sábado, 13 de dezembro de 2008

DOCE DE ABÓBORA



Há dias em que paro um pouco para descansar.

Hoje foi um desses dias.

Mas, como sempre, tive de arranjar algo para fazer.

Sou hiperactiva por natureza. Nasci de traseiras e saltei lá de dentro como se fosse uma rolha de garrafa de champanhe. Quem assistiu, disse que nunca tinha visto nada assim.

Não consigo estar parada, sem fazer nada.

Fui até à cozinha e dei de caras com as abóboras da D.ª Mimi.

A D.ª Mimi é a senhora que me ajuda, há mais de 15 anos, nas lides da casa e tinha 2 abóboras reservadas para fazer doces de Natal.

Eu fui-me a elas e resolvi fazer doce de abóbora, sem nunca ter feito nada de doces na minha vida. Ninguém é perfeito e eu para culinária não tenho grande jeito. Prefiro lavar loiça e arrumar a cozinha.

Segui à risca uma receita que era da minha falecida avó paterna.

Meti o doce todo em frascos que fui comprar, de propósito, para o efeito.

Lá dentro de cada frasco misturei nozes e pinhões.

A D.ª Mimi ia tendo uma apoplexia quando deu por falta das abóboras e viu a "sua" cozinha toda de pernas para o ar.

Eu peguei na chave do carro e pirei-me, só para não a ouvir.

Quando cheguei a casa, à noite, tinha uma bela torta feita pela D.ª Mimi, recheada com o doce de abóbora que eu pensava ter ficado uma porcaria.

Acho que, de castigo, ela vai pôr-me a comer doce de abóbora durante os próximos dez anos.

Só que ela ainda não sabe que eu adoro doce de abóbora.

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