sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

18 DE DEZEMBRO 2009 - O ÚLTIMO "POST"?


São seis e meia da tarde e aproxima-se a hora em que terei de estar no Aeroporto, para fazer o check-in, em direcção a terras de África.

Acho que todos vocês já perceberam que nos últimos tempos este meu blog não tem sido actualizado da mesma forma que o era, quando o iniciei.

Por falta de tempo e até de disposição, nos últimos meses só me tem sido possível colocar um "post" de vez em quando. Sempre fiz questão de manter no blog um padrão de qualidade, com coisas interessantes, humor, arte e muitos assuntos polémicos.

Ultimamente não tenho conseguido dedicar-me o quanto queria, para manter a qualidade que vocês, leitores do blog, merecem.

Por isso, optei por suspender, "sine dia", todas as minhas actividades de bloguista militante, pelo menos enquanto durarem as minhas férias de Natal, até ao próximo ano.

Tive a oportunidade de nestes dois últimos anos partilhar convosco algumas angústias, alegrias, todas as coisas de que gosto, alguns momentos felizes e outros menos felizes, rir e divertir-me com opiniões de todos os tipos.

Li sempre com muito carinho todos os comentários que me têm deixado, que não foram assim tão poucos. Foram mais de 3 mil e se há algo de que não me posso queixar, é da falta de comentários que sempre deixaram aqui.

Fico extremamente feliz por saber que, de alguma forma, fiz parte de pelo menos alguns minutos da Vossa vida.

A Vossa participação também foi muito activa, seja através dos comentários ou dos diversos e-mails e sms que também tenho recebido diariamente.

Não é uma tarefa fácil escrever “o último post”. Por isso vou adiar e considerar que se tratará apenas de um período de reflexão, até ao meu regresso.

Queria escrever tanta coisa, mas as palavras acabam por fugir.

Espero ter sido uma boa companhia. Não é uma despedida, porque ficam as lembranças de bons momentos que jamais irei esquecer.

Estou em período de conquistas, de crescimento pessoal e de felicidade. O ano de 2010 vai ser para mim o ano de todos os desafios e vai exigir da minha pessoa tudo aquilo que eu puder dar.

Agradeço imensamente a participação e colaboração de todos vós.

Sinto-me realizada por ter tido a oportunidade de fazer um blog onde dei tanto de mim a todos os meus amigos.

Obrigada por tudo!

Para todos, os meus votos sinceros de FELIZ NATAL e um BOM ANO 2010.

Até um dia.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

ESTÁ A CHEGAR O NATAL


E com ele as minhas ambicionadas férias até ao início do próximo ano.

Não é segredo para ninguém que não gosto do Natal. Nunca gostei desta quadra festiva, da mesma forma que odeio estar deitada a ouvir o vento a uivar nas árvores e a chuva a caír nos telhados, tamborilando uma música que não apetece cantar.

Sou do contra. Sempre fui do contra, embora não me considere uma pessoa difícil.

Quando oiço alguém dizer que gosta de ver a neve a caír, enquanto está sentado ao calor de uma lareira aconchegante, não consigo reprimir um sentimento que é um misto de repulsa e de indignação, porque aqueles que assim pensam, não querem saber se há pessoas a dormir e a viver nas ruas, debaixo das pontes, sem ter um fogo ou um agasalho que lhes faça sentir que também são filhos de Deus, do tal Deus elitista que não protege todos aqueles que necessitam Dele.

Por isso procuro sempre afastar-me o mais possível das convenções e viver a época de acordo com aquilo que penso e sinto.

Amanhã, por esta hora, partirei para passar o Natal na terra que me viu nascer.

Durante esta semana fui fazendo as malas, para não me esquecer de nada. Fui à FNAC comprar os três livros que vou levar para os próximos quinze dias. Um deles, do meu escritor preferido, António Lobo Antunes, "Que Cavalos São Aqueles que Fazem Sombra no Mar?".

Claro que não resisti a lê-lo durante a noite passada. Comecei pela introdução, pensando que seria capaz de o largar, para continuar a lê-lo quando chegasse a Luanda. Mas foi mais forte do que eu.

Soberbo, simplesmente soberbo! De todo o melhor livro dele, até aos dias de hoje.

A partir de um verso de uma canção de Natal, "Que Cavalos São Aqueles que Fazem Sombra no Mar?", a escrita de Lobo Antunes surge-nos a partir do silêncio, do escuro e faz-nos permanecer nele, deixando-nos um vazio cá dentro que nos impede de continuar a leitura até conseguirmos encontrar-nos de novo.

As duas frases muitas vezes repetidas ao longo da trama, como se fossem um estribilho, o facto de ter dividido o livro em capítulos, de acordo com a evolução de uma tourada e aquele personagem de filho bastardo, de quem ninguém sabe o nome, que não pode ser apresentado às visitas, torna esta obra única de entre todos os livros do escritor.

Não trata o leitor por estúpido e ao apresentar-se desta forma mostra-nos a nós próprios, os nossos diálogos interiores com a consciência. Eu senti, a dada altura, que era uma das personagens.

Assim como Beckett construía a partir do nada, do corpo vazio, a escrita de Lobo Antunes surge-nos a partir do silêncio, do escuro e faz-nos permanecer nele.

Neste livro, o Autor retrata-nos nos momentos de solidão, de silêncio, do escuro, a vida no seu estado puro. Mente, brinca e leva-nos ao sabor das palavras.

Adorei. Vou ter de comprar mais um livro para levar, porque, este, eu já o li.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

UM BRINDE PELO BARREIRO VELHO!


Quando comecei nas lides bloguísticas, fi-lo apenas como terapia ocupacional, enquanto estive internada num hospital do Norte, vítima de acidente vascular cerebral que me deixou muito poucas sequelas, graças a um trolha ucraniano, que por acaso era médico e estava no sítio certo, à hora certa.

Logo da primeira vez que entrei na net, e digitei "Barreiro Velho", cidade onde os meus avós me deixaram um legado e onde nasceram e moram grande parte dos meus tios e primos, dei de caras com o meu Bizinho do peito e logo se gerou uma empatia que só muito mais tarde viria a compreender.

Estivemos juntos no mesmo inferno. O Diabo não quis que lá ficassemos os dois juntos, porque era dose demais, a Verdadeira e o Conde do Barreiro Velho, juntos.

Bizinho, já lá vão quatro anos e espero que muitos mais se lhes sigam, com a sua assertividade e a sua luta pela reabilitação do Centro Histórico da cidade, para que o Barreiro seja uma cidade que todos possamos desfrutar como uma verdadeira cidade e não como um subúrbio de Lisboa.

Beijokas para si, com sabor a filhós de Natal e bolas de manteiga.

CHEERS!

DIAS DE TUDO


Em determinada altura da minha vida era raro o mês, quinzena, semana ou dia, que não tivesse casamentos, baptizados, velórios ou até divórcios.

Habituei-me a considerar todos esses momentos como parte integrante do meu estatuto de animal social, e a tirar partido deles, na aprendizagem que fiz sobre o teor dos apêgos e afectos.

A semana que passou, foi a semana dos velórios. Os pais e mães de alguns colegas e amigos, resolveram desistir de viver. Uns mais idosos, outros mais jovens, lá foram percorrendo o caminho que a todos espera, até à eternidade.

Nos vários velórios, foi ponto comum o facto de dizerem: "coitado, morreu no dia a seguir à filha ter vindo visitá-lo", ou "parece que estava à espera que o filho viesse do estrangeiro, para morrer em paz".

Fixei-me nesta particularidade, tão ouvida nos dias de hoje e veio-me logo à memória o Senhor Adalberto.

O Senhor Adalberto era um velhinho de oitenta e seis anos, muito culto, lúcido e simpático, que eu visitava no lar de terceira idade, onde estava hospedado e depois, mais tarde, no hospital onde esteve internado vários meses até morrer.

Tinha seis filhos e filhas espalhados por esse mundo fora, que nunca se interessaram pelo seu bem-estar.

Um dia confidenciou-me que um desses filhos até lhe batera, quando distribuiu, por todos eles, todos os seus bens e a herança deixada pela falecida mulher.

Já no seu leito de morte dizia-me: "Não queria, nada, morrer. Por fora sou um velho caquético, mas a minha cabeça diz-me que o meu espírito vive e sinto-me um jovem. Não queria, nada, morrer. Consegue-me isso?".

Eu ficava sempre embaraçada, sem resposta.

O tal dia chegou finalmente. O Senhor Adalberto agarrou-se à minha mão e disse-me, mais uma vez, que não queria morrer.

"Se pensam que eu estou a resistir por causa de querer ver este ou aquele filho ou familiar distantes, estão enganados. Simplesmente, eu não quero morrer. Quero viver por mim e para mim. É uma treta se pensarem que morri consolado por ver esta ou aquela pessoa que já não via há muito tempo".

Fechou os olhos e largou-me a mão, ao mesmo tempo que repetia: "quero viver!", contrariando a tal máxima funerária de que os moribundos aguardam sempre por alguém que lhes é próximo e que vive distante, para partirem em paz.

Fiquei com a certeza de que todos eles partem contrariados, embora nas mentes dos que lhes são próximos habite aquela leve sensação de dever cumprido, que apazigua as consciências, só porque chegaram a tempo de os ver sucumbir.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

AO CORRER DA PENA



Gosto muito de ler, de escrever e de sonhar.

Escrever tem altos e baixos.

Há quem escreva por puro prazer, há quem escreva para um público.

Procuro situar-me no meio termo, sentindo o prazer da escrita e a alegria de ter quem me leia.

Mas...

Escrever tem altos e baixos.

Como tudo na vida.

domingo, 6 de dezembro de 2009

BRUXARIAS OU TALVEZ NÃO



José Sócrates, desde que perdeu a maioria absoluta, chora-se e geme-se todo.

Desde a célebre "campanha negra" até às "forças ocultas", o seu discurso tem revelado um homem com medo, arrogante, isolado e desnorteado.

Parece um daqueles chefes de estado de um qualquer obscuro país africano, só faltando aparecer rodeado de feiticeiros da tribo, inventores de mezinhas para afastar os "maus espíritos".

Perante tal quadro, nada melhor do que acrescentar mais um assessor aos muitos que já tem.

No mercado nacional, talvez o bruxo de Fafe, agora tão na "berra", fosse o mais indicado.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

O MAIOR POLÍTICO PORTUGUÊS DE TODOS OS TEMPOS



Francisco Manuel Lumbralles de Sá Carneiro nasceu no Porto a 19 de Julho de 1934.

Cresceu no seio de uma família da alta burguesia. Aos 22 anos concluiu o curso de Direito na Universidade de Lisboa, e principiou a sua vida profissional exercendo advocacia. Católico praticante, frequentou os círculos mais progressistas da Igreja. Foi aqui que começou a defender publicamente a transformação do regime numa democracia parlamentar.

Em 1969, foi eleito deputado pelas listas da Acção Nacional Popular, o partido único, à Assembleia Nacional em nome da defesa dos direitos do homem, da instauração de um regime democrático e da efectivação das liberdades públicas.

Sá Carneiro foi um dos membros destacados da ala liberal do Parlamento, durante a “primavera marcelista”. Tomou iniciativas que tinham como objectivo a criação de uma democracia típica da Europa Ocidental. Colaborou com Mota Amaral na elaboração de um projecto de revisão constitucional, apresentado em 1970. Percebendo que não atingiria os seus fins, preferiu renunciar ao mandato de deputado, a 2 de Fevereiro de 1973.

Destacou-se após este período a sua coluna no jornal Expresso "Vistos", cuja publicação foi rareando, por crescentes dificuldades impostas pela censura.

Nesse mesmo ano, a sua vida pessoal enfrentou um terramoto. Conheceu, num restaurante de Lisboa, a editora dinamarquesa Snu Abecassis. Apaixonaram-se imediatamente. Contra tudo e contra todos, Sá Carneiro não abdicou da promessa daquele amor. Decidiu não respeitar o protocolo da época e rompeu um casamento de décadas. Foi, de alguma forma, um revolucionário no amor. Para a sociedade de então, foi um escândalo. Para o publicitário Manuel Margarido, Sá Carneiro fez uma ruptura “extraordinariamente revolucionária”. Provou que o amor pode revelar-nos.

Em Maio de 1974, com Francisco Pinto Balsemão e José Magalhães Mota, fundou o Partido Popular Democrata (PPD) e assumiu as funções de Secretário Geral. Nomeado Ministro sem pasta em diversos governos provisórios, seria eleito deputado à Assembleia Constituinte no ano seguinte e, em 1976, eleito para a I Legislatura da Assembleia da República.

Foi Ministro Adjunto do Primeiro Ministro no I Governo Provisório, chefiado por Adelino da Palma Carlos. Em 1975 foi eleito deputado à Assembleia da República, mas não chegou a exercer o mandato por motivos de saúde.

Voltou a ser eleito deputado em 1976, ano que assumiu a chefia da bancada parlamentar.

No IV Congresso do partido, em Outubro de 1976, foi eleito presidente do PPD e, em Novembro de 1977, na sequência de convulsões internas do partido, demitiu-se do cargo de presidente, mas seria reeleito no ano seguinte para desempenhar a mesma função.

Em Janeiro de 1978, no V Congresso, no Porto, afastou-se voluntariamente de qualquer cargo directivo, tendo sido eleito para o Conselho Nacional.
Em 5 de Julho de 1979, com Freitas do Amaral, do CDS, e Ribeiro Teles, do PPM (além dos Reformadores) forma a Aliança Democrática, que lidera com o objectivo de derrotar a "maioria de esquerda" nas eleições legislativas intercalares de Dezembro de 79, após a dissolução da Assembleia da República.

A coligação vence as eleições legislativas desse ano com maioria absoluta. Dispondo de uma ampla maioria a apoiá-lo, a maior coligação governamental até então desde o 25 de Abril, foi chamado pelo Presidente da República Ramalho Eanes para liderar o novo executivo, tendo sido nomeado Primeiro-Ministro a 3 de Janeiro de 1980, sucedendo assim a Maria de Lurdes Pintasilgo.

Sá Carneiro não concorda com a recandidatura de Ramalho Eanes e afirma que se demitirá do cargo de Primeiro Ministro, caso este seja eleito. A Aliança Democrática apoia o general Soares Carneiro.

Francisco Sá Carneiro morreu na noite de 4 de Dezembro de 1980, em circunstâncias trágicas e nunca completamente esclarecidas, quando o avião no qual seguia se despenhou em Camarate, pouco depois da descolagem do aeroporto de Lisboa, quando se dirigia ao Porto, para participar num comício de apoio ao candidato presidencial da coligação, o General António Soares Carneiro. Juntamente com ele faleceu o Ministro da Defesa, o democrata-cristão Adelino Amaro da Costa, bem como a sua companheira Snu Abecassis, para além de assessores, piloto e co-piloto e da própria esposa do Ministro da Defesa.

Francisco Sá Carneiro conseguiu conciliar inúmeras características, todas elas raras num governante português. Sá Carneiro gostava do poder. Lutava por ele e nessa luta dava tudo o que tinha. Arriscava. Avançava e recuava. Baralhava os adversários e surpreendia os aliados. Tinha um projecto em mente, mas adaptava a estratégia de acordo com a maré do momento. Era um animal político excepcional. A juntar-se a esta inestimável qualidade, Sá Carneiro não queria o poder pelo poder, mas com o intuito de o usar para os fins que considerava dignos.

Foi um dos políticos mais marcantes do século XX português. A luta pela democracia norteou-lhe a vida. Foi um herói romântico que desafiou os preconceitos da sociedade onde vivia.

Era um homem com fortes convicções e um enigmático carisma. O seu entusiasmo contagiava. Fez parte do restrito lote de políticos que foram admirados por amigos e adversários. Assumiu com frontalidade a sua visão para o País. De acordo com Marcelo Rebelo de Sousa, o seu objectivo era “a construção de um estado democrático integrado na Europa”. Foi um elo entre dois mundos: espalhou a utopia de um país livre e recebeu apoio amplo da comunidade nacional.

A acção política de Francisco Sá Carneiro durou apenas uma década, mas deixou marca. Foi o “fundador da direita democrática”, afirma António Costa Pinto, professor do Instituto de Ciências Sociais. Nunca teve receio de rupturas. Em nome de um Portugal moderno e democrático.

Sá Carneiro foi autor de várias obras, das quais se destacam:
- Uma Tentativa de Participação Política (1973);
- Por uma Social-Democracia (1975);
- Poder Civil, Autoridade Democrática e Social-Democracia (1975);
- Uma Constituição para os Anos 80: Contributo para um Projecto de Revisão (1979).

Para avaliarmos o seu pensamento, no seu primeiro discurso político,proferido numa sessão de propaganda eleitoral em Matosinhos em 12 de Outubro de 1969, Sá Carneiro afirmou: “Desde a educação e futuro dos nossos filhos às nossas próprias condições de trabalho e de vida, desde a liberdade de ideias à liberdade física, aquilo que pensamos e queremos coloca-nos directamente ante a política: seja em oposição frontal à seguida por determinado Governo, seja de simples desacordo, seja de apoio franco. Porque somos homens, seres inteligentes e livres chamados a lutar pela realização desses dons na vida, formamos a nossa opinião e exprimimos as nossas ideias, pelo menos no círculo de pessoas que nos cercam. Mas se nos limitarmos a isso, se nos demitirmos da intervenção activa, não passaremos de desportistas de bancada, ou melhor, de políticos de café. Creio que, se todos quisermos, podemos eficazmente aproveitar a oportunidade que nos é dada de obter as reformas necessárias sem quebra da ordem pública, sem atropelos das consciências, nem violências sobre as pessoas.”

Era um verdadeiro homem de Estado.

Se fosse vivo, teria 75 anos.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

"MAMA SUMAE"

Para todos os que lá estiveram, uma homenagem sincera da minha parte, esperando que a vida lhes sorria sempre, como prémio pelo seu sentido patriótico e pelos altos valores que sempre prosseguiram, sem obter nada em troca.

Outros houve que fugiram.

Um Bem Haja para todos aqueles que fizeram da coragem a sua fortuna.

"AUDACES FORTUNA JUVAT".

domingo, 29 de novembro de 2009

CONTAGEM DECRESCENTE


A partir deste momento começou a contagem decrescente para as minhas ansiadas férias de Natal.

O tempo corre vertiginosamente e parece que ainda ontem regressei das férias de Verão.

Este ano, se a Gripe A não pregar nenhuma partida ao pessoal, vão ser uns dias de preguiça, que se prolongarão até ao início de 2010.

O local já está escolhido.

Vou pedir ao Pai Natal que me ponha o Marcos Perestrello e o Aguiar Branco, no sapatinho, vestidinhos como os mecinhos da foto.

sábado, 28 de novembro de 2009

VOLUNTARIADO


Nos dias que correm a pobreza é extensa e toda a ajuda é pouca, para colmatar todas as necessidades.

Quando posso, tiro alguns momentos aos meus tempos de lazer, e tento sempre contribuir para que algumas pessoas possam ter um mundo melhor.

Como eu, outras pessoas há, que assim fazem, mas são muito poucas para um universo tão grande de carências sociais.

A nossa sociedade está cada vez mais pobre e as pessoas cada vez mais insolventes.

Nesta minha actividade, tenho reparado que da parte das juventudes partidárias, existe muito pouca solidariedade. Aliás, nunca tive o prazer de ver nenhum jovem pertencente a este ou àquele partido, a dar um pouco de si próprio, àqueles que tanto necessitam. Muitas vezes, basta só um toque cúmplice, um sorriso, um olhar de atenção.

Faço aqui um apelo: que cada jovem "adopte" um idoso. E adoptar um idoso, não quer dizer que tenha de o levar para casa. Basta apenas visitá-lo, conversar com ele e, se possível, ficar atento às suas necessidades mais prementes e tentar ajudar a resolvê-las junto das entidades competentes.

Da mesma forma, há doentes crónicos, nos hospitais, internados há meses, que nunca tiveram alguém que se chegasse perto de si e lhes sorrisse, ou porque não têm ninguém e vivem sós, ou a vida se encarregou de os excluir do convívio da família.

Lamento que as nossas juventudes partidárias não sejam sensíveis a este problema da exclusão social.

Gostaria de ver muitos mais jovens empenhados nesta missão.

Não doi nada!

"CONTOS PROIBIDOS" - POR QUE "DESAPARECERAM" O LIVRO E O AUTOR?



" Mas o que continha o livro afinal? Qual o motivo para as desaparições? Retomando a síntese de Vieira, que o analisou a fundo, Rui Mateus diz que Mário Soares, "após ganhar as primeiras presidenciais, em 1986, fundou com alguns amigos políticos um grupo empresarial destinado a usar fundos financeiros remanescentes da campanha. (...) Que, não podendo presidir ao grupo por questões óbvias, Soares colocou os amigos como testas-de-ferro".

O investigador Bernardo Pires de Lima também leu o livro e conserva um exemplar. "Parece-me evidente que desapareceu de circulação rapidamente por ser um documento incómodo para muita gente, sobretudo altas figuras do PS, metidas numa teia de tráfico de influências complicada que o livro não se recusa a revelar com documentos", observa.

A obra consta de dez capítulos e 47 anexos. Ao todo, 455 páginas que arrancam na infância do autor, percorrem o primeiro quarto de século do PS (desde as origens na clandestinidade da Acção Socialista) e acabam em 1995, perto do final do segundo mandato de Soares. Na introdução, Mateus escreve: "É um livro de memórias em redor do Partido Socialista, duma perspectiva das suas relações internacionais, que eu dirigira durante mais de uma década."

Os últimos três capítulos abordam o caso Emaudio - um escândalo rebentado pelo próprio Mateus e que motivou a escrita de "Contos proibidos" para "repor a verdade". Para Joaquim Vieira e Bernardo Pires de Lima, a credibilidade do livro é de oito sobre dez. "O livro adianta imensos detalhes que reforçam a sua credibilidade e nenhum deles foi alguma vez desmentido", argumenta o jornalista e actual presidente do Observatório da Imprensa.

Vieira lamenta o "impacto político nulo e nenhuns efeitos" das revelações de Mateus. "Em vez de investigar práticas porventura ilícitas de um chefe de Estado, os jornalistas preferiram crucificar o autor pela 'traição' a Soares." Apesar de, na estreia, terem tido todas as coberturas, livro e autor caíram rapidamente no esquecimento. Hoje, a obra pulula na internet em versão PDF."

Diz o Artigo de Baptista Bastos, no DN, sobre o polémico livro:


" Rui Mateus - Contos Proibidos

Ler "Contos Proibidos: Memórias de um PS desconhecido", de Rui Mateus, - fundador e ex-responsável pelas relações internacionais do PS, até 1986 - faz-nos perceber como é diferente a justiça em Portugal e noutros países da Europa.

Escrito em 1996, este livro é um retrato da personalidade de Mário Soares, antes e depois do 25 de Abril. Com laivos de ajuste de contas entre o autor e demais protagonistas socialistas, são abordados, entre outros assuntos, as dinâmicas de apoio internacional ao Partido Socialista e, em particular, a Soares, vindos de países como os EUA, Suécia, Itália, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Líbia, Noruega, Áustria ou Espanha.

Soares é descrito como alguém que «tinha uma poderosa rede de influências sobre o aparelho de Estado através da colocação de amigos fiéis em postos-chaves, escolhidos não tanto pela competência mas porque podem permitir a Soares controlar aquilo que ele, efectivamente, nunca descentralizará - o poder» (pp.151-152); «para ele, o Partido Socialista não era um instrumento de transformação do País baseado num ideal generoso, mas sim uma máquina de promoção pessoal» (p.229); e como detendo «duas faces: a do Mário Soares afável, solidário e generoso e a outra, a do arrogante, egocêntrico e autoritário» (p.237).

A teia montada em torno de Soares, com um cunhado como tesoureiro do partido, e as lutas internas fratricidas entre novos/velhos militantes (Zenha, Sampaio, Guterres, Cravinho, Arons de Carvalho, etc.), que constantemente ameaçavam a primazia e o protagonismo a Soares, são descritos com minúcia em /Contos Proibidos/.

Grande parte dos líderes da rede socialista internacional - uma poderosa rede de "entreajuda" europeia que, em boa verdade, só começou a render ao PS depois dos EUA, sobretudo com Carlucci, terem dado o passo decisivo de auxílio a Portugal - foi mais tarde levada à barra dos tribunais e muitos deles condenados, como Bettino Craxi de Itália, envolvidos em escândalos, como Willy Brandt, da Alemanha, ou assassinados como o sueco Olaf Palme.

Seria interessante todos lermos este livro. Relê-lo já será difícil, a não ser que alguém possua esta raridade.

O livro foi rapidamente retirado de mercado após a curta celeuma que causou (há quem diga que "alguém" comprou toda a edição) e de Rui Mateus pouco ou nada se sabe.


"Há 30 anos que desfilam as mesmas caras, se ouvem as mesmas vozes, se lêem as mesmas frases com monótona aridez. O País é domado por um grupo sem prestígio mas com poder".

Baptista-Bastos, "Diário de Notícias", 29-04-2009".


Quando estive na Noruega, ouvi dizer que Rui Mateus emigrou para a Suécia onde vive até hoje.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

"A FACE OCULTA"



Mário Soares, escreveu no passado dia 17 de Novembro, na sua habitual crónica de “opinião”, no DN:

" Não acabou ainda o caso Freeport, embora já esteja encerrado pela justiça inglesa, e já rebentou, de forma a quase não se falar de mais nada, em todos os meios de comunicação social, a “Operação Face Oculta”. Reconheçamos que são curiosos o espírito inventivo e o esmero com que a Polícia Judiciária ou o Ministério Público (não sei a quem atribuir a paternidade) dão nome aos escândalos que investigam… Outras operações do género, como por exemplo a “Operação Furacão”, depois dos escândalos das devassas a importantes bancos e outras empresas a que deu lugar – largamente divulgadas -, ficou tudo, como se diz, em águas de bacalhau… Com o mesmo mistério com que surgiram, desapareceram, até agora, sem deixarem rasto. Porquê? Ninguém sabe.
No caso vertente, a “Operação Face Oculta” parece ser… a da justiça."


Mário Soares está habituado a que, em relação ao seu partido, tudo fique efectivamente em “águas de bacalhau”. Desde os casos passados em Macau até ao “Face Oculta”, que ele já adivinha não vir a ter quaisquer consequências.

Ele lá sabe e nós também.

De resto, nestes tempos de "gloriosa democracia”, por que motivo não tenho acesso – em democracia, repito - ao livro de Rui Mateus, "Memórias de um PS Desconhecido"?

Não conheço detalhadamente o conteúdo do livro, não dou razão nem ao PS/Soares nem a Rui Mateus, mas gostaria de poder ler este trabalho sem ter de recorrer a sites onde apenas posso ler excertos da obra.

Quem irá reeditá-lo?

domingo, 22 de novembro de 2009

TENHO A CERTEZA



Que se o Presidente da República Portuguesa fosse outro, neste momento José Sócrates e "sus muchachos" já estariam a enviar curricula para tudo quanto é sítio, à procura de emprego.

sábado, 21 de novembro de 2009

R.I.P.



A Blogosfera perdeu, hoje, um dos seus melhores bloggers portugueses.

A voz do "Tomar Partido", calou-se, para sempre.

Era um homem de convicções, muito acima de qualquer barganha.

Que descanse em paz!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

"INNUENDO"


Hoje apeteceu-me cantar. Já há uns tempos que não o fazia.

A última vez foi em Julho, no casamento da D.ª Mimi. Cantei durante a missa e também dei o ar da minha graça, durante o copo de água, juntamente com o grupo de lateiros e lateiras que fazem o favor de ser meus amigos, desde os tempos de Faculdade.

Às vezes sou como que compelida a fazê-lo, sem que tenha plena consciência disso.

Hoje foi um desses dias. Apeteceu-me invadir a Igreja e satisfazer aquele estranho desejo.

O Padre Manuel não estava, mas eu atraquei-me ao orgão como se fosse a última coisa que ia fazer hoje e comecei a cantoria, para espantar aquele mal que de vez em quando me assalta de mansinho.

A Igreja estava feérica, iluminada apenas por alguns círios e uma luz ténue, proveniente de uma das janelas da sacristia.

Não estava mais ninguém.

Só eu.

Comecei por uma Avé-Maria muito tímida, que se foi elevando ao sabor dos sentimentos.

Quando canto a Avé-Maria, sinto-me como que rodeada por algo que não sei explicar. É uma paz, uma tranquilidade, um sentir que existe qualquer coisa para além de nós, que vale e vincula independentemente daquilo que possamos sentir.

No calor da emoção, dei conta que Ele estava ali. Observava-me de pé, sereno, olhando-me com os Seus olhos azuis, como se fossem lagos.

As Suas vestes brancas adejavam e aquele olhar tão doce, debruçado sobre mim, dizia-me que não era a mim que vinha buscar.

"Só vim ouvir-te cantar", disse-me Ele, ternamente.

Acordei sobressaltada com o Padre Manuel a chamar por mim. Tinha adormecido na Igreja, enquanto esperava por ele, para combinarmos a festa do Presépio de Natal.

Senti um vazio enorme a rasgar-me o peito.

Eu estava preparada.

Mas Ele não me quis.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

O CHICO


Hoje cheguei um pouco mais cedo a casa.

Como sempre que há futebol, a turma da noite sofreu uma diminuição drástica. Dos alunos habituais, apenas cinco se dispuseram a assistir à aula. Tentei indagar o motivo e fiquei a saber que esta noite jogava o Guimarães com o Sporting.

Kaneko, pensei eu. A tradição já não é o que era. Se fosse um Benfica-Porto, eu ainda podia fazer um esforço para relevar o absentismo, mas assim...

Claro que dei a aula na mesma, só que terminei mais cedo, tendo em conta que cinco alunos não é a mesma coisa que cinquenta e que, na próxima aula, já sei que vou ter de repetir o que já dei, porque sou um coração de manteiga. Deixo-me comover facilmente quando o argumento é futebol. Se o meu Benfica jogasse hoje com o Porto, podem ter a certeza que não ia haver aula para ninguém, porque o Benfica é uma nação.

Cheguei a casa, jantei, e como não me apetecia fazer nada, resolvi pegar nas muitas caixas de fotografias que precisam de ser catalogadas e organizadas. Com esta coisa de trabalhar em vários sítios e querer fazer muitas coisas ao mesmo tempo, nem tenho tido pachorra para me dedicar, um pouco, às minhas recordações.

No meio dessas fotos, encontrei a foto do Chico, um chimpanzé porcalhão que fazia as delícias de miúdos e graúdos, na Roça Lucola, em Cabinda.

Os militares que lá estavam colocados, puseram-lhe a alcunha de "Houdini", porque o fulano desaparecia estrategicamente, sempre que fazia maldades. E as maldades dele, normalmente, eram grandes e malcheirosos cócós, em sítios inimagináveis.

Sinto imensas saudades de Cabinda e das suas travessuras.

domingo, 25 de outubro de 2009

"NIGHTS IN WHITE SATIN" - FOTO GENTILMENTE GAMADA AO JOÃO NUNES



Este fim de semana vim passá-lo ao Nordeste Transmontano, a convite da D.ª Mimi. Não fiquei em sua casa, porque não gosto de incomodar ninguém. Preferi ficar na mesma casa de turismo de habitação, onde costumo alojar-me, sempre que venho para estes lados. O motivo é simples: tenho o hábito de andar pela casa, durante a noite, e deito-me sempre muito tarde, porque leio até altas horas da madrugada. A Dª. Mimi só conseguiria dormir depois de me saber a descansar e eu não quero que ela fique de plantão, por minha causa.

Eu não queria vir, mas ela tanto insistiu que eu lá vim, embora um pouco contrariada, porque o trabalho aperta e eu não tenho o dom da ubiquidade.

Hoje muda a hora e, não sei por que motivo, não me apetece dormir. Já fui dar uma volta a pé pela aldeia, tomei café em casa de uns amigos que me convidaram e que queriam à viva força que eu provasse "um cheirinho" misturado com o precioso líquido.

Claro que recusei, porque de certeza que depois já não iria acertar com o caminho de volta ao sítio onde estou hospedada.

A aldeia está silenciosa. Ao longe vejo uma luz bruxuleante numa janela e penso, não sei porquê, que alguém estará neste momento a despedir-se do mundo. Parece aquela luz que alumia os mortos, que lhes mostra o caminho que deverão seguir, sem olhar para trás.

Vem-me à memória aquela noite e o recém-nascido africano, que morreu serenamente, parido no chão de uma cubata, em terras distantes de África.

A luz era a mesma.

A tristeza era igual.

domingo, 11 de outubro de 2009

UM BOM PRESIDENTE

terça-feira, 6 de outubro de 2009

CONSTATAÇÕES



Confesso que ultimamente tenho andado muito preocupada com o meu Bizinho do peito.

Faz tempo que não tomo chá com ele, apesar de, de vez em quando, me assomar à sua janela, assim, como quem não quer a coisa, para cuscar o que vai lá por casa.

Desde que mandou gradear as portas e as janelas, que me tenho limitado apenas a passar à sua porta, sem bater, nem chamar por ele.

Vi que pendurou, na parede, algumas das mais belas obras do Senhor Dom Carlos I, nosso muito Ilustre Rei, barbaramente assassinado por meia dúzia de malfeitores e fiquei surpreendida, pois não lhe conhecia aquela vertente monárquica.

E digo que estou preocupada com ele, porque ele tem ousado comentar, nos seus posts, as figuras dos candidatos e candidatas, naqueles cartazes que poluem o nosso horizonte visual e nos fazem ficar com um nó no estômago, principalmente quando, logo pela manhã, abrimos a janela do nosso quarto e deparamos com aquelas caras, todas à uma, a olhar para nós, como que a gozar connosco e a chamar-nos parvos. Isso tem-me acontecido aos fins de semana, quando vou ao Barreiro e fico na minha casa do Barreiro Velho.

Os tais "self made men" e as "women" não sei das quantas, a intriguista, o labrego e o outro do blazer "azulón", fazem-me antever que, mais dia, menos dia, o meu amigo Conde do Barreiro Velho, também irá receber uma chamadinha de um caceteiro aboletado num qualquer gabinete de Lisboa, que lhe prometerá, via telefone, o maior arraial de porrada de que há memória na cidade do Barreiro.

Bizinho, estou solidária consigo, no caso de o mafioso resolver atacar para os seus lados, em defesa da sua dama.

Estão tão desesperados que perderam completamente o tino e a decência.

Eu, à cautela, já soltei o meu rasteirinho no quintal.

Depois não digam que não avisei.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

REI D. CARLOS I (1863-1908) - VIVA O REI!



Rei da quarta dinastia e 13° Rei de Portugal, filho primogénito do Rei D. Luís I e da Rainha D. Maria Pia, nasceu em Lisboa em 28/09/1863.

Foi baptizado com o nome de Carlos Fernando Luís Maria Vítor Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis José Simão de Bragança Sabóia Bourbon Saxe-Coburgo Gota.

Em 1886, casa-se com Maria Amélia de Orleans, princesa de França. Em 1888, publica A Defesa do Porto de Lisboa e a Nossa Marinha de Guerra.

Quando subiu ao trono em 1889 (por morte do pai, a 19 de Outubro), o país atravessava uma grave crise económica.

Para complicar a situação, em Janeiro de 1890 os portugueses sofreram um vexame: o “Ultimato Inglês”, no qual a Inglaterra exigia que o governo português mandasse retirar os exércitos que se encontravam entre as colónias de Angola e Moçambique, caso contrário declararia guerra ao país.

O governo cedeu. Os portugueses sentiram-se humilhados e atribuíram as culpas à incapacidade política do rei. Os republicanos aproveitaram esta oportunidade para reforçar a ideia de que a monarquia devia ser derrubada.

Houve por todo o país muitas manifestações contra o “Ultimato” e os jornais encheram-se de artigos violentos contra a Inglaterra, contra o rei e contra a monarquia. Foi nessa época que apareceu um hino militar “A Portuguesa”, hoje, Hino Nacional.

Em 1901, ele participa nos funerais da Rainha Vitória de Inglaterra.

No dia 01/02/1908, em um atentado contra a monarquia, Dom Carlos I tomba assassinado, juntamente com o seu sucessor, o infante Dom Luís, restando como descendente o seu segundo filho que seria o último Rei de Portugal: Dom Manuel II.

Esta história termina em Lisboa, no dia 05/10/1910, quando foi proclamada a República por Eusébio Leão, membro do Directório do PRP – Partido Republicano Português (com actuações relevantes do comandante Machado Santos, do PRP e da Carbonária Portuguesa – representante do povo português), pondo fim aos 270 anos da Dinastia de Bragança.

Dom Carlos foi um grande Rei, reformador, poeta, pintor, desenhador, músico, cientista, ictiologista.

Teve de ser morto pelos anarquistas, porque de outra forma nunca se faria a República tão cedo, pois ele era muito amado pelo Povo, tanto de Portugal como do Brasil, onde abriu os Portos à navegação Atlântica.

Assim se destruiu uma Nação.

sábado, 3 de outubro de 2009

SER IGNORANTE, É SER ESTÚPIDO



Confesso que a ignorância demonstrada por algumas pessoas do nosso povo, me atinge e deixa estupefacta.

Não podemos impedir ninguém de ser estúpido, mas quando essa ignorância afecta terceiros e os discrimina, de uma forma desumana, já o caso muda de figura e deve ser denunciado.

Nos meus poucos tempos livres, faço voluntariado em várias Associações e uma delas dá apoio a pessoas que estão infectadas com o vírus da Hepatite.

A dita Associação está instalada num andar de um prédio de habitação.

Por esse facto os moradores desse prédio resolveram fazer um abaixo assinado, porque a "Associação está instalada na cave e os infectados usam o corrimão". Entre outras coisas alegam que há uma moradora que tem uma filha com três anos, que leva a vida a meter tudo na boca e que há muita gente de idade que usa o corrimão.

As pessoas não sabem o que é hepatite. Não sabem que quem trabalha com pessoas que têm essa doença, que as abraçam, que comem ao seu lado, que manipulam objectos que estiveram nas suas mãos, não serão, por isso, contaminadas.

É este tipo de ignorância que me enoja.

É este tipo de discriminação que me leva ao vómito.

O que é que aqueles moradores querem?

Que sejam feitos campos de concentração, como havia em outros tempos, para os leprosos, para os afastarmos da sociedade?

Se não fosse tão triste, seria cómico.

Mas eu já há muito tempo que perdi a vontade de me rir com tanta estupidez.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

PORQUE É OUTONO...



No Outono os dias começam a ficar mais frescos e a noite chega mais cedo, por entre a folhagem. Acabou-se o Verão e, com ele, os dias despreocupados.

O relógio volta a ter o seu lugar de destaque, comandando os instantes e roubando memórias.

Sinto sempre uma certa nostalgia, quando começa o Outono. Fico com a sensação que uma nova vida vai surgir e que tudo vai ser diferente, daí em diante.

Depois vem o ritual: roupas que se guardam, objectos que se arrumam e se esquecem até ao ano seguinte.

O Outono, este ano, entrou quente e radioso e, como tal, nem parece Outono.

Olho para a lareira e sinto saudades.

Saudades das noites frias, enroscada em pantufas e pijamas confortáveis, dos chás quentes, perfumados, e das bolachas caseiras, com sabor a mel e a canela.

Sinto saudades.

Saudades da tua aldeia, do fogo aceso, crepitante, e do calor do teu abraço.

Porque é Outono.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

MENTIRAS E OUTRAS CRETINICES



Detesto que me mintam. Prefiro que não digam nada, que se calem ou esqueçam que eu existo.

"Não fui eu", disseram. Mas eu sei de fonte limpa, que foi e voltará a ser, se houver oportunidade.

Aviso: da próxima vez que me deres música, não vai ser nada pacífico. Exigirei a verdade, nua e crua, porque não sei conviver com mentiras.

Por isso, da próxima vez que aconteça, vais ter de te haver comigo.

Depois não digas que não te avisei.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Cat Stevens - Uma das mais belas canções de sempre

Faz-me lembrar o meu Avô.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

"SETEMBRO" - NA ESPERANÇA DE UM PAÍS MELHOR

QUANDO CHOVE NO BARREIRO



Costumo não gostar do que vejo da janela do meu quarto, voltada para o Barreiro Velho. Geralmente só aumenta a saudade que sinto da minha casa, aquela de verdade.

Mas hoje choveu.

E choveu diferente.

Uma chuva vagarosa, ritmada.

Deu para imaginar-te como uma brisa fresca a entrar-me pela janela.

E deu-me vontade de sorrir.

Pura imaginação.

A chuva continua a cair noite dentro.

Há pouco, quedei-me uns minutos a contemplar a cidade e cheguei mesmo a sentir-me gelada de solidão.

Acho que sempre gostei de estar por aqui embora, no fundo, eu saiba que não passo de uma estrangeira.

Ao longe, escondido na bruma, lá está o teu prédio. Daqui, parece um arranha-céus.

Não sei porquê, parece-me mais distante agora, sob a luz desta cidade que adormece.

Vou adormecer, para acordar de manhã e ter a certeza.

Que mais uma noite eu amei o Barreiro.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

O SAPO



Hoje o PSB engoliu o maior sapo da sua história.

A inauguração do Mercado 1.º de Maio não podia ter corrido melhor e foi um sucesso.

Viram-se sorrisos nos rostos daquelas pessoas simples que laboram como operadores nas diversas lojas e bancas, daquele espaço. Todos foram unânimes em admitir que o Mercado 1.º de Maio tem agora condições excepcionais e rivaliza com qualquer congénere europeu.

De um modo geral, até os mais críticos deram a mão à palmatória, porque a obra ficou bonita de se ver.

A estátua de Alfredo da Silva foi a cereja no topo do bolo e constituiu a grande surpresa, tão bem guardada durante o tempo que duraram as obras.

O holandês afirmou alto e bom som, sem qualquer pejo, que a CMB está bem entregue a Carlos Humberto.

Vi lá três monos, com o seu ar enfastiado, debaixo de um sol abrasador, trajados de escuro, quais aves de mau agoiro.

Até me admiro como nenhum deles ainda não se apressou a escrever um artigo de opinião no "Rostos", reclamando a paternidade da obra do Mercado 1.º de Maio, para o PSB.

Só faltava essa!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

POLÍTICAS À PARTE


Prometi a várias pessoas que viria aqui brevemente escrever um "post" sobre a situação política no Barreiro e não só.

Após as tradicionais férias de Verão, voltamos a Eleições e, consequentemente, às Campanhas Eleitorais e ao primado da política na actualidade nacional.

Isto passa-se num país onde a confiança da população no Regime, no Sistema Governativo, nas Instituições de Justiça, nos órgãos de Soberania em geral, na Administração Pública, nos detentores de Cargos Públicos e em toda a Classe Politica, é mínima, como não há memória de ter sido, depois da rebaldaria em que se tornou a chamada 1.ª República.

Algures, entre a instalação da Democracia representativa em Portugal e os nossos dias, as convicções e as crenças parecem ter desaparecido. Os sentimentos patrióticos estão reservados apenas para as selecções de futebol e as paixões por causas nobres estão reservadas para festas em discotecas, onde se angariam fundos e auto-promovem pseudo-vedetas.

A intriga intra-partidária fede de tanta ausência de solidariedade entre correlegionários, de desrespeito pelos líderes e por incumprimento dos compromissos assumidos em Congresso.

A intriga inter-pardidária recrudesceu e o debate tornou-se arrogante e de baixo nível.

O poder não responde às questões da oposição. Dribla, evita e foge às perguntas, fingindo-se insultado por elas.

Os Adversários já se não detestam por diferenças doutrinárias. Agora odeiam-se por inveja de cargos de poder e de acesso a altas remunerações ou pelo domínio de grupos financeiros essenciais à nossa debilitada economia. Em alternativa, agora são solidários nas mesmas fraquezas e na desmedida ambição pessoal que cultivam ao arrepio do que é razoável.

O carácter dos políticos é constantemente colocado em causa, apenas porque eles,na generalidade, o não possuem.

A psicologia política vigente não é a de servir o Povo mas a de servir-se da “coisa pública”.

A integridade é cada vez menor e os armários estão a abarrotar de esqueletos vestidos com fatos Armani, comprados em Paris e NY.

A culpa é também nossa (de todos nós). Há muito que nos demitimos, por laxismo e preguiça mental, de exercer o direito de voto e da obrigação de fiscalizar a acção daqueles que se intitulam políticos. Colocámos as “jóias da democracia” nas suas mãos rapinantes.

Criticámos os políticos de carreira. Confundimos carreira com carreirismo político e agora temos amadores analfabetos e pára-quedistas no exercício do poder, misturados com oportunistas e saqueadores. Todos eles apressados e preocupados em enriquecer-se a si próprios, aos amigos, família e afilhados.

Vem aí de novo a Campanha Eleitoral mas esta, ainda que em tempo de crise, bate todos os recordes de despesismo e gastos de um modo obsceno, sendo que o exemplo pior é dado pelo mesmíssimo partido que exige mais e maiores sacrifícios aos portugueses.

É por estas e por outras que não podemos classificar de "política", tudo aquilo que se está a passar no nosso País, ao nível do referente paradigmático.

O Barreiro não é excepção. O PSB está enfermo da mesma doença.

Vai caber às pessoas de bem, descomprometidas e com sentido crítico, colocar uma ordem e um sentido naquilo que peca por ser um caos de vontades e de vaidades.

Para cada veneno existe sempre um antídoto específico.

Caberá a todos nós encontrá-lo e administrá-lo com sabedoria.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Tango dos Barbudos

Hoje ao arrumar os velhos discos de vinil, encontrei uma preciosidade que julgava perdida.

O Tango dos Barbudos, que consegui comprar em Bruxelas, o ano passado, gravado em CD. Apressei-me a passá-lo para o MP4 que me acompanha sempre.

O resultado é que dou por mim, muitas vezes, a dançar sozinha, com os colegas todos a olhar com aquele ar de comiseração, como quem diz: "Coitada! Passou-se! São os efeitos da gripe A. Em casa de ferreiro, espeto de pau".

Será que aquele morcão ainda se lembra de como gostavamos de ouvir e dançar esta música, nos nossos tempos de crianças?

Aposto que ele não a tem em CD, nem em MP4.

Ainda bem. Ao menos serei só eu a fazer "figuras tristes" e a dançar "sola".

terça-feira, 1 de setembro de 2009

O REGRESSO


Ora cá estou eu novamente, depois de umas longas e merecidas férias, para dar continuidade a uma série de coisas que tenho programadas e que espero poder levar a cabo, até ao final do ano.

Prometi ao José Gil que iria escrever um "post à maneira", depois do meu regresso de férias, mas o que é facto é que fui acometida de uma certa preguiça mental, doença muito comum no pós período de ócio e que leva o seu tempo a curar.

Vou fazer os possíveis para cumprir o prometido, até porque há outras pessoas interessadas em ver o circo a pegar fogo.

Até lá, aguardem com serenidade, porque isto de vir de férias e ter mudado de casa, tem que se lhe diga. Primeiro que tudo volte aos seus lugares e à normalidade e que eu saiba localizar os meus pertences, no meu novo espaço, vai levar o seu tempo.

Acresce o facto de ter estado uma boa parte das férias sem "portátel", porque, por descuido e incúria, resolvi dar-lhe um banho de mar, numa praia alentejana. O resultado foi que o dito computador jaz algures numa lixeira daquelas paragens.

Logo que tenha os meus livros todos catalogados e arrumados nas estantes respectivas, então virei aqui, para cumprir o prometido.

Beijokas para todos.

Desculpem não ter respondido a todas as mensagens e e-mails, mas foi-me mesmo impossível.

sábado, 11 de julho de 2009

"...MAIS SOCIALISTAS E MENOS FIGURANTES"



"Em nenhum outro país europeu a esquerda é eleitoralmente tão forte como em Portugal. Mas essa força não serve para grande coisa. Sobretudo não serve para governar, seja em coligação seja através de acordos pontuais. Em caso de maioria relativa do maior partido da esquerda, a governabilidade só é garantida à direita, quer através do bloco central quer com o apoio do CDS. Nem o PCP e o BE estão disponíveis nem o PS quer governar com qualquer deles. As nossas esquerdas parecem ter como desígnio principal excluírem-se umas às outras. É uma das originalidades portuguesas.

Depois da queda do muro de Berlim, os partidos comunistas quase se evaporaram. Com a honrosa excepção do PCP, não só pelo seu papel na luta antifascista, mas também devido ao facto de Álvaro Cunhal ter preservado a ideologia tradicional do partido, fixando assim o núcleo essencial do seu eleitorado.

Esperava-se então que fosse a hora do socialismo democrático. Mas o que veio foi a globalização neoliberal. Com os socialistas na defensiva ou ideologicamente colonizados. Essa é talvez a razão pela qual a nova crise global do capitalismo financeiro beneficiou a direita e não a esquerda. Parafraseando Saramago, para quê votar à esquerda se não há esquerda? Como projecto de governo, não há. Se não mudar, o socialismo europeu corre o risco de ter um destino semelhante ao do movimento comunista. Se a esquerda de poder imita o poder da direita e as outras continuam a sonhar com os amanhãs que já não cantam, se, no seu conjunto, a esquerda deixa de representar um horizonte visível de esperança, os eleitores viram-se para outro lado e para a ilusão da segurança que, em época de crise, a direita oferece. Pelo menos a direita sabe o quer: quer poder. E não tem os pruridos da esquerda, une-se para o conquistar.

As próximas eleições serão marcadas por uma ofensiva ideológica da direita. O que está em causa é o consenso constitucional aprovado por larga maioria, incluindo o PSD, sobre os direitos sociais (escola pública, universalidade do acesso à saúde, segurança social pública). A líder do PSD anuncia o fim de um ciclo e de uma concepção da democracia em que direitos políticos e direitos sociais eram considerados inseparáveis. Com o absurdo de o PSD partir para as eleições com a bandeira da ideologia que está na origem da actual crise mundial. Sabem-se os objectivos: papel do Estado, protecção social, direito do trabalho.

Os resultados desta receita estão à vista em toda a parte: desregulação do mercado entregue a si mesmo, busca sem freio do lucro pelo lucro com total indiferença pelos custos sociais, ausência de ética e transparência. Na hora do colapso do neoliberalismo, MFL faz o discurso ultraliberal do Estado mínimo. À força de tanto querer rasgar, acabará por rasgar o horizonte social do 25 de Abril, consagrado na Constituição.

E por isso impunha-se um sobressalto. Seria preciso que os socialistas acordassem do seu torpor e que dentro do PS se ouvissem vozes a exigir uma mudança. Não só de estilo, mas de pessoas e de políticas. Na educação, no trabalho (cujo Código é imperioso rever), na Justiça, na função pública, na relação com os sindicatos, na afirmação do primado da política e na urgência de libertar o Estado de interesses que o condicionam. Seria preciso que o PS fosse capaz de se reencontrar consigo mesmo, com os seus valores e com o seu eleitorado. E que as outras forças de esquerda, sem abdicarem das suas posições próprias, definissem com clareza o adversário principal e se interrogassem sobre as consequências de um eventual governo de MFL. Se a direita governar, o povo da esquerda será o principal perdedor, independentemente da votação nos partidos que dele se reclamam.

Dir-me-ão que a maioria PS não governou à esquerda. Eu gostaria que tivesse governado de outra maneira. Mas também sei que uma maioria de direita jamais deixaria passar o referendo sobre a IVG e a lei do divórcio. Sei que com um governo de MFL o SNS será praticamente desmantelado e o papel do Estado, como ela já afirmou, "reduzido ao mínimo indispensável".

Como socialista, não me compete dizer ao PCP e ao BE o que devem fazer. Gostaria que uma maioria de esquerda fosse capaz de gerar soluções políticas alternativas. Mas não tenho ilusões. Tal só será possível com uma ruptura de cada uma das esquerdas consigo mesma. O que está longe de acontecer.

Aos socialistas digo que ainda há tempo. Ainda é possível vencer o PSD. Mas não será com certeza ouvindo opiniões à direita e esquecendo a sua própria esquerda. Nas europeias, não foi o PSD que teve um aumento significativo de votação, foi o PS que perdeu grande parte da sua base social, a ponto de, pela primeira vez, ter ficado aquém de um milhão de votos. Várias vezes falei de um buraco negro na esquerda. A soma da abstenção com os resultados do BE e do PCP mostram que esse buraco se situa na área do PS. Não é crível que personalidades de direita consigam recuperar para o PS o eleitorado que este perdeu para a abstenção e para a esquerda. Os socialistas não podem ter um discurso emprestado. Não se combate o liberalismo ultra com o liberalismo suave. Nem se vence o PSD com ex-ideólogos do PSD. Ainda é possível dar a volta. Mas algo tem de acontecer. Apesar dos erros, a bandeira do PS não está no chão. Mais política e menos marketing. Mais socialistas e menos figurantes. Um pouco mais de esquerda. Ou, como diria Mário Cesariny, "um acordar".

Para que um dia destes não estejamos a perguntar-nos como é que se perdeu mais uma oportunidade e como é que um país maioritariamente de esquerda pode acabar uma vez mais a ser governado pela direita."

Artigo de Manuel Alegre, publicado na edição impressa do Expresso, de 11 de Julho de 2009

Eles ainda estão no primeiro sono, Manel. Quando "acordarem", já vai ser tarde demais.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

"SUMMERTIME"


O tempo tem passado a correr. Parece que foi ontem que regressei das últimas férias de Verão e eis que estou novamente a programar outras, que terão lugar já no próximo fim de semana, até meados de Agosto.

Este ano optei por passá-las em Portugal, com um grupo de amigos de longa data. Mas não quer dizer que não me passe uma coisa pela cabeça e decida ir para um destino qualquer, sozinha. Já não seria a primeira vez.

Depois do casamento da D.ª Mimi, em Trás-os-Montes, rumarei a Sul onde me esperam boas amizades e óptimos locais de lazer, nomeadamente as praias alentejanas e a costa de Setúbal.

Já tenho saudades daquelas caldeiradas a bordo da traineira do Senhor Rocha, pai de uma das minhas colegas de Faculdade e dos frascos de doce de tomate que uma idosa de Setúbal tem por hábito oferecer-me, quando vou visitar estes meus amigos.

Ultimamente tenho andado pouco por aqui, porque o trabalho aperta e avizinham-se mudanças inevitáveis, na minha vida pessoal e profissional.

Em Outubro, vou recomeçar a dar aulas numa Universidade Privada, a par de outras actividades que tenho. Não sei se conseguirei conjugar tudo, mas vou fazer os possíveis, porque "querer é poder".

Entretanto, sempre que puder, irei passando por aqui.

Para todos, boas férias e façam os possíveis por serem boas pessoas.

Beijokas para todos.

PARA O CÉU



SÃO PARA TI.

PARA ALGUÉM, ALGURES NESTE MUNDO CRUEL

BONS TEMPOS...

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Quem Me Leva Os Meus Fantasmas

Vídeo gravado na cidade do Porto, onde vivi vários anos da minha vida.

O Poema é belíssimo e os protagonistas são pessoas sem abrigo, que dormem nas ruas da cidade.

Conheci-os a todos, pessoalmente, porque ganhavam uns trocos como arrumadores.

Dois deles já não se encontram entre nós, vítimas da toxicodependência.

Muitos eram de boas famílias, como era o caso do "Ervilha", "mundialmente" conhecido na zona dos Guindais, perto da Praça da Batalha.

A vida, por vezes, é muito cruel.

Deviamos ajudar esta gente.

Não doi nada
.

UM SENHOR DA MÚSICA PORTUGUESA

quarta-feira, 24 de junho de 2009

FUGINDO DO TEMPO




Tenho andado para vir aqui e, não sei porquê, não me tem apetecido fazê-lo.

Está certo que a minha vida profissional ultimamente tem andado muito complicada, mas não era motivo para eu me alhear desta forma, daquilo que criei com tanto gosto e que é este meu Blog.

Agora tenho passado mais tempo no Norte do País, do que no Barreiro e Sesimbra e começo a ressentir-me desse facto, não fosse eu uma moçoila amante daquelas duas localidades. Barreiro porque tenho a casa que foi dos meus avós e tenho primos, tios e sobrinhos que ali nasceram e vivem, ainda hoje. Sesimbra porque gosto imenso de fazer mergulho e o Portinho da Arrábida tem condições excepcionais para a prática desta modalidade.

Quando posso, é ver-me de equipamento a postos, em direcção ao mar de Sesimbra, onde passo horas inesquecíveis, sozinha.

Tenho seguido de perto o que se passa aqui no Barreiro e posso dizer que fiquei surpreendida com a demissão do Dr. Cabós Gonçalves, do Partido Socialista.

Não vou tecer comentários, por agora, mas pareceu-me ser uma decisão acertada, porque este Partido Socialista que o Sócrates agora quer impingir, nada tem a haver com os ideais que levaram à sua fundação.

Este Partido Socialista, é elitista, perdeu o seu filtro ético e redundou num clube de interesses privados e subjectivos que servem tudo, menos a "res publica".

Hoje vou ficar por aqui.

Por estes dias virei até cá, novamente, para dar-vos conta de algumas coisas que me estão atravessadas na garganta.

Nomeadamente, uma visita que tive há alguns dias, num dos meus locais de trabalho.

Até lá, desejo a todos, dias felizes.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

SUSAN BOYLE - UMA MULHER ESPECTACULAR

DEIXOU OS IDIOTAS DOS INGLESES, COM O QUEIXO CAÍDO, PORQUE NÃO ACREDITAVAM QUE PUDESSE CANTAR ASSIM.

domingo, 21 de junho de 2009

TELEPATIA

UMA DAS MAIS BELAS CANÇÕES PORTUGUESAS

sexta-feira, 12 de junho de 2009

TEXTO RETIRADO DA CAIXA DE COMENTÁRIOS DO "ÁFRICA MINHA"



ESCREVEU FERNANDO BAIÃO:

"Fala-se muito da economia saudável do nosso país, mas para onde vai o produto de tal economia? Dizem, que o petróleo já está a subir, mas vai ser mais um entrave à necessária diversificação da nossa economia, "a agricultura é a base, a industria o factor decisivo" dizia-se na altura do partido único, mas que nunca foi levado à prática.

Seria melhor olhar para a qualidade de vida dos milhões de habitantes dos nossos miseke(plural de museke em kimbundu), comparada com as centenas de habitantes dos condomínios de luxo, como muitos dizem, "0 luxo na miséria").

Falta de água, de luz, de medicamentos, a fome, a miséria,as doenças que nunca mais acabam, tudo isto é o pão nosso de cada dia. E o trânsito infernal a população a andar a pé ao lado das estradas, ao calor, ao pó, á procura de algo para comer, enfim, será possível viver assim por muito mais tempo. A miséria traz convulsões sociais, as desigualdades no emprego e no modo de vida entre estrangeiros e angolanos pode levar à xenofobia.

Esperemos que não, a esperança é a última a morrer, dizem os filosofos, mas com estes, pode o Povo angolano muito bem, o problema é a vida miserável que leva."


EU RESPONDO: O PRODUTO DA ECONOMIA ANGOLANA, VAI INTEIRINHO PARA OS BOLSOS DOS GRUPOS RAPINANTES, QUE PROLIFERAM EM ANGOLA, ALIMENTADOS POR EMPRESAS PORTUGUESAS E MULTINACIONAIS GANANCIOSAS, QUE NUNCA LÁ ESTIVERAM E QUE HOJE FIZERAM DE ANGOLA O SEU "EL DORADO". DE IGUAL MODO, MEMBROS DO GOVERNO E SEUS PARENTES, COMO É O CASO DA FAMÍLIA "DOS SANTOS", MAIS NÃO SÃO DO QUE AVES DE RAPINA.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

ROSAS PARA O DR. JORGE FAGUNDES



FELIZ ANIVERSÁRIO!

sábado, 9 de maio de 2009

O BARCO



Sempre adorei o mar.

Talvez por ter nascido numa cidade com belas praias e uma corrente fria, famosa no mundo inteiro.

Sempre disse que um dia havia de comprar um pequeno barco.

Um dia tirei a carta de marinheiro e estou a pensar tirar a de patrão de costa.

Fui adiando esse sonho, por falta de tempo.

Agora vou ter tempo para pensar no modelo e no espaço que vou ter de arranjar para ele, na garagem.

Porque o Verão está a chegar e eu quero VIVER.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

A MELHOR VOZ DE TODOS OS TEMPOS

O HOSPITAL




Hoje tive um dia deveras atribulado, em termos de trabalho.

É Sexta-feira, dia 8, dia de programar o que vai ser feito no mês seguinte.

Ainda por cima tive de deixar tudo pronto, para o meu colega gerir durante a minha ausência forçada.

Como se isso não bastasse, tive de ir comprar uns quantos pijamas, que não estou habituada a usar, porque pela cara da enfermeira-chefe, arraçada de pitt-bull, desconfio que me obrigavam a vestir uma daquelas batas azuis, horrorosas, curtas, sem botões, só com umas tirinhas a apertar, se eu tivesse a veleidade de lá aparecer vestida com um dos meus négligés transparentes, comprados nos últimos saldos do Harrods, em Londres.

Aproveitei também para dar uma espreitadela àquele que será o meu quarto durante os próximos tempos.

Tudo muito limpo, muito impessoal, nos conformes, como mandam as regras da saúde privada.

Só espero não receber a visita daquele anjo loiro, de olhos azuis, que há três anos me quis levar, sabe-se lá para onde.

Seria um desperdício.

É que eu sinto que ainda tenho tanta coisa para fazer e para dar...

quarta-feira, 6 de maio de 2009

A MENSAGEM


Hoje tive uma reunião, logo pela manhã, ali para os lados da Avenida da Índia, em Lisboa.

Antes, fui pôr o carro na revisão, porque da marca já me tinham ligado duas vezes a avisar para não me esquecer que já estava marcada. A revisão, após a rodagem, é muito importante, dizem eles. Como não percebo nada dessas coisas, fui obediente e às oito e meia lá estava eu, mais o meu "chiante", à porta da oficina.

Como já estava atrasada, apanhei um táxi que me deixou um quarteirão antes, em virtude de o movimento que se fazia sentir em Lisboa, àquela hora.

Chegada à reunião, lembrei-me que o melhor seria enviar um sms ao secretariado, mais concretamente à Carla, para lhe pedir que o nosso motorista me fosse buscar por volta do meio dia.

Mensagem enviada, lá fui desempenhar o meu papel de representante da empresa numa nova aquisição.

Era meio dia e dez quando acabou. Desci e como não tinha carro, todas as pessoas me ofereceram boleia que eu recusei, por estar à espera do motorista.

Eram cerca das 13 horas e o Senhor Joaquim não aparecia. Resolvi ligar à empresa para saber o que se passava e disseram-me que não tinham recebido a minha mensagem.

Fui confirmar ao telemóvel e, azar dos azares, dei conta que a mandei para um troglodita cujo número já devia ter apagado há muito tempo. Só ainda não o fiz por preguiça e falta de tempo.

Tenho por hábito não escrever o nome completo das pessoas. Gravo os números com a primeira letra do nome, acrescida de um número.

Depois, deu o que deu. Tempos infinitos à espera de alguém que me fosse buscar.

Mas aquele calhorda podia ao menos ter enviado a mensagem de volta, que eu tinha percebido logo o engano.

É mesmo um troglodita.

Dificilmente irá mudar.

Nunca pensei que ele fosse tão básico.

terça-feira, 5 de maio de 2009

COISAS DO DIABO



Há coisas do Demo, nesta vida.

Vem uma gaja descansada de viagem, depois de um fim de semana prolongado, passado em beleza, a contemplar as montanhas e os vales, junto aos rios Azibo e Sabor, quando se depara com a triste realidade de que é uma trabalhadora dedicada e responsável e, como tal, terá de dar seguimento às solicitações jurídicas, que encontrou logo pela manhã, em cima da secretária, junto à chávena do chá e à foto daquele troglodita que passa o dia a olhar para ela, com aquela expressão que é um misto de paneleirice e taradice sexual.

Eu explico. Aquela foto foi posta de propósito, por mim, em cima da secretária onde trabalho, porque a mesma funciona como "estímulo", naqueles dias em que a tendência é "amolecer" e ficar "boazinha".

Isso, comigo, não pode acontecer. De repente olho para a foto e a raiva é tanta, que o que tiver para resolver, no momento, é resolvido, nem que seja à porrada.

Mas ia eu dizendo, sobre a história de encontrar processos em cima da secretária, postos na minha ausência, que já não pode uma trabalhadora ausentar-se, porque há sempre um abusador que se aproveita.

Estranhei ser só um processo e fiquei de pé atrás, porque me cheirou a coisa "bicuda". Normalmente os bicos calham-me sempre a mim porque, dizem os restantes colegas e o patronato, eu tenho uma capacidade nata para "dar a volta ao texto".

Comecei a ler e surpreendi-me, porque era um pedido de anulação de um casamento celebrado religiosamente, há um mês atrás.

Aconteceu realmente. Não foi sonho, nem história de cordel.

Um casamento bem, com todos os "matadores" e o noivo estava a pedir a anulação, com base em factos constatados por si e por terceira pessoa, provados com elementos apensos ao processo, encerrados num envelope.

Continuei a ler. "Durante o copo de água, o noivo mandou suspender o baile e avisou os convidados que tinha uma pequena surpresa para cada um deles e que não saissem dos seus lugares, porque a mesma iria ser distribuida dentro de um envelope.

Assim foi. Um a um os convivas começaram a abrir os envelopes e, de repente, a sala foi varrida por um "sururu" e um coro de protestos indignados.

Os envelopes continham uma foto onde se via a noiva no "truca-truca" com um dos padrinhos, patrão do noivo".

Mais abaixo, o meu colega escreveu: "O noivo informou os circunstantes que já sabia da história há algum tempo e contratou um detective particular para obter as provas que necessitava, para desmascarar os traidores".

Pergunta-se: Porquê ter consumado o casamento?

Não teria sido mais fácil uma conversa privada para resolver a questão, sem pôr ninguém em xeque?

Como eu o compreendo. Vingança, pura vingança.

Ao continuar com a farsa do casamento, obrigou o pai da noiva a pagar uma boda para 300 convidados e a arcar com todas as despesas que um casamento comporta, ao mesmo tempo que punha a noiva e a sua família, de rastos perante a sociedade.

Agora vou ter de ser eu a "traduzir" aquela pessegada toda para linguagem jurídica.

Movida pela curiosidade, dei uma olhadela às tais fotos do "truca-truca".

Kaneko!

Já estou a imaginar a cara do D. José Policarpo.

AS MEMÓRIAS SÃO LIXADAS

sábado, 2 de maio de 2009

Dance with my father

I miss you so much!

quinta-feira, 30 de abril de 2009

PARA A PEQUENA BEATRIZ


Matilde, foi o mais parecido com o que tu pretendias.

O pasteleiro é artista e pode ser que ele valorize o bolo, com outros elementos, como fez com o da Inês.

Dia 4 de Maio já estou no Barreiro.

O que eu não faço por uma amiga...

Andar à procura do Noddy.

MAIS UM FIM DE SEMANA



Mais um fim de semana prolongado.

Hoje foi um dia complicado, véspera da minha partida para Trás-os-Montes, para ultimar os preparativos do casamento da D.ª Mimi.

Nunca pensei que um casamento desse assim tanto trabalho a organizar.

Ainda vou tendo a sorte de ter alguns amigos mais experientes nestas andanças, que têm colaborado e me têm desonerado de muitas tarefas.

A parte da Igreja já está resolvida, com as flores e a música cantada pela minha antiga tuna e por mim própria que prometi à noiva caprichar na interpretação.

O maestro escolheu os temas todos para as diversas fases da cerimónia e eu até já soube que o Padre da Paróquia convidou os dois lares de idosos da zona, a levar os seus utentes para assistirem à missa e terem a Comunhão. Com o consentimento dos noivos, é claro.

Diz o Padre que os idosos daquela zona, estão muito limitados em termos de ocupação de tempos e que todos são muito religiosos, não estando habituados a assistir à missa com um coral como o nosso, que integra quatro ex-cantadores de fado de Coimbra, muito conhecidos na nossa praça.

O copo de água vai ser na aldeia, ao ar livre e, como os velhotes não são assim tantos, convidei-os a todos para a boda.

A D.ª Mimi está radiante. Já tem a sua toilette quase pronta e fica-lhe mesmo a "matar".

Isto da toilette é que foi mais complicado. Inicialmente tinha ido com ela à casa Belinha aqui no Barreiro, porque me disseram que eram simpáticas e que lá poderia encontrar trajes para noivos e acompanhantes, com uma certa variedade e qualidade.

Detestei. As empregadas muito antipáticas e as roupas muito fora daquilo que eu estava à espera para uma cerimónia de casamento.

Quando pedi para a D.ª Mimi experimentar três vestidos dos que me pareceram mais apropriados para a idade dela, começaram por dizer que era melhor ir na semana seguinte porque iam chegar novos modelos e talvez encontrasse algum que agradasse mais.

Palavra que não percebi. Mas elas não estão ali para vender, para atender o cliente?

Deu-me a ideia que estavam ali a fazer um bruto frete e que não estavam interessadas em realizar capital.

Perderam mais do que ganharam. Optei por contactar uma modista que está a fazer o vestido por medida.

É claro que vai ficar muito mais caro, mas a D.ª Mimi merece. Não a quero ver vestida no dia do seu casamento com um modelo que é usado por uma infinidade de pessoas. afinal trata-se de um dia especial e, como tal, tudo tem de ser especial.

Esta madrugada lá vou eu para Saldonha.

Sei que por lá está muito frio e a chover mas vou ficar numa casa que tem uns quartos muito acolhedores, com edredons de penas e colchões fofinhos, como eu gosto, daqueles que uma pessoa se enterra e só fica o nariz de fora.

Se tudo correr bem, segunda-feira estarei de volta.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

domingo, 26 de abril de 2009

AO ESTILO DE GLENN MILLER - ADORO!

"Ex nihilo"


Mais um dia de trabalho intenso.
Entro apressada e esfomeada no Restaurante. Escolho uma mesa afastada, num canto, pois quero aproveitar o pouco tempo de que disponho, neste dia atribulado, para comer e acabar a programação que vou ter de enviar aos espanhois, por e-mail, para a reunião do dia seguinte, pela manhã.
Peço um prego no prato, uma salada e um sumo de laranja natural. Não sei porquê, quando estou com pressa, opto sempre pelo velho bife com batatas fritas e um ovo a cavalo. Mas o ovo tem de ser virado e bem passado. Vá-se lá saber porquê.
Abro o notebook e apanho um valente susto, com aquela vozinha sumida, atrás de mim:
- Senhora, tens uma moeda?
- Não, não tenho, miúdo.
- Só uma moedinha, por favor. É para comprar um pão.
É uma criança. Detenho-me a olhar para ele e, por momentos, fico tentada a correr com aquele pequeno intruso. Mas algo me faz mudar de ideias.
- Está bem. Vou pedir um pão para ti.
As minhas caixas de correio electrónico estão cheias de mensagens. Fico distraída a ler poesias e rio das piadas malucas que muitos amigos têm por hábito enviar-me. Uma das músicas que me mandaram, faz-me voltar a Londres e às boas recordações de tempos idos.
- Senhora, podes pedir para pôr margarina e queijo no pão?
De novo um sobressalto. Percebo que a criança ainda se encontra ali.
- O.K., vou pedir. Mas depois vais ter de me deixar trabalhar, porque estou muito ocupada.
Chega a minha refeição e, com ela, o meu constrangimento. Faço o pedido do rapaz e o empregado pergunta-me se quero que o mande embora. A minha consciência impele-me a dizer que está tudo bem, que o deixe ficar e peço mais um prego no prato e um sumo de laranja igual ao meu.
Ele senta-se na minha frente e pergunta:
- Que estás a fazer?
- Estou a ler e-mails.
- O que são e-mails?
- São mensagens electrónicas, enviadas por pessoas, via internet.
Sabia que ele não ia perceber nada mas, para me livrar de mais perguntas, digo:
- É como se fosse uma carta. Só que via internet.
- O que é internet?
- É um local no computador, onde podemos ver e ouvir muitas coisas: notícias, música, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar, trabalhar, aprender. Tem de tudo um pouco, este mundo virtual.
- E o que é virtual?
O sacana do puto não desarma. Resolvo dar-lhe uma explicação simplificada, na esperança de que não perceba nada, desista de fazer perguntas e me deixe comer descansadamente e sem remorsos.
- Virtual é uma coisa que imaginamos. É algo que não podemos ter nem tocar. É lá que criamos um monte de coisas que gostariamos de fazer. Criamos fantasias e transformamos o Mundo.
- Isso deve ser mesmo muito porreiro. Gostei!
- Então já percebeste o que quer dizer “virtual”?
- Sim. Eu também vivo nesse tal mundo virtual.
- Porquê? Tens computador em casa?
- Não. Mas o meu mundo é como esse que tu disseste... virtual. A minha mãe trabalha a dias e está o dia inteiro fora de casa. Chega muito tarde a casa, quase não a vejo. Eu cuido do meu irmão mais novo, que passa o dia a berrar com fome. Às vezes dou-lhe água para ele pensar que é sopa.
Tenho uma irmã mais velha que passa os dias a dormir e as noites fora de casa. A vizinha diz que ela anda a vender o corpo, mas eu não percebo, pois ela volta sempre com o corpo.
- E o teu pai? Que faz o teu pai?
- O meu pai está preso há muito tempo. Está numa cadeia do Norte e não podemos visitá-lo, porque não temos dinheiro para as viagens.
Mas eu imagino sempre que estamos todos juntos, em casa, como uma família, com muita comida, muitos brinquedos e que ando naquele colégio do Alto da Paiva. Gostava de ser médico, um dia. Isto é virtual, não é, senhora?
Não lhe respondi. Fechei o notebook. Dou por mim com aquele ardor nos olhos, que às vezes não consigo controlar, eu que até já deixei de chorar, há muitos anos atrás.
Em silêncio, aguardo que a criança devore a refeição. Pago a conta e dou-lhe o troco.
Retribui-me com o mais belo e sincero sorriso que já recebi em toda a minha vida.
- Obrigado, senhora. És uma gaja porreira!
Naquele preciso momento, tive consciência do virtualismo insensato em que vivemos todos os dias.
Não cheguei a perguntar como se chamava aquele pequeno grande ser.
Entre o nada e o virtual, a realidade cruel rodeia-nos, de verdade, mas vamos sempre fazendo de conta que não a percebemos.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

ALDA LARA - QUADRAS DA MINHA SOLIDÃO




Fica longe o sol que vi,
aquecer meu corpo outrora...
Como é breve o sol daqui!
E como é longa esta hora...

Donde estou vejo partir
quem parte certo e feliz.
Só eu fico. E sonho ir,
rumo ao sol do meu país...

Por isso as asas dormentes,
suspiram por outro céu.
Mas ai delas! tão doentes,
não podem voar mais eu...

que comigo, preso a mim,
tudo quanto sei de cor...
Chamem-lhe nomes sem fim,
por todos responde a dor.

Mas dor de quê? dor de quem,
se nada tenho a sofrer?...
Saudade?...Amor?...Sei lá bem!
É qualquer coisa a morrer...

E assim, no pulso dos dias,
sinto chegar outro Outono...
passam as horas esguias,
levando o meu abandono...

quinta-feira, 23 de abril de 2009

QUEM SE LEMBRA DESTA MÚSICA?

Acho que deve ter sido inspirada no Lago dos Cisnes, porque o refrão assim o faz lembrar.

A MÚSICA DAS LIMPEZAS

Agora sem a D.ª Mimi, sou eu que tenho "acumulado" as tarefas caseiras.

Quem ouvir esta música, no Barreiro, já sabe que sou eu a aspirar ou a fazer qualquer outra tarefa doméstica.

Canto com eles e danço.

Nada de chamar a polícia
.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

BENFICA FOREVER!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

RECUERDOS

Gosto de ouvir esta música, quando estou a trabalhar em pareceres.

Inspira-me.

sábado, 18 de abril de 2009

O JANTAR



Há pouco tocou o telefone fixo. Admirei-me, porque quase ninguém tem aquele número e quando alguém liga, quase sempre é engano.

Atendi por descargo de consciência, a preparar a frase habitual do "não há aqui ninguém com esse nome. Deve ser engano".

Mas enganei-me redondamente.

Do lado de lá aquela voz jovial do meu amigo Luís, Barreirense e socialista até à ponta dos cabelos, que me queria convidar para um jantar.

Perguntei-lhe como soube o meu número de casa, que não vem na lista telefónica. Não quis dizer, certamente para não comprometer alguém em quem confiei.

Pois bem, o Luis queria convidar-me para o jantar comemorativo do 25 de Abril, organizado pelo PS numa quinta em Coina.

Não reprimi umas boas gargalhadas. Já há muito que não me ria assim.

Claro que recusei.

O desgraçado do Luis ainda era expulso do PS, se aparecesse comigo no tal jantar.

SESIMBRA


Agora tenho passado menos tempo no Barreiro.

Há uns tempos que andava a pensar mudar-me para junto do mar, para um sítio onde pudesse apanhar sol, divertir-me e, ao mesmo tempo, perto de Lisboa.

Hesitei entre Sines, Costa da Caparica e Sesimbra, mas foi esta última que me levou a decidir por uma vida saudável à beira mar.

Tenho notado diferença no meu estado de espírito matinal, que já não é tão corrosivo.

Levanto-me todos os dias às seis da manhã e vou andar meia hora junto ao mar. Depois regresso a casa, tomo o meu duche e o pequeno almoço e, por volta das oito, lá rumo a Lisboa para mais um dia de trabalho.

À noite já não me custa tanto o regresso, porque faço os possíveis para chegar a tempo de ver o sol pôr-se, mesmo em frente da janela do meu quarto.

Com o tempo, acho que o Barreiro se irá diluir nas minhas memórias e a casa que lá tenho, servirá para alojar aqueles amigos de fora, que de longe em longe me visitam.

Ainda não mudei a residência, porque em Outubro quero votar no Carlos Humberto para Presidente da CMB.

Foi uma promessa que fiz a mim própria e que vou cumprir, a menos que morra até lá.