quem sabe, não encontrará junto de nós o tal local que procura?".

Fiquei a pensar.

Seria tão bom se fosse assim tão fácil.

Tão bom e tão conveniente.

sábado, 4 de outubro de 2008

NAS BRUMAS DE TIMOR



Ontem fui almoçar ao Porto, devido a afazeres profissionais.

Aproveitei a hora de almoço para reencontrar aqueles amigos com quem já não estava há muito tempo e de quem já sentia saudades.

Uma delas, assistente social, colaboradora em várias instituições de solidariedade social e ONG's, trouxe à baila o caso da menina timorense operada a um tumor cerebral, no Hospital de S. João no Porto.

Ficámos todos siderados quando nos contou que a menina, depois da operação, está sem qualquer apoio do Estado português. Nem alojamento para ela e para o pai, deram, nem lhes pagam os transportes.

Houve um ricaço qualquer do Porto que se disponibilizou a receber SÓ a criança, pelo que o pai teve de ser alojado, através da Segurança Social, noutro local distante da filha.

A criança que não fala português, deixou de comer e chorava horas e horas a fio pela companhia do pai que se viu impedido, por imposição da falta de apoio, de estar junto da sua menina.

Um bombeiro do Porto, nascido em Timor, ao ter conhecimento da situação, prontificou-se desde logo a receber, na sua modesta casa, a menina e o pai desta, o que veio a acontecer, sem qualquer apoio oficial.

Eles lá estão em casa do dito bombeiro que é casado, tem dois filhos e aufere um vencimento mensal de pouco mais de seiscentos euros. O comandante dos bombeiros também disponibilizou transporte para ambos se deslocarem aos tratamentos, sempre que fôr necessário.

Gerou-se no almoço um movimento de solidariedade que vai permitir que o bombeiro e a sua família, bem como a menina e o pai, tenham todas as condições para fazer face a todas as despesas, já que a menina se encontra com uma dieta líquida muito dispendiosa.

É este o Estado que temos. Um Estado que apregoa a solidariedade entre os povos e que depois os abandona à sua sorte.

VERGONHA!