sábado, 4 de outubro de 2008

NAS BRUMAS DE TIMOR



Ontem fui almoçar ao Porto, devido a afazeres profissionais.

Aproveitei a hora de almoço para reencontrar aqueles amigos com quem já não estava há muito tempo e de quem já sentia saudades.

Uma delas, assistente social, colaboradora em várias instituições de solidariedade social e ONG's, trouxe à baila o caso da menina timorense operada a um tumor cerebral, no Hospital de S. João no Porto.

Ficámos todos siderados quando nos contou que a menina, depois da operação, está sem qualquer apoio do Estado português. Nem alojamento para ela e para o pai, deram, nem lhes pagam os transportes.

Houve um ricaço qualquer do Porto que se disponibilizou a receber SÓ a criança, pelo que o pai teve de ser alojado, através da Segurança Social, noutro local distante da filha.

A criança que não fala português, deixou de comer e chorava horas e horas a fio pela companhia do pai que se viu impedido, por imposição da falta de apoio, de estar junto da sua menina.

Um bombeiro do Porto, nascido em Timor, ao ter conhecimento da situação, prontificou-se desde logo a receber, na sua modesta casa, a menina e o pai desta, o que veio a acontecer, sem qualquer apoio oficial.

Eles lá estão em casa do dito bombeiro que é casado, tem dois filhos e aufere um vencimento mensal de pouco mais de seiscentos euros. O comandante dos bombeiros também disponibilizou transporte para ambos se deslocarem aos tratamentos, sempre que fôr necessário.

Gerou-se no almoço um movimento de solidariedade que vai permitir que o bombeiro e a sua família, bem como a menina e o pai, tenham todas as condições para fazer face a todas as despesas, já que a menina se encontra com uma dieta líquida muito dispendiosa.

É este o Estado que temos. Um Estado que apregoa a solidariedade entre os povos e que depois os abandona à sua sorte.

VERGONHA!

Sem comentários: