sábado, 29 de novembro de 2008

AS VERDADES DA MENTIRA



Há várias espécies de mentiras: as maldosas e as outras. Todas resultam do facto de sermos seres imperfeitos e inacabados, ontogeneticamente falando.
Desde muito cedo aprendemos a mentir. Ainda de tenra idade, os pais, os avós e aqueles que nos rodeiam e acompanham de perto, ainda que de forma involuntária, ensinam-nos as vantagens da mentira, através de pequenos gestos e histórias que, de forma mais ou menos persistente, nos irá marcar.
Mal começamos a balbuciar as primeiras palavras e a demonstrar algum discernimento, começam por impingir-nos a existência do Pai Natal, fazendo-nos acreditar que será ele que, em função do nosso bom comportamento, nos irá premiar com presentes. Um embuste e uma chantagem psicológica que se prolonga no tempo e que raramente vem só.
Quantos de nós não se aperceberam, em crianças, das piedosas mentiras maternas para legitimar as ausências de um pai? Quantos de nós não evitámos dizer à antipática tia que o beijo lambuzado dela é repulsivo? Quem nunca demonstrou uma alegria fingida, ao receber um presente inútil de Natal ou de aniversário?
Apesar de todos estes exemplos fazerem parte, directa ou indirectamente, do trajecto de vida de cada um de nós, raramente nos questionamos sobre estes aparentemente inofensivos logros, ilusões ou omissões, admitindo que também servem de modelo a futuras mentiras que se vão tornando cada vez mais sofisticadas ao longo da vida.
Em vários momentos da nossa existência mentimos, jogando com as palavras, contendo gestos, assumindo uma maneira de ser mais ou menos apropriada, em função e de acordo com a conveniência.
A mentira maldosa é ignóbil. Normalmente traduz-se no boato e na difamação. Quem a pratica, age sempre de má fé, apenas com o intuito de prejudicar o próximo e, muitas vezes, nem tem consciência da leviandade e da gravidade desse acto, nem das suas consequências.
São tantas as possibilidades de escamotear a verdade que o mais prudente seria olharmos para o ser humano com total desconfiança. Pelo menos até prova em contrário.
Existem outras formas de mentira, como, por exemplo, a mentira institucional, proveniente dos políticos e dos programas de Governo. São mentiras esperadas e socialmente reconhecidas mas, mesmo assim, têm um peso de verdade. Frases como “Não há crise em Portugal”, “O desemprego baixou” ou “A inflação está a diminuir”, tornaram-se tão banais e comuns, como todas aquelas fantasias que nos impingiram em crianças.
Todas as mentiras, desde a mentira de dizer “bom dia” quando queremos desejar o contrário, passando pela mentira de consolar um rival, pela mentira afável de comentar que aquela camisa horrorosa, de cor rosa e aquelas pulseiras de mariconço, ficam muito bem a determinado amigo, da existência do Pai Natal, da Fada dos dentinhos de leite e terminando na mentira por omissão, seja ela médica, política ou de qualquer outra índole, demonstram que a mentira está presente em todas as classes sociais e em todas as circunstâncias da vida.
Exceptuando a mentira maldosa, uma das razões mais comuns para mentir é a insegurança ou a baixa auto-estima, pois a mentira passa para os outros uma imagem de nós próprios, muito melhor do que aquela que realmente possuimos, no intuito de causarmos boa impressão.
Ainda que sentir medo e insegurança faça parte da natureza humana, fingimos que tudo está sob controlo e que nada nos abala, para ocultarmos as nossas fragilidades. Mentimos para não parecermos frágeis e inferiores, diante daqueles que julgamos fortes.
Neste palco diário, alimenta-nos o círculo vicioso da dissimulação. Mentir é um recurso fácil de utilizar, ainda que haja o permanente risco de se ser descoberto.
Não seria mais fácil admitirmos que somos seres contingentes e que não há nada que nos proteja das incertezas do futuro?
A verdadeira vida do Homem é o caminho que ele percorre desfazendo-se das mentiras que lhe foram impostas pelos outros e que ele absorveu como se fossem verdades. A verdade é algo que não pode ser conquistado, porque ela existe efectivamente, vale e vincula, independentemente da atitude que perante ela possamos tomar.
Só a mentira é que tem de ser rejeitada e afastada, pois no momento em que esta desaparece, a verdade transparece, porque só ela é a realidade pura.
Por tudo isso e porque a nossa experiência nos tem demonstrado que “é mais fácil apanhar um mentiroso que um coxo”, deviamos repensar a nossa forma de estar na vida e de nos relacionarmos com os demais, com vista a sermos pessoas de bem.
Por que não ousarmos ser autênticos?
Talvez o Mundo fosse melhor.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

OS MEUS MENINOS MUITO QUERIDOS



Foram todos meus alunos.

São jovens excepcionais, muito bons alunos, que entraram este ano na Universidade.

Estou muito orgulhosa deles.

Um beijo.

Lá estarei na Vossa festa de Fim de Ano, a cantar convosco, como sempre.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

PORQUE SIM!



Não é resposta que eu goste de dar.

Quem me conhece sabe que tenho sempre resposta e justificação para tudo.

Um colega meu, hoje, intrigado, perguntou-me por que motivo, ao criar o meu blog, não enveredei por um formato científico, bem comportado, uma vez que tenho formação académica em três áreas que poderiam ser uma mais-valia, no caso de eu querer compartilhar o meu saber e a minha experiência com o resto do mundo.

Respondi-lhe que fosse ter juízo.

Então eu que passo a vida agarrada aos livros, trabalho que me farto, ia agora gastar o meu tempo livre a dissertar sobre coisas que não divertem ninguém?

Nem pensar!

O meu colega ficou assustado porque lhe prometi um "post" sobre bonecas insufláveis.

É um assunto que me fascina, esse das tais bonecas insufláveis.

Aquele ar apático das moçoilas de plástico, com a boca aberta e ar rígido, faz-me pensar logo na Misericórdia do Barreiro.

Acho que no Natal vou enviar algumas de presente ao Freire Juliano, para as distribuir pelos velhotes e quiça por ele próprio e pelos outros que a gente sabe.

Por isso, caro colega, vais ter de me gramar.

O mais que podes fazer é assobiar para o lado e fingir que não me conheces de lado nenhum.

sábado, 22 de novembro de 2008

ONDE ME SINTO BEM E OS MEUS SONHOS ACORDAM



Sou uma pervertida.

Nas noites geladas ligo o aquecimento e deito-me com os meus dois Andrades.

Devoro-os noite após noite, na minha cama macia e confortável.

A Florbela e a Alda também lá estão, a observar-nos, e entram na festa, quando quero variar.

São noites e noites de doces insónias, neste meu quarto.

Acordo de manhã enrolada nas palavras que construiram os belos poemas.

Acordo de manhã desejosa que seja noite.

E deito-me à noite a pensar que te vou encontrar em cada estrofe.

Para acordar novamente e perceber que já não estás.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Já não te lembras, pois não?

26 de Outubro de 2005.

Ainda guardo o bilhete do barco.

Boa sorte para ti.

A gente um dia vê-se por aí
.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

OSLO - Grand Caffé



O meu café preferido, em Oslo.

É lá que tomo o meu chá e como o meu bolo de chocolate, quando o frio me põe as bochechas vermelhas e as mãos geladas.

É lá também que escrevo, nas horas vagas.

Curiosamente só escrevo coisas sobre Portugal. As minhas vivências, os meus desaires, as muitas histórias que vivi e gosto de partilhar.

Tenho sempre a sensação que Ibsen lá está junto de mim a ler e a censurar-me os escritos.

Tenho caixas e caixas de palavras guardadas.

Algumas vou escrevendo por aqui.

Outras irei guardando para quando já fôr velhota.

Mas a maior parte ficará por aí, até que alguém as descubra e deite fora.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

MAIS DO MESMO



Comentando hoje, à hora de almoço, com um amigo de longa data, que por acaso até é socialista, a nova lista dos eleitos para a Federação Distrital do PS, não pudemos deixar de ser unânimes e de chegar a um consenso:

Estamos perante mais do mesmo.

Os mesmos nomes, as mesmas caras que levaram o PS Barreirense à difícil situação em que se encontra.

O Arquitecto não teve coragem de cortar o mal pela raíz.

Dá a ideia que vai ser dada continuidade ao descalabro.

Vi lá "chocolates e contradanças".

Só não vi o porco. Por onde andará o porco?

Vejo lá uma que até há bem pouco tempo era apoiante incondicional e fazia parte das listas de Luis Ferreira, juntamente com o bronco do pai.

Agora está em todas e pelos vistos já virou a "casaca".

A rapariga não perde tempo. Tem a quem sair.

Ao meu amigo que me quer filiar à força, neste PS, eu digo:

"Jamé! Jamé!"

TENHO ORGULHO DE SER PORTUGUESA!

É UMA QUESTÃO DE VALORES.

A MOCIDADE DE ONTEM É IGUAL À JUVENTUDE DE HOJE.

SÓ QUE OS JOVENS DE HOJE JÁ NASCERAM VELHOS E OS VALORES QUE PROFESSAM SÃO EFÉMEROS.

domingo, 9 de novembro de 2008

NÃO VOLTAREI TÃO CEDO.



O que eu temia, aconteceu há momentos.

O e-mail é bem claro.

"...We need you before Christmas. Please come back as soon as you can......".

Já estou com saudades de Portugal, em especial do Barreiro.

Vou fazer os possíveis para passar por aqui, de vez em quando.

Vou ter saudades dos meus alunos, dos meus cães, da minha casa, dos meus amigos e até dos meus inimigos.

Uma certeza eu tenho.

Vou, mas voltarei.

Não importa quando.

Só sei que voltarei sempre.

sábado, 8 de novembro de 2008

A NOVA CATEDRAL



Ultimamente tenho andado com muito pouca disposição para socializar e conviver com outras pessoas, sejam elas amigos ou simplesmente conhecidos.
De há uns tempos para cá, sinto como que uma saturação que não é habitual em mim, pois sempre gostei de conviver, reunir com os amigos, conversar, trocar pontos de vista e pregar algumas partidas.
Vem isto a propósito da inauguração do novo Fórum, para a qual fui convidada, na qualidade de representante de uma empresa associada da minha, com duas lojas abertas naquele local, cujo pessoal foi seleccionado por mim e pela minha equipa de trabalho.
Como não me apetecia ir, fiz os possíveis para me escapar do evento. Mas não consegui. Lá tive de gramar o acontecimento, pese embora o facto de nesse dia estar com uma neura do tamanho de um comboio.
Para não ir sozinha, convidei o meu vizinho Conde do Barreiro Velho a acompanhar-me. Primeiro deu-me uma valente nega, mas depois quando lhe disse que podia levar o seu anel de brasão e o seu smoking, ficou hesitante. Este meu vizinho é mesmo vaidoso.
Combinámos encontrar-nos à porta do meu serviço, em Lisboa. Bastava dar-me um toque que eu desceria logo de seguida.
Assim como assim, quando dei conta, tinha-o no meu gabinete à minha espera. Fiquei admirada porque o segurança não é de deixar subir ninguém que não esteja devidamente autorizado por mim. Mas ele lá conseguiu convencê-lo e o que é facto é que o meu vizinho ali estava, a mexer e a cuscovilhar-me tudo, com aquele seu ar irónico, que o caracteriza. Ficou admirado porque o segurança se levantava sempre que qualquer pessoa falava com ele e tinha as unhas limpas e os dentes brancos.
Foi só o tempo de desligar os computadores, pegar na chave do carro e rumar até ao Barreiro onde tudo se iria passar. Pelo caminho não disse uma palavra que fosse. Eu mirava-o pelo canto do olho e não conseguia disfarçar a curiosidade que senti em relação ao pequeno saco que ele transportava e que tentava esconder de mim, sem êxito.
- Vizinho, posso saber o que leva aí?” “Não me diga que leva farnel. Aquilo é uma inauguração e deve haver por lá comes e bebes. Não havia necessidade de vir prevenido.”
Respondeu-me mal-humorado: “Lá está você a querer controlar-me! Concentre-se na condução e veja lá se não excede os limites de velocidade.” Não liguei. Ele é sempre assim quando lhe peço para vir comigo a algum lugar. Detesta que eu lhe interrompa os pensamentos. Amochei como sempre amocho, quando ele me grita.
Lá chegámos ao local da festa e eu pus o meu vizinho à minha frente, para ver se passava despercebida no meio da multidão. Lá fomos circulando e, a páginas tantas, vi-me na obrigação de controlar o Conde que, ao ver as raparigas prateadas com as antenas na cabeça, rodeadas de comida por todos os lados, quis ir chamar a ASAE e a Polícia Judiciária.
“A vizinha já viu isto?. Isto é um caso de polícia. Pelos vistos vão comer as raparigas e puseram os aperitivos junto ao traseiro delas, para acompanhar.”. E, dizendo isto, enfia-se debaixo da mesa de uma delas, munido do tal saco misterioso.
A moçoila desata a gritar pelo Carlos Humberto que, satisfeito, continuou como se nada fosse, a cumprimentar as altas individualidades. Nisto o meu vizinho saltou lá debaixo, de pedra-pomes em punho, a dizer que as mecinhas tinham as unhas imundas e que era preciso alguém fazer alguma coisa.
Está claro que eu fingi que não era nada comigo. Disfarcei e comecei a circular por entre os convivas, só para ouvir as conversas.
Estava lá uma vereadora vestida “made in China”, com um vestido-quimono, acetinado, de fundo creme, estampado de riscos pretos, castanhos e beiges, com uma écharpe castanha à volta do pescoço e um casaco castanho, ao dependuro no braço esquerdo. Mecinha muito brega, aquela. Mal vestida, de cabelos compridos, sem corte e penteados aos canudos, coisa do século XIX, que já não se usa nos dias de hoje. Tive vontade de lhe deixar a morada e o telefone do meu cabeleireiro, para ela marcar uma sessão e um lifting. Ao lado estava um colega seu, de partido, de casaco desabotoado e segurando um cálice de vinho do Porto como se fosse uma tigela da sopa dos pobres da Sagrada Mansão. Falta de “chá”.
O Papa-hóstias lá estava também, untuoso no seu fato e gravata azul de motorista dos TCB’s, com o seu ar inconfundível de azeiteirola, a tentar falar com o holandês e os outros que não lhe passaram cartuxo.
O novo Padre da Paróquia estava lá também com o seu ar de desportista radical, ao lado da Regina Janeiro que também ia muito mal vestidinha e com os cabelos desgrenhados.
No meio daquilo tudo, quem se safou foram os dois velhotes que não arredaram pé das mesas dos comes e bebes, até ao final. Comiam e bebiam como se aquele fosse o último dia das suas vidas. Gandas velhotes!
O meu vizinho também acabou por se safar bem, pois eu enfiei-o numa das nossas lojas, onde ele, desvendando finalmente o segredo do seu saco misterioso, começou a mostrar as fotos que tirou debaixo da mesa, aos interiores das mecinhas prateadas e das moçoilas que se aproximavam para atacar aquele creme cor de rosa.
O meu vizinho estava muito satisfeito. Não estava feliz, porque isso de felicidade tem muito que se lhe diga.
Assim acabou a inauguração e eu consegui passar despercebida.
Para o ano haverá mais, noutro concelho aqui perto.

O MACACO DA SAGRADA MANSÃO



O bicho por lá anda, pendurado em tudo quanto é galho.

É um macaco poliglota.

Dizem as más línguas que não é só ele que tem o vício.

Será que o outro também já tem calo?

Cala-te boca!

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

ACHOU-SE!



Estava encostado à minha porta, quando cheguei a casa, esta noite.

Não tem cartão nem qualquer outra identificação.

Entrego a quem provar pertencer.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

BONS TEMPOS!

Quando eu fazia de pau de cabeleira da minha irmã mais velha e tive de gramar esta música centenas de vezes, enquanto ela dançava e namorava com o actual marido, o meu cunhado preferido, oficial dos Comandos, que não fez como alguns portugueses que se piraram para França e Argel, para fugir à tropa e que agora são os herois desta Cananga sem rumo.

domingo, 2 de novembro de 2008

I'M SO SAD TODAY!



Será isto que restará de nós, quando partirmos um dia?

sábado, 1 de novembro de 2008

PARA TI, RUI



Sentimos muito a tua falta.

Não te perdoo, teres-nos deixado para sempre.

Acordo muitas vezes de noite e imagino-te, sentado no escritório, a ler aquele livro que não chegaste a acabar.

Não tiveste tempo.

Fazes-me falta, amigo.

Descansa em paz!

Hoje, vamos cantar para ti.