sábado, 21 de março de 2009

A FOTO



Não gosto muito de "posar" para fotografias.

Sempre foi uma coisa que nunca me agradou. Desde miúda.

O meu pai que era amante dessa arte, via-se e desejava-se para conseguir que eu ficasse sossegada a "olhar o passarinho". Ficava sempre com o rosto em baixo ou, à última da hora, saía do enquadramento e a foto ficava deserta.

Um martírio, descrevia ele.

O meu colega Ramon, o meu espanhol preferido pelo seu refinado sentido de humor, andou várias vezes a tentar fotografar-me, sem êxito.

Riu-se quando eu lhe disse que não deixava, porque ele era bem capaz de recorrer ao fotoshop para fazer uma das suas brincadeiras malucas e ainda me punha na internet a fazer coisas que não costumo fazer.

Hoje, à laia de despedida, e com uma lagrimita a bailar-lhe no olho, entregou-me a única foto que me conseguiu tirar, a caminho do restaurante do aeroporto de Estocolmo, quando lá estivemos em serviço.

O sacana do espanhol fixou-me as "canetas" e zás!

Ficou uma foto para a posteridade, para quando eu já fôr velhinha, andar de bengala e pensar, com nostalgia e saudade: "Quem me dera ainda poder usar aqueles saltos!".

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